Não Passarão

11/07/2014 | Conflito; Sociedade

Como vem sendo noticiado aqui no conexaoisrael.org, a tensão vem crescendo em Israel e nos territórios palestinos ocupados. Movimentos de extrema direita estão se organizando e, com frequência, vêm atacando cidadãos árabes, principalmente em Jerusalém.

Nesse último final de semana assisti na televisão entrevistas com moradores de Jerusalém. Os judeus entrevistados se mostravam contra a presença de árabes na cidade. Não os querem no transporte público, nas ruas. Os árabes entrevistados mostravam medo. Receio pela própria vida.

Conforme temos debatido, o extremismo e o racismo estão tomando formas muito perigosas em Israel e poderemos ver em breve a erupção de uma nova onda de violência interna. A tensão entre árabes e judeus dentro de Israel está se intensificando. De norte a sul vemos cidadãos árabes se rebelando contra a opressão. O sionismo hegemônico não se mostrou capaz de incluir os cidadãos árabes na sociedade israelense.

Mas ainda há esperança. No sábado, dia 5 de julho, houve uma manifestação do movimento chamado “Lochamim LaShalom” (Combatentes pela Paz). Esse é um movimento bi-nacional, composto por israelenses e palestinos. Foi fundado por ex-soldados israelenses e ex-militantes palestinos que entenderam que através das armas não há diálogo.

Tentam, em suas atividades, quebrar preconceitos, mostrar e entender diversas realidades e narrativas e para além de tudo, construir a verdadeira paz, que só será possível com a criação e fortalecimento de laços de confiança que os governos com seus acordos não conseguem criar. A atividade tinha como objetivo coibir a ação do movimento Lehava. Esse movimento vem espalhando o terror e medo em Jerusalém na última semana. Seus jovens vestem camisas pretas com estrelas de David amarelas e se intitulam a guarda da honra judaica – משמר הכבוד היהודי. Distribuem panfletos pedindo para que as pessoas não comprem de árabes, não aluguem casas para árabes, não falem com árabes. Na última semana, andavam em bandos pela cidade procurando e ameaçando cidadãos árabes.

Resultado 1: o centro da cidade de Jerusalém, que normalmente um grande número de transeuntes árabes, está vazio dessa parcela da população isralense.

Resultado 2: o movimento Lochamim Lashalom está convocando diariamente cidadãos, não só aqueles que se identificam com os ideais da esquerda, mas todos aqueles que querem combater o fascismo desses grupos, a fazer vigílias noturnas para evitar que esse grupo persiga e agrida os cidadãos árabes de Jerusalém.

No sábado, quando cheguei a Jerusalém e me encontrei com os outros membros do movimento pacifista, disseram que a manifestação poderia ser maior do que era imaginado. No início éramos 50, mas pouco tempo depois éramos 300. Naquela ocasião, os do grupo fascista eram cerca de 150..

A batalha de sábado foi ganha, mas a guerra por uma sociedade israelense pluralista e amplamente democrática está longe do fim. Vamos seguindo…

Comentários    ( 6 )

6 comentários para “Não Passarão”

  • Mario S Nusbaum

    11/07/2014 at 22:12

    “. Os judeus entrevistados se mostravam contra a presença de árabes na cidade. Não os querem no transporte público, nas ruas.” Absurdo total.
    “Conforme temos debatido, o extremismo e o racismo estão tomando formas muito perigosas em Israel e poderemos ver em breve a erupção de uma nova onda de violência interna”
    Trágico, mas talvez esperado, explico abaixo.

    “O sionismo hegemônico não se mostrou capaz de incluir os cidadãos árabes na sociedade israelense.”
    Como assim? Existem árabes no Knesset, nas cortes superiores de justiça, Universidades, tem seu próprio sistema de educação, etc, etc, etc
    Claro que eu não preciso dizer nada disso para vocês, mas gostaria muito de entender o que você entende por inclusão. Sei muito bem que eles reclamam muito, mas isso até os franco canadenses fazem.

    “Guess who graduated first in this year’s medical school class at the Technion, Israel’s version of M.I.T.? The answer will surprise you. It’s a 27-year-old stereotype-buster: a charming, feminist, smart, open-minded and observant Islamic woman named Mais Ali-Saleh who grew up in a small village outside of Nazareth, in Israel’s Galilee.”

    Agora minha explicação para o “talvez esperado”: apesar de terem todos os direitos, consideram a data nacional do país um dia de luto, fazem discursos no Knesset (!) elogiando assassinos cujo objetivo é a destruição do país.
    Aposto o que for que isso geraria racismo em qualquer país do mundo. Fico imaginando um nissei dizendo que o 7 de setembro é um dia de luto, que o Brasil deve ser destruído. Quantas vezes esse discurso, principalmente se apoiado pela colônia japonesa, teria que ser repetido para haver uma reação violenta no Brasil?

  • Mario S Nusbaum

    11/07/2014 at 22:17

    “mas a guerra por uma sociedade israelense pluralista e amplamente democrática está longe do fim. ” Acredito Marcos, mas quanto disso se deve à atitude dos árabes israelenses? Sei que é suicídio um habitante de Gaza condenar o terror e os foguetes contra Israel, mas e os árabes israelenses, porque não de declaram MACIÇAMENTE e VEEMENTEMENTE contra ataques aos SEU país?

    Você citou ativistas pró e contra o racismo, mas e árabes contra os foguetes, existem? Onde estão? O que andam fazendo?

  • Henrique Moscovich

    11/07/2014 at 23:42

    É uma pena esta xenofobia com os Árabes que moram em Israel.

  • Veridiana

    12/07/2014 at 01:22

    “O sionismo hegemônico não se mostrou capaz de incluir os cidadãos árabes na sociedade israelense.”
    Opa! Se os palestinos querem acabar com os judeus, quem é que não inclui quem? “União” é algo que está, até certo ponto, sendo tentado no Brasil entre diversos grupos e onde estamos chegando? Em lugar NENHUM. Não dá pra unir polos opostos, a não ser na Física, porque na Psicologia, está provado que os IGUAIS se atraem…

  • Raul Gottlieb

    12/07/2014 at 13:05

    Marcos,

    É exatamente o contrário do que você coloca!

    O sionismo hegemônico inclui 20% de população árabe que mesmo tendo todas as condições para tal não quer deixar de viver em Israel. Este percentual é estável desde 1948.

    O islamismo hegemônico nos países árabes expulsou 99% de sua população judia e vem provocando hoje a migração gradativa de sua população cristã.

    O sionismo hegemônico admite a diferença (veja quantos “sionismos” existem). O islamismo de todas as vertentes vem se tornando mais e mais xenófobo.

    Continue lutando pela democracia em Israel. Não há nada que não possa ser aperfeiçoado.

    Sobre as entrevistas da TV eu posso te contar uma experiência pessoal: há muitos anos eu estava em Congonhas esperando o voo redentor de sexta à noite para o Rio e chovia muito, ambos aeroportos estavam fechados. A balbúrdia e o desconforto eram grandes, muita gente esperando os vôos. Daí aparece uma TV perguntando para as pessoas “você está chateado com esta espera?”. Eles perguntaram para um que disse “não tem o que fazer, está chovendo muito”. O segundo disse a mesma coisa. Idem o terceiro, o quarto e o quinto (esse era eu). Mas o sexto cara (na cadeira ao meu lado) falou: “estou p. da vida! isto é sempre assim, o serviço aqui é péssimo!, etc.”. O repórter chamou o câmera o o iluminador e disse: “Aí, equipe, é este aqui que vamos entrevistar!”. E começaram a filmar o fulano que reclamava.

    Eu já vi esta cena repetida algumas vezes em diversos cenários. A TV filtra o que quer mostrar, quando não falsifica descaradamente. A matéria é decidida na redação. A equipe vai a rua filmar o que foi decidido que deveria ser filmado e apenas isto.

    Eu já vi uma TV entrevistando pessoas que tinham ido ao futebol num sábado antes do carnaval para uma matéria “foliões que foram ao jogo”.O cara da TV distribuiu fantasias (cabeleiras, óculos grandes, estas coisas) entre as pessoas que ele conseguiu convencer a participar do mico. Fiquei assistindo a filmagem e depois vi a matéria na TV, muito engraçado.

    O mundo da TV (e de grande parte do jornalismo) e o mundo real mantém uma respeitosa distância.

    Abraço, Raul

Você é humano? *