Movidos pela paixão

A paixão do torcedor pelo seu clube por vir de várias formas. Hereditariedade, por exemplo. Muitas vezes, a identificação ocorre por transmissão direta. Uma verdadeira tradição de família.

Podemos confirmar esta tese ao ver, nas arquibancadas, pessoas de várias idades, sofrendo do mesmo mal de amor. Eles ficam tensos, gritam, xingam e extravasam.

Outro ponto que marca, e acentua, o sentimento é um longo jejum de títulos. O que existe dentro do peito vira fé, missão, dedicação. Não importa o resultado de campo. O principal é o fervor não racional. Se não vai na bola, empurram através de cantos. E acreditam que este seria o maior combustível dos atletas.

Ano após ano, o torcedor do Hapoel Jerusalém se acostumou a ver seu time derrotado em alguma das fases finais da Liga israelense. Invariavelmente, a derrota acontecia para o maior rival e mais popular de Israel, o Macabi Tel Aviv. Desta vez, a história foi bem diferente.

O basquete do Hapoel Jerusalém foi campeão da Liga Israelense em 2014/15, pela primeira vez, em 70 anos de história. Outros títulos já foram conquistados anteriormente, inclusive a Eurocopa-2004, mas faltava ser dono do terreiro. Mandar em casa.

Nas semifinais, o todo poderoso Macabi Tel Aviv enfrentaria o Hapoel Eilat, de menor expressão, numa série de melhor de 5 jogos. Paralelamente, o Hapoel Jerusalém jogaria série igual contra o Macabi Rishon LeTzion.

A grande pergunta que se fazia, naquele momento, era sobre o provável adversário do Tel Aviv nas finais. E tudo se encaminhava para isto, pois abriu-se 2 a 0, ficando a uma vitória da grande decisão. Do outro lado, o Jerusalém bateu o Rishon LeTzion, com relativa facilidade. Entretanto, o improvável aconteceu. O Eilat virou, ganhando três jogos em sequência, carimbando sua vaga na final.

Dentro do antigo lar, o ginásio Malha, os aficionados ocupavam todos os espaços disponíveis. Na nova Arena, também. Porém, sempre existe a sensação de que eles entram na quadra para jogar.

A Brigada Malha, torcida organizada composta por adolescentes e jovens, bate o bumbo e não para nunca. Pulam, fazem coreografias e tremulam bandeiras. Viajam a todos os pontos de Israel e Europa. Muitos deles nem chegaram a ver a Eurocopa 2004, mas não importa. Pagam a anuidade e vão a todos os jogos.

Jogadores confraternizam com torcida, após vitória.
Jogadores confraternizam com torcida, após vitória.

Esta turma nova, ao lado de fanáticos da velha guarda, viajou cinco horas de ônibus (para os israelenses, uma baita jornada) e lotou o ginásio de Eilat, na primeira partida da final. Todos eles esperavam a taça, pela primeira vez. Não importava a geração.

Desde o minuto inicial, o time da capital mostrava que 2015 era o ano da história. Jerusalém venceria o primeiro jogo por uma diferença de 15 pontos. O segundo, por 20 (88-68). A campanha foi comandada por dois jogadores israelenses, Yotam Halperin e Lior Eliahu, ex-Macabi Tel Aviv, renegados pelo antigo clube.

Ficamos felizes, porque os corações aguentaram tamanha emoção. A Arena de Jerusalém foi pequena, para tanta gente que desejava comemorar. A Praça Safra, ao lado da Prefeitura Municipal, foi o local da festa. Por toda a capital, apaixonados celebravam, buzinavam e sentiam um gosto único.

O Hapoel Jerusalém pode ganhar a Liga por dez anos seguidos, mas este ano fica registrado como o primeiro. A torcida levou o clube à conquista. E seguirá conduzindo sempre. Entoando “Yerushalaim Shel Zahav” ao final dos jogos, como costuma fazer, não vaiando nunca e acreditando sempre.

Parabéns Hapoel!

Cantos da galera: https://www.youtube.com/watch?v=3Rz_PwdXuRo

Compacto da final: https://www.youtube.com/watch?v=TKe4AUu08co

Íntegra da final: https://www.youtube.com/watch?v=dkynSY3Lugc

Foto da capa: http://cdn.voiceofisrael.com/uploads/2015/06/F150625YS41-new-980×588.jpg

Fotos interna: http://www.one.co.il/Cat/Images/Photo.aspx?c=@,2,78,&l=@,620,&t=@,1240,&a=253064&i=1199603&ttl=%u05D5%u05E8%u05E6%u05D4%20%u05E0%u05E4%u05DC%u05D0%20%u05E2%u05D3%20%u05E1%u05D9%u05D5%u05DD%20%u05D4%u05E2%u05D5%u05E0%u05D4%20%u05D4%u05E1%u05D3%u05D9%u05E8%u05D4%2C%20%u05D0%u05D5%u05EA%u05D4%20%u05E1%u05D9%u05D9%u05DE%u05D4%20%u05D1%u05DE%u05E7%u05D5%u05DD%20%u05D4%u05E9%u05E0%u05D9%20%28%u05DE%u05E9%u05D4%20%u05D7%u05E8%u05DE%u05D5%u05DF%29

Comentários    ( 13 )

13 comentários para “Movidos pela paixão”

  • Raul Gottlieb

    17/07/2015 at 13:37

    Bacana isto, Nelson.

    O certo é que as pessoas trocam de país, trocam de religião e até trocam de sexo.

    Mas não trocam de clube,

    Nunca.

    • Nelson Burd

      17/07/2015 at 18:18

      Exatamente.
      E mesmo com tantos anos sem ganhar, impressiona a quantidade de jovens envolvidos.
      Shabat Shalom.

  • Mario S Nusbaum

    17/07/2015 at 18:37

    Qual é o critério para participar da Eurocopa? Se ele nunca tinha ganho a Liga Israelense, por que participou em 2004
    Shabat Shalom

    • Nelson Burd

      18/07/2015 at 00:57

      O campeão vai para a Euroleague. O vice e terceiro podem ir para Eurocopa. Essa é a regra. Mas, o Macabi Tel Aviv, mesmo quando não é campeão, acaba pegando a vaga para a Euroleague, por questões financeiras. Vamos ver se isso muda agora.

  • Marcelo Starec

    17/07/2015 at 18:45

    Muito bom Nelson!…

    De fato, a paixão pelo clube é algo realmente muito difícil de mudar, como bem colocou o Raul. Em toda a minha vida, só conheci uma única pessoa que trocou de clube na adolescência e ficou torcendo pelo novo time para sempre…Imagino que para os imigrantes que chegam em Israel seja um tanto complicado escolher um novo clube para torcer, embora duvido que, ainda que escolham outro, consigam deixar de lado a sua paixão pelo antigo clube….

    Shabat Shalom!….

    Marcelo.

    • Nelson Burd

      18/07/2015 at 01:02

      Quem imigra, não apaga uma paixão antiga. Apenas adota outra. Até porque a grande maioria torce no futebol. Mas, o acompanhamento aqui traz coisas novas. Israel é europeu, em termos esportivos. Além dos times daqui, acompanham os times da Espanha e Inglaterra, no futebol. Clássico Real x Barcelona dá audiência maior do que Macabi x Hapoel, por exemplo. No basquete, os times daqui ocupam toda a atenção. A NBA até transmitida, mas não ganha tanto espaço. Shabat Shalom.

    • Raul Gottlieb

      18/07/2015 at 16:46

      Mas tem gente imune a esta febre.

      A minha filha, espertamente, sempre torceu para os times dos namorados. Ele é sábia. O problema foi ter acertado com o marido que o filho ia torcer para o time do pai e não do avô materno. Coitado do garoto, ele não merece isto.

    • Nelson Burd

      18/07/2015 at 16:51

      Estes acordos dependem muito das épocas vividas. Teu neto ainda pode fazer valer seu poder de livre-arbítrio, quando ficar mais velho.

  • Rita Burd

    17/07/2015 at 21:23

    Nelson deu para sentir a emoção e a garra da torcida. Jogaram junto empurrando o time. Adorei,

  • Mario S Nusbaum

    18/07/2015 at 17:07

    Eu conheci dois que mudaram de time. Não por acaso ambos para o Corinthians, evoluíram

Você é humano? *