Novo mês, novas conquistas

Hoje foi para mim um dia muito especial. Junto com outros colegas do conexão (Marcelão, Dani e Pato), estive em Jerusalém logo cedo de manhã para a reza do novo mês de Sivan. Veja no video abaixo o que aconteceu.

Depois que a reza terminou, centenas de políciais abriram um corredor no meio da esplanada do Kotel para que todos aqueles que estavam na reza junto com as Mulheres do Kotel pudessem ir embora com segurança. No caminho de saída, havia mulheres ortodoxas do nosso lado esquerdo e homens ortodoxos do lado direito, muitos xingando, gritando e fazendo caras. As centenas de mulheres que participaram da reza liberal logo entraram em ônibus no lado de fora do portão da cidade velha, e multidões de jovens ortodoxos desceram para a rua para impedir sua passagem, e a polícia os retirou a força, detendo alguns. Apesar de eu ter estado lá hoje de manhã, agora essas cenas me parecem inacreditáveis, como se fossem parte de um filme, e eu como figurante. Três garotas que haviam participado do serviço liberal foram embora andando, e horrorizados testemunhamos alguns ortodoxos cuspindo e jogando coisas nelas.

Quase todos os homens e mulheres ortodoxos que estavam na esplanada do Muro das Lamentações eram adolecentes, que foram chamados pelos chefes de suas yeshivot e ulpanot para fazer presença em massa. A grande maioria era pacífica e estava protestando calmamente. Conversei com um jovem ortodoxo de Toronto, que me disse que achava que aqueles que gritavam e empurravam eram uns ‘babacas’, e que ele veio mesmo para protestar ficando de pé em silêncio. Bastam algumas dezenas para tornar todo o ambiente em um safari, e fazer com que todos temêssemos levar uma cadeira ou lata na cara. O fundamentalismo de todas as religiões certamente se parece bastante. Contudo, a luta das Mulheres do Kotel não é somente contra a violência fundamentalista, e sim contra aqueles que tomaram o judaismo para si como propriedade, e que querem calar a liberdade de expressão e de culto através da intimidação. As cenas mostradas acima devem preocupar todos aqueles que querem ver cumpridas as promessas da Declaração de Independência: “O Estado de Israel será baseado nos preceitos de liberdade, justiça e paz ensinados pelos profetas hebreus; defenderá total igualdade social e política para todos os seus cidadãos, sem distinção de raça, credo ou sexo; garantirá total liberdade de consciência, culto, educação e cultura”.


Atualização:

Leia o relato do Marcelão Treistman sobre a reza na qual estivemos presentes.

Encontrei o video feito pelo canal do youtube das Mulheres do Kotel:

Comentários    ( 21 )

21 Responses to “Novo mês, novas conquistas”

  • Daniel

    13/05/2013 at 02:22

    Não, Sheila Tellerman, não se trata do direito “INCONTESTÁVEL de TODO judeu/judia frequentar o Kotel”. Se você diz isso é porque não se informou ou está propositadamente deturpando a situação. Todos tem direito de ir ao Kotel (Roberto Carlos foi…), cristãos do mundo inteiro visitam o Kotel todos os dias. A pergunta é “Eles precisam respeitar o lugar e evitar fazer o que incomoda os demais (especialmente os ortodoxos que estão lá regularmente e são sensíveis a várias questões) ou podem fazer o que quiserem em nome de sua fé? Podem cantar em voz alta “Jesus nós estamos aqui…”, fazer exorcismo, procissões, enquanto as pessoas querem rezar?”.

    Aliás, aproveito para dizer que me envergonho da deturpada e parcial cobertura feita por este “documentário”, apinhado de afirmações obscuras e eivado de ódio ao povo judeu. Lamento que jovens judeus tenham produzido esta peça, digna de mestres da propaganda anti-semita.

    Reparem que lá pelos 3 minutos de vídeo, um dos jovens afirma que os judeus religiosos são fedidos (já as mulheres teriam salvação… Freud explica…). Em seguida ele insinua que seu companheiro teria levado um soco de um judeu. Tenho vergonha (vergonha alheia) do jovem que, ao invés de dizer “Não, estes são meus irmãos e, apesar das diferenças de opinião, não me agrediram”, simplesmente disse algo como “acho que não…”. Uma resposta moralmente criminosa que se traduz em “ainda não me deram um soco, mas são bem capazes de fazê-lo”. Mais um pouco e acusariam os judeus religiosos de usar sangue de laicos para fazer matza e o jovem diria “acho que não pegaram ninguém da minha família, mas ouvi falar que os judeus fazem isso…”

    Uma reflexão: Como seria se tivessem dito que “os palestinos são fedidos”?
    Eu respondo: Deixariam de ser “laicos iluminados pelas luzes da democracia” e seriam fanáticos xenófobos… Mas como ofenderam os judeus e eles são judeus e além disso ser anti-semita é moda…

    Aí vem o discurso falso da liberdade de expressão…

    Outra reflexão: Se fossem 50 judeus ortodoxos, inspirados SÓ e SOMENTE SÓ pela sua CRENÇA MILENAR na santidade do monte do Templo que tivessem uma ordem judicial para rezar na esplanada das mesquitas, e fizessem cumprir tal ordem, como seria este documentário, feito por estes mesmos jovens esclarecidos?
    Eu respondo: Eles diriam “Um grupo de FANÁTICOS judeus RADICAIS tentou INVADIR e PROFANAR de forma PROVOCATIVA o local sagrado dos muçulmanos… eles são os culpados pela Intifada.”

    Porque então, esse grupo tão pequeno, inspirado em tradições que INVENTARAM há poucos anos não são um grupo de mulheres RADICAIS que de forma PROVOCATIVA estão tentando se impor?

    Precisamos de amor e união no povo de Israel. Amor é enxergar o outro. É saber abrir mão às vezes. é não provocar de propósito. É não fazer o que fere ou magoa. Haviam lá 5000 mil mulheres, que rezam todos os dias (nem sempre no Kotel) e um grupo de 30 que não costuma rezar sempre, mas faz questão de rezar lá. O Kotel nem é um lugar tão sagrado, a esplanada das mesquitas é mais… Lamento que alguns judeus ortodoxos não tenham um sentimento puro de amor e união como deveriam ter. Mas lamento mais ainda, e me envergonho, deste grupo de jovens que não consegue enxergar o outro.

    • Yair Mau

      13/05/2013 at 07:31

      Caro Daniel, obrigado por visitar nosso site. Lembre-se sempre que este é um espaço para informação e opinião, e certamente relatei os fatos como os vejo, imparcialidade não é um objetivo meu.

      As sensibilidades dos ortodoxos não podem fazer calar o direito de liberdade de expressão e de culto de outros judeus. Este argumento está baseado na verdade na premissa de que o kotel pertence aos ortodoxos, e são eles que podem dizer o que é aceitável se fazer naquele lugar. Esta é uma opinião válida, mas ao meu ver, equivocada. O Kotel pertence ao povo judeu inteiro, e o que vimos no video é uma luta interna para se decidir que as diferentes linhas e correntes tem também o direito de se expressar ali, não apenas os ortodoxos.

      Aliás, ortodoxo significa “crença correta”, e é exatamente isso o que gostaria de quebrar.

      Por um lado vem as mulheres do Kotel com argumentos baseados na Democracia: liberdade de culto, liberdade de expressão. Por outro lado vem os ‘ortodoxos’ com argumentos Divinos: Deus nos disse que estamos certos. Tem diálogo assim? Claro que não.

      Judeus não deveriam rezar da forma que quiserem no Vaticano ou na Esplanada das Mesquitas. Mas mesmo a Kaaba em Meca recebe muçulmanos de todos os tipos, xiitas e sunitas, deixando suas desavenças de lado por breves instantes durante o Hajj. Não poderíamos nós judeus, nem que seja uma vezinha, aprender com os muçulmanos?

    • Gabriel

      13/05/2013 at 10:00

      Oi Daniel,

      No seu comentário, não consigo deixar de fazer paralelo de tudo que você escreve entre os dois lados da história – quando você fala de jovens, não sei se está falando da equipe do site que esteve lá ou dos jovens ultra-ortodoxos que foram mobilizados pelos rabinos especialmente para fazer essa provocação no kotel. Provocação contra as mulheres, que já fazem quase 20 anos se juntam para rezar todo rosh chodesh no local – a única diferença desta vez, é que pela primeira vez vir rezar no Kotel para essas mulheres não apresentava perigo iminente de prisão por expressão judaica autêntica.

      A reza delas não é um ato de provocação, é judaísmo, como conhecemos em nossas comunidades espalhadas por todos os países americanos e democráticos. É judaísmo sem baixaria, sem perversão, sem nada significamente diferente desde o ponto de vista filosófico da religião. São pessoas de bem que acreditam em um Deus único e nas leis de Moisés e Israel – no século XXI.

      Quando você fala “Precisamos de amor e união no povo de Israel. Amor é enxergar o outro. É saber abrir mão às vezes. é não provocar de propósito. É não fazer o que fere ou magoa.”

      Muito bonito, esse é o nosso sonho. Mas não foi o que os jovens ortodoxos fizeram, eles vieram especialmente para provocar, não para rezar. Vieram para boicotar, para desrespeitar. Vieram para que ao invés do Yair fazer um vídeo orgulhoso por ver a coexistência entre as diferentes correntes, ele ter que pensar em conflito de ideologias, conflito entre irmãos, violência e discriminação… O Yair não é um repórter profissional e imparcial como ele já respondeu, ele só mostrou o que viu mesmo, claro que ele tem a sua ideologia, mas tenho certeza de que ele preferiria ter visto coexistência no Kotel ao invés do que viu.

      Aqui em Israel, a religião é uma questão civil, de dia-dia, de rotina, não é uma questão apenas de respeito, é uma questão legal e que fere nos nossos direitos civis. Muitos judeus reformistas, conservadores, tradicionalistas, por ex., não são respeitados por essa minoria ortodoxa que hoje em dia controla o Kotel e todas as instituições religiosas governamentais do país… O que não é mais sustentável em Israel. As outras correntes do judaísmo se cansaram de calar para o monopólio ortodoxo da religião em Israel.

      As correntes ortodoxas devem respeitar as outras correntes do judaísmo, aí sim concordo com você e a sua mensagem para os jovens ortodoxos:
      “Precisamos de amor e união no povo de Israel. Amor é enxergar o outro. É saber abrir mão às vezes. é não provocar de propósito. É não fazer o que fere ou magoa.”

      Novamente, gosto da sua mensagem, e espero que fique para ambos os ouvidos dessa história, por que os jovens das outras correntes do judaísmo certamente não irão ficar mais calados para esta situação.

      Shavua tov,
      Gabriel

  • Lucas Zaltzman

    13/05/2013 at 13:57

    Caro Yair,

    Respeito que este seja um espaço de opiniões e que você traga tua visão e não exponha as coisas de forma imparcial. Mas acho que demonizar o outro lado, chamá-los de fedidos e outras coisas do gênero não contribuem nem para a opinião e nem para o debate. Ofender o outro e chamar de fedido não é “liberdade de expressão”. Quem inventou a expressão ortodoxo não foram os ortodoxos, mas os judeus reformistas – os ortodoxos não gostam dessa expressão e possui conotação pejorativa em diversas situações. Suponho que saibas disso.

    Se você invoca a questão do Hajj, verá que os judeus “aprenderam bastante com os muçulmanos”. Assim como no Hajj rezam xiitas e sunitas juntos, no Kotel rezam juntos Sefaradim, Ashkenazim, Chassidicos e Mitnagdim. Também rezam laicos, reformistas, conservadores e cristãos, desde que não façam de maneira a desrespeitar os demais grupos.

    O fato de você invocar a Arábia para demonstrar um exemplo de liberdade de expressão demonstra que não aspira realmente a valores democráticos e universais, mas está procurando situações casuísticas para demonstrar seu ponto que é defender um ramo especifico em detrimento de outros. Na Arábia mulheres não dirigem e não saem de casa sem seus homens…

    • Yair Mau

      13/05/2013 at 14:53

      Lucas, você tem razão que chamar alguém de fedido não contribui em nada com a discussão. Fora esse caso, não acho que houve qualquer demonização. Eu vi com os meus próprios olhos judeus ‘ortodoxos’ usando de violência física e verbal para impedir que um grupo pacífico rezasse. Eu mesmo vi judeus ortodoxos agredindo policiais e chamando-os de nazistas, e se não fossem os policiais, não sei o que seria de nós que estávamos dentro do cercado. Eu vi cadeiras voando, pedras jogadas e catarros bem lançados. Leva essas palavras ao coração, não se apegue ao chamado de ‘fedidos’ para desviar o foco do debate.

      O foco do debate, segundo minha visão, é duplo. O primeiro é a violência de um pequeno grupo que quer impedir a todo custo a reza daquele grupo de mulheres. O segundo, até mais importante que o primeiro, é que os ‘ortodoxos’ são bonzinhos de deixarem todos rezarem no kotel, desde que segundo suas sensibilidades. Laicos, reformistas e conservadores não se sentem convidados na casa de ninguém, e não deveriam pedir permissão para praticar sua forma de judaismo. O que vimos no video é a “canção do cisne” dos ortodoxos, que estão entendendo que não poderão mais mandar e desmandar em assuntos religiosos em Israel.

  • Andre Glasberg

    13/05/2013 at 15:34

    Vejo no vídeo uma imensa maioria de judeus religiosos que respeitam os demais. Sefaradim, Ashkenazim, chassidicos, não-chassidicos, sionistas, não-sionistas. Eu já fui ao Kotel diversas vezes e fui respeitado e me senti, sim convidado e em casa.

    Acho que todo judeu se sente em casa no Kotel. E acho que isso ocorre, justamente porque há respeito entre as partes em geral.

    Vejo no vídeo uma minoria de mulheres querendo impor sua reza em voz alta, sabendo que incomodará os demais. Me parece que o fazem de forma provocativa e proposital.

    Querem um debate democrático sobre as regras que devem valer no Kotel? Por que não fazê-lo no Knesset? Em debates públicos? Porque não fazer um plebiscito e usar os caminhos pacíficos e democráticos? Porque essa pequena minoria (acho que não eram nem 0,01% dos presentes) atua de forma provocativa (no passado desacatou e desrespeitou a polícia diversas vezes), propositalmente tentando causar tumulto e violência?

    Me parece que a ampla maioria dos israeleneses é a favor de leis que respeitem as tradições judaicas no Kotel.

    Porque não podem respeitar uns aos outros?

    • Marcelo Treistman

      13/05/2013 at 17:48

      Andre,

      Uma democracia só pode ser medida pelo respeito às suas minorias. Afinal de contas, a “maioria” jamais poderá acabar com os valores democráticos em um país democrático, não é verdade? Desta forma, não importa nem um pouco o numero de mulheres que estavam presentes… O ponto central é a análise de sua reinvindicação.

      Você afirma que as mulheres exercem uma conduta ofensiva a uma determinada corrente religiosa. É mesmo…?

      Certamente, esta mesma corrente religiosa pratica diversos atos, que aos olhos destas mulheres, também são condutas ofensivas: ofensa ao valor da mulher como ser humano, ofensa aos ideais iluministas que criaram a idade moderna, ofensa a liberdade conquistada pelo povo judeu libertados da opressão dos grupos majoritários, ofensa aos princípios da tolerância e da coexistência.

      Então eu me pergunto: “porque apenas um grupo (os ortodoxos) devem ter sua “sensibilidade” respeitada?” A sua lógica (Andre) é estapafúrdia: As mulheres que aceitam o regime democrático, estão obrigadas, pelos seus principios a respeitar a todos – até mesmo aqueles que querem retirá-las do espaço público. Os ortodoxos, porque teocráticos, nao estao obrigados, por principio a respeitar ninguém. Parabéns pelo seu grandioso pensamento!

      Veja que os lados NÃO estão empatados. A maior diferença é que as mulheres aceitam o regime onde “o outro” – os ortodoxos – não são apenas tolerados como também são parte. Já os ortodoxos, desejam instaurar um regime em que elas não podem existir…

      Aliás… A maior parte da sociedade israelense não acha razoável que em um espaço PÚBLICO de um país democrático, as mulheres sejam impedidas de “rezar em voz alta”…
      Já existe um Acordão publicado em diário oficial que garante que o Estado Judeu Democrático deverá assegurar o direito destas mulheres rezarem no Kotel pela forma que se sentem confortáveis.

  • Paulinho

    13/05/2013 at 17:51

    É inacreditável como um dos lugares onde os judeus não tem liberdade religiosa é o Kotel, que fica em plena cidade de Jerusalém, governada pelos israelenses.

  • Alex Goldberg

    13/05/2013 at 21:04

    Vamos ver:

    O Kotel não é citado em nenhum lugar da Torá, nem o Templo de Jerusalém. Assim como em nenhum lugar na Torá está escrito que o Tefilin é quadrado e preto. Foram os “sábios” barbudos que disseram essas coisas. Também foram esses sábios barbudos que determinaram que devemos ler a Torá em público.

    Daí, vejo 3 opções lógicas e uma louca.

    1 – A Torá foi revelada a Moises que a transimitiu a esses sábios barbudos que era muito elevados espiritualmente. Eles determinaram que este local é sagrado, que o tefilin é preto e que mulheres não devem ler na Torá. Nesse caso, essa lei deve valer no Kotel. Deixem os barbudos ortodoxos em paz no local sagrado.

    2 – Os “sábios” barbudos eram na verdade uns machistas que, ao contrário, não tinham a tal da “elevação espiritual” e não “ouviram de Deus” que esse lugar é sagrado. Nesse caso, é tudo bobagem (os sábios não eram nem sequer boas pessoas, mas machistas, e estavam longe de se conectar com Deus ou Ruach hakodesh). Neste caso deixem o Kotel para os ortodoxos que acreditam nas bobagens deles…

    3 – O Kotel é sagrado porque, apesar de que os sabios barbudos não falaram com Deus, o povo judeu passou por momentos especiais aí. Então, devido à história e tradição milenar, devemos respeitar e considerar esse um lugar sagrado. Nesse caso, a tradição milenar é que mulheres não leem na Torá e, nesse caso, deixemos o kotel para os barbudos que acreditam que Deus falou com Moises.

    Opção louca:

    4 – Quando os sábios disseram que o Kotel (ou o Templo) é sagrado e que o Tefilin é preto e cúbico estavam falando isso porque eram muito elevados, muito sábios, muito puros, em contato quase direto com Deus. Por isso o Kotel é sagrado e o tefilin é preto e se deve ler em público na Torá. Mas quando eles disseram que as mulheres não devem ler na Torá em público ou que não devem colocar tefilin ou cantar em voz alta, então eram uns dementes chovinistas de baixíssimo nível espiritual. Então não valeu o que eles disseram. Ou seja, só valem as leis e as santidades que nos agradam.

    Daí, um monte de mulheres amarram sobre si caixinhas pretas quadradas só porque uns barbudos chovinistas disseram que elas tem que ser pretas e quadradas, e acham que assim atingem elevação espiritual lendo uma Torá que os barbudos mandaram ler num local que os barbudos inventaram que é sagrado, ao mesmo tempo em que consideram que esses mesmos barbudos são uns bobões que não sabem nada de judaísmo.

  • Rafael Stern

    17/05/2013 at 07:23

    Gostaria de expressar um ponto que me desagrada muito quando vou ao kotel. É a quantidade imensa de mendigos que tem ali. Eu não sou contra mendigos, e sendo brasileiro, entendo a situação difícil de pessoas desabrigadas e famintas. Mas no kotel existe uma quantidade imensa de ortodoxos pedindo esmolas o tempo todo! Parece que se aproveitam mesmo do apelo emocional que o kotel exerce sobre turistas judeus estrangeiros, que muito tocados por estarem lá, e vendo um judeu pedindo dinheiro, não conseguem recusar, e acabam fazendo doações generosas. Mas não me parece uma forma muito digna de respeitar o kotel. Além de que o kotel, para mim, nada tem de sagrado. É mais, como me disse um guia em Israel, um prêmio de consolação, destroços de tempos áureos dos judeus em Jerusalém. Uma vez, fui interrompido durante a amidá por um ortodoxo insistente que só foi embora quando parei a reza para lhe dizer que não ia contribuir para o suposto casamento de sua filha. Por essas e outras, é muito difícil que eu consiga me concentrar no kotel e rezar e refletir como gosto.

  • Carlos A

    14/08/2013 at 00:59

    Pelas reações, Yair, seu trabalho foi nota dez. Parabéns!