Kulanu

24/02/2015 | Eleições; Política

Kulanu Kahlon logo

O “Kulanu” (tradução para português: “Todos Nós”), partido fundado pelo ex-parlamentar do Likud e ex-ministro das Comunicações Moshe Kahlon, faz sua estreia no campo político israelense nas eleições de março de 2015. O partido ainda não apresenta um plano de governo, mas uma rápida passada de olho em seu site oficial já nos mostra qual o seu principal foco.

A frase exibida na página principal faz um convite ao eleitor: “Junte-se agora à revolução (I), ajudem-nos a desfazer os monopólios (II), ajudem-nos a neutralizar os conglomerados (III) e ajudem-nos a combater os altos custos de vida.”(IV)

As frases (I) e (IV) estão destinadas as mais de 400 mil pessoas que foram as ruas protestar contra o aumento dos custos de vida no país no verão de 2011. (II) e (III) são simultaneamente uma recordação do principal feito político do líder do partido, e uma mensagem política de como partido pretende resolver o problema destes pelo menos 400 mil insatisfeitos.

Kahlon revolucionou o mercado de telefones celulares em Israel ao quebrar o monopólio das três principais empresas do país e permitir a livre concorrência.. O efeito foi quase imediato. Os preços baixaram expressivamente. Para ilustrar, no fim de 2010, a Cellcom, principal empresa do país, vendia seu plano de chamadas e mensagens ilimitadas por 149 shekels, sem internet (exigia-se pagamento adicional). Hoje, a mesma empresa oferece o plano ilimitado, com 6 giga-bytes de internet, por apenas 69 shekels. Outras empresas, oferecem o mesmo serviço por apenas 49 shkalim. Ou seja, a população teve acesso a planos vantajosos. Kahlon ficou conhecido como aquele que pode enfrentar as grandes empresas e melhorar as condições de vida da população.    

Não bastasse este feito, Moshe Kahlon é mizrahi, não usa gravata, e fala direto com o povo. Escolheu como número 2 da lista, Yoav Galant, um prestigioso general do exército israelense, que esteve envolvido em um episódio de apropriação de terras públicas – fato este que impediu sua nomeação como comandante chefe do exército israelense em 2011. Além dele, seu partido apresenta outras personalidades de renome, como o ex-embaixador de Israel nos Estados Unidos, Michael Oren (4), e a vice-prefeita de Jerusalém, Rachel Azaria (5).

Mas o foco do partido, como visto na propaganda anterior, continua em sua figura.

O “Kulanu” é mais um partido em Israel criado com base em uma figura. As últimas eleições do país tem sido marcadas por novos partidos, fundados praticamente com base em uma liderança singular. Assim foi com Yair Lapid, criador do Yesh Atid e com Tzipi Livni, fundadora do partido HaTnua, nas últimas eleições. Desta vez, Moshe Kahlon, ex-Likud é a nova-velha cara da política israelense. O partido alcançou 10 cadeiras nas últimas eleições.

Apesar de não ter um programa definido, de qualquer forma, buscamos entender suas visões com base nos últimos discursos do seu líder e nas poucas informações do seu website. Dividindo por temas, apresentamos algumas destas posições:

O Conflito Israel-Palestina

Kahlon se define como o velho Likud. O Likud de Menachem Begin – que sabe ser duro em momentos difíceis, mas também sabe como chegar à paz. Sua posição é uma clara alusão a um caminho desvirtuado seguido por Benjamim Netanyahu, como líder do Likud, no que diz respeito a busca de uma solução para o conflito com os palestinos.

Educação

Igualdade de oportunidades na educação é uma das mensagens do site oficial. Aumento do orçamento para escolas localizadas em cidades pobres e redução para cidades ricas. O partido pretende acompanhar a implementação de alto nível dos princípios pedagógicos em 300 escolas selecionadas de acordo com critérios sócio-econômicos e localização geográfica. Busca de novos professores e incentivo a profissionais que estudem educação e sigam a carreira de professor.

Saúde

Cancelamento de pagamentos extras por exames e cirurgias. Aumento do número de remédios presentes na cesta de remédios disponíveis ao público sem custos. Aumento do número de leitos e de profissionais na área de saúde, como médicos e enfermeiros, até chegar a um nível médio similar a de outros países da OCDE.

Economia

Politica de redução do preço dos imoveis por meio de construção de moradias públicas. Redução da pobreza em Israel. Luta contra os monopólios e aumento da competitividade em todos os mercados, com destaque para alimentos e roupas.

Fontes

Foto de capa retirada do site: http://nashpia.co.il/stories/549aeb42f949c53a1900051f

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