Joio do trigo

Criticar Israel é antissemitismo?
Qual seria o limite entre emitir opinião sobre ações do governo de Jerusalém e atacar a “existência sionista”?

Nathan Sharansky, presidente da Agência Judaica para Israel, dissertou sobre o tema no artigo “Foreword” (2004). Imigrante oriundo da antiga União Soviética, sofreu vários tipos de preconceito na terra natal. Sentia seu judaísmo abafado.

Em Israel, aprendeu a viver em sociedade democrática, onde a pluralidade de ideias é exacerbada. Portanto, “tocar o pau” no primeiro ministro, exército, políticos, etc seria algo natural e supera a opressão vivida no comunismo.

Na diáspora, principalmente, comunidades israelitas convivem com incitações contra o Estado Judeu, vindas de ativistas sociais e partidos políticos. Nada mais legítimo, partindo de uma premissa de liberdade de expressão.

Agora, quando judeus se queixam da agressividade de alguns discursos, do teor raivoso, também há legitimidade. É neste ponto que Sharansky discorre, explica e “separa o joio do trigo”.

Ele traz a teoria dos “3 D”: Demonização; Dois pesos e duas medidas; Deslegitimação. Desta forma, ele identifica o que chama de “novo antissemitismo”.

Primeiro D: aumentar as proporções dos conflitos militares, trazendo comparações ofensivas, que buscam “esculachar” moralmente Israel. Maior exemplo é igualar a Faixa de Gaza aos Campos de Concentração, colocando Jerusalém no papel de realizador da barbárie nazista, mesmo sendo parte do povo vitimado por Hitler e seus parceiros.

Segundo D: quantidade de sanções contra Israel na ONU, enquanto outros países em conflito não recebem nem 20% das condenações. A guerra civil síria não recebe tais designações. Por quê? Direitos Humanos não são violados, com mais de 200 mil mortos?

Terceiro D: pegar críticas a Israel e concluir que, na verdade, o problema seria a sua própria existência. Alguém pede o fim da Turquia e Iraque, quando fala em independência do Curdistão? E China e Tibete?

Desde o início da Segunda Intifada, há 15 anos, partidários das extremas esquerda e direita atacam israelitas e israelenses, questionam suas presenças em vários países do mundo, inclusive na terra histórica. Se há 80 anos, diziam na Europa “Vão para a Palestina”, pois seriam vistos como “estrangeiros”. Hoje, dizem para sair de lá.

O advogado norteamericano, Alan Dershowitz, em seu livro “Em Defesa de Israel”, conclui que este novo antissemitismo coloca Israel como “o Judeu entre as nações” e isto explicaria e justificaria o preconceito por si só.

Muitos judeus, em Israel e fora dele, não dão apoio a operações militares em Gaza e Cisjordânia. Qualificam o premiê Benjamin Netanyahu com adjetivos como “fascista” e “ditador”. Certos ou não, estão nos seus direitos de emitir opiniões.

Agora, quando alguém, logo de cara chama Israel de nazista, diz que o Estado Judeu é uma invenção dos Estados Unidos, um presente dado pela culpa do Holocausto (o Sionismo veio muito antes da Segunda Guerra Mundial) e conclui que autodeterminação judaica não é legítima, podem ter certeza: caiu a máscara de mais um antissemita. Por mais bem articulado, inteligente e títulos acadêmicos que tenha, BATATA. O cara manifesta o novo antissemitismo apontado por Nathan Sharansky.

PS: Agradeço ao pessoal do Machon LeMadrichim pela sugestão do tema.
Foto: http://4.bp.blogspot.com/-gqamaFnXqBU/T5BhzDckQhI/AAAAAAAAA-o/TTic86ENb7k/s1600/joio.png
Texto Original: http://www.jcpa.org/phas/phas-sharansky-f04.htm

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Comentários    ( 2 )

2 Responses to “Joio do trigo”

  • Marcelo Starec

    21/06/2016 at 19:08

    Oi Nelson,

    Parabéns pelo excelente artigo!…No fundo, todos sabem quão simples é este tema!…Claro que se pode criticar Israel, mas é óbvia a diferença entre uma critica digamos “normal”, ou seja, uma critica que quem a faz pensa o mesmo e a faz também, do mesmo modo, para qualquer outro Estado do mundo e por outro lado uma critica com claro VIES ANTISSEMITA ! A critica que é feita SOMENTE a Israel, a condenação desproporcional – obviamente desproporcional – É fácil identificar o antissemita !…..

    Abraço,

    Marcelo.

    • Nelson Burd

      21/06/2016 at 20:31

      Exatamente. É importante este tema levantado pelo Nathan Sharansky. Muitas vezes, até pessoas próximas acabam contaminadas por discursos antissemitas travestidos de opiniões políticas. Abraço.