Jerusalém Oriental — Parte 5: Carteiras de Identidade

01/08/2013 | Conflito, Política, Sociedade.

Mais uma parte da tradução livre do artigo “Uma cidade para todos nós” (עיר לכולנו), de Nir Hasson, publicado no encarte de final-de-semana do jornal HaAretz de 28.12.2012. O post introdutório você lê aqui. Futuramente, traduzirei as demais partes do artigo.

A fase mais avançada do processo de israelização se materializa nos pedidos por carteiras de identidade israelenses. Ao contrário do território em que vivem, inteiramente anexado a Israel, os residentes foram apenas parcialmente anexados; praticamente todos possuem apenas um documento de residente. O status de residente os priva de muitos direitos, inclusive o direito de votar nas eleições para a Knesset. Acima de tudo, são privados do direito de morar onde queiram.

Diferentemente dos cidadãos, que podem morar nos territórios ou em qualquer outro lugar, um hierosolimitano palestino que se muda para os territórios palestinos ocupados (ou se o limite do município coloca sua casa “após a fronteira”), ou passa muitos anos estudando no exterior, corre o risco de perder seu status de residente – e o direito de retornar à sua cidade natal.

O caminho para obter cidadania plena é aparentemente aberto mas, na prática, Israel levantou obstáculos. Historicamente, eram poucos os palestinos solicitando cidadania israelense, uma vez que eram considerados “traidores” que aceitam a ocupação. Entretanto, também esta barreira foi aparentemente derrubada. Dados do Ministério do Interior revelam que algumas centenas de palestinos de Jerusalém Oriental receberam cidadania israelense em cada um dos últimos anos. Advogados envolvidos neste processo afirmam que a fila de candidatos está ficando cada vez mais longa.

“A barreira de vergonha caiu”, conta o advogado Amnon Mazar, especializado em requerimentos de cidadania. “As pessoas chegaram à conclusão que a Autoridade Palestina não será sua salvação e que Israel é a sua cornucópia. Então o fazem por benefício pessoal. Pessoas que obtém cidadania israelense não são mais necessariamente considerados traidores da pátria. É a moda. Eles não sentem que há algo de que se envergonhar”.

A queda da barreira da vergonha é perceptível também em uma pesquisa realizada entre residentes de Jerusalém Oriental pelo Washington Institute for Near East Policy – um think tank independente – em janeiro de 2012. Os resultados foram dramáticos. Uma das perguntas era “Em caso de uma solução definitiva de dois Estados, em qual Estado você preferiria morar?” Nada menos que 35 por cento dos participantes escolheram Israel, 30 por cento optaram pela Palestina e 35 por cento se recusaram a responder.

“Foi uma surpresa”, admite o Dr. David Pollock, que conduziu a pesquisa. “Pensávamos que as pessoas não gostariam de falar ou admitir, mas o fizeram. Você pode ver pela grande quantidade de pessoas que se recusaram a responder que se trata de um assunto bastante sensível. Então eu diria que esses números são o mínimo”. Em resposta à questão “O que seus vizinhos prefeririam neste caso?”, 39 or cento responderam que os vizinhos prefeririam morar em Israel.

Qual a explicação? O número de explicação para o processo que ocorre atualmente com Jerusalém e seus residentes palestinos é igual ao número de especialistas consultado.

Alguns citam a barreira de separação[ref]Composta 90% de cerca e 10% de muro, a Barreira de Separação foi criada para aumentar a segurança de Israel, impedindo infiltrações terroristas da Cisjordânia. Seu traçado, inteiramente em terras palestinas, varia entre trechos de grande fidelidade à Linha Verde – do Armistício de 1949 – e profundas inserções, representando a efetiva anexação de grandes blocos de assentamentos judaicos em território palestino.[/ref], que dividiu Jerusalém Oriental da Cisjordânia, seu mercado natural e interior, a jogou seus residentes nos braços dos israelenses. Outros apontam para a estagnação do processo de paz e a descrença em mudanças que tomou conta dos palestinos de Jerusalém Oriental. Há especialistas que pensam que a Primavera Árabe e a instabilidade generalizada no Mundo Árabe levam os palestinos de Jerusalém a buscar seu futuro na cidade unificada. Outra causa mencionada às vezes é a crise que resulta na divisão atual da Autoridade Palestina. Ou pode simplesmente se dever ao fato de que, após tantos anos de ocupação, uma geração que nasceu nesta situação prefere prestar atenção em seu futuro material do que levantar uma bandeira nacional. Mas todos concordam que a principal força que os empurra não é o amor por Israel, mas o desejo de sobreviver.

“A carteira de identidade israelense é parte de meu summud”, afirma uma palestino que obteve o documento, referindo-se ao conceito de perseverança. O advogado israelense Adi Lustigman, que represente residentes palestinos no processo de naturalização, acredita que solicitar a cidadania israelense efetivamente fortifica a identidade palestina. “É o que lhes permite reter sua terra e seus direitos no lugar onde vivem”, afirma. “Ainda são palestinos; o fato de receberem cidadania não os torna colonos. Pelo contrário: lhes dá mais liberdade de movimento e a possibilidade de estar em contato com os palestinos da Cisjordânia, de trabalhar em Ramallah e viver onde queiram, sem a necessidade de prestar contas a ninguém”.

Tsachar: “Um hábito se torna natural, e este hábito também se tornará natural em algum momento. Não importa se é israelização ou pragmatismo. Quanto mais longe você se movimenta ao longo do eixo do tempo, mais reduzida está a disparidade entre 1948 e 1967. Há novas marcações no eixo, é a natureza humana”.

Segundo Israel Kimchi, pesquisador-sênior do Jerusalem Institute for Israel Studies, é vital lembrar que mais da metade da população de Jerusalém Oriental “nasceu já nesta situação [de domínio israelense]. As coisas caminham em direção a uma maior moderação, mais entendimento da situação atual, de viver o quotidiano da maneira que é possível. O que eles querem é ter um parquinho para as crianças, como na cidade ocidental”.

“Sobrevivência” é também a palavra usada pela Dra. Asmahan Masry-Herzalla, pesquisadora do Jerusalem Institute, para descrever o comportamento dos palestinos de Jerusalém Oriental. Ela também concorda que, ao contrário das expectativas, o atual processo acabará por reforçar a identidade palestina dos árabes de Jerusalém.

“É pura sobrevivência. Não significa que querem se tornar israelense. Querem caminhar entre as gotas de chuva”, ela afirma. “Mas quando um jovem palestino começa a estudar, sua consciência aumenta e sua identidade é reforçada. Veja o que aconteceu com os árabes em Israel: quanto mais se integram, mais conscientes se tornam de sua identidade palestina”.

Jawal Siyam, do vilarejo de Silwan, vizinho à Cidade Velha, é um líder político de destaque em Jerusalém Oriental. Está à frente da luta contra os colonos judeus na cidade, e já foi preso várias vezes. “Nossa vida em Jerusalém Oriental é complexa”, ele afirma. “Somos palestinos e precisamos pertencer a um lugar onde sentimos que temos respeito, e este lugar não é Israel. Por enquanto temos documentos [de residência] israelenses e temos de lidar com as autoridades israelenses, e eu entendo que algumas pessoas estão solicitando carteiras de identidade para facilitar a vida. Mas qualquer coisa que Israel e os colonos façam apenas nos torna mais palestinos”.

Kimchi, que por anos produziu propostas de soluções políticas para dividir a cidade, não acredita que o atual processo afetará as opções de partilha. “No final das contas, será uma decisão política. Ninguém nos consultará”.

Segundo Margalit – entrevistado antes da decisão da Assembléia Geral das Nações Unidas que concedeu status de Estado-observador à Palestina – “Mais e mais palestinos perdem as esperanças na Autoridade Palestina. Eles não acreditam que uma partilha ocorrerá. Veem o que está acontecendo entre Hamas e Fatah, e dentro da própria Fatah, e dizem ‘Não, obrigado. Já temos nossos próprios problemas, por que entraríamos nessa confusão? Preferimos ficar sob domínio israelense’. Para alguém como eu, esta é uma verdade difícil de aceitar”.

De fato, para Margalit, ativista veteranos em prol dos direitos dos palestinos em Jerusalém, a nova situação cria dilemas incômodos. “Há reflexões diárias aqui entre considerações humanísticas e políticas. É verdade que as coisas estão um pouco melhores para os árabes de Jerusalém Oriental”, ele diz, “mas no longo prazo, nós judeus, e todos nós juntos em geral, pagaremos um preço mais caro. Por que o que está ocorrendo aqui está destruindo a base da solução-de-dois-Estados”.

“Passei pelo período de lamentar, quando dizíamos que ‘a culpa é toda dos judeus’. Não digo que eles não têm responsabilidade também, mas também tenho que olhar por mim”, acrescenta Abu Hamed que, além de ser diretor de filiais dos planos de saúde, preside um comitê voluntário para promover a educação em Sur Baher. Ambos os papéis o colocam em constante contato com as autoridades israelenses. O que o impulsiona, ele diz, é o sentimento de descriminação.

“É uma sensação dura. Me queima por dentro quando dirijo até Armon haNatziv [um bairro judaico construído após 1967, próximo a Sur Baher] e vejo que estão raspando o asfalto antigo para recapear a via e você diz a si mesmo ‘Deus, eu queria ter ao menos o asfalto antigo’. As expectativas da população de Jerusalém Oriental se estendem a serviços banais, como asfaltamento e esgoto. Eles não têm culpa que aconteceu a Guerra dos Seis Dias. Permitam ao menos que vivem com honra, após 40 ou 400 anos. Quando a solução política vier, aí veremos”.

Após a publicação deste artigo, deu-se novo enfrentamento entre palestinos e a polícia em Isawiyah. Dezoito jovens foram presos. A agência dos correios não foi atacada.

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Foto de capa: http://photos.cor.org/d/1837-3/Holy+land+Show+Part+1+_20+of+94_.jpg

O artigo original pode ser lido aqui e sua versão em inglês, aqui.

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Comentários    ( 6 )

6 Responses to “Jerusalém Oriental — Parte 5: Carteiras de Identidade”

  • Raul Gottlieb

    02/08/2013 at 13:55

    Valeu, Cláudio! Como as anteriores, esta parte também é muito interessante. Contudo um detalhe deve ser ressaltado.

    O terceiro parágrafo começa dizendo que o caminho para obter a cidadania israelense é aparentemente aberto, mas na prática Israel levantou obstáculos.

    Em seguida esperava-se que estes obstáculos fossem explicados, ou ao menos mencionados, mas o texto segue dizendo que os palestinos não solicitavam a cidadania por que a sua comunidade não via esta atitude com bons olhos, mas que isto está mudando.

    E o texto segue até o final mas sem dizer quais os obstáculos que Israel levantou.

    Há um padrão nisto? No texto sobre a paz se diz que “Israel deveria ter feito mais”, mas não se diz qual é este mais a ser feito.

    Aqui lemos sobre obstáculos, mas não se diz quais são.

    Esta não é uma crítica aos autores do Conexão, visto que nos dois casos citados os autores das afirmações são pessoas externas ao blog. É uma reflexão sobre uma doença muito difundida: Israel por ser ocupante, oprime, pois está em sua natureza oprimir, assim como está na natureza do ocupado ser inocente sempre.

    Algo muito semelhante ao que acontece com os empresários e banqueiros no Brasil. Aqui no nosso auriverde torrão, empresários são exploradores de mão de obra mal tratada por definição – eles aprenderam a explorar na mamadeira que suas mães preparavam – e banqueiros são gananciosos por definição universal e jamais contestada.

    Ora, ora, ora. Não é assim não! Os primeiros árabes a solicitar cidadania israelense foram assassinados pelos radicais que se opõem à normalização. Os próximos já deixaram esta ideia perigosa para lá. Leiam os jornais dos anos 70, por favor.

    A procura pela cidadania israelense tem crescido muito entre os árabes de Jerusalém e o autor levanta algumas hipóteses para isto, que me parecem serem todas válidas. Porém creio que há mais uma: o desencanto dos palestinos com a Autoridade Nacional Palestina. A ANP é corrupta, incompetente e não presta os serviços que os cidadãos esperam dela. Seu atual presidente está no nono ano de seu mandato de quatro anos e ninguém nem sonha em organizar novas eleições. A imprensa não é livre e os jornalistas que levantam questões desagradáveis para a ANP são presos e silenciados. A substancial ajuda que o mundo todo dá aos Palestinos não tem contabilidade transparente e existem fortes suspeitas que o dinheiro irrigue contas clandestinas nos paraísos fiscais do mundo e não a agricultura palestina.

    Os palestinos de Jerusalém olham para a ANP e para a Kneset e escolhem a Kneset, com todos os seus problemas (quem não os tem?). Apenas 30% deles dizem preferir ser palestinos se um dia houver um estado Palestino!

    A escolha que se coloca diante deles é: você prefere ser um cidadão minoritário numa democracia que respeita as minorias – como eu sou no Brasil – ou ser maioria num estado totalitário?

    Só gente muito distraída se espanta pela escolha dos 70% (sendo que não se sabe quantos dos 30% restantes votaram orientados pelo medo de falar a coisa politicamente errada). Não vamos nos esquecer que diferente dos sírios e dos egípcios (e de tantos outros) os palestinos entendem o que é democracia por que convivem com uma.

    Abraço, Raul

    • Mario Silvio

      02/08/2013 at 23:55

      Excelente Raul! A imensa maioria das matérias sobre o conflito do OM é bipolar: Israel ruim, palestino bom. Gostei também da comparação com o que acontece por aqui: rico ruim, pobre bom.

    • Claudio Daylac

      03/08/2013 at 15:44

      Raul,

      Fico feliz que você tenha aproveitado a série sobre Jerusalém Oriental. Não é o padrão do site traduzir textos de outros autores, mas julguei esse excepcional. Infelizmente, te dou a triste notícia que a série acaba na semana vem.

      Acho que o consenso entre a esquerda israelense, e grande parte da comunidade internacional, é que Israel desfruta de uma posição vantajosa em relação aos palestinos – isto é inegável. Nós controlamos suas terras, suas vidas e tiramos inclusive vantagens econômicas desta situação. É por isso que Israel pode ceder mais, porque sua influência sobre o quotidiano palestino é muito maior que a influência palestina sobre o quotidiano israelense – mesmo o meu, que moro em Jerusalém.

      A opressão – e ela existe, sim – não torna os palestinos 100% éticos ou morais, mas afeta negativamente o nosso caráter. Esse é mais um dos motivos pelos quais a ocupação deve acabar, como concordamos eu, você, o João e até o Mussi Raz.

      Sobre os obstáculos impostos aos palestinos interessados na aquisição da cidadania israelense, existem todo tipo de investigações de passado criminoso (uma espécia de “nada consta”), por exemplo, além de má vontade burocrática. Este processo – um direito dos palestinos residentes em Jerusalém – tornou-se tortuoso a ponto de ter surgido toda uma área de atuação de advogados, como mostra a reportagem, especializados em driblar os obstáculos.

      A violência dos primeiros anos, que você mencionou, evoluiu para um pesado tabu social, que vem se deteriorando muito lentamente, como expõe o autor.

      Por fim, assim como muitos judeus na Diáspora enfrentam o difícil dilema entre seguirem suas vidas onde estão, onde construíram sua estrutura (financeira, cultural, familiar, etc.), ou juntarem-se aos seus irmãos israelenses na construção do sonho coletivo que é o Estado de Israel, também os palestinos hierosolimitanos encaram um dilema posto em uma decisão pessoal que afeta a posição coletiva. Eu consigo facilmente me identificar com eles nesta situação. E entendo ambos os lados.

      Um abraço!

  • Raul Gottlieb

    04/08/2013 at 01:12

    Cláudio,

    O que poucos percebem é que o polo fraco nesta disputa é Israel. Em comparação com os vizinhos, Israel é um país minúsculo com poucos habitantes e recursos naturais muito limitados. Além disso precisa investir pesadamente na defesa por que é atacado por gente muito disposta a destruí-lo desde antes de sua fundação.

    O fato do fracote ter aprendido a se defender não o torna forte, mas um fraco com defesa competente. Mas pedir que a imprensa consiga retratar esta sutileza é pedir demais de Deus. Ele nos tornou o povo eleito para formarmos uma sociedade justa e não para fazer o milagre de enfiar bom senso em cabeças idiotizadas pelo preconceito politizado.

    Eu penso que Israel não desocupa militarmente os territórios por que não pode faze-lo e não por que não quer faze-lo para ter ganhos financeiros ou de qualquer outro tipo ou por simples crueldade.

    Israel desocupou Gaza por que achava que ia conseguir estabelecer uma fronteira inexpugnável. A fronteira não foi tão maravilhosa assim, mas deu para o gasto. Era melhor desocupar – como diz o Mossi – do que continuar perdendo soldados todos os dias. O mesmo aconteceu no Líbano. Mas com a Cisjordânia não dá para fazer o mesmo prognóstico, então Israel a mantém ocupada até que a condição política por lá mude.

    Sobre a simpática galera árabe de Jerusalém (hierosomilitano é uma palavra que deriva da denominação grega de Jerusalém e que me lembra o grito antissemita HEP, que me dá calafrios), claro que entendo o seu dilema. E acho que eles dão graças a Deus por terem a opção israelense para fugir da opção islâmico-palestina. Eles olham para a Síria (100 mil mortos em dois anos!) e percebem que algo muito semelhante pode acontecer num futuro estado Palestino.

    Shavua Tov,
    Raul

    • Mario Silvio

      04/08/2013 at 16:48

      “O que poucos percebem é que o polo fraco nesta disputa é Israel. Em comparação com os vizinhos, Israel é um país minúsculo com poucos habitantes e recursos naturais muito limitados. Além disso precisa investir pesadamente na defesa por que é atacado por gente muito disposta a destruí-lo desde antes de sua fundação.”
      E mais uma coisa Raul, as lideranças palestinas, e as árabes em geral (com raras e elogiosas exceções) não se importam com morto do seu próprio povo desde que hajam judeus também.

      Se em um conflito morrerem mil palestinos e 10 israelenses, o hamas consideraria uma vitória, e Israel uma derrota.

      Finalizo dizendo que Israel desocupou o Sinai também. onde seria muito mais fácil obter ganhos financeiros, e muito maiores

  • Mario Silvio

    04/08/2013 at 01:38

    ” é que Israel desfruta de uma posição vantajosa em relação aos palestinos – isto é inegável.”
    Concordo Claudio, mas você duvida que se fosse ao contrário, israelenses seriam massacrados diariamente?

    “Nós controlamos suas terras, suas vidas e tiramos inclusive vantagens econômicas desta situação. É por isso que Israel pode ceder mais, porque sua influência sobre o quotidiano palestino é muito maior que a influência palestina sobre o quotidiano israelense –”
    Também verdade, mas não se pode apagar o passado, você, eu e todo mundo somos constantemente julgados pelo que já fizemos, certo? Ceder a quem colocou bombas em escolas, ônibus, cafés, esmagou o cránio de bebês, jogou um ancião em cadeira de rodas no mar é complicado.
    Mas o x da questão nem é esse, mas sim ceder o que e em troca do que? O que fazer se nem ao menos prometer que se contentariam em ter o próprio país eles prometem? Ser mais claro do que o hamas é impossível, mas mesmo assim existem judeus, e até israelenses que não acreditam.

Você é humano? *