Não à violência, não importa de onde venha

03/08/2015 | Conflito; Opinião

Extremistas queimando casas de palestinos, e ultraortodoxo esfaqueando participantes de passeata em Jerusalém: nesse fim de semana, vi um país em que eu e 99,99% do povo israelense não queremos viver.

Quando neva em Israel, nossa família viaja até Ariel, cidade a meia hora daqui, para ver o morro branquinho. Se a gente continuasse a viagem por mais meia hora, ou menos, chegaria a Duma, na Cisjordânia, onde a família palestina Dawabsheh sofreu o ataque de extremistas judeus que resultou na morte de um bebê e ferimentos graves nos três outros membros da família.

Em Jerusalém, nessa mesma sexta-feira odiosa, um judeu maluco ultraortodoxo esfaqueou sete pessoas que participavam de uma pacífica e tradicional parada gay. Ele fez o mesmo em 2005, foi preso e solto há poucos dias.

Inaceitável, odiável, indizível. A sociedade israelense reagiu indignada, manifestando-se em praça pública. Seus líderes também. O presidente Ruben Rivlin, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o ministro Naftali Bennett e muitos outros líderes correram para declarar o quão execráveis foram os eventos, para afrouxar leis de forma a agilizar a prisão dos suspeitos e para lembrar do sexto mandamento bíblico: não matarás. Foi bom ouvi-los, apesar de serem, esses dois últimos, craques em tomar medidas que são por vezes inspiradoras para os radicais de plantão (de ambos os lados).

É duro admitir que extremismo existe inclusive aqui, entre um povo que sofre diariamente, e há milênios, justamente com ele. O extremismo religioso (como qualquer outro) é intolerante, violento, maniqueísta. Virulento, cruel, indefensável. E burro. Extremista é de uma burrice sem fim. Exatamente como os militantes do Estado Islâmico, “nossos” extremistas defendem possuir uma ligação direta com Deus, entendendo suas intenções e executando seus desejos. Sei, sei…

Se já não bastasse toda a luta contra o terrorismo externo, agora Israel vai precisar lutar com as mesmas armas contra o terrorismo interno que, aliás, não é novo: já se sabe dele há pelo menos 35 anos.

E fazer isso já, enquanto o movimento extremista ainda é pequeno e conta com poucos adeptos, muito embora sua pequenez seja comprovadamente capaz de provocar danos incontornáveis. “Nós nos diferenciamos de nossos vizinhos pois denunciamos e condenamos o terrorismo”, afirmou Bibi, nosso primeiro-ministro.

Acho a frase ótima. Agora, vamos à ação, por favor.

Comentários    ( 12 )

12 Responses to “Não à violência, não importa de onde venha”

  • Marcelo Starec

    03/08/2015 at 08:26

    Oi Miriam,

    Muito bom!…Adorei o texto. Acho que você disse tudo e os nossos líderes nesse momento colocaram a situação do modo como tem de ser colocado!…Tolerância zero para esse tipo de ato horrendo, horroroso, que não tem justificativa!…Sim, não somos isso – isso daí não nos representa e ainda bem que não representa também 99,9% dos israelenses (ou até mais!) e tampouco o povo judeu como um todo!…Uma coisa eu tenho certeza – Israel, quando prioriza algo, coloca uma energia enorme para vencer – e vence!…Vamos derrotar esse extremismo e terrorismo judaico e vamos também esperar e cobrar que essa mesma repulsa ao terror surja do lado de lá!…

    Abraço,

    Marcelo.

  • Rita Burd

    03/08/2015 at 14:03

    Oi Miriam e Marcelo,
    apoio os dois textos.
    Sou e sempre fui contra qualquer tipo de extremismo. São irracionais, estes extremistas. São totalmente incapazes de aceitar aquele que não pensa e age como eles.
    Assim, também, pensam e agem os “colegas” do outro lado.
    Os judeus com toda a sua história não pode se aliar ao lado errado. E o pior é que se dizem “judeus piedosos, observantes e que nunca se afastaram do verdadeiro judaísmo”.
    Mas de cara, matam e esquecem os 10 Mandamentos, será mesmo que nunca se afastaram do verdadeiro judaísmo?

    • Miriam Sanger

      04/08/2015 at 09:51

      Oi, Rita. Eles acreditam que não. Assumiram para si a tarefa de “limpar” o país. Não há outro adjetivo para eles. São loucos, gente desequilibrada que não pode viver em meio à sociedade. Precisam ser isolados, enfraquecidos, renegados. Esse é o mínimo que espero que seja feito.
      Abraço!
      Miriam

  • Emil

    04/08/2015 at 00:31

    Miriam

    Excelente artigo, que realmente corrobora com o que a maioria pensa. Queria te fazer uma pergunta hipotetica. A populacao de Israel é de 8,05 milhoes. Voce diz metaforicamente que 99,99% dos Israelenses nao se sentem representados pelo que aconteceu. Isso quer dizer que menos de 805 pessoas em Israel pensam como esses extremistas. Infelizmente e mesmo que metaforicamente, acho que, no minimo, uns 5% da populacao de Israel pensa como esses loucos. O que voce acha disso?

    • Miriam Sanger

      04/08/2015 at 09:48

      Oi, Emil.
      Antes de tudo, obrigada pelo elogio.
      Coloqeui um número hipotético, mas ele não está distante da realidade, na minha opinião. Uma coisa é desejar que o seu vizinho deixe de existir, pra usar uma expressão também hipotética; outra é, mais do que desejar sua inexistência, agir para que ela se efetive da forma mais violenta possível. Esse é o extremista e, sim, felizmente eles são poucos. Vi de soslaio uma matéria que citava um grupo de 200 pessoas com esse infeliz pensamento (tentei localizá-lo para você, mas não tive sucesso). Assim, creio estar certa. São poucos os “loucos” com vocação assassina por aqui. Ou assim prefiro crer.
      Se você olhar da perspectiva dos fatos, nos últimos dois anos tivemos: o assassinato de um menino árabe, a queima da igreja em Capernaum e esses dois últimos eventos terríveis. Que sejam os últimos.
      Abraço!
      Miriam

  • Nome (Obrigatório)

    04/08/2015 at 13:52

    Ótimo artigo, Miriam. Como sempre. Estes abjetos radicais – e eu não encontro adjetivos suficientes para dizer o que penso deles – deveriam ser punitos como terroristas que são. Simples assim. Caso contrários, o ovo da serpente cresce aqui dentro e teremos um bando de “jihadistas judaicos” a lutar contra a população civil.
    Abraço!

  • simone

    04/08/2015 at 15:09

    Miriam, muito bom artigo. Por aqui perco os desdobramentos…já pegaram os culpados do ataque à casa?
    abraço!

    • Miriam Sanger

      04/08/2015 at 15:25

      Oi, Simone. Até agora não vi nenhuma notícia a respeito de prisões. Mas vão achar. Sempre acham. E daí vou lembrar de te avisar :).

    • Miriam Sanger

      04/08/2015 at 17:59

      Oi, Simone. Acabei de ver uma notícia de que a polícia pediu ajuda ao público nas investigações sobre o atentado. Ainda não há nenhuma novidade, ao menos não divulgada. Abraço!