Livcot Lecha – Chorar Por Ti

25/10/2013 | Política

Desolação. Desespero. Quando o filho da puta do assassino cumpriu sua missão, na noite de sábado do dia 4 de novembro de 1995, eu estava em Porto Alegre, com 16 anos. Quase duas décadas depois, posso afirmar, desde Israel, que mataram o cidadão Itzchak Rabin, mas não o seu caminho político.

Hoje, para ganhar uma eleição, em Israel, precisa-se prometer um plano de paz. Até o premiê reeleito, Bibi Netanyahu, opositor ferrenho de Rabin em 95, hoje, navega por águas não d´ante navegadas por ele. Trazer Tzipi Livni ao seu governo foi para ter alguém de qualidade na negociação com palestinos, Estados Unidos e ONU.

Entretanto, o assassinato de Rabin vai além da política. Arrancaram-o da gente. Ultrapassaram todos os limites. O próprio Ariel Sharon, dias depois da tragédia, escreveu artigo no jornal Yediot Aharonot: “Estou chocado. Conheço Ytzchak há tempos. Podíamos ter diferenças políticas, mas até fomos amigos. A sociedade israelense vive seu pior momento, ao matar um primeiro ministro. Abre-se um precedente perigoso”.

Os políticos sabiam disso e ficaram apavorados. Extremistas existem na direita, esquerda e vias alternativas. Promulgaram lei que enquadra “assassinos de chefes do Poder Executivo com prisão perpétua”. Ygal Amir, o filho da puta, nunca sairá da cadeia, por mais que setores minoritários da sociedade local acreditem que ele poderia ser libertado, depois de um período.

Por mais que a esquerda e a família Rabin não queiram vingança, uma galera gostaria de linchar Ygal Amir e seus comparsas. A verdade é que os opositores de Itzchak, como Bibi, à época, que sorriam quando chamavam o “Paladino da Paz” de traidor, por buscar acordo com os vizinhos, hoje seguem o mesmo caminho de negociações e também morrem de medo de morrer.

Rabin, na verdade, não tinha essa preocupação. Dispensou colete à prova de balas, nunca impediu que populares se aproximassem, mesmo os raivosos opositores. Perdão pela frase, mas o assassinato surpreendeu. Toda a velha guarda não esperava algo assim. Depois disso, os sucessores “botam chinelo de borracha para ligar o chuveiro elétrico”, como dizem. “O seguro morreu de velho”. Coincidência, ou não, o parceiro Shimon Peres, atual presidente, está com 90.

Mas a vida continua. De Ygal Amir a Mahmoud Ahmadinejad, muitos outros ainda virão.

Resta-me chorar, por ora. Pelo Arafat, que deu para trás na hora H, em 2000. Pelo Hamas, que sempre foi o Hamas. Pelo Hezbollah, que segue sendo o Hezbollah. Pela Síria, que está se matando.

Mas, lamento mesmo, o assassinato, a saudade do lider. “Livcot Lecha -Chorar por Ti”, como escreveu e cantou Aviv Geffen, como interpretou também Arik Einstein.

“…Quando estamos tristes,
vamos à praia, por isso o mar é salgado…

Para sempre, meu irmão.
Vou te lembrar sempre
E vamos nos encontrar no fim, você sabe…

Eu vou chorar por ti
seja forte lá em cima”

Link: http://shirimemportugues.blogspot.co.il/2009/05/livkot-lecha-aviv-gefen.html

———————————I

Itzhak Rabin comenta sobre a temática violência 03 dias antes de ser assassinado

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=nw4uf2OK5PM]

Foto da Capa: Daniela Feldman

Comentários    ( 7 )

7 comentários para “Livcot Lecha – Chorar Por Ti”

  • Mario Silvio

    25/10/2013 at 18:37

    ” De Ygal Amir a Mahmoud Ahmadinejad, muitos outros ainda virão.”
    Virão, com certeza. Espero que sejam presos como Israel faz e não levados ao poder como o Irã faz.
    Loucos são perigosos, na cadeia menos do que soltos e soltos menos que governando.

  • Mario Silvio

    26/10/2013 at 23:29

    Nelson, peço licença para comentar algo relativo ao seu artigo anterior a esse.
    Motivado por ele procurei e achei um Halwa diferente do único que conhecia,
    com pistache. Não como um há mais de 40 anos,

  • Raul Gottlieb

    28/10/2013 at 14:43

    Excelente o texto Nelson, principalmente pela percepção de que Rabin foi um destes raros líderes que efetivamente fizeram a diferença. Depois dele nada foi igual.

    Muito obrigado!

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