Massada e seu Festival de Ópera: um show à parte

08/06/2015 | Cultura e Esporte

Uma das maiores atrações culturais de Israel começou na última quinta-feira, dia 4, com a primeira das quatro encenações de Tosca no 5º Festival de Ópera de Massada, realizado no Deserto da Judeia, em Israel. Produção monumental, a produção do Festival de Ópera empregou neste ano 2.500 pessoas, além de 700 participantes da equipe de operações.

Com a iluminada montanha de Massada servindo como cenário de fundo, há uma evidente sintonia entre dois grandes desafios: o que viveu o povo judeu à época do domínio romano e o que vivem os envolvidos na produção e realização do festival. A distância física entre os músicos, entre eles e os atores, e entre os atores e o maestro parecem insuperáveis. Não bastasse isso, as apresentações acontecem em um imenso palco aberto, sujeito aos ventos incessantes das noites no Deserto da Judeia. Essas características, no entanto, somente ampliam a exuberância desse festival, que atrai nesse ano mais de 3 mil estrangeiros para suas 6 apresentações, fora o público local.

“Escolhemos peças que não necessitam de um ambiente intimista. Apesar de todas as dificuldades técnicas de sua execução, o público certamente sairá daqui feliz. Esse é um lugar mágico, que evoca grande emoção e contribui para que seja uma noite inesquecível. Se me perguntarem o que sinto quando me apresento aqui, a resposta é fácil: não há nenhum sentimento que se compare ao de executar, todas as noites, o hino Hatikva nesse local espetacular”, afirmou Daniel Oren, maestro israelense de projeção internacional que se apresenta no festival desde sua primeira edição. Ele está a cargo de Tosca; o maestro inglês James Judd responde pela condução de duas apresentação de Carmina Burana.

Durante o último ensaio geral antes da estreia, as dificuldades vividas pela orquestra, típicas de apresentações em locais amplos e abertos, foram incansavelmente trabalhadas pelo maestro Oren. “Já melhoramos muito tecnicamente em relação aos anos anteriores e aprendemos todas as dicas para driblar os obstáculos, em especial a de fazer uma música de alta qualidade chegar até o grande público”, afirmou frente a uma multidão de jornalistas de todos os lugares do mundo. O resultado esperado – de propiciar ao longo das próximas duas semanas uma experiência única em um ambiente inóspito e singular – certamente será alcançado. E, dessa forma, Israel confirma seu lugar no mundo da ópera.

As apresentações de Tosca acontecem nos dias 4, 6, 11 e 13 de junho e, de Carmina Burana, nos dias 5 e 12 de junho.

 

Comentários    ( 4 )

4 comentários para “Massada e seu Festival de Ópera: um show à parte”

  • Raul Gottlieb

    08/06/2015 at 23:51

    Eu já vi Aida (ótima) e Nabuco (média) em Massada.

    É um super programa!

    Nas duas vezes fiquei na pousada do kibutz Ein Gedi, que também foi muito agradável.

    Mas a maior dificuldade que eu achei não foi o vento do deserto e sim o escoamento do público depois do espetáculo. As filas tem muitos assentos e os corredores de escoamento são bem estreitos. Um pânico certamente gerará uma tragédia.

    Mas felizmente Israel é um lugar seguro.

    • Miriam Sanger

      15/06/2015 at 11:46

      Raul, tudo verdade. Abraço e obrigada por nos escrever.
      MIriam

  • Marcelo Starec

    09/06/2015 at 02:09

    Oi Miriam,
    Eu ainda não tive a oportunidade de assistir ao vivo…mas assisti a vários vídeos desse evento e realmente deve ser algo emocionante!….Imagina ter o privilégio de assistir em um local que representa para nós judeus tanta história…Você está assistindo hoje, com toda a tecnologia e sabendo que, nesse mesmo local, a cerca de 2000 anos, houve momentos tão importantes para a história do povo judeu – momentos que nos conectam a um passado, ao mesmo tempo remoto, ao mesmo tempo ontem!!!….Muito bom!….

    Abraços,
    Marcelo.

    • Miriam Sanger

      15/06/2015 at 11:45

      Oi, Marcelo. Verdade. Logo mais, no fim desse mês, é hora da ópera em Jerusalém. Será na Piscina do Sultão, com a vista das muralhas. Haja coração!
      Abraço,
      Miriam

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