Jerusalém: ame-a ou…

Jerusalém é a cidade mais emblemática de Israel, enquanto sua capital eterna não reconhecida pela comunidade internacional. Berço do judaísmo, local de onde o profeta Muhammad subiu aos céus. Em suas ruelas se passaram os últimos capítulos da história de Jesus Cristo.

A cidade, onde os sionistas construíram seu parlamento, não é exatamente retrato da sociedade israelense. O sionismo que fundou Israel e escolheu Jerusalém era secular, mas os seculares já não se sentem em casa na cidade. Eu senti pessoalmente esse sensação, que é representada por números e depoimentos de outras pessoas que já tenham passado (e foram expelidos) pela cidade. Em 2014, 6.421 das de 17 mil pessoas que deixaram a cidade tinham idade entre 15 e 29 anos.

Em 2011, a cidade tinha cerca de 804 mil habitantes. Dos cerca de 499 mil habitantes judeus, 32% se declararam ultra-ortodoxos, 21% como religiosos e 10% como tradicionais-religiosos. Apenas 16% se consideraram “não muito religiosos” e 19% como seculares. Cerca de 281 mil habitantes eram muçulmanos e quase 15 mil cristãos. Os dados são do CBS, Central Bureau of Statisctics.

O fato é: jovens e seculares se sentem menos em casa na cidade. Meus amigos (e eu pessoalmente) podem falar que a cidade é linda e que sentem saudades. Seus lindos bairros e cafés. Os cantos seculares de Jerusalém são lembrados com carinho pelos que alí passaram. São bares com identidade única e restaurantes com comida e ambiente diferenciados.

Quem sai da cidade para viver em uma cidade como Tel Aviv, por exemplo, enfim entende que é diferente morar em cidades mais… amigáveis. Em Jerusalém você poderá viver experiências únicas e comprar frutas no melhor mercado do país. Ao mesmo tempo, deverá aguentar a pressão de viver em uma cidade com muitos religiosos. Ortodoxos judeus ou muçulmanos contribuem para que haja um clima tenso para quem não é religioso. Esse ponto reforça também o conflito com os palestinos. Jerusalém talvez seja retrato do que o país passa atualmente: conflito, religião e a segregação que levam diferentes partes da sociedade a buscar seus refúgios e evitar o convívio.

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Comentários    ( 4 )

4 Responses to “Jerusalém: ame-a ou…”

  • Menache Reznik

    24/02/2016 at 17:28

    Fiquei um pouco confuso, todos os 6421 jovens (pouco mais de 6% da população de “seculares” e ou um pouco mais de 1% da população total judaica) que sairam eram seculares? Todos estes que saíram foi por não se sentirem a vontade ou por outros motivos (familiares, trabalho, etc)? Mesmo assim estamos dizendo que 94% da população de seculares ou 99 % da população total judaica permanece em Jerusalém. Onde está o ame-o ou …?

    • David Gruberger

      24/02/2016 at 22:31

      Menache, obrigado pelo comentário.
      Os dados não são muito profundos, o fato é que quem vê a realidade da cidade sente o que eu escrevi.
      Quiça faltaram relatos de pessoas e seus motivos. Posso dar apenas o meu de que a cidade é problemática para jovens e seculares que querem fazer sua vida. Acredito que meus vários amigos que chegaram ao país na cidade ou estudaram lá decidiram sair pelas oportunidades de trabalho juntamente com o fato de que a cidade é muito religiosa e pouco tolerante para quem está lá no dia a dia e tem mente liberal.
      Os dados de saída são para apenas um ano, e sustentam um déficit que se repete anualmente…
      Fico à disposição para a discussão.
      Abs

  • Raul Gottlieb

    29/02/2016 at 19:27

    Caros David e Menache,

    Vejam este artigo sobre o assunto abordado pelo David.

    http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4770388,00.html

    Tenho alguns amigos em J’lem e muitos dizem que não saem de lá apenas por razões de trabalho.

    Abraço,

    Raul

  • Marion Vaz

    03/03/2016 at 04:43

    Interessante. Você inicia o artigo afirmando que a cidade é “emblemática” .Aqui no Brasil o significado desta palavra implica em algo completo, perfeito, representativo, simbólico entre outros. Então você afirma que ela é o berço do Judaísmo, mas que também tem uma importância significativa para outras duas religiões. É de se esperar que a cidade de Jerusalém mantenha o seu status – não só para os religiosos judaicos, pois desdes os tempos bíblico foi nomeada centro espiritual do povo (Salmos 122.3.4), mas também como a capital de Israel no sentido político. Todos os esforços feitos para manter a cidade vinculada ao país seria em vão se ela se tornasse a “capital dos seculares”, por exemplo. Em pouco tempo, meu amigo, ela seria dividida em duas partes e uma delas a gente bem sabe o que se tornaria. Então eu acredito que esse comprometimento de judeus ortodoxos tem o seu valor, mesmo que os seculares se sintam incomodados. E observe que estes mesmo “amando-a”, abandonam a cidade! Outro ponto interessante do artigo diz respeito a estes seculares que procuram recomeçar a vida em outras cidades de Israel – Nada contra! Mesmo porque aqui no Brasil muitas grupos de pessoas deixam suas cidades de origem para viver nos grandes centros comerciais como Rio de Janeiro e São Paulo. Acredito que o clima tenso, os conflitos, atentados, diferenças religiosas possam contribuir para deixar a população de Jerusalém preocupada, mas que retrato é esse que você pintou da cidade representando todo o país? Desculpe, mas Jerusalém não expeliu ninguém… E de acordo com seu artigo, as pessoas é que foram embora… Cada uma com seu conceito pre estabelecido, seu ideal de perfeição, buscando outros bairros, outros cafés, outros bares, outras frutas…

Você é humano? *