Tudo por culpa do Mufti!

23/10/2015 | Conflito; História

Em meio à tensão provocada por atentados terroristas nas ruas em Israel, somada ao tumulto na Cisjordânia, acontece em Israel, neste momento, o 37o Congresso Sionista Mundial. Fundado por Theodor Herzl em 1897, esse evento tem como objetivo discutir os rumos do sionismo mundial nos dias de hoje. E, como é de praxe desde 1951, o primeiro-ministro israelense realiza nele um discurso.

Pois bem. Nosso experiente primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, no alto de seus 66 anos de idade (completados no dia seguinte a seu discurso) e em seu quarto mandato (de três consecutivos), ex-ministro da Fazenda, ex-embaixador de Israel na ONU, ex-líder da oposição, ex-capitão da unidade de operações especiais do exército, e (não menos importante), filho de um dos maiores historiadores da história de Israel, Benzion Netanyahu, deu a seguinte declaração :

Hitler não desejava exterminar os judeus nesta época, desejava expulsá-los. Haj Amin Al-Husseini, então, lhe disse: não os expulse, todos eles virão para cá (Palestina). Hitler, então, lhe perguntou: o que eu deveria fazer com eles. E Husseini respondeu: queime-os.

Gamchi
Um dos vários memes que fizeram rindo da declaração de Netanyahu.

Esta descrição simplista do encontro em 1941 entre o Mufti de Jerusalém (principal autoridade religiosa e política palestina na época) Al-Husseini e o ditador alemão Adolf Hitler é extremamente mentirosa, problemática, irresponsável e perigosa por diversos fatores.

Mentirosa

O encontro entre Hitler e Husseini está documentado, e já foi estudado por diversos historiadores, que em unicidade se voltaram contra o primeiro-ministro. Al-Husseini, apesar de ser um grande antissemita e portanto perigoso para os judeus, jamais sugeriu esta ideia a Hitler. Diogo Bercito, jornalista da Folha de São Paulo, se deu ao trabalho de transcrever parte deste encontro em seu blog e nos mostra isso. Confira trechos desta conversa aqui.

Problemática e Irreponsável

A frase é um ataque a um personagem palestino em meio a uma onda de violência, durante a qual, infelizmente, temos visto atentados cometidos também por judeus. Qual é a intenção de Netanyahu ao comparar Al-Husseini a Hitler em meio ao caos que se instaura em Israel? Era necessário citar o Mufti de Jerusalém no Congresso Sionista Mundial? Não há suficientes líderes sionistas a serem citados de forma positiva? Não há suficientes antissemitas vivos para serem combatidos? É realmente necessário comparar alguém a Hitler, que fez algo que nós, judeus, fazemos sempre questão de recordarmos por sua singularidade até mesmo quando comparado a outros genocídios no mundo?

Perigosíssima

Por fim, sua declaração é perigosíssima. Os revisionistas do Holocausto são bastante criativos ao negar o crime cometido pelos nazistas, mas carecem de apoio. No momento em que o primeiro-ministro israelense absolve Hitler da ideia de exterminar o povo judeu (com a mesma fórmula mentirosa, como estão acostumados a fazer os revisionistas), dá-lhes autoridade para discutir e questionar um fato histórico. Não é o mais importante saber se efetivamente foi Hitler quem teve esta ideia (muitos a credenciam a Himmler, pai da “Solução Final”). O Holocausto, em sua integridade, foi cometido pelos alemães nazistas. Obviamente muitos colaboraram, mas não se pode dividir a responsabilidade da ação. O primeiro-ministro israelense, “sem querer querendo”, parece ter dado armas aos revisionistas do Holocausto, corrente da qual faz parte o ex-presidente do Irã, Mahmmoud Ahmadinejad, criticado incessantemente pelo próprio Netanyahu.

Montagem com Netanyahu assistindo à conversa entre o mufti e Hitler.
Montagem com Netanyahu assistindo à conversa entre o mufti e Hitler.

Netanyahu sofreu ataques de historiadores, críticas de políticos e intelectuais israelenses e de todo o mundo, e teve de engolir o reconhecimento da própria primeira-ministra alemã Angela Merkel, que afirmou publicamente que os alemães foram responsáveis pelo Holocausto. Frente a essa reação, Netanyahu fez uma meia mea-culpa e disse que não teve a intenção de “livrar a cara” de Hitler pelo Holocausto. Em sua página no Facebook, ele escreveu que o Mufti de Jerusalém foi um de seus apoiadores.

Tarde demais, Bibi…

Tentando de forma demagógica associar uma liderança histórica palestina ao Holocausto, Netanyahu meteu os pés pelas mãos. Mentiu, incitou o ódio e foi irresponsável. Sua tentativa de associar a causa palestina ao Holocausto é exagerada e desnecessária. O uso político do Holocausto em seus discursos já se tornou pejorativo e sem impacto. Há muito tempo Netanyahu tenta relacionar exageradamente (quando não de forma mentirosa) esta tragédia ao islã, ao nacionalismo árabe e ao Irã. Desta vez, no entanto, ele passou dos limites.

Revise sua postura, Benjamin Netanyahu. O senhor, queira ou não, fala em nome de todos os israelenses e de boa parte dos judeus do mundo. Ninguém te concedeu o direito de dizer essas bobagens usando o seu respeitado cargo, principalmente as que dão armas aos revisionistas. Seu pai estaria envergonhado.

 

Comentários    ( 47 )

47 comentários para “Tudo por culpa do Mufti!”

  • Fábio

    23/10/2015 at 14:31

    Caro João, eu tenho chamado isso de “sub-história”. A apropriação de fatos históricos re-modelados e re-interpretados de acordo com necessidades político-ideológicas do presente. O fenômeno tem ocorrido em muitas situações. Os dois grandes canais de divulgação são: 1) livros normalmente escritos por jornalistas, boa parte de direita; 2) internet. Os “pps” e e-mails com imagens e música com uma sugestão ao final que essas “verdades” precisam ser bastante repassadas. Essa versão que o Bibi reproduziu eu já tinha recebido aos montes pela internet. Pelo jeito, Bibi também.

    Os estragos dessas porcarias são muitos. O aplauso dos revisionistas é um deles.

    Com um abraço, Fábio.

    • Alexandre

      25/10/2015 at 08:16

      Fábio, a coisa não é bem assim como você coloca. Aqui vão fontes que você provavelmente consideraria sérias e que servem de base ao que disse o Netanyahu:

      Black, E. (2010). The Farhud: Roots of the Arab-Nazi Alliance in the Holocaust. Washington DC: Dialog Press.

      Documentos do governo alemão da época: http://www.hirhome.com/israel/muftihitler.htm

      Projeto Nizkor: http://www.nizkor.org/hweb/people/e/eichmann-adolf/transcripts/Sessions/Session-090-01.html

      Paulsson, G. S. (1995). The ‘Bridge over the Oresund’: The Historiography on the Expulsion of the Jews from Nazi-Occupied Denmark. Journal of Contemporary History, 30(3), 431-464. (p.442)

      Jersak, T. (2000). Blitzkrieg revisited: A new look at Nazi war and extermination planning. The historical journal, 43(2), 565-582 (p.571)

      Marrus, M. R., & Paxton, R. O. (1982). The Nazis and the Jews in occupied Western Europe, 1940-1944. Journal of modern history, 54, 687-714. (p.687)

      Trecho do julgamento de Eichmann: http://www.nizkor.org/hweb/people/e/eichmann-adolf/transcripts/Sessions/Session-050-07.html

      Pearlman, M. (1947). Mufti of Jerusalem: The story of Haj Amin el Husseini. London: V Gollancz. (p.73)

      E uma fonte que você, pelo que expuseste acima, provavelmente não confiaria por ser jornalística (embora eu canse de ver historiadores acadêmicos citando fontes jornalísticas em suas bibliografias):

      http://www.varchive.org/obs/480223.htm

    • Fábio

      25/10/2015 at 17:03

      Caro Alexandre, conforme já te escrevi, considera-se que o Holocausto foi iniciado com a “Operação Barbarossa”. Estima-se que em novembro de 1941 mais de um milhão de judeus já haviam sido assassinados.

      Você acredita realmente que até novembro de 1941 Hitler e os colaboradores não estavam com a ideia de extermínio bastante clara? Antes de novembro de 1941 os judeus já estavam proibidos de deixar os territórios dominados pelos nazistas e já não tinham a nacionalidade reconhecida.

      A “solução final” possivelmente foi uma extensão do que Hitler já estava fazendo com deficientes físicos e mentais etc, era parte do projeto e não a ideia nova e original surgida da boca de um árabe. O Mufti era uma pessoa nefasta, anti-semita, criminoso de guerra, colaborador do nazismo, mas dar esse cartaz de ter sido a pessoa responsável ou co-responsável pela ideia da implementação da “solução final” é, em poucas palavras, uma tentativa de colocar na conta dos palestinos o Holocausto. Isso tem relação como presente e não com a precisão histórica.

      Li os links que você postou e sinceramente, nada há que comprove o que o Bibi (que já voltou atrás…) e outros tem dito. Não são nem indícios. Essa é uma leitura a posteriori, de quem quer encontrar alguma coisa considerando o que já sabe do tempo subsequente.

      Só comprovam o que todo mundo reconhece: o Mufti era judeófobo e intenso colaborador do nazismo. Não que a ideia da “Solução Final” foi dele ou de co-autoria dele como se pretende comprovar.

      Quanto a citar obras de jornalistas, se a informação foi retirada da obra de jornalista deve ser citada. Quando o jornalista é sério e dá conta de suas fontes e essas são tratadas como se deve, não há qualquer problema nisso. Mas citar alguma informação não é aderir a interpretação ou a totalidade do trabalho citado.

    • Fábio

      25/10/2015 at 21:50

      PS: Em 17 de outubro de 1941 os nazistas proibiram a saida de judeus dos territorios ocupados pela Alemanha.

    • João K. Miragaya

      25/10/2015 at 22:39

      Acessei todas estas fontes, absolutamente nenhuma delas mostra qualquer influência do Mufti na decisão da solução final.

      Você pode mostrá-las?

    • Raul Gottlieb

      26/10/2015 at 16:46

      Não teve influência alguma, com certeza.

      O que teve sim foi muita torcida, mas isto em si não torna ele responsável pela Shoá. Nem como inspirador nem como praticante.

      Contudo, não é apenas o nosso lado que cria o que o Fabio classificou bem como “sub história”.

      Leiam que bela pérola seu ontem da boca do atual sucessor do Al-Hussein:

      http://www.timesofisrael.com/jerusalem-mufti-denies-temple-mount-ever-housed-jewish-shrine/

      Segundo as fontes históricas dele, Adão teria criado a mesquita de Al-Aksa no começo dos tempos.

      Segundo este douto religioso jamais houve um edifício judaico no Har Habait.

      O Bibi é um idiota por falar o que falou, se bem que não me parece mau lembrar o tempo todo que o movimento Palestino nasceu da xenofobia e que continua se nutrindo dela dia sim, dia também.

      E a declaração deste Mufti é mais uma prova disto. O conflito não é por território, ele é provocado pela peremptória negação do outro fortemente presente na cultura islâmica.

    • Fábio

      27/10/2015 at 04:01

      Caro Raul, seria cômico se não fosse trágico. É claro que do tempo de Abraão, se existiu, nada restou que comprovasse a existência dele. O mesmo se pode dizer de um bom número de personagens que as tradições reconhecem como parte de sua história.

      No caso deles, não é mais sub-história, é mentira mesmo. Não que possamos provar que a nossa versão do que ocorreu com Abraão, os patriarcas e Moises tenha comprovação histórica, mas é possível sem qualquer dúvida comprovar que a nossa versão da (nossa) História (que eles incorporam em parte) já existia muitos séculos antes da versão deles aparecer…

      Com um abraço, Fábio.

    • Raul Gottlieb

      29/10/2015 at 22:36

      Pois é, Fábio,

      Quando um líder religioso main stream se dá ao direito de falar uma barbaridade destas – que retira dos judeus qualquer relação com a Terra de Israel – nós não podemos nos dar ao luxo de imaginar que o antissemitismo não seja endêmico entre os árabes.

      Abraço,
      Raul

    • Fábio

      30/10/2015 at 15:50

      Caro Raul, esse tipo de discurso (de ambos os lados) só se presta a incitação do ódio junto aos mais ignorantes. E expõe ao total ridículo aos minimamente instruídos. De um modo geral, me parece, as pessoas que já estão propensas a acreditar nesse tipo de coisa é que as aceitam ou aceitam sem qualquer questionamento ou verificação. Com um abraço, Fábio.

  • Mario S Nusbaum

    23/10/2015 at 16:52

    Netanyahu fez uma bobagem enorme, isso é indiscutível. Aliás em PR Israel perde dos palestinos de goleada.
    Isso não quer dizer que as críticas feitas a ele estão certo. A maioria não faz nenhum sentido.
    1) Se a ideia tivesse sido de outro, isso não significa inocentar Hitler, como estão dizendo. Um assassino não pode se defender dizendo que o assassinato foi ideia de outro
    2) Não há relação nenhuma entre o que ele disse, repito, uma grande bobagem, e o negacionismo.

    “A frase é um ataque a um personagem palestino em meio a uma onda de violência”
    Essa eu não entendi João. Por um acaso você acha que ele deve se preocupar com os sentimentos dos palestinos enquanto eles esfaqueiam judeus? “Qual é a intenção de Netanyahu ao comparar Al-Husseini a Hitler em meio ao caos que se instaura em Israel?”
    Só posso especular, mas imagino que tenha sido aproveitar uma coincidência de datas para demonstrar algo que é inegável, os palestinos nunca aceitaram a presença de judeus na região.

    • Alexandre

      26/10/2015 at 06:30

      João, em um dos links acima você pode ler o seguinte trecho da transcrição do julgamento de Eichmann:

      State Attorney Bach: This is our document No. 281. Mr. Steiner first tells us that Wisliceny described his talks with Eichmann, why Palestine cannot be considered as the destination for emigration: “When I asked him why, he laughed and asked whether I had never heard of the Grand Mufti Husseini. He explained that the Mufti has very close contact and cooperation with Eichmann, and therefore Germany cannot agree to Palestine being the final destination, as this would be a blow to Germany’s prestige in the Mufti’s eyes.”
      Then he goes on: “At this further conversation Wisliceny gave me more details about the cooperation between Eichmann and the Mufti. The Mufti is a sworn enemy of the Jews and has always fought for the idea of annihilating the Jews. He sticks to this idea always, also in his talks with Eichmann” – and here we have one of the points about which Wisliceny has reservations – “who, as you know, is a German who was born in Palestine. The Mufti is one of the originators of the systematic destruction of European Jewry by the Germans, and he has become a permanent colleague, partner and adviser to Eichmann and Himmler in the implementation of this programme.”

      Here Wisliceny adds: “I have read these descriptions and find them correct, except for this, that Eichmann was born in Palestine, and that the Mufti was a permanent partner of Himmler’s; this is not what I said.”

      Em outro link há uma foto da transcrição do depoimento de Kasztner no Tribunal de Nuremberg em que Kasztner menciona uma conversa que teve com Eichmann e depois com Wisliceny (em 1944, quando os alemães já estavam perdendo a guerra e precisavam de bens em troca de judeus). Eichmann se declara amigo pessoal do mufti e por isso descarta qualquer acordo para a migração de judeus para a Palestina. E Wisliceny diz a Kasztner o mesmo que diz a Steiner, independentemente um do outro, e ainda corrobora tudo no seu próprio depoimento em Nuremberg.

      Como isso tudo é muito claro, a única questão a ser perguntada é se devemos ou não acreditar em Wisliceny, o assistente de Eichmann. O que teria Wisliceny a ganhar ao dizer tanto a Steiner como a Kasztner DURANTE A GUERRA sobre o papel do mufti? Nada. Ele estava assessorando Eichmann na negociação da troca de judeus por bens que os alemães precisavam para manter o esforço de guerra quando já estavam perdendo (era 1944). Estava apenas explicando aos negociadores do lado judeu o porquê do não de Eichmann à saída para a Palestina. Não tinha por que mentir ali.

      Pois bem, o que fica claro portanto evidentemente não é que o mufti tenha “convencido Hitler a matar os judeus”, mas sim que ele foi um grande fomentador da Solução Final a cada encontro que tinha com a cúpula nazista. Agora, se o apoio e insistência do mufti na Solução Final (resolvida na verdade já em 31 de julho de 1941) fez ou não diferença, temos que ler toda a literatura a respeito para saber. Ao contrário do que você sugere, João, há historiadores de peso que corroboram a afirmação de Netanyahu. O livro de Wolfgang Schwanitz com Barry Rubin é um bom exemplo: http://www.meforum.org/4814/nazis-islamists-and-the-making-of-the-modern

    • João K. Miragaya

      26/10/2015 at 22:45

      Alexandre, acho que de uma forma ou de outra você está de acordo comigo. Não foi o mufti o responsável pela Solução Final, nem em teoria nem em prática. Suas fontes me mostram justamente isso, por mais que às vezes você alegue algo distinto.

    • Alexandre

      27/10/2015 at 08:32

      Não, João. Não concordo com você. Há evidência testemunhal e documental de que o mufti influenciou a decisão pela Solução Final. Você fala em “ser o responsável por ela”. As palavras mudam o significado das coisas. Responsável pelo quê? Pela implementação é evidente que não. Pela decisão final é também evidente que não, pois só quem tinha o poder de decidir e implementar era Hitler. Mas influenciar a decisão não há dúvida. Se você olha para a evidência e nega, o que posso te dizer?

      Leia cuidadosamente esta análise, confira as fontes e verá que o buraco é mais fundo do que parece:

      http://www.hirhome.com/israel/nazis_palestinians_2.htm

      Até aqui você não argumentou absolutamente nada. Só disse confiar em alguns historiadores, sem se dar sequer ao trabalho de mostrar os argumentos deles. Apenas dizes “não”. Assim é fácil demais… Veja bem, para mim prestígio e nada é a mesma coisa. Se você não quer se dar ao trabalho de argumentar, então estamos aqui perdendo tempo…

    • João K. Miragaya

      27/10/2015 at 21:31

      Alexandre,

      É bastante mais difícil eu te passar fontes provando que um fato não ocorreu (como determinada influência do mufti na solução final) do que o inverso. O que eu (e todos os que estão de acordo comigo) posso fazer é discordar de suas fontes. Aterei-me a sua última fonte, que mais é uma propaganda do que uma pesquisa de fato.

      O antissemitismo que caracterizava as políticas do mufti não são desconhecidos por ninguém, mas não podem ser relacionados à solução final. Tal qual a ajuda bélica que recebeu dos alemães, pois, de fato, os palestinos estavam guerreando contra os ingleses. Nesta mesma situação, o general Franco recebeu armamento alemão, por combater um inimigo em comum. Atentados contra os judeus (pogroms e etc) também foram cometidos por outros governos, até mesmo por alguns dos que combateram os nazistas. Portanto, relevo esta introdução.

      Posteriormente, a fonte acusa Husseini de colaborar com os nazistas no extermínio do povo judeu na Europa de várias formas, fato verdadeiro. Isso, no entanto, não corrobora a acusação de Netanyahu, de que o mufti foi o responsável pela ideia, nem mesmo que tenha influenciado na mesma. Julgar a influência em uma decisão é um atributo bastante complicado para que você afirma “não há dúvidas”. Como saber se tal caso influenciou em uma decisão ou não? Só mesmo uma fonte da época para dar sustento a este argumento. E se sim, qual foi o peso desta influência? É difícil medir, sobretudo a partir das fontes dadas por você.

      Por outro lado, a professora Dina Porat, da Universidade de Tel-Aviv, uma das maiores autoridades no assunto, afirma que antes de qualquer encontro entre Hitler e Al-Husseini, a solução final já estava acontecendo. Ela ainda diz que a criação do primeiro campo de extermínio (duas semanas após este encontro, mas bem posterior ao início da Operação Barbarosa) não tem relação com este encontro. As fontes que discutem a criação deste campo (Chelmno) se referem a questões logísticas: era mais barato e dava menos trabalho matar os judeus desta forma do que da outra. Isso nos mostra duas coisas: 1) não há evidência do encontro entre Hitler e Al-Husseini nas fontes sobre a solução final; 2) A solução final é anterior ao encontro entre Hitler e Al-Husseini. Ela ainda diz que nesta conversa o tema era o Oriente Medio, não a Solução Final.

      O professor Meir Litvak, da mesma universidade, diz que, apesar de ser posto em prática de forma gradual, o plano da solução final já estava em voga no fim de 1939. Ele diz que Husseini apoiou o extermínio dos judeus, impediu a salvação de alguns, mas isso não justifica a fala de Netanyahu, que, segundo suas declarações, inverteu o papel dos personagens, colocando Husseini em um papel central, quando na verdade, foi periférico. O professor Moshe Tzimerman da Universidade Hebraica de Jerusalém concorda, e diz que o Husseini aderiu ao pensamento hitlerista, não o contrário.

      O professor Dan Michman, chefe do departamento de estudos do Holocausto da Universidade Bar-Ilan e diretor de pesquisas mundiais do Instituto Yad Vashem, afirmou que a solução final já acontecia quando Netanyahu se reuniu pela primeira vez com Husseini.

      A fonte que você me recomendou ler atentamente tem como principais argumentos os depoimentos de Eichmann nos anos 1960. Uma boa análise historiográfica nos obriga a analisar o contexto e o momento histórico nos quais cada fonte foi produzida. Eichmann tentou a todo o custo repasssar a culpa a outros personagens que não a si mesmo, como você deve saber. Além disso, nos anos 1960, culpar um líder árabe-palestino (ou ao menos dividir a culpa) pela Solução Final poderia resultar em um apoio popular de uma parcela da população judaica-israelense. As considero fontes bastante problemáticas, ao menos a serem analisadas isoladamente. Nos dão mostras do envolvimento do mufti com a Shoa, mas não de forma decisiva.

      Por fim, a frase de Netanyahu foi clara: ele acusou Husseini de ser o dono da ideia da solução final, não de ter de alguma forma participado.

      Me dei o trabalho de argumentar, como você pediu. Perdeu tempo lendo a minha resposta?

    • Fábio

      28/10/2015 at 23:50

      Caro Alexandre, penso que a resposta dele é a mesma que a minha. As “provas” testemunhais que você apresenta não são nem um pouco no sentido que os autores que você apresenta indicam e, como bem disse o João, existe uma metodologia muito cuidadosa para se lidar com esse tipo de fonte. Alguns ótimos historiadores que conheço simplesmente recusam-se a usar como fonte as orais, tamanha é a sua contaminação e imprecisão. Existe vasta historiografia a respeito dessa questão, com muitos historiadores (alguns parecem antropólogos…) advogando que depoimento não pode ser questionado pois é preciso “respeitar as construções” e blá blá blá.

      Pessoalmente, acho válido o uso de história oral, especialmente quando não há outra fonte disponível. Mas é preciso tomar os cuidados necessários e *dar o tratamento* específico a esse tipo de fonte.

      E não é o caso, pois para ler que a ideia da Solução Final tem a participação decisiva ou mesmo que importante do Mufti é, em minha opinião, estar muito interessado em comprovar isso antes de qualquer coisa. Ou seja, para ler desse modo só mesmo já se estando convencido desse fato a despeito de qualquer outra coisa que as fontes evidenciem.

      Parte desse debata comporta alguma discussão, mas a importância decisiva do Mufti na ocorrência da “Solução Final” nazista, não, em minha opinião. Igual a ele existiam aos montes, infelizmente, outros tantos. Todos eles estão agora juntos, queimando no inferno.

      Com um abraço, Fábio.

  • Fábio

    23/10/2015 at 18:15

    Caro Mário, é difícil te responder de maneira sintética. Essencialmente, o problema Israel X Palestina não é religioso mas uma disputa por terra, desde o início (Isso não significa que não existam figuras racistas em ambos os lados, ainda minoritários). Se você acha que a fala do Bibi não colabora com os revisionistas é porque ainda não leu o suficiente do que escrevem esses caras. O que é compreensível, já que o trabalho deles é um lixo completo, mas eles estão longe de serem ingênuos e despropositados.

    Vale a pena ler todo o material que foi criado em torno dessa “tese” a qual Bibi fez referência só de maneira rápida. Vou procurar um link completo de um dos seus defensores e postar aqui.

    O Mufti era uma pessoa nefasta. Usou a lógica simples do “inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Hitler fez o mesmo, ou será que via naquele árabe um ariano? Dentro da lógica racial nazista, o Mufti não tinha uma classificação das mais elevadas, possivelmente abaixo dos eslavos que desprezava.

    Colocar na conta do Mufti a ideia da aplicação da “Solução Final” sim retira dos nazistas parte da responsabilidade que passaria a ser dividida de maneira solidária com o líder religioso palestino. Tenta transformar o conflito dos dias de hoje em ação continuada judeófoba que foi iniciada pelos nazistas. Se esforça em tentar transformar os palestinos atuais continuadores do nazismo.

    Busca dar uma conotação específica ao conflito e justifica posições. Tenta angariar simpatias, medos, sentimentos e apoios novamente (como disse aqui o João) com o tema do Holocausto, pessimamente utilizado, que se presta além do ridículo, a banalização, o que novamente ajuda aos esforços dos “revisionistas” e negacionistas.

    O ponto não me parece ser uma preocupação com a demonização tosca dos palestinos – ora, mesmo que o Mufti fosse o próprio Hitler como está na foto… – os atos de certos líderes não são de responsabilidade dos liderados, até mesmo porque, o Mufti, entre tantas questões, nunca foi eleito por eles.

    Bibi foi eleito pelos israelenses. E é isso que o João está, com toda razão, reclamando.

    Com um abraço, Fábio.

    • Mario S Nusbaum

      23/10/2015 at 21:50

      OK Fabio, vamos lá. Os revisionistas vão querer sim se aproveitar desse discurso, mas contra isso ninguém pode fazer nada. Discordo de que se a ideia tivesse sido daquela besta anti-semita a culpa dos nazistas seria menor.
      E o conflito atual tem MUITO a ver com anti-semitismo, você discorda?

      ” os atos de certos líderes não são de responsabilidade dos liderados”
      Verdade, mas quem comemora a morte de judeus não são só os líderes, quem homenageia terroristas é o povo assim como é o povo que está esfaqueando judeus.
      Sobre o Bibi, foi uma grande bobagem, como tantas outras ditas por políticos do mundo inteiro, mas você não acha estranho a repercussão ser tão maior do que em relação aos incitamentos ao ódio repetidos praticamente todos os dias feitos pelo Abbas? O que o Bibi disse? Que um notório anti-semita sugeriu a outro o extermínio dos judeus. Ao contrário dos líderes palestinos não incentivou ninguém a assassinar ninguém. O que é mais grave? O que se critica mais?

    • Fábio

      24/10/2015 at 01:38

      Mário, penso que você coloque no mesmo saco temas que precisam ser debatidos separadamente.

      É claro que a mídia é absolutamente contrária a Israel e tem muita má vontade em relação ao Estado judeu. As razões dessa situação são as mais variadas. Vou citar algumas. A primeira delas, é a natural simpatia em todos os conflitos pelo lado mais fraco. Israel teve essa simpatia durante algum tempo, até, talvez, 1967 quando foi descendo ladeira abaixo. A ocupação (e permanência) na Cisjordânia, Golã e Gaza não ajudaram muito.

      Tem relação também, me parece, com a estratégia israelense de diplomaticamente preparar os seus discursos muito mais para os ouvidos e olhos islâmicos (os inimigos) do que para o chamado “ocidente” ou mídia européia e norte-americana, cujas agências de notícias repassam a um número enorme de órgãos de imprensa.

      Outros tantos fatores colaboram para esse estado de coisas.

    • Mario S Nusbaum

      24/10/2015 at 14:59

      Verdade, as razões dessa situação são as mais variadas, inclusive o anti-semitismo, que admito não é a principal. A natural simpatia em todos os conflitos pelo lado mais fraco não é uma regra absoluta, nenhum grande jornal apoia o ISIS por ser mais fraco que a Russia ou os EUA.
      Concordo com você em relação à estratégia israelense, que em PR é péssima.

    • Fábio

      25/10/2015 at 04:44

      O EI (também chamado de ISIS, curioso como remete a um deus egípcio, muito cultuado também em Roma por séculos) não é o mais fraco, uma vez que trucidou todas as demais forças da região e comete os mais violentos atos, com requintes de crueldade e via internet. O terror é a propaganda deles.

      O que é “PR”? Public Relations? No caso é mais para Política Externa ou Diplomacia ou Propaganda etc.

  • Fábio

    23/10/2015 at 18:31

    Segue o primeiro que encontrei com a mesma tese do Bibi:

    http://www.jpost.com/Magazine/Opinion/The-Muftis-violent-legacy (de 13.5.2012)

  • Mauricio Peres Pencak

    23/10/2015 at 20:47

    O mufti era um conhecido genocida antissemita.
    Esteve na gênese e organização dos pogroms de 1920, 1921, 1929 e 1936 que correram na então Palestina sob mandato britânico.
    Teve o mesmo papel na destruição da comunidade judaica de Bagdá quando do golpe pró-nazista em 1941. Foi um dos maiores entusiastas e inspiradores do Holocausto perpetrado pelas hostes hitleristas.
    Irresponsável -e movido por CLARA MOTIVAÇÃO DE MATRIZ ESQUERDISTA- é se juntar á mídia internacional no enxovalhamento da imagem do líder israelense num momento que devemos todos nos unir na defesa de Israel.
    Os árabes que se intitulam palestinos estão envenenados por ódio aos judeus e deverão ser reeducados, assim como os japoneses após a II Guerra Mundial, para o convívio civilizado e pacífico.

    • Fábio

      24/10/2015 at 01:29

      Maurício, “Foi um dos maiores entusiastas e inspiradores do Holocausto perpetrado pelas hostes hitleristas” essa é uma frase que expressa juízo de valor e é desprovida de evidências. Dos maiores inspiradores?

      Quanto a motivação de criticar Bibi “Irresponsável -e movido por CLARA MOTIVAÇÃO DE MATRIZ ESQUERDISTA- é se juntar á mídia internacional no enxovalhamento da imagem do líder israelense num momento que devemos todos nos unir na defesa de Israel.”

      Bem nesse caso, estou me juntando a quase totalidade dos acadêmicos e historiadores israelenses (inclui-se aí os do Yad Vashem), judeus e não judeus, que em algum momento se detiveram dois centímetros na leitura do assunto para dizer que Bibi disse bobagem, sobre todos os aspectos. Tanto disse, que tentou retratar-se.

      Eles todos tem inspiração de esquerda, como você diz? Penso que não.

      Quanto a defesa de Israel, cada um defende como acha que deve e como acha que é mais eficiente.

      Meu ponto de vista é que muita gente na comunidade judaica prepara os seus discursos e textos de “esclarecimento” ou propaganda levando em consideração tão somente…os seus próprios correligionários e partidários. O material soa belíssimo e agrada em cheio aqueles que já são simpatizantes (incondicionais) do Estado judeu (em especial, os de direita) e não são sequer lidos por aqueles que se pretende, com o “esclarecimento”, convencer de alguma coisa.

      Trata-se de esforço intelectual (embora as vezes nem sempre é ou parece ser realmente intelectual…) para “a própria torcida”.

      Concordo que a situação é grave, em especial em razão do envolvimento de árabes israelenses. Só tenho sérias dúvidas se o discurso surdo e na caverna no eco sirva realmente para alguma coisa.

    • Mario S Nusbaum

      24/10/2015 at 15:13

      A questão é outra Fabio, por que tantas críticas a uma mentira (assumindo que seja) dita por um político? O que eu critico é a desproporcionalidade. Se a imprensa fizesse o mesmo com todas (mentiras ditas por políticos) os jornais do mundo inteiro teriam que ter 5 mil páginas todos os dias.
      O que revolta é os líderes palestinos, TODOS, mentirem descaradamente todos os dias, pregarem o ódio racial e, no máximo, sair uma nota num canto de página.

      “cada um defende como acha que deve e como acha que é mais eficiente.”
      Adoraria saber sua opinião sobre como o que o Gideon Levy e o Noam Chomsky falam pode ser encarado como defesa de Israel. E veja bem, eu não acho que eles tem obrigação de defender o país, mas precisariam, no mínimo, explicar porque o preconceito contra, por que a perseguição desmedida e única.

    • Fábio

      25/10/2015 at 04:50

      Eu também acho que a mídia e a imprensa são (e sempre foram, pelo menos desde que eu leio jornal, 1977) muito mais rigorosas com Israel do que com os seus inimigos.

      As vezes parece que tratam os árabes, os guerrilheiros e os terroristas como “crianças inimputáveis” ou algo como “ah, mas deles não se pode esperar nada. Cada um com o seu papel”.

      Essa enrascada quem se meteu foi o próprio Bibi. Que alias, tem se metido em muitas. As piores, em minha opinião, foi insistir em falar no parlamento ianque, contrariando a presidência e o protocolo e, ainda mais grave, nas últimas eleições hostilizar de forma vergonhosa os árabes israelenses.

      Quanto ao Levy e ao Chomsky, eles não defendem Israel. Defendem a si mesmos. O caso deles é para psiquiatria ou psicologia.

  • Alexandre

    23/10/2015 at 23:14

    Discordo do Fábio. A discussão acima não aborda o principal. Antes de qualquer coisa, o importante é saber se Netanyahu realmente mentiu ou não sobre a participação do mufti no Holocausto. Para isso é preciso correr atrás da documentação existente e disponível. Pelo que pude levantar na Internet, e em alguns livros que tenho, a participação do mufti é incontestável, já que ele organizou uma divisão ou batalhão de muçulmanos na Bósnia para lutar do lado nazista. Foi responsável pela tortura e morte, junto com as tropas croatas, de centenas de milhares de sérvios e uma maioria dos judeus e ciganos da Iugoslávia. Depois da guerra o governo iugoslavo pediu sua extradição (onde ele seria julgado e certamente executado, como foi feito com outros criminosos nazistas nos países da Europa Oriental). Mas os Aliados o protegeram e o ajudaram a fugir de volta para o OM – certamente por interesses estratégicos ocidentais com os árabes.

    Agora, se o mufti foi realmente um dos arquitetos do Holocausto ou não é uma questão de interpretação dos documentos existentes. Pelo que pude encontrar até agora, a principal fonte a respeito são dois judeus sobreviventes do Holocausto – Andrej Steiner e Bedrich Steiner, ambos eslovacos. Bedrich Steiner testemunhou no julgamento de Eichmann em Jerusalém. Foi ali que ele mencionou o encontro de Andrej Steiner com Dieter Wisliceny (capataz de Eichmann na Eslováquia) em Bratislava. O encontro era para tratar de uma negociação para a transferência de crianças judias eslovacas para o Ishuv em troca de bens (ligado ao caso Kasztner). Nesse encontro Wisliceny disse a Steiner que a negociação não seria possível porque o mufti – que era muito próximo de Eichmann e de Hitler – se opunha a qualquer transferência de judeus para a Palestina.

    Este foi o contexto em que Wisliceny disse a Andrej Steiner que o mufti era um dos “originators” (na tradução em inglês do julgamento) da Solução Final. Teríamos que ver o original em alemão. De qualquer modo, ainda que a influência do mufti sobre Himmler e Hitler tenha sido menor do que soa na transcrição para inglês, fica evidente que tinha influência suficiente para impedir uma negociação com os judeus. Ou seja, os nazistas preferiram ter um futuro apoio dos árabes ao chegar no OM pelo Cáucaso (sonho deles) do que negociar com os judeus mais influentes bens que precisavam muito já pelo fim da guerra.

    Para mim, Netanyahu não mentiu coisa nenhuma. Sua falha de caráter (para ser educadíssimo) está em só falar disso ao público israelense agora.

    Aqui vão as fontes:

    http://www.nizkor.org/hweb/people/e/eichmann-adolf/transcripts/Sessions/Session-050-07.html

    http://www.nizkor.org/hweb/people/e/eichmann-adolf/transcripts/Sessions/Session-050-06.html

    Aqui se pode ter uma ideia de quem foi Wisliceny: http://www.nizkor.org/hweb/imt/tgmwc/tgmwc-03/tgmwc-03-26-11.html

    Transcrição de documento alemão-nazista pelo governo americano sobre o mufti: http://www.hirhome.com/israel/muftihitler.htm

    Tem mais, mas estou sem tempo para continuar agora…

  • Alexandre

    23/10/2015 at 23:14

    Discordo do Fábio. A discussão acima não aborda o principal. Antes de qualquer coisa, o importante é saber se Netanyahu realmente mentiu ou não sobre a participação do mufti no Holocausto. Para isso é preciso correr atrás da documentação existente e disponível. Pelo que pude levantar na Internet, e em alguns livros que tenho, a participação do mufti é incontestável, já que ele organizou uma divisão ou batalhão de muçulmanos na Bósnia para lutar do lado nazista. Foi responsável pela tortura e morte, junto com as tropas croatas, de centenas de milhares de sérvios e uma maioria dos judeus e ciganos da Iugoslávia. Depois da guerra o governo iugoslavo pediu sua extradição (onde ele seria julgado e certamente executado, como foi feito com outros criminosos nazistas nos países da Europa Oriental). Mas os Aliados o protegeram e o ajudaram a fugir de volta para o OM – certamente por interesses estratégicos ocidentais com os árabes.

    Agora, se o mufti foi realmente um dos arquitetos do Holocausto ou não é uma questão de interpretação dos documentos existentes. Pelo que pude encontrar até agora, a principal fonte a respeito são dois judeus sobreviventes do Holocausto – Andrej Steiner e Bedrich Steiner, ambos eslovacos. Bedrich Steiner testemunhou no julgamento de Eichmann em Jerusalém. Foi ali que ele mencionou o encontro de Andrej Steiner com Dieter Wisliceny (capataz de Eichmann na Eslováquia) em Bratislava. O encontro era para tratar de uma negociação para a transferência de crianças judias eslovacas para o Ishuv em troca de bens (ligado ao caso Kasztner). Nesse encontro Wisliceny disse a Steiner que a negociação não seria possível porque o mufti – que era muito próximo de Eichmann e de Hitler – se opunha a qualquer transferência de judeus para a Palestina.

    Este foi o contexto em que Wisliceny disse a Andrej Steiner que o mufti era um dos “originators” (na tradução em inglês do julgamento) da Solução Final. Teríamos que ver o original em alemão. De qualquer modo, ainda que a influência do mufti sobre Himmler e Hitler tenha sido menor do que soa na transcrição para inglês, fica evidente que tinha influência suficiente para impedir uma negociação com os judeus. Ou seja, os nazistas preferiram ter um futuro apoio dos árabes ao chegar no OM pelo Cáucaso (sonho deles) do que negociar com os judeus mais influentes bens que precisavam muito já pelo fim da guerra.

    Para mim, Netanyahu não mentiu coisa nenhuma. Sua falha de caráter (para ser educadíssimo) está em só falar disso ao público israelense agora.

    Aqui vão as fontes:

    http://www.nizkor.org/hweb/people/e/eichmann-adolf/transcripts/Sessions/Session-050-07.html

    http://www.nizkor.org/hweb/people/e/eichmann-adolf/transcripts/Sessions/Session-050-06.html

    Aqui se pode ter uma ideia de quem foi Wisliceny: http://www.nizkor.org/hweb/imt/tgmwc/tgmwc-03/tgmwc-03-26-11.html

    Transcrição de documento alemão-nazista pelo governo americano sobre o mufti: http://www.hirhome.com/israel/muftihitler.htm

    Tem mais, mas estou sem tempo para continuar agora…

    • Fábio

      24/10/2015 at 01:15

      Caros, fui eu que trouxe o Alexandre, um velho amigo e sistemático interlocutor meu desse e de outros temas para esse debate. A culpa é minha…(risos).

      Copio então aqui a mesma resposta que já postei a ele antes: entre outros tantos problemas há um problema grave de datas no seu argumento. Os nazistas já estavam liquidando (executando) os judeus quando o Mufti esteve na Alemanha. Considera-se que o Holocausto teve início junto com a “Operação Barbarossa”.

      Não é a toa que se diz que “a testemunha é a prostituta das provas”. É preciso mais evidências que a amparem. Conforme eu postei, será que Hitler considerava o Mufti e os demais árabes em escala racial inferior aos eslavos (que poderiam ser escravos) ou semitas como os judeus? Um “ariano” teria realmente como conselheiro um líder religioso árabe?

      Não há dúvida de que o Mufti não era boa coisa. Mas é preciso estudar a presença do Mufti na Alemanha de 1941 de acordo com o contexto histórico daquele momento.

      O que Bibi e outros tantos estão tentando é trazer, se apropriar de um fato e ocorrido em um contexto e transportá-lo para outro, com propósitos políticos relacionados aos dias e hoje, muito mais do que buscar compreender os fatos ocorridos no passado ou os que estão ocorrendo no presente.

    • Alexandre

      25/10/2015 at 04:25

      Fábio, tua quase desculpa por me trazer aqui me passa a impressão de que o grupo seria fechado. Se for, é só me avisar que pulo fora…

      Responderei a seguir, mas por enquanto peço aos interessados que leiam este texto a respeito (em inglês), bem como suas fontes:

      http://www.hirhome.com/israel/nazis_palestinians_2.htm

    • Fábio

      25/10/2015 at 15:56

      Até onde sei, não é fechado.

      Ia copiar e colar aqui a sua resposta, pois mencionei que o tema e os argumentos circulam há alguns anos na internet e provavelmente Bibi andou recebendo e lendo.

      Ao invés disso, te convidei a ler a página e postar você mesmo. Daí a explicação.

    • João K. Miragaya

      25/10/2015 at 22:41

      O grupo é 100% aberto, e caso não haja ofensas, incitação ao ódio e racismo (de todos os tipos), aceito a todos os comentários.

  • Marcelo Starec

    24/10/2015 at 05:46

    Oi João,

    Excelente texto, no sentido de que traz a nós,seus leitores, uma discussão muito relevante e atual !…Entendo as suas preocupações, mas para muito do que está no texto tenho opiniões um tanto diferentes – Explico aqui: 1) Para quem acompanha a “narrativa palestina” sobre os fatos faz muito tempo, como eu, ou quem buscar conhecê-la, verá que uma das principais acusações que fazem aos judeus (de certa forma copiando ou para alguns “se apropriando” de nossa história) é que os judeus nada tinham que ver com aquela região, mas devido ao Shoa (Europeu – que eles nada tem com isso! e também devido a interesses “sionistas”, os judeus foram para lá, roubar a Terra deles! – e o fizeram!…). Eles sempre foram “bonzinhos” com os judeus – eles e todo o mundo islâmico – tudo só mudou a partir da “ocupação” e da “humilhação”!!!…O fato – como muito bem colocado pelo Mário, é que eles sempre foram contra a presença de judeus – desde o advento do islã, os judeus foram mortos, convertidos ou na melhor das hipóteses transformados em Dhimmys (cidadãos de quinta categoria que tem de abaixar a cabeça quando cruzam com um islâmico etc. etc. etc. – isso desde o século VII !)…No século XX e até hoje, o mundo islâmico em regra tem sido muito violento e intolerante – até deixando saudades do que já foi em outras épocas…). Assim, no momento em que Bibi mostra a cultura e a educação ruins que os palestinos, infelizmente, vem recebendo até hoje…ele mostra a quem tiver interesse em ver que uma solução depende em focar o problema real – mudar a conduta histórica da liderança palestina e a educação das gerações futuras!…
    Com relação aos “revisionistas do shoa”, por que ter medo deles?…Não consigo entender – ao você dizer que a questão é perigosa, é como se estivessemos mexendo em algo “sagrado”, que não se pode discutir – discordo – importa sim discutir e não tenho medo de nenhum “revisionista esdrúxulo e falso”!…Não mesmo – aqui no Conexão já foi muito discutida e debatida e revista todas as questões históricas e atuais de Israel – nada é “sagrado” aqui que não deva ser debatido – nem o Shoa…Há sim muitas questões em aberto relativas ao Shoa – por exemplo, a questão de que o mundo fechou e lacrou as fronteiras na hora em que mais precisávamos e que, é certo, Hitler, Himmler, Eichmann etc. foram os personagens mais evidentes – mas o fato é que isso tudo foi um resultado de séculos de ódio, intolerância e um total appartheid contra os judeus, tanto no mundo cristão quanto no mundo islâmico, que levaram a esse resultado – e ali estava o Mufti de Jerusalém também – o mentor e responsável por massacres de judeus no Oriente Médio desde os anos 20 e o intelectual da bem sucedida “limpeza étnica” de judeus (hoje também estendida aos cristãos) em todo o Oriente Médio – só não aconteceu em toda a região devido aos nossos heróis que venceram a dura Guerra de 1948!…E é fato que os palestinos, ao rejeitar a partilha de 1947 e lutar para “jogar os judeus ao mar” foram nossos algozes e não vítimas como eles se definem!…Por fim, acho que de fato o Bibi exagerou um pouco em relação ao Mufti e a Hitler, mas o foco está correto!…Está mais do que em tempo, para quem busca a coexistência e a paz, de rediscutir essa história, verificar os erros de cada um e sim, os palestinos tem de assumir que eles não são as vítimas do Shoa, nós somos!…Eles estiveram do outro lado, o lado de quem quer destruir – e não construir a paz!…E o próprio Abbas foi fazer uma tese negacionista do Shoa, o Irã faz isso a todo tempo em suas universidades e tudo isso é até hoje aceito pelo mundo! – Entendo que sim, precisamos rever a história sem medo, pois nada temos a temer!…Tivemos erros, não somos perfeitos! Mas o outro lado infelizmente precisa muito, pois todo esse ódio que se vê num esfaqueador hoje é o mesmo ódio que se via nos massacres contra judeus no Oriente Médio em 1920 e na não aceitação da supremacia judaica sobre qualquer pedaço de terra “islâmica” até hoje pelo islã extremista e radical…É isso…

    Abraços,

    Marcelo.

  • Mario S Nusbaum

    24/10/2015 at 15:07

    ” todo esse ódio que se vê num esfaqueador hoje é o mesmo ódio que se via nos massacres contra judeus no Oriente Médio em 1920 ”
    Com certeza Marcelo, e também com certeza os que massacravam judeus em 1920 também tinham várias “explicações” para o que faziam bem como os que participavam dos pogroms na Europa Oriental.
    Afinal nós matamos Jesus e usamos sangue de crianças cristãs para fazer matza.

    • Fábio

      25/10/2015 at 05:06

      Mário, os pogroms eram quase oficiais, contavam com o apoio das autoridades. A motivação não era exatamente o ódio, esse era um elemento convocado para tocar a turba. Já li alguma coisa a respeito dos pogroms e te confesso que tenho muitas dúvidas. Dá impressão de que o assunto até hoje foi mal estudado.

      As facas dos anos 1920 (especialmente de 1928 em diante, tem uma terrível no dia do trabalho) foi a primeira coisa que pensei quando começou essa nova onda. Em ambos os casos, trata-se de uma disputa por terra. Mas a desse ano assusta mais, pois tem árabes israelenses envolvidos.

      O anti-semitismo propagados entre os muçulmanos é bastante tosco e forçado. Parece coisa de outro tempo trazida para esse. Embora bastante repetido.

    • Mario S Nusbaum

      26/10/2015 at 17:25

      Acho que não entendi direito Fabio. Você NEGA o anti-semitismo da maioria dos árabes e da quase totalidade dos palestinos hoje???????

    • Fábio

      27/10/2015 at 03:57

      Caro Mário, sim eu nego que a maioria dos árabes e a quase totalidade dos palestinos sejam anti-semitas. E por que eu nego? por razões de interpretação e por experiência própria.

      1) As razões de interpretação tem relação com a forma que eu interpreto a incorporação do anti-semitismo clássico, europeu, no discurso político dos árabes e também dos palestinos.

      Há algumas décadas há um esforço enorme de alguns líderes islâmicos em inculcar todo tipo de acusação aos judeus, desde os medievais crimes de sangue, passando pelos “Protocolos dos Sábios de Sião” até as maiores birutices. Isso acaba sendo incorporado nos discursos que incitam ódio aos judeus. Como toda tentativa de adaptar esse tipo de coisa, convence não a maioria da população, mas uma minoria e assim mesmo sem o ódio de longa duração que se via e vê na Europa, matriz real desses ódios.

      O que eles sim não gostam é de Israel. Por exemplo: certa vez no sul da Síria (em Deera) um sírio me explicou porque não gostava de Israel: “quando eu era pequeno, eles bombardearam a minha casa”. Ou seja, existe uma questão que data do século XX e tem relação com o sionismo e não com os judeus e está condicionada ao contínuo estado de guerra que é produzido não pelas populações, mas pelas lideranças e governos, esses com o propósito explícito de manter e produzir um inimigo que dê continuidade e “razão” para as suas justificativas para o permanente estado policial autoritário e de guerra etc etc etc.

      Um bom argumento para rebater o que digo acima é questionar: então, por que ocorreram ataques a alvos judaicos fora de Israel se os árabes não são anti-semitas?Uma resposta (não justificativa) para isso é que os terroristas e movimentos compreendem a existência de Israel como fruto do apoio judaico do exterior. Por outro lado, os ataques mais sangrentos foram realizados na Argentina e não patrocinados por árabes, mas pelo Irã. Ainda assim, há muito o que se apurar daqueles ataques.

      2) As razões de ordem empírica. Tem relação com o que vi e ouvi em todos os territórios ocupados (quando era possível viajar lá sem maiores problemas) da Cisjordânia e nas residências de árabes israelenses com os quais desfrutei da amizade em certo momento. No que vi e ouvi em mesquitas e casas na Jordânia (antes da paz), Síria, Líbano, Egito, Tunísia e Marrocos. Esses todos árabes. Mas outros, só muçulmanos e não árabes: Turquia, Malásia e Indonésia. Esses países com maioria islâmica. Outros islâmicos conheci em países nos quais eram minoria.

      Em todos esses lugares encontrei nas mesquitas e em caronas os meus interlocutores. Gente muito culta, gente com cultura média e gente sem cultura alguma.

      De jeito nenhum, a *maioria* dessas pessoas odiavam os judeus.

      Comparando o que ouvi a respeito dos judeus na Espanha e em outros países não islâmicos, a incidência de ódio aos judeus é ainda menor entre os árabes. Mas essa é a minha experiência. Como todos os países árabes são ditaduras, não é possível realizar uma pesquisa realmente séria para apurar esse tipo de coisa.

    • Mario S Nusbaum

      28/10/2015 at 16:19

      Sabe Fábio, eu nunca imaginei que tivesse que postar isso nesse espaço. Fiz isso várias vezes em outros, para responder a árabes (e descendentes) que insistem em propagar a lenda de que judeus e cristãos eram bem tratados nos países muçulmanos. Com toda sinceridade, não consigo entender qual é o seu objetivo em negar o óbvio.

      “Islamic anti-Semitism went beyond mere dhimmitude. Among the little known pogroms and outbreaks of murderous violence against Jews living under Islamic rule were the following:
      6,000 Jews were massacred in Fez, Morocco in 1033;
      hundreds of Jews were slaughtered in Muslim Cordoba between 1010 and 1015;
      4,000 Jews were killed in Muslim riots in Grenada in 1066, wiping out the entire community;
      the Berber Muslim Almohad depredations against Jews (and Christians) in Spain and North Africa killed tens of thousands between 1130 and 1232;
      the 1291 pogroms in Baghdad and its environs killed hundreds of Jews;
      the 1465 pogrom against the Jews of Fez killed thousands, as did the late 15th-century pogrom against the Jews of Southern Moroccan;
      in 1679, some 10,000 Yemeni Jews were expelled to the hot and arid Plain of Tihama, where 90 percent of them died from exposure;
      recurring anti-Jewish violence – including pogroms and forced conversions – throughout the 17th, 18th and 19th centuries rendered large areas of Iran Judenrein;
      in the 1834 pogrom in Safed, raging Muslim mobs killed and grievously wounded hundreds of Jews;
      in 1888, hundreds of Jews were massacred in Isfahan and Shiraz, Iran;
      1907 saw the pillage and destruction of the Jewish ghetto in Casablanca, Morocco;
      the government-sanctioned pogroms by Muslims in Turkish Eastern Thrace during June-July 1934 killed at least 3,000 Jews;

    • João K. Miragaya

      29/10/2015 at 00:00

      Você já postou isso antes, Mário, em outro texto meu.

    • Fábio

      29/10/2015 at 00:54

      Caro Mário, o “meu objetivo” é escrever o que penso. Só faltou dizer uma coisa na mensagem anterior. Comparativamente, de todo mundo que conversei nesses países todos que listei, eles evidentemente tem muito mais preconceito em relação aos cristãos (de todas as linhas) do que em relação aos judeus. Consideram o culto a Jesus (a quem consideram um profeta) como filho de Deus uma heresia imperdoável, entre outras. (Basta dizer por exemplo que um muçulmano observante come sem pestanejar na ausência de comida Halal – o kasher deles – comida kasher judaica).

      Quanto a “negar o óbvio”, isso é uma opinião sua e não o óbvio. Mesmo considerando que todos os números que você lista são mesmo de fonte acadêmica (você não indica as suas fontes), isso (em minha opinião) não evidencia que exista judeofobia no mesmo grau que existiu no mundo europeu, por exemplo.

      Algumas das comunidades judaicas em terras islâmicas que você listou, seguiram existindo – e em muitos casos, prosperando – até a criação do Estado de Israel no século XX. Se fosse o inferno que você parece descrever, as comunidades já teriam sucumbido há séculos.

      Concordo que exista alguma visão romantizada eventualmente da vida dos judeus no mundo islâmico. Mas é sabido que não podiam andar de camelo (para não ficar mais altos que os “fiéis”) e outras tantas limitações. Mas a perspectiva da vida judaica não deve ser feita em relação ao mundo pós Revolução Francesa (ou mais precisamente, código napoleônico), mas sim do restante do mundo.

    • Fábio

      29/10/2015 at 00:56

      (faltou uma frase…) O restante do mundo naquele mesmo momento, a Idade Medieval e Moderna.

    • Fábio

      29/10/2015 at 02:59

      E tem mais uma coisa: só encontram “unidade” de pensamento, ações e procedimento entre os árabes os que advogam o pan-arabismo e teorias afins, que dizem que o povo árabe sempre foi muito unido e só a partir do imperialismo (século XIX!) é que os estrangeiros produziram fissuras entre os irmãos árabes.

      Uma das clássicas acusações a Israel é a de ter sido implantada pelo imperialismo bem no meio da “nação árabe muçulmana”.

      Qualquer um que estude um pouco da história do islã ou dos árabes percebe um número significativo de diferentes correntes de pensamento em relação a tudo, especialmente a interpretação do islã. Esse fatos e outros muitos (em especial, disputa pelo poder) fizeram que a história árabe muçulmana ou muçulmana fosse marcada por fracionabilidade política. Ou seja, os caras só tiveram alguma unidade nos primeiros tempos e mesmo assim, relativa. Não é a toa que consideram os 4 primeiros califas como “retamente guiados”.

      Ou seja, atribuir judeofobia a totalidade de mundo islâmico é mesma coisa que fazê-lo em relação a totalidade do povo judeu, como se os judeus possuíssem uma unidade de pensamento e atos em relação a todos os temas.

      Por fim, tenho impressão de sua fonte para a lista que postou aqui é uma “adaptação” (o que será isso?) de um livro de Andrew G. Bostom. É isso mesmo? Se for, é importante dizer que o Dr. Bostom é…médico.

  • Mauricio Peres Pencak

    25/10/2015 at 01:06

    Fábio, vá estudar.
    Estude, porém, produções sérias, com consistência.
    E mando uma dica: O EXPRESSO BERLIM-BAGDÁ -o império otomano e a tentativa da Alemanha de conquistar o poder mundial, 1898-1918. Sean McMeekin, editora globo.

  • Alexandre

    25/10/2015 at 08:01

    Pois bem, segue minha resposta ao autor do texto acima. Eu cito os trechos relevantes do texto e os comento em seguida, um por um. Como não sei usar cores aqui, coloco o original entre aspas quádruplas.

    “”Mentirosa
    O encontro entre Hitler e Husseini está documentado, e já foi estudado por diversos historiadores, que em unicidade se voltaram contra o primeiro-ministro.””

    Não é verdade. Em primeiro lugar, nenhum historiador é dono da verdade. E em segundo lugar não há nenhuma “unicidade” em “diversos historiadores” contra o primeiro-ministro. O termo “diversos” já é inapropriado, pois estamos falando de um número reduzido de especialistas em todo o mundo, parte dos quais justamente corroboraria ou em parte ou inteiramente o que disse o primeiro-ministro. Sair afirmando qualquer coisa é fácil. Provar o que se diz é diferente. É direito de qualquer um atacar o discurso de um político, mas é preciso fazê-lo apresentando os dois lados da história. Do contrário, trata-se de mera propaganda política.

    “”Al-Husseini, apesar de ser um grande antissemita e portanto perigoso para os judeus, jamais sugeriu esta ideia a Hitler. Diogo Bercito, jornalista da Folha de São Paulo, se deu ao trabalho de transcrever parte deste encontro em seu blog e nos mostra isso. Confira trechos desta conversa aqui.””

    Não precisamos da intermediação de um jornalista da Folha de São Paulo. Vamos direto às fontes para que cada um julgue por si mesmo. Aqui vocês podem encontrar as fontes, desde o tribunal de Nuremberg, passando pelo julgamento de Eichmann em Jerusalém (1961) até o primeiro texto jornalístico que tratou do assunto em 1947: http://www.hirhome.com/israel/nazis_palestinians_2.htm

    “”Problemática e Irreponsável
    A frase é um ataque a um personagem palestino em meio a uma onda de violência, durante a qual, infelizmente, temos visto atentados cometidos também por judeus.””

    É preciso separar a crítica política a Netanyahu do conteúdo de sua fala sobre o mufti. Aliás, falar desse assunto num Congresso Sionista não tem nada de inapropriado. Muito ao contrário, a história de Israel está inexoravelmente relacionada ao Holocausto e a todos os personagens nele envolvidos, assim como está inexoravelmente relacionada à história dos árabes em geral, dos árabes palestinos em particular e até mesmo do Islã, uma vez que a liderança árabe palestina faz esta relação em todos os seus próprios documentos fundacionais, inclusive o supostamente secular Fatah. Fora isso, o que importa no contexto da fala de Netanyahu que “também” haja atentados cometidos por judeus? Os judeus por acaso não são humanos, não possuem defeitos e fraquezas como todos? O “também” vai entre aspas porque evidencia uma tentativa de usar as pouquíssimas reações irracionais por parte de judeus para forjar uma espécie de igualdade moral entre ambos os lados do conflito que nunca existiu. Os atentados cometidos por judeus contra árabes sempre foram em número incomparavelmente menor que os atentados cometidos por árabes contra judeus. Atentados contra árabes por parte de judeus são a rara exceção, enquanto atentados de árabes contra judeus sempre foram a política nacional e oficial das lideranças palestinas desde o Mandato Britânico.

    “”Qual é a intenção de Netanyahu ao comparar Al-Husseini a Hitler em meio ao caos que se instaura em Israel? Era necessário citar o Mufti de Jerusalém no Congresso Sionista Mundial? Não há suficientes líderes sionistas a serem citados de forma positiva?””

    As razões de Netanyahu para só falar desse assunto agora podem ser várias, evidentemente políticas. Talvez inclusive seja uma resposta indireta, à altura, para a política obamista contra Israel, já que os EUA sempre exigiram de líderes israelenses que evitassem dizer verdades em público que pudessem prejudicar os interesses americanos no OM, em troca do apoio americano em armas e inteligência militar. E, de novo, Netanyahu não estava falando para a imprensa internacional, mas sim num Congresso Sionista. Aliás, o estudo completo sobre a participação do mufti Al-Husseini na II Guerra e no Holocausto devia fazer parte do currículo escolar de todos os israelenses. Do lado árabe, isso nunca foi escondido. Ao contrário, Arafat sempre falava dele com muito orgulho como o maior dos palestinos… E Mahmoud Abbas defendeu uma tese de doutorado em Moscou em que nega fatos básicos do Holocausto. Ambos começaram suas carreiras como pupilos de Al-Husseini. Dizer que isso não tem importância no contexto do conflito árabe-israelense equivale a olhar para um elefante e dizer que é formiga…

    “”Não há suficientes antissemitas vivos para serem combatidos? É realmente necessário comparar alguém a Hitler, que fez algo que nós, judeus, fazemos sempre questão de recordarmos por sua singularidade até mesmo quando comparado a outros genocídios no mundo?””

    Netanyahu não esteve comparando Al-Husseini a Hitler. Apenas mencionou seu papel histórico no Holocausto, o qual é bem documentado (quem estuda o assunto sabe bem disso). Falar do papel de Al-Husseini no Holocausto não diminui em nada a responsabilidade de Hitler. Ao contrário do mito de Pilatos no NT, Hitler nunca lavou suas mãos e foi ele quem ordenou a Solução Final.

    “”Perigosíssima
    Por fim, sua declaração é perigosíssima. Os revisionistas do Holocausto são bastante criativos ao negar o crime cometido pelos nazistas, mas carecem de apoio. No momento em que o primeiro-ministro israelense absolve Hitler da ideia de exterminar o povo judeu (com a mesma fórmula mentirosa, como estão acostumados a fazer os revisionistas), dá-lhes autoridade para discutir e questionar um fato histórico.””

    Isto é menos importante do que parece. Revisionistas do Holocausto ainda são uma minoria tida por lunática no meio intelectual e jornalístico ocidental. E depois pense bem: os revisionistas negam a dimensão do Holocausto, negam os números e os detalhes, mas não o genocídio em si. E os poucos que negam o genocídio em si se veriam em maus lençóis com isso, pois estariam admitindo toda a dimensão do Holocausto, já que Eichmann foi quem deu o número de seis milhões e seu amigo Al-Husseini corroborava. Não é com revisionistas que temos que nos preocupar, mas sim com a propaganda palestina, que inverte a realidade ao chamar os israelenses de nazistas quando toda a história de sua liderança está inextricavelmente ligada aos nazistas de carne e osso que cometeram o genocídio dos judeus.

    “”Não é o mais importante saber se efetivamente foi Hitler quem teve esta ideia (muitos a credenciam a Himmler, pai da “Solução Final”). O Holocausto, em sua integridade, foi cometido pelos alemães nazistas. Obviamente muitos colaboraram, mas não se pode dividir a responsabilidade da ação.””

    Como assim “não se pode dividir a responsabilidade da ação”. Não só se pode como foi exatamente o que foi feito depois da guerra. Diversos colaboradores dos nazistas foram julgados e condenados depois da guerra, muitos à prisão, outros à morte. Inclusive o governo iugoslavo requisitou a extradição do mufti Al-Husseini para ser julgado na Iugoslávia e condenado (provavelmente à morte) pelos crimes horrendos cometidos por ele naquele país (contra sérvios, judeus e ciganos). Ele só escapou porque os ingleses e franceses queriam usá-lo para seus interesses no OM junto aos árabes…

    “”Netanyahu sofreu ataques de historiadores, críticas de políticos e intelectuais israelenses e de todo o mundo, e teve de engolir o reconhecimento da própria primeira-ministra alemã Angela Merkel, que afirmou publicamente que os alemães foram responsáveis pelo Holocausto.””

    Bem, políticos bons vivem de teatro, como todos sabemos. A reação contra Netanyahu é exatamente a histeria partidária da qual vivem a maioria dos políticos em todo o mundo. Merkel não respondeu a Netanyahu. Respondeu espertamente à histeria da mídia anti-israelense. A Europa quase toda continua anti-semita, e por mais que os alemães façam sua mea culpa, os líderes não viveriam um único mandato sem atacar Israel. Hoje na Europa há países em que falar mal de muçulmanos dá cadeia e defender Israel resulta em agressão física.

    “”Frente a essa reação, Netanyahu fez uma meia mea-culpa e disse que não teve a intenção de “livrar a cara” de Hitler pelo Holocausto. Em sua página no Facebook, ele escreveu que o Mufti de Jerusalém foi um de seus apoiadores.
    Tarde demais, Bibi…””

    A única coisa que ele fez tarde demais foi exatamente dizer isso. Todos os primeiros-ministros de Israel deviam tê-lo dito em alto e bom tom para todos conhecerem a história completa do Holocausto. Se assim tivesse sido, talvez não estivéssemos onde estamos hoje.

    “”Tentando de forma demagógica associar uma liderança histórica palestina ao Holocausto, Netanyahu meteu os pés pelas mãos.
    Mentiu, incitou o ódio e foi irresponsável.””

    Você pode dizer qualquer coisa sobre ele, menos que ele tenha mentido.

    “”Sua tentativa de associar a causa palestina ao Holocausto é exagerada e desnecessária. O uso político do Holocausto em seus discursos já se tornou pejorativo e sem impacto. Há muito tempo Netanyahu tenta relacionar exageradamente (quando não de forma mentirosa) esta tragédia ao islã, ao nacionalismo árabe e ao Irã. Desta vez, no entanto, ele passou dos limites.””

    Não há nada de exagerado. A política palestina está banhada em nazismo desde pelo menos os ataques aos judeus do Ishuv a partir de 1936, realizados com armas alemãs nazistas. Em 1939 Eichmann viajou à Palestina para encontrar com o mufti Amin al-Husseini. Mais contexto que isso seria possível?

    “”Revise sua postura, Benjamin Netanyahu. O senhor, queira ou não, fala em nome de todos os israelenses e de boa parte dos judeus do mundo. Ninguém te concedeu o direito de dizer essas bobagens usando o seu respeitado cargo, principalmente as que dão armas aos revisionistas. Seu pai estaria envergonhado.””

    Muito pelo contrário. Ele não ficaria para a história se não tivesse dito o que disse antes de morrer, ainda que provavelmente pelas razões erradas. É uma lástima que tantos judeus saiam falando sobre sua própria história sem conhecer os fatos mais importantes…

    • João K. Miragaya

      25/10/2015 at 22:36

      Prezado Alexandre,

      Obviamente nenhum historiador é dono da verdade. O termo “diversos” eu reproduzo (em hebraico) a resposta de um grupo de historiadores do Yad Vashem, da Universidade Hebraica e da Universidade de Tel-Aviv, que saiu no ynet: http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-4714274,00.html. A reportagem fala em unicidade destes historiadores, em especial do Yad Vashem. Não vi absolutamente nenhum historiador do principal órgão de pesquisa em Holocausto no mundo dando razão a Netanyahu, mas vi o oposto em muitos casos. Ora, se não confiarmos neste grupo de historiadores, em quem confiaríamos? Nos negacionistas? Com todo o respeito a você, Alexandre, fico com os historiadores do Yad Vashem.

      Não discutirei ponto a ponto do meu texto, minha ideia foi divulgada a partir de um raciocínio com introdução, meio e fim. Não me submeto a responder cada tópico do qual você não está de acordo.]

      Se você acha que há uma “diferença moral”, que pode ser avaliada em função do número de atentados dos dois lados, infelizmente evoca a mesma lógica dos que acreditam que proporcionalidade se refere a números. Neste caso, meu caro, os argumentos pró-palestinos te ganham de goleada. A ocupação israelense também pode ser classificada como imoral, e o número de mortos palestinos resultante do status-quo atual é bem maior que o de judeus. Portanto, me abstenho de entrar nesta questão, e prefiro, por isso, voltar ao tema: a fala do primeiro-ministro.

      Afirmo e reafirmo: Netanyahu mentiu, e as fontes e os principais especialistas me dão razão. Se você acredita que não, preciso de uma resposta mais completa sua. Por que não escreve um texto? Se tiver fontes adequadas e não tiver conteúdo ofensivo e racista, te proponho publicá-lo neste site, com divulgação por nossa conta. Aceita o desafio?

    • Alexandre

      26/10/2015 at 07:26

      João, a meu ver, você como historiador não deve confiar em nenhum outro historiador nem em ninguém, mas sim conferir tudo, todos os documentos e fontes originais disponíveis para formar uma hipótese própria plausível – a qual sempre pode cair com novas descobertas. Em minha opinião, o Yad Vashem, enquanto instituição de pesquisa, “halakh leibud” quando foi tomado pelo grupo de Yehuda Bauer, cujo perfil sempre foi muito mais político-partidário que histórico ou científico. Não estou sozinho. Tenho uma amiga especialista em Haifa que conhece os detalhes desse coup d’état do Bauer no Yad Vashem. Um sujeito que faz o whitewashing de Rudolf (ou Reszö) Kasztner não merece crédito histórico nenhum… Outra coisa: por que confiar numa reportagem que só mostra um lado da história? O pior que pode acontecer a um pesquisador é ceder a um consenso, seja qual for, não é? E ainda mais uma coisa: por que você reduz o espectro de historiadores a um grupo ou… cai no extremo absurdo do negacionismo? Há historiadores que pensam o contrário desse grupo citado, mas não são contemplados naquela reportagem do JP nem por você. Por quê? Chegaste a verificar os dados e documentos da época antes de apoiá-los?

      Vou te dar um exemplo de ontem: por conta dessa discussão, e por saber da seriedade do Rafael Medoff (do Wyman Institute for Holocaust Studies), achei estranho que ele tivesse sido citado nesse artigo tendencioso do JP. Então fiz o mais simples para tirar a dúvida: escrevi a ele um email perguntando a respeito. Ele me escreveu que o JP só usou dois trechinhos do que ele enviou (ou seja, fora de contexto, como eu havia desconfiado), e que o Haaretz e o Times of Israel, que também pediram a ele um comentário, simplesmente nada publicaram do que ele mandou… Percebes o que isso significa? Há um consenso na grande mídia (e seus imitadores) de que Israel oprime os palestinos e de que a causa palestina é justa. Qualquer ideia que de longe pareça questionar esse consenso não terá espaço e será considerada “incitação” ou “provocação”. Ora, Netanyahu resolveu, de repente e “out of thin air” tocar no fulcro do problema palestino. Em situações desse tipo o consenso é obrigado não só a negar como a ridicularizar quem o contradiga na sua essência. Não pode permitir nem sequer a mais longínqua ponderação. Do contrário, pode ruir o consenso. A isto se chama propaganda. Mas as pessoas não são idiotas. Sejam quais forem as intenções de Netanyahu, ele desencavou fatos históricos pouquíssimo conhecidos ou estudados no Ocidente, inclusive em Israel. Abriu uma janela para uma paisagem que, se devidamente explorada, pode permitir ao mundo perceber a inversão orwelliana a que a grande mídia o submete no dia-a-dia… Já imaginou se o óbvio ululante – o evidente fascismo do movimento palestino desde a década de 1920 aos dias de hoje – for conhecido pelas massas ocidentais? O que restará da causa palestina além do conto de fadas de Yoel Migdal e Barukh Kimmerling?

    • Alexandre

      26/10/2015 at 08:27

      “”Se você acha que há uma “diferença moral”, que pode ser avaliada em função do número de atentados dos dois lados, infelizmente evoca a mesma lógica dos que acreditam que proporcionalidade se refere a números. Neste caso, meu caro, os argumentos pró-palestinos te ganham de goleada. A ocupação israelense também pode ser classificada como imoral, e o número de mortos palestinos resultante do status-quo atual é bem maior que o de judeus.””

      Se me permite, você está fazendo jogo de palavras, pois está desconsiderando o contexto histórico e até o conflito em si. A diferença moral é simples de entender com poucas perguntas: quem vendeu terras para os judeus imigrantes a preços exorbitantes e em seguida perpetrou os ataques de 1929 e 1936? Quem foi que não aceitou a partilha de 1947? Quem iniciou as guerras de 1948, 1967 e 1973? Vizinhos árabes com colaboração palestina, não? Você já ouviu falar de algum ataque militar de Israel contra palestinos que não tenha sido reação a ataques constantes deles? Faz sentido comparar número de ataques terroristas a reações bélicas contra atos de guerra? Não me parece. O fato é que a razão de ser única do movimento palestino sempre foi “jogar os judeus ao mar”. A mudança do charter original da OLP (1964) para o atual (de 1967) deixa tudo claro e límpido…

      “”Portanto, me abstenho de entrar nesta questão, e prefiro, por isso, voltar ao tema: a fala do primeiro-ministro.
      Afirmo e reafirmo: Netanyahu mentiu, e as fontes e os principais especialistas me dão razão. Se você acredita que não, preciso de uma resposta mais completa sua. Por que não escreve um texto? Se tiver fontes adequadas e não tiver conteúdo ofensivo e racista, te proponho publicá-lo neste site, com divulgação por nossa conta. Aceita o desafio?””

      João, não tenho tempo de escrever textos aqui. Quando tinha tempo, escrevi em outros sites. Mas não preciso escrever. Outros já escreveram melhor do que eu escreveria. A questão é que você escolhe um “time” e os chama de “principais”. Não são principais. São apenas os que confirmam a tua visão do problema. Yad Vashem tem prestígio, mas ciência não vive de prestígio e sim de provas. Você pode afirmar o quanto quiser, mas daí não há diálogo. Leia as fontes que te passei (acrescente o livro de Schwanitz-Rubin e os demais artigos de Gil-White) e as conteste, se for o caso.

      O que mais importa não é se Hitler demoraria mais ou menos a adotar a Solução Final por influência do mufti, mas sim a impressionante história de anti-semitismo hidrófobo do mufti, um criminoso de guerra nazista que é louvado pelos palestinos até hoje como seu maior herói. Ora, quem louva um monstro nazista como herói nacional construirá que tipo de Estado bem ali, nas entranhas de Israel? Será que a “causa palestina” seria tão defendida pelos povos ocidentais se eles soubessem disso? É isto que deveria nos interessar, não acha? Os líderes de Israel já deviam ter discutido o fascismo palestino publicamente há muito tempo. Demoraram demais e talvez não haja mais tempo para reverter o efeito da propaganda anti-Israel no mundo e até mesmo dentro de Israel… Você já leu “The Oslo Syndrome” de Kenneth Levin? Vale a pena…

  • Fábio

    25/10/2015 at 16:31

    Maurício, McMeekin não é o professor que dá aula na Turquia e tem escrito justamente na perspectiva de que a 1ª Guerra Mundial foi culpa dos russos? Que diz que os armênios (e outros grupos cristãos) eram uma espécie de “Quinta Coluna” russa querendo destruir os Otomanos dentro de seu império? Ele culpa os armênios pelo seu próprio genocídio (que ele, claro, não chama de genocídio) e livra a cara dos turcos? Não posso dizer que não é sério, mas aparentemente está bastante preocupado em agradar o país que o emprega.

    Ele tem estudos a respeito dos Pogroms?

    De qualquer maneira, esse autor nesse tema concorda comigo (em verdade, com textos que li) que a motivação dos Pogroms era de natureza política, conduzidas pelo próprio Estado russo com outro propósito que não o simples ódio aos judeus.

Você é humano? *