EXTRA! EXTRA! – Neve em Jerusalém

Não é todo ano que neva em Jerusalém.

A população local está mais do que acostumada ao frio, mas nem toda a infra-estrutura está adaptada à neve e os preparativos têm que ser revisados, redefinidos e redivulgados a cada ano.

No último inverno, ainda que tenham sido longos meses de frio, foram poucos os dias em que realmente houve possibilidade de neve. E apenas uma ou duas vezes realmente nevou. E nem foi aquela neve toda. Desta vez, o oposto. O inverno demorou a chegar e as temperaturas se mantiveram por volta dos 15 graus até o início de janeiro.

A partir deste final de semana, no entanto, fortes chuvas, ventanias e os primeiros dias de baixas temperaturas. E então, na noite de sábado (o final de semana israelense começa na noite de quinta e se estende até a noite de sábado), a manchete principal do site do jornal HaAretz dava o tom: “Este final-de-semana invernal foi apenas uma amostra da semana inesquecível que temos pela frente”. Aproximava-se a maior tempestade de inverno em dez anos!

E a semana não decepcionou: começou com fortes chuvas. Tel-Aviv, a região metropolitana onde residem e trabalham cerca de três milhões de israelenses passou por alagamentos dignos do final do verão carioca e fluminense. As previsões indicavam possibilidade de neve na capital na quarta e na quinta-feira e a Prefeitura de Jerusalém começou a se mexer! Um “escritório de emergência” foi estabelecido e começou a funcionar já na noite de terça-feira e procedimentos foram estabelecidos para facilitar a vida dos 800 mil habitantes da maior cidade do país caso realmente nevasse.

A cidade começou a esperar pela neve. As pessoas não tinham outro assunto. Amanhecemos hoje (quarta-feira) debaixo de muito frio e cheios de informações e incertezas: confirmando-se a previsão de neve para o final da tarde, os alunos retornariam das escolas ao meio-dia. Mas nevaria?

Aproximando-se o final da manhã, os meteorologistas confirmaram a neve para o final da tarde – como se sentassem em uma reunião e decidissem se nevaria ou não, né? – e novos procedimentos foram anunciados: a Universidade fecharia suas portas a partir das 16 horas e 69 linhas de ônibus poderiam ser suspensas.

O objetivo principal da prefeitura é incentivar a todos os hierosolimitanos (os habitantes de Jerusalém, localmente conhecidos como yerushalmim) que não precisassem sair de casa, que não o fizessem. E quem realmente precisasse, que não dirigisse seu carro particular. Com a intenção de deixar as ruas para os profissionais, foi anunciado que, entre as 18:00 e as 00:00, as linhas de ônibus que não forem suspensas (as que trafegam pelas principais artérias da cidade) assim como o moderno bonde (ou “trem leve”) operarão normalmente e não cobrarão passagem.

Por volta das 17 horas, começou a nevar. Nada de nevasca, mas o suficiente para cobrir as ruas de branco. Logo parou, mas o frio continua (temperaturas próximas do zero-grau, e sensação térmica negativa) e a neve deve voltar nas próximas horas.

Vamos dormir hoje como fomos ontem: calefação, cobertores e instruídos a consultar a imprensa antes de sair de casa amanhã de manhã. A aulas só serão confirmadas às 06:00 e a recomendação para uso de transporte coletivo segue valendo.

[ATUALIZAÇÃO] Na quinta-feira, 10 de janeiro de 2013, Jerusalém amanheceu completamente branca. Aulas canceladas nas escolas, faculdades e na Universidade Hebraica. Ruas interditadas, transporte público parcialmente suspenso (muitas linhas só voltaram a operar no final do dia) e operando sem cobrar passagem. As estradas que ligam a capital ao resto do país passaram o dia todo oscilando entre interdições parciais e completas. Ao longo do final de semana, a neve começou a derreter, ainda que este tenha sido um longo processo, só terminado uma semana depois, quando a temperatura se aproximou dos 20 graus…

Abaixo, as fotos que tirei às 06:30, quando acordei apenas para confirmar que as aulas haviam sido canceladas (relevem a qualidade das imagens da câmera do telefone):

 

Minha vizinha filipina saindo pra trabalhar.
Minha vizinha filipina saindo pra trabalhar.

 

Nahar Prat, esquina com Betzalel.
Nahar Prat, esquina com Betzalel.

 

Rua Nahar Prat, bairro de Nachlalot.
Rua Nahar Prat, bairro de Nachlalot.

 

Entrada do meu prédio.
Entrada do meu prédio.

 

Comentários    ( 2 )

2 Responses to “EXTRA! EXTRA! – Neve em Jerusalém”

  • Maria Lucia Levy Malta

    10/01/2013 at 03:44

    Claudio, teu artigo me fez lembrar da película Amarcord de Fellini, na cena de início do inverno um dos garotos grita feliz: Neve!!! Oba nao tem aula.

    Aqui em Salamanca há previsao de neve a partir de domingo, atípico, final de novembro ou dezembro normalmente já está nevando. Todavía, o frio está intenso.

    As fotos estao ótimas.

    Como se diz aqui: un saludo.

    • Claudio Daylac

      10/01/2013 at 03:49

      Olá, Maria Lucia.

      Obrigado pela sua visita e pelos elogios.

      Com o semestre letivo em sua reta final, a maioria dos estudantes aqui em Jerusalém ficou bem satisfeita de ter meio dia de folga para adiantar os estudos!

      Un saludo pra você também!
      Claudio