17/12/2012 | Eleições, Política.

Meretz

Fundado em 1991, o Meretz (Energia em hebraico) é um partido de esquerda sionista, criado a partir da fusão dos partidos Mapam (sionista socialista), Ratz (pacifista pró-direitos humanos) e o Shinui (de orientação secular). O partido se autodefine como social-democrata, a favor da separação total entre religião e Estado e tem como prioridade o fim da ocupação nos territórios palestinos ocupados por Israel em 1967.

Na oposição desde 2000, quando integrou o governo de Ehud Barak (Avoda), o Meretz  já chegara a ocupar 12 assentos na Knesset mas hoje é afetado pelo crescimento da direita israelense, e vê sobretudo no enfraquecimento das negociações por paz o principal motivo para a sua crise.

O Meretz se proclama atualmente o único partido de esquerda sionista, e seu lema é “Esquerda é Meretz”. O partido tem força desproporcional em Tel-Aviv e nos kibutzim fundados pelo movimento Hashomer Hatzair.

O Meretz ocupa, após as Eleições 2015, o número de 5 cadeiras na Knesset.

Figuras em destaque

Zehava Galon, número 1 do partido pela segunda vez consecutiva, iniciou sua carreira política em 1984 em uma campanha pela exibição de filmes no cinema de Petach Tikvah aos sábados.  Trabalhou na ONG de direitos humanos B’Tzelem e é parlamentar desde 1999.

Outros nomes importantes são Ilan Guilon, número dois do Meretz. Ex-membro do Mapam, tem um papel importante na luta pelos direitos dos deficientes, e o economista Issawi Frej, primeiro parlamentar árabe do partido, concorrendo pela segunda vez seguida.

Como a lista é decidida?

O Meretz realiza primárias separadas para a liderança do partido e para a formação da lista. Ambas são feitas de forma indireta: todos os filiados podem eleger e candidatar-se a delegados regionais, proporcionais ao tamanho da população em cada área do país. São eleitos mil delegados, que primeiramente votam pelo líder do partido, e, posteriormente, na ordem da lista. Há reserva de vagas por gênero: a cada dois nomes deve haver um de cada sexo até o décimo da lista.

Posições do Partido

Religião e Estado

O Meretz se diz um partido judaico, mas não religioso. É contra o monopólio dos ortodoxos em relação ao judaísmo em Israel e se declara totalmente a favor da separação entre religião e Estado. O partido é a favor da liberdade religiosa; do funcionamento do transporte público no sábado para as populações locais que o desejarem; da instituição de casamento e cemitérios civis; da legitimação dos judaísmos reformista e conservador pelo Estado; e da segurança do trabalhador que não trabalhar no Shabat por questões religiosas.

Política Econômica

O Meretz oferece política econômica equitativa, justa e limpa, que acredita em um estado de bem-estar e um forte sector público, na redução da desigualdade, e na regulação e supervisão para evitar a exploração dos trabalhadores e os fundos públicos. Para o partido, o bem-estar dos seus cidadãos é indissociável do crescimento econômico. Por isso propõe três mudanças essenciais:

1) Reforma tributária e plano de redução da desigualdade social.

2) Revolução no mercado de trabalho e retorno da responsabilidade do Estado por serviços prestados a seus habitantes.

3)  Alteração da ordem de prioridade e cesse desproporcional no investimento em assentamentos e orçamento de defesa, além do pré-condicionamento de todos os orçamentos da educação estudos fundamentais ultra-ortodoxos.

Política Social

O partido acredita que Israel deva ser um Estado de bem-estar social. Para isso propõe uma legislação que garanta direitos sociais como saúde, educação, moradia, emprego, direitos trabalhistas e a construção de creches. O Meretz propõe uma reforma tributária que favoreça as populações mais pobres com programas de auxílio, além da criação de uma gama de serviços comunitários. O partido também promete dar direitos sociais e até cidadania para imigrantes e acabar com a repressão a eles.

Territórios e Processo de Paz

O Meretz apoia a iniciativa de paz da Liga Árabe, que envolve a devolução dos territórios ocupados em 1967 por Israel, com o desmantelamento de assentamentos judaicos e a criação de um Estado Palestino. Jerusalém seria dividida e tornaria-se a capital dos dois Estados. Uma solução justa para a questão dos refugiados palestinos deve ser encontrada, mas dentro do Estado palestino. A normalização das relações diplomáticas de Israel com os países árabes deve ser uma consequência do acordo.

O Meretz apoia a paz com o Líbano de acordo com os princípios da Linha Azul. O partido acredita que seja possível um acordo de paz com a Síria que teria início com o fim da guerra civil e a devolução do Golan, que seria desmilitarizado e seguiria fornecendo água para Israel.

Educação

O Meretz acredita que a educação é a chave para uma sociedade democrática, igualitária e bem sucedida, e afirma que o último governo fez uso descarado e cínico do sistema de ensino para promover a agenda da direita. Para o partido, o sistema deve ser focada em habilidades e valores. Deve-se assegurar que todas as escolas ensinem o currículo básico, tenham um orçamento igualitário e aumentar o salário dos professores. A educação obrigatória deve ser desde os três meses.

Também é proposto o aumento do orçamento das universidades e faculdades públicas. Estudantes universitários que não puderem pagar seus estudos serão financiados pelo governo.

Segurança e exército

O Meretz acredita que a criação do Estado Palestino trará paz e segurança para os israelenses, e dará fim ao ethos militar que domina a sociedade. Em relação ao Irã, o Meretz apoia as iniciativas internacionais que visam prevenir a produção de armas nucleares.
O partido propõe, antes que se alcance a paz, o serviço militar profissional, com direito a salário mínimo, igualdade entre homens e mulheres, e a desmilitarização da política.

Outras posições

Outros três fatores são tratados pelo partido como prioridades: uma reforma política que dê fim à corrupção dentro do governo e de partidos políticos; o desenvolvimento do Negev, região mais pobre do país; e uma legislação especial de direitos humanos dentro do código civil de uma futura constituição, que garanta direitos especiais para as mulheres e minorias, e que seja estabelecida o quanto antes.

Fontes

Site oficial do partido
Portal Walla
Portal Mako

Foto de capa retirada do site:  http://www.haaretz.co.il/news/elections/sarid/.premium-1.2550544

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