#Jerusalight

No último dia 23, oitava noite de Chanuká, participei de um evento chamado #Jerusalight.

O evento era organizado pela ONG Jerusalem Village (Kfar Yerushalmi) que visa integrar jovens imigrantes (olim chadashim) à sociedade israelense através de eventos socioculturais onde possam conhecer outros jovens, nascidos no país ou também imigrantes de todas as partes do mundo. #Jerusalight tinha a interessante ambição de adaptar a tradição à modernidade.

A tradição vinha através de um dos mais típicos passeios de Jerusalém.

Durante as oito noites de Chanuká, pessoas costumam vir de todo o país para caminhar pelas ruelas de Nachlaot[ref]Pronuncia-se “narrlaot”, ou “najlaot” com o J espanhol.[/ref]. Fundado no final do século XIX e localizado na região central da cidade, o bairro de Nachlaot representa a fronteira entre o norte de Jerusalém – caracterizado por sua população majoritariamente judaica ultraortodoxa – e os bairros do sul, habitado pelo que a prefeitura costuma chamar de “o público sionista” (judeus laicos, tradicionalistas e religiosos-sionistas).

Nachlaot é um microcosmo de Jerusalém. Seu nome é o plural da palavra Nachalá (bairro) e nos leva à época em que a região foi urbanizada, quando 32 diferentes comunidades judaicas estebeleceram-se ali. Cada pequeno bairro[ref]Eu costumo usar a vila do seriado Chaves como exemplo do “bairro” ao qual se refere a palavra Nachalá[/ref] reunia um grupo definido de judeus (alemães, iraquianos, etc.) e era praticamente auto-suficiente, geralmente possuindo seu próprio poço de água e, em função da pobreza reinante à época, um único forno comunitário coletivo.

Ao longo do século XX, com a expansão da cidade, a prefeitura condensou todos estes pequenos bairros sob o nome Nachlaot, que se expande por uma área mais similar à noção moderna de “bairro”. Esta região, atualmente, reúne uma população mista de ultraortodoxos vivendo ao lado de tradicionais famílias do bairro, religiosas ou não, além de muitos estudantes, atraídos pelas facilidades oferecidas pelo shuk Machané Yehuda, pelos bares e restaurantes da região, e também pelo acesso ao bonde (VLT).

Duas heranças da época dos 32 bairros originais encantam qualquer visitante. Tendo cada uma das comunidades sua própria sinagoga (ou suas próprias sinagogas), Nachlaot é o bairro com a maior concentração de sinagogas em todo o mundo – algumas grandes e famosas, outras pequenas e discretas. E as tradicionais famílias do bairro, cada uma com sua tradição milenar, costumam acender suas as velas de Chanuká e colocar seus candelabros (chanukiot) em suas janelas, varandas e portas. Este festival de luzes atrai turistas para um passeio noturno pelas estreitas ruas de Nachlaot durante a semana de Chanuká.

A modernidade vinha da forma como aproveitamos nosso passeio de chanukiot.

A idéia da dos organizadores era repaginar este clássico passeio. Com a ajuda de fotógrafos profissionais, nos foi oferecida uma oficina de fotografia noturna para podermos registrar Nachlaot e as luzes de Chanuká com nossos próprios telefones celulares. Aprendemos técnicas que realçam as capacidades das câmeras presentes nos telefones, ou que aproveitam suas limitações para enfatizar certos aspectos das imagens.

Por um ano, morei em Nachlaot, no bairro dos judeus curdos, e este passeio foi especialmente nostálgico para mim. Caminhando por aquelas ruas de pedra, por aquelas pequenas praças cheias de histórias, me lembrei dos meus primeiros momentos no país e também de algumas das reflexões que influenciaram minha aliá[ref]Lit. elevação, é o nome que se dá à imigração do judeu a Israel[/ref] e me trouxeram a Israel. Apenas aqui é possível viver uma vida judaica plena, em que o judaísmo não resida exclusivamente nos rituais religiosos, mas também sirva de temática para experiências quotidianas, como uma oficina de fotografia noturna agendada para coincidir com Chanuká.

Deixo vocês com um álbum de fotos tiradas durante nosso passeio, usando apenas telefones celulares.

Comentários    ( 2 )

2 comentários para “#Jerusalight”

  • Rebeca Daylac

    07/01/2015 at 20:09

    Lindo!!!!
    Saudades de Jerusalém!!!
    bjs

  • Marcelo Starec

    08/01/2015 at 15:10

    Muito bom, Claudio!
    Interessante a diversidade de sinagogas – “Nachlaot é o bairro com a maior concentração de sinagogas em todo o mundo”…Bem tipico do povo judeu!!!…E por fim parabéns pelos motivos que o levaram a viver em Israel !….
    Abraço,
    Marcelo.

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