Netanyahu fica, mas não há continuidade

As eleições já são passado, já começou a nova cadência. A esquerda já vem conseguindo engolir a depressão em que se viu depois das eleições. Foi como um filme: gradativamente a vitória que parecia próxima e tangível, se tornou um empate com o resultado das pesquisas de boca de urna, e uma derrota monumental com o anúncio dos resultados. Netanyahu recuperou e roubou votos na última semana, na última hora. É o retrato do povo de Israel.

Estamos em um momento de mudança no país. Internamente, as pessoas se perguntam se não somos criativos o suficiente para trazer novas ideias às mesas de negociações de paz. Não há sequer um jornalista ou pensador que tenha trazido uma grande ideia que possa ser usada para encontrar algum denominador comum entre israelenses e palestinos. Hemos de convir que qualquer líder atualmente teria certa dificuldade de assinar um acordo. Isso sem falar do cenário apocalíptico do Oriente Médio em si. Provavelmente a segurança ganhou as eleições novamente.

Apesar disso, a pauta israelense para os próximos anos é totalmente interna, dado que não há muita esperança na pauta militar ou diplomática. Na economia, os objetivos são parecidos com o governo passado: preços, moradia, emprego, tecnologia. No entanto, deverá haver mais facilidade de avançar por alguns motivos. Primeiramente, Moshe Kahlon deverá tomar conta das reformas que precisam ser feitas. Sendo um direitista e ex-Likud, não terá muito problema dentro do governo para avançar suas propostas ou aceitar outras propostas que o Yesh Atid tinha problemas em ceder.

Na área da educação, o governo passado teve Shai Piron – do Yesh Atid – como ministro. Piron fez grandes esforços para lançar novidades nessa área, em especial com o lançamento de um novo programa chamado “Israel ola kitá”(Israel sobe de classe). Suas reformas na educação tiveram grande aceitação de professores e diretorias de escolas, ao dá-los mais autonomia. Outras mudanças são a obrigação do ensino de Ciências, a avaliação de 30% da nota através de alternativas às provas tradicionais, e a obrigação dos alunos com trabalhos comunitários. Ainda indefinido, o posto de ministro da Educação provavelmente irá para a polêmica Miri Regev (Likud).

Por último, uma novidade desse governo que se forma é a volta dos ortodoxos ao centro de poder. Conhecidos por colocarem as mãos no orçamento do governo para participar de governos, eles voltam ao governo com a promessa de desfazer o “prejuízo” causado pelo (laico) governo anterior, que os excluiu.  São aumentos nas tranferências para famílias com muitos filhos, escolas rabínicas, instituições religiosas. Fora isso, querem naturalmente anular consequências da lei de alistamento militar, e a obrigação do ensino de currículo básico também em escolas rabínicas.

O novo governo parece mais estável que o anterior, e provavelmente vai durar mais tempo. Como se pode ver, a principal luta está no nível do orçamento neste momento. Cada partido quer garantir que vai atender às demandas de seus eleitores. Ainda assim, o governo do Primeiro Ministro Bibi Netanyahu acomoda partidos de direita e religiosos com quem está acostumado a conversar.

Como repete o humorista Lior Schleien no programa ‘Situação da Nação’: “שיהיה לנו בהצלחה”, Que tenhamos sucesso!.

 

Fonte da imagem de destaque: http://elections.walla.co.il/item/2838726

Comentários    ( )

One Response to “Netanyahu fica, mas não há continuidade”

  • Marcelo Starec

    08/04/2015 at 20:46

    Oi David,
    Achei a análise ao mesmo tempo resumida e interessante!…Gostei…Estou muito ansioso, nesse instante, para ver o Kalon em ação, no sentido de saber se ele será ou não bem sucedido em satisfazer as principais demandas econômicas da população israelense….
    Abraços,
    Marcelo.