Matchmaker, matchmaker, make me a match…

“Matchmaker, Matchmaker,

Make me a match,

Find me a find,

catch me a catch

Matchmaker, Matchmaker

Look through your book,

And make me a perfect match”

Jerry Bock & Sheldon Harnich, Fiddler on the Roof

A letra acima é do clássico filme Um Violinista no Telhado. As três meninas, filhas de Tevyie, o leiteiro, cantam pedindo à casamenteira que encontre um marido para elas, porque afinal de contas os jovens não podem decidir por eles mesmos.

Os tempos já são outros, como retrata a linda peça baseada nos contos de Sholem Aleichem, mas o shiduch, ou segundo meu dicionário, “arranjar casamento” ainda é um esporte nacional. Diz a mística judaica que se você fizer 3 shiduchim, ou seja, apresentar pessoas que formarão um casal, seu lugar no céu está garantido.

Quando estava no Ulpan (curso de hebraico) do Centro de Absorção minha professora pediu para que nos apresentássemos com nome e idade. Quando disse a minha ela perguntou se eu era solteira. Disse que sim. Imediamente ela respondeu dizendo que tinha um filho solteiro da mesma idade e perguntou se eu gostaria de conhecê-lo. E o mesmo aconteceu com o dono da loja no shuk, o corretor que me mostrou o apartamento e o motorista de taxi.

O flerte em Israel é bem diferente do Brasil – ou do Rio, que é o lugar de onde eu vim. Claro, como em qualquer cidade existe o que a gente conhece como “normal”: troca de olhares nos bares e boates, troca de telefones, conversinhas que podem render no nosso “ficar com” ou num date no dia seguinte. Mas além disso existem outros meios.

Aqui os sites de encontros são super populares, e todo mundo usa. Não to falando do JDate[ref]www.jdate.com/[/ref], que é um site mundial para encontro de judeus solteiros, mas de sites de encontro em todo mundo.

Um dos mais conhecidos é o OKCupid[ref]www.okcupid.com[/ref]. Praticamente todos os seus amigos do Facebook estão lá, e com a mesma foto. Quando sugeri isso para algumas amigas no Brasil todas me olharam com um certo desconforto, do tipo “Mila, você não precisa disso, você pode encontrar alguém por vias normais”. Mas aqui não é mico ou vergonha estar num site desses, é absolutamente normal, mais uma forma de se relacionar. No OkC – para os íntimos –  você se descreve e responde perguntas sobre os mais variados assuntos, de ética à sexo, de religião à estilo de vida, e o computador vai calculando a compatibilidade entre os usuários. Eu, por exemplo, veto qualquer cara que tenha respondido que “sim, de alguma forma uma guerra nuclear seria excitante”, mas isso é porque eu moro no Oriente Médio.

Pergunta decisiva!
Pergunta decisiva!

Há também o Atraf[ref]www.atraf.com[/ref], que é uma espécie de Grindr[ref]http://pt.wikipedia.org/wiki/Grindr[/ref] não só para gays, mas para também para heteros, e só funciona em Israel. Nesse o perfil é bem mais curto, e o foco não é exatamente uma relação amorosa, e sim um encontro casual com alguém perto de você. Mas já ouvi histórias de namoro e casamento que começaram lá.

Além desses sites há o Facebook. Ah, o Facebook. Primeiro, Israelenses adoram adicionar pessoas porque viram uma foto de amigos em comum e te acharam “gatinha”. Segundo, existem grupos na rede social de dating. Por exemplo, estudantes da Universidade Hebraica de Jerusalém criaram um grupo chamado HUJI Dating, cuja a descrição é mais ou menos assim:

“O período dos estudos universitários pode ser difícil e estressante. Encontrar um namorado/a nesse período pode fazer maravilhas!”

No grupo é possível colocar foto, mandar mensagem, e é aberto à todos os estudantes de todos os campi, o que também segundo a descrição “facilita a vida no período de provas”.

Mas o Facebook não para por aí. Sabem aquelas mensagens que todo mundo compartilha? Pessoas desaparecidas, protestos, objetos roubados? Eu já vi um post compartilhado de uma moça, com foto, que dizia “eu achei que ia encontrar o amor da minha vida, mas eu já tenho 38 e não encontrei, então conto com a ajuda de vocês para achar minha alma gêmea” e aí ela se descrevia. E todo mundo compartilhou.

Aqui a gente não comemora dia 12 de junho como no Brasil, não existe campanha publicitária sendo exibida o tempo todo sobre amor e casais, mas a verdade é que não precisa. Aparentemente se pensa nisso o tempo todo. E é perfeitamente normal.

Foto de capa: http://2.bp.blogspot.com/-nyMPP76jDog/TbMyEBRGnUI/AAAAAAAAAS8/7mzDt-VC44k/s1600/100_0383.JPG

Comentários    ( 21 )

21 comentários para “Matchmaker, matchmaker, make me a match…”

  • Nanna

    13/06/2013 at 02:32

    Interessantíssima sua matéria. Como os costumes e o “modus vivendi” variam nos mais diferentes lugares. Contudo é certo afirmar que todos buscam partilhar momentos ou compartilhar vidas. O amor é o único que no sofre varrições relativos ao lugar…
    A propósito, sou brasileira e tive a oportunidade de assistir a peça “Um violonista no telhado”. Adorei o enredo…

    • Mila Chaseliov

      13/06/2013 at 12:49

      Olá Nanna,
      obrigada pela visita. Eu também adorei a peça. E concordo com você, a forma é diferente mas no fundo buscam a mesma coisa.

      Abraços!

  • Raul Gottlieb

    13/06/2013 at 08:07

    Um texto muito gracioso, como os textos da Mila costumam ser. Noto apenas que o “Violinsta” não foi baseado “nos contos” de Sholem Aleichem em geral e sim no livro específico “Tevie o Leiteiro”. A peça é uma adaptação muito bem sucedida do livro.

    Um outro olhar pode ser acrescentado às observações da Mila sobre o costume judaico de contar com um shadchan – seja ele eletrônico ou de carne e osso: Já o patriarca Abraão mandou seu servo procurar uma esposa para o filho Isaac. Ou seja este costume é bem judaico e vem de longe.

    E a Torá se preocupa em registrar que Isaac primeiro dormiu com Rebeca e depois a amou (Bereshit 24:67). Ou seja, as nossas raízes sugerem que a prática de “ficar” antes de se decidir por um relacionamento mais profundo faz sentido.

    Realmente o Facebook é um mero acessório dos nossos dias. A humanidade não mudou tanto assim ao longo dos milênios.

    Obrigado pelo texto, Mila.

    • Mila Chaseliov

      13/06/2013 at 12:41

      Raul,
      obrigada pelo elogio, Tem toda razão, o livro é Tevye, o Leiteiro! Você viu a peça no Rio?
      E ótimo o comentário sobre a Torá, adorei.

      Abraços!

  • Mario Silvio

    13/06/2013 at 14:34

    Mila e Raul, cada um de vocês está meio certo. Tevye o Leiteiro é um personagem de Scholem Aleichem
    e aparece em várias histórias. A obra na qual o Violinista se baseia é Tevye e suas filhas. Da Wikipedia:

    Tevye the Dairyman ([ˈtɛvjə], Yiddish: טבֿיה דער מילכיקער Tevye der milkhiker, Hebrew: טוביה החולב) is the protagonist of several of Sholem Aleichem’s stories, originally written in Yiddish and first published in 1894. The character became best known from the fictional memoir Tevye and his Daughters (also called Tevye the Milkman or Tevye the Dairyman), about a pious Jewish milkman in Tsarist Russia, and the troubles he has with his six daughters:[1] Tzeitel, Hodel, Chava, Shprintze, Bielke, and Teibel, as well as from the musical dramatic adaptation Fiddler on the Roof. The village of Boyberik, where the stories are set, is based on Boyarka, now in Ukraine.:[2]
    The story was adapted for stage and film several times, including several Yiddish-language musicals. Most famously, it was adapted as the Broadway musical and later film versions of Fiddler on the Roof. The original Broadway musical was based on a play written by Arnold Perl called Tevye and his Daughters.

    • Mila Chaseliov

      13/06/2013 at 14:43

      Boa Mario!
      Vocês sabem como é em hebraico a múscia “If I was rich man”? É “Lu haiti Rothschild”, se eu fosse um Rothschild. A peça aqui faz parte do repertório do Cameri em Tel Aviv, da próxima vez que estiverem em Israel eu recomendo muito! Não precisa entender hebraico, é lindo da mesma forma.

    • Mario Silvio

      13/06/2013 at 21:50

      Rothschild aparece como sinônimo de milionário em vários contos e anedotas do folclore judaico. Obrigado pela dica Mila. Trata-se de um grupo musical? Estão sempre em cartaz?

    • Mila Chaseliov

      13/06/2013 at 22:43

      Eh um teatro em Tel Aviv. Aqui o link: https://www.cameri.co.il/index.php?page_id=430
      (computador do trabalho, sem acentos)

  • Rebeca Daylac

    13/06/2013 at 17:27

    Mila,
    Seus textos são sempre muito bons!!! Este é uma gracinha!!!!
    Adoro lê-los!!!
    bjs

  • Raul Gottlieb

    13/06/2013 at 18:29

    Não vi a peça no Rio.

    Vi a peça uma vez em NY (acho que com o Topol) e muitas vezes o filme.

    Topol ficou super famoso com o filme. Me contaram uma anedota que ele foi contratado para um musical (sem tema judaico) na Broadway por conta de sua atuação no filme. Na negociação do contrato o Topol exigiu não performar na sexta à noite e a direção aceitou sua exigência contratando outro artista para as performances deste dia. Consta que a placa da porta do camarim do artista substituto dizia “Fulano de Tal – Shabbes Goy”…

    Provavelmente isto não é verdade, mas é engraçado!

  • Raul Gottlieb

    13/06/2013 at 18:33

    Mario – então, conforme a Wikipedia o livro também é chamado de Tevye o Leiteiro e a peça se baseia no roteiro do livro e não nas demais histórias da personagem. Acho que informamos corretamente, se bem que o teu acréscimo enriqueceu o tema.

    The character became best known from the fictional memoir Tevye and his Daughters (also called Tevye the Milkman or Tevye the Dairyman), … as well as from the musical dramatic adaptation Fiddler on the Roof.

    • Mario Silvio

      13/06/2013 at 21:49

      Verdade Raul, consideremos a “divergência” encerrada, afinal não se trata de from territories e from the territories.
      um abraço.

  • Raul Gottlieb

    13/06/2013 at 18:43

    Mais uma coisinha apenas sobre o Violinsta, em particular sobre o “If I were a Rich Man”:

    Há uma frasezinha perdida na música que me parece perfeita e que desde que ouvi nunca mais saiu da minha cabeça: “when you are rich they think you really know”.

    O mundo funciona muito assim, não é? A maior parte das pessoas se guia pela percepção da sabedoria dos outros em vez de analisar o que eles falam. A meu ver a fantasia charedi de barba, chapelão e roupa austera exste para criar esta imagem de sábio.

    Dizem até mesmo que existem Rabinos que compram chapéus um número menor para parecerem ter a cabeça grande – cheia de sapiência!

    É o “they think you really know” aplicado na prática. Da mesma forma que os professores que se fazem fotografar austeros na frente de estantes de livros que jamais leram e segurando uma publicação aberta, mas olhando para a câmera.

    O Sholem Aleichem era sábio de verdade!

  • Luiz

    13/06/2013 at 19:28

    adore o comentário – sou um marrano de alma puramente judaica – sempre cri que a cegonha, foi arrastada por um vento terrível, e da Terra, vim nasce no Brasil – quero minha judia!!! – matchmaker find me a match

  • Raul Gottlieb

    13/06/2013 at 22:48

    Aí Luiz,

    A minha sogra de 92 anos está solteira.

    Se o teu único requisito for ser judia ela se encaixa.

    Principalmente se você levar ela para morar longe do Rio!

    Abraço, Raul

  • Mario Silvio

    22/06/2013 at 16:23

    O que significa esta palavra da foto?

Você é humano? *