O ABC do conflito

03/06/2013 | Conflito

O conflito entre Israel e os palestinos parece ter se transformado no tema favorito da mídia internacional. A demanda por informações tem crescido nos últimos tempos, e a mídia latino-americana praticamente ignora qualquer informação sobre Israel que não seja sobre este tema. O que eu tenho percebido, no entanto, é que a imensa maioria dos leitores simplesmente desconhece o significado de termos básicos para que se compreenda a questão, como “Declaração Balfour”, “Partilha da Palestina”, “Linha Verde”, “Acordos de Oslo” e etc. Pedi licença ao companheiro Claudio Daylac para atuar como “Guia dos Perplexos”, e publicarei aqui um longo texto com informações básicas sobre o conflito israelo-palestino dando atenção à história e examinando ainda que superficialmente determinados pontos de vista.

 

Mesmo após a destruição do 2º Grande Templo (70 d.C.) e a Revolta de Bar Kochba (132-135 d.C.), quando a grande maioria dos judeus se dispersou pelo mundo no que é conhecido como a diáspora judaica, sempre houve comunidades judaicas na Palestina. Entretanto, desde meados da baixa Idade Média até o princípio do século XX, os judeus nunca chegaram a ser mais que 10% da população. Em 1882, inspirados pelos ideais nacionalistas emergentes na Europa, e impulsionados pelos pogroms russos, judeus da Europa Oriental organizaram três grandes levas de imigração à Palestina chamadas de 1ª Aliá. O território era parte do Império Turco-Otomano, que não ofereceu nenhuma resistência à imigração. Os judeus, então, compravam as terras turcas através do financiamento principalmente do Barão de Rotschild, e se estabeleciam no local. O nacionalismo não resolvera a questão judaica nem mesmo onde os judeus abdicaram de qualquer nacionalidade judaica em prol do recebimento da cidadania, como foi evidenciado pelo Caso Dreyfus na França em 1894. O sionismo como ideologia evoluiu, sobretudo a partir de Theodor Herzl, que escreveu a obra “O Estado Judeu” e organizou o movimento sionista através de congressos e de uma dedicada luta política em prol da criação de um Estado nacional judaico.

Em 1904, judeus oriundos da Europa Oriental mesclaram as ideologias sionista e socialista e organizaram uma segunda leva de imigração chamada de 2ª Aliá. Os chamados pioneiros foram os responsáveis pela criação das primeiras instituições que caracterizariam o Ishuv, como os kibutzim, o Banco Hapoalim, a cooperativa de saúde Kupat Cholim, dentre outras. Até então, não há registros de conflitos entre árabes e judeus na região por questões de ordem nacional.

Em 1917, então, os britânicos conquistam a região da Palestina, dando início ao que se chama Mandato Britânico. Foi prometido aos judeus um lar nacional na Palestina através da Declaração Balfour. A comunidade árabe não hesitou em expressar seu descontentamento, organizando motins no ano de 1921. Em 1922 foi criada pelos judeus a Haganá, primeiro grupo para-militar de defesa judaica. Preocupados com um conflito iminente, os britânicos lançaram o 1º Livro Branco, dividindo o território palestino em um reino (Transjordânia, hoje a Jordânia) e o protetorado da Palestina, além de pôr limites na imigração judaica. Outras duas aliot se deram entre 1918 e 1933, fortalecendo muito o crescimento do Ishuv. Os árabes percebiam que cedo ou tarde os judeus revindicariam o território como seu, e organizaram os chamados “Tumultos árabes de 1929”, com direito a chacinas a comunidades judaicas em Hebron e Tiberíades. Estes novos tumultos acarretaram na emissão do 2º Livro Branco (1930), limitando ainda mais a imigração judaica, e na criação do Etzel (1931) pelo movimento sionista revisionista, milícia para-militar judaica anti-britânico, que passou a executar ações de sabotagem.

Com a chegada de Hitler ao poder (1933) e o aumento de leis restritivas na Polônia, se deu início a 5ª Aliá, que trouxe à Palestina outros 80 mil judeus. A indignação árabe resultou em uma guerra civil (1936-39), estimulada pelo líder religioso muçulmano, o Mufti Amin Al-Husaiyni, entre judeus e árabes. Preocupados, os britânicos enviaram o comissário Peel à Palestina para elaborar uma solução para o conflito, e este acabou elaborando o primeiro plano de partilha da palestina em 1937.

O Movimento Sionista aceitou as condições embora houvesse uma oposição do movimento sionista revisionista. Os árabes, por sua vez, rejeitaram veementemente o plano. Em 1939, pouco antes da 2ª Guerra Mundial, os britânicos lançaram o 3º Livro Branco, posicionando-se agora de forma contrária a qualquer partilha do território e limitando a imigração judaica ainda mais. Neste contexto, um grupo dissidente do Etzel cria a guerrilha Lechi, que se recusava a cooperar com os britânicos, intensificando as ações de sabotagem e aderindo ao terrorismo.

A 2ª Guerra Mundial esfriou levemente o conflito, direcionando as atenções judaicas à possibilidade de os nazistas ocuparem a Palestina. Em 1941 é fundado o Palmach, grupo de elite da Haganá. Ao fim da guerra, tanto os britânicos quanto as milícias judaicas e árabes voltaram as suas atenções à Palestina. O Holocausto serviu como um incentivo a causa sionista, mas não demoveu os britânicos a abandonar seu controle sobre a Palestina. Em 1946, o Etzel explode o hotel Rei David em Jerusalém, causando a morte de 95 pessoas, em sua maioria britânicos. Apesar de o Movimento Sionista se opor ao terrorismo revisionista e atuar contra o Etzel e o Lechi, a Haganá decidiu optar também por ações de sabotagem contra os britânicos. Em 1947, então, os britânicos resolveram dar à recém-fundada ONU o destino da Palestina. Em 1947, então, a resolução 181 opta por dividir a Palestina em dois Estados, um judeu e um árabe, com 33 votos a favor, 13 contrários e 10 abstenções.

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Mapa 1

Os árabes rejeitam a decisão e iniciam o que os israelenses chamam de Guerra de Independência. Inicialmente um confronto civil, toma dimensões internacionais quando o líder do Movimento Sionista declara a independência do Estado de Israel no dia 14 de maio de 1948. Egito, Líbano, Síria, Jordânia e Iraque se unem às milícias palestinas e atacam o recém-fundado Estado de Israel. Ben-Gurion unifica as milícias judaicas no Exército de Defesa de Israel, e adquire armas da Tchecoslováquia para enfrentar os inimigos. A Guerra termina em 1949, modificando radicalmente as fronteiras e deixando como resultado um número de 600 a 900 mil refugiados palestinos em diversos países, sobretudo na Jordânia (incluindo a Cisjordânia), no Egito (incluindo Gaza) e no Líbano. Parte deles expulsos, parte cúmplices da ofensiva árabe e a maior parte de refugiados de guerra, hoje representam uma questão de impasse à chegada à paz. A grande maioria dos palestinos residentes em outros países jamais recebeu cidadania.

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Mapa 2: Israel após a Guerra de 1948

O Estado de Israel, imediatamente, passou a receber imigração judaica de todos os cantos do mundo, em especial de sobreviventes do Holocausto e de judeus habitantes dos países árabes, vítimas de hostilidade por parte dos governos locais de característica antissionista. O Estado judeu estava em estado de guerra com todos os países que o cercavam, intensificado com a chegada do nacionalista Nasser ao poder no Egito e o advento do Pan-Arabismo.

Devido à dimensão do texto, sou obrigado a saltar um longo período, até que chegamos ao ano de 1967. Ressalto, no entanto, que em 1964 é fundada a OLP (Organização pela Libertação da Palestina), e, em 1965, é assinado pelos países árabes onde se encontravam refugiados palestinos os Protocolos de Casablanca, que decidiu em comum acordo não dar cidadania a nenhum palestino afim de que Israel fosse pressionado a criar um Estado Palestino, sem nenhuma sugestão de delimitação territorial.

Pressionado pela iminente guerra e ao fechamento do Estreito de Tirã pelos egípcios, Israel lança uma ofensiva contra Egito, Jordânia, Síria e Líbano e em uma espetacular operação militar vence uma guerra em apenas seis dias. O resultado foi a conquista dos territórios do Sinai e Gaza (antes pertencentes ao Egito), Colinas do Golã (da Síria) e Cisjordânia, onde também se situava a parte oriental de Jerusalém (sob domínio da Jordânia). Sobretudo em Gaza e na Cisjordânia, habitava uma população árabe palestina, despossuída de qualquer status de cidadania, sem governo e sem Estado. A resolução 242 da ONU exigia que Israel se retirasse dos territórios conquistados em 1967 imediatamente, exigência esta negada enquanto não houvesse um tratado de paz com os Estados vizinhos.

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Mapa 3

Paulatinamente a causa palestina passa a ganhar eco dentro da comunidade internacional. Israel não declarou soberania sobre nenhum dos territórios, transformando o seu status em “territórios ocupados”. A OLP intensifica ações de guerrilha e terroristas contra o Estado de Israel com o apoio do Egito, no que se convencionou chamar de Guerra de Desgaste. Uma dura resposta de Israel fez com que o rei da Jordânia expulsasse a OLP de seu país em uma ação violenta e com um saldo de muitos mortos. A liderança palestina, então, migrou para o Líbano.

Apesar da vitória na Guerra dos Seis Dias, Israel viu-se dono de um problema ao perceber que deveria administrar agora uma população hostil e insatisfeita com seu status. O governo israelense decidiu colonizar determinadas regiões da Cisjordânia e de Gaza sob o argumento de defesa das fronteiras. É neste momento que se dá início a construção dos assentamentos judaicos nos territórios ocupados, que se intensificaram no fim da década de 1970 sob o governo do direitista Menachen Begin.

Em 1973, Egito e Síria atacam Israel no dia do perdão (Yom Kipur), ferindo o orgulho militar israelense, em alta desde 1967. Com grandes perdas apesar da vitória militar, Israel, viu-se em difícil situação caso permanecesse em estado de guerra com seus vizinhos. Devido a um desejo do novo presidente egípcio Anwar Sadat de se aliar aos EUA, iniciaram-se em 1975 as negociações pela paz entre os dois Estados. A questão palestina foi inicialmente incluída na pauta. Em 1979, Egito e Israel chegam ao acordo de paz que traria a ambos relações diplomáticas e comerciais dentro de uma situação de estabilidade, mas sem evoluir no que diz respeito aos palestinos. Israel devolveu aos egípcios a província do Sinai, mas seguiu ocupando Gaza. Begin e Sadat foram receberam o Prêmio Nobel da Paz pelos Acordos de Camp David I. 

Apesar de concretizar a paz com o Egito, Israel recusou uma proposta da Liga Árabe para a criação do Estado palestino em 1981, respondendo com a declaração de autonomia sobre Jerusalém. Os árabes que se encontravam na cidade receberam o status de “residentes” por não aceitarem a soberania israelense. A comunidade internacional não reconhece até hoje esta declaração de autonomia.

Em 1982, após sucessivos ataques da OLP ao território israelense, o governo optou por uma invasão no Líbano, que estava em meio a uma guerra civil desde 1975. A simples Operação Paz na Galileia transformou-se na 1ª Guerra do Líbano, com duração maior do que a última guerra da qual Israel havia participado. O exército israelense não estava preparado para combater terroristas e civis hostis, o que gerou um número alto de mortos dos dois lados (principalmente do lado árabe), intensificado ainda mais pelo massacre de Sabra e Chatila. A opinião pública se voltou fortemente contra Israel, que viu-se numa crise política sem fim. O 1º Ministro renunciou, caíram outros ministros (como o da Defesa, Ariel Sharon) e o chefe das forças armadas. Esta guerra representa um trauma coletivo até os dias de hoje, recentemente representado em filmes premiados internacionalmente. O movimento Paz Agora cresceu e passou a exigir o fim da ocupação. Houve casos de ataques de judeus extremistas aos pacifistas, antecipando um pouco o que ocorreria na década de 1990. A crise política e econômica foi amenizada após a formação de um governo de união nacional (unindo trabalhistas e o Likud), mas que nenhuma proposta concreta apresentara para resolver o conflito. A OLP, ao fim da guerra, novamente fora expulsa de outro país, refugiando-se agora na Tunísia.

Em dezembro de 1987, um jipe do exército israelense choca-se com um automóvel em Gaza, causando vítimas. Uma revolta árabe palestina eclode nos territórios de Gaza e da Cisjordânia contra a ocupação israelense, rapidamente tomando as manchetes dos principais veículos de comunicação, chamada Primeira Intifada. O exército israelense, que recém se habituara a lidar com o terrorismo, agora se via frente a outro desafio: como acalmar manifestações violentas feitas por civis? No mesmo ano foi fundado o grupo Hamas, que, à diferença da Fatah, se baseia em preceitos fundamentalistas islâmicos. O Hamas, por trás dos protestos civis, deu início a uma onda de atentados terroristas contra a população civil de Israel, tornando ainda mais complicada a ação do exército israelense: diferenciar terroristas e civis passou a ser ainda mais difícil e necessário ao mesmo tempo. Crimes de guerra foram cometidos, por suposto, e uma quantidade razoável de soldados israelenses foi parar atrás das grades.

A Guerra do Golfo (1991) mudou um pouco o panorama da região. A principal liderança palestina (Yasser Arafat) apoiara Saddam Hussein no conflito contra as tropas internacionais. A derrota política de Arafat o obrigou a admitir uma postura mais moderada, uma vez que boa parte do mundo árabe, inclusive, havia se posicionado do lado oposto. Foi convocada uma conferência entre os principais países do Oriente Médio (Conferência de Madrid), onde se viu que o 1º Ministro israelense era um obstáculo aos acordos desejados pela comunidade internacional. Em 1992 houve eleições em Israel, quando o Ministro da Defesa da Intifada, Itzhak Rabin, foi eleito o 1º Ministro de Israel que deveria levar o país à paz com os palestinos.

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Mapa 4

Em 1993, Israel e a liderança da OLP (agora chamada de ANP – Autoridade Nacional Palestina) chegaram aos Acordos de Oslo. Nesta reunião foram estabelecidos, dentre outros pontos, as seguintes máximas:

1)      Israel reconheceria a ANP como a legítima liderança do povo palestino;

2)      A ANP reconheceria a existência do Estado de Israel (sem delimitar fronteiras);

3)      Os territórios de Gaza e Cisjordânia seriam divididos em áreas A, B e C. Os dois primeiros estariam sob administração civil da ANP;

4)      Ambos os lados se comprometeriam a lutar contra o terrorismo;

5)      Dever-se-ia chegar a um acordo permanente dentro de 5 anos.

Além de dar o Prêmio Nobel a Rabin, Arafat e Shimon Peres, Oslo trouxe a Israel oportunidade de estreitar laços não só com os palestinos, mas também com outros países árabes como o Marrocos e a Jordânia, com a qual foi assinado o Tratado de Paz em 1994. A Turquia também estreitou relações com Israel, e a rejeição ao sionismo foi se tornando menos “natural” no mundo árabe-islâmico. Por outro lado, radicais israelenses ameaçavam os acordos com manifestações violentas, com direito à incitação ao ódio e atentados terroristas. O Hamas e outros grupos radicais palestinos não deixaram por menos, realizando atentados em diversas cidades israelenses. Em 1994 as fronteiras que separavam os territórios palestinos e Israel foram fechadas, passando a ser exigida aos palestinos uma permissão especial para ultrapassar a linha verde.

Em 1995 foram assinados os Acordos de Oslo B, que transformava em territórios A e B uma parte ainda maior da Cisjordânia. Temendo que os acordos trouxessem mais atentados, a direita israelense passou a realizar manifestações cada vez mais frequentes. A esquerda pacifista, então, decidiu demonstrar que representava a maioria. Numa destas manifestações, na antiga Praça Reis de Israel, foi assassinado o 1º Ministro Itzhak Rabin e o processo de paz se estagnou. Atentados terroristas se acentuaram e necessitou-se dois anos até que a situação se acalmasse.

Cinco anos depois, Israel e os palestinos resolvem se reunir e chegar a uma solução para o conflito. Israel recém se retirara de territórios do sul do Líbano, demonstrando que a questão territorial não era vital para que se chegasse a um acordo. Nas negociações conhecidas como Camp David II, o ex-1º Ministro Ehud Barak e o líder palestino Yasser Arafat sentaram-se e conversaram sobre a criação de um Estado palestino. Barak apresentou um plano exposto no mapa abaixo, no qual a Palestina seria criada em mais que 90% do seu território sob determinadas condições (desmilitarizada, sem espaço aéreo, abdicando de Jerusalém Oriental e etc.). Arafat recusou prontamente. O clima esfriou, mas não tardou a esquentar novamente: após os fracassos das negociações, começa a 2ª Intifada, repleta de violência dos dois lados. Houve ainda, em meio ao conflito, uma nova tentativa de paz (Negociações de Taba), mais uma vez frustrada.

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Mapa 5

A 2ª Intifada terminou somente em 2004, quando Israel decidiu de forma unilateral retirar as suas colônias e seu exército de Gaza. A questão dividiu a opinião pública, mas o “Plano de Desconexão” foi efetuado em 2005, pouco menos de seis meses após o falecimento de Arafat e a posse de Abbas como líder da ANP. Seis meses depois, no entanto, o Hamas vence as eleições para o legislativo palestino e ameaça o retorno às negociações com Israel. Seis meses depois, o grupo fundamentalista Hezbollah, que controla o sul do Líbano, entra em conflito com o exército de Israel causando uma guerra muito semelhante à primeira. Este conflito é conhecido como 2ª Guerra do Líbano, e expôs o quão fortalecido estava o grupo xiita militarmente, capaz de ameaçar toda a região norte de Israel com mísseis de médio alcance.

Em 2007, pouco depois, estoura uma guerra civil nos territórios palestinos (Gaza e Cisjordânia) entre Fatah e Hamas. Brigando pelo controle da região, os palestinos entraram em um confronto com dezenas de mortos, acarretando na divisão de territórios: o Hamas controla Gaza e a Fatah fica com a Cisjordânia. Se antes os dois grupos eram apenas adversários políticos, desde então são inimigos declarados. Gaza desde 2007 está sob bloqueio israelense: tudo o que entra e sai do território se dá somente através de inspeção e permissão do exército israelense. O Fatah esporadicamente negocia com Israel,m embora isso não tenha acontecido com grande frequência nos últimos anos. O Hamas só negocia cessar-fogo (como nos confrontos em 2008-09 e 2012) e a libertação de sequestrados (como em 2011). Os confrontos na região, desde então, passaram a ser esporádicos[ref]Três operações militares israelenses em Gaza foram feitas desde então: Chumbo Fundido (2008/09), Pilar Defensivo (2012) e Margem de Protenção (2014).[/ref], e envolvem principalmente o ataque a foguetes vindos dos palestinos e bombardeios aéreos por parte de Israel (embora em 2014 os famosos túneis do Hamas tenham sido mais alarmantes do que qualquer coisa). As negociações atualmente estão congeladas. A ANP (coordenada pelo Fatah) exige que Israel cesse as construções de assentamentos na Cisjordânia, enquanto Israel não aceita pré-condições para retomar as negociações. E chegamos a 2016 em uma sinuca, sem negociações e com a sensação de que o conflito está distante do seu fim.

Os principais temas do impasse:

1) Trocas de territórios e fronteiras de separação;

2) Refugiados palestinos;

3) Jerusalém Oriental (revindicada por ambos);

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Foto de capa retirada do site: http://www.arcauniversal.com/mundocristao/noticias-de-israel/noticias/soldado-israelense-faz-comentarios-racistas-no-facebook-18077.html

Mapa 1: http://ummundoglobal.blogspot.co.il/2009/05/conflito-israelo-palestiniano.html

Mapa 2: http://www.npr.org/news/specials/mideast/history/map4.html

Mapa 3: http://www.metrolic.com/palestinians-could-drop-historical-demands-on-israel-138919/

Mapa 4: http://reneefrompalestine.wordpress.com/2010/05/27/life-in-area-c/area-a-b-c-2/

Mapa 5: http://74.220.219.57/~pazagora/wp-content/uploads/2011/07/mapas-Camp-David-e-Taba1.jpg

Comentários    ( 42 )

42 comentários para “O ABC do conflito”

  • Raul Gottlieb

    03/06/2013 at 11:03

    Muito bom e didático, João. Seguem algumas observações:

    Por séculos os judeus (e outros não muçulmanos) que viveram em territórios islâmicos foram destituídos de direitos civis plenos e classificados como cidadãos de segunda categoria. Não se pode desprezar, dentro da dinâmica do conflito, o fato de que grupos que os árabes desprezavam (judeus) de repente almejem soberania. Não se pode desprezar também a profunda humilhação com que os árabes receberam o fato de que a Europa evoluiu muito mais do que as terras Islâmicas. Os islâmicos se vangloriavam de ter criado uma civilização superior, mas a Idade Moderna os deixou na rabeira e isto trouxe um ressentimento profundo. Este pano de fundo permeia o conflito e não pode, a meu ver, ser omitido.

    Nos “tumultos” de 1929 foram assassinados judeus que habitavam a região há tempos imemoriais (em Hebron e Tiberíades) e não os recém chegados. Foi contra os judeus que conviveram por séculos entre os árabes como cidadãos de segunda categoria que se levantou a ira árabe em primeiro lugar, o que faz nexo com o parágrafo acima.

    Importante registrar também que a violência armada foi inaugurada na região em 1929 pelos árabes.

    As armas que Israel usou em 1948 foram adquiridas da Tchecoslováquia e não “recebidas”, num fato que demonstra a aproximação da USRR com o recém-fundado Estado de Israel (os USA se negaram a vender armas aos israelenses). A URSS tentou colocar Israel sob sua órbita e se voltou contra ele quando não conseguiu. É forçoso analisar o conflito árabe israelense também à luz da política das grandes potências.

    A resolução 242 da ONU exigia que Israel se retirasse de (e não dos) territórios conquistados em 1967 e que houvesse reconhecimento por parte dos árabes do Estado de Israel e de fronteiras seguras. Os árabes se negaram a reconhecer Israel, o que fez a resolução 242 ficar pendente até hoje. No momento em que o Egito reverteu sua posição beligerante contra Israel, este se retirou do Sinai conquistado em 1967.

    Gaza não foi incluída no acordo com o Egito em 1979 porque este último não desejou administrar o território.

    É importante incluir no relato o assassinato de Sadat, que mostrou que os elementos radicais árabes rejeitam qualquer contato com Israel da mesma forma que elementos radicais judeus rejeitam qualquer contato com os árabes, como ficou claro no assassinato de Rabin. Há um paralelo nos extremismos que se auto alimentam.

    É importante incluir no relato também que a principal (hoje em dia a única relevante) reivindicação Palestina rejeitada categoricamente por Israel é o chamado “direito de retorno” pelo qual os Palestinos fundariam um Estado em Gaza e na Cisjordânia e em troca ganhariam o direito de ir morar em Israel. Parece não fazer sentido algum e não faz mesmo. É como você comprar um apartamento para ter o direito de se mudar para o apartamento do teu vizinho.

    • João K. Miragaya

      06/06/2013 at 20:59

      Obrigado pelo comentário, Raul. Realmente, as armas foram adquiridas. Consertarei isto no texto.

      Em relação aos seus outros pontos, eu já imaginava receber críticas por optar por não incluir determinados acontecimentos. Foi uma escolha, da qual não me arrependo. Não incluir a interpretação profunda sobre qualquer um dos fatos narrados, entretanto, faz parte do objetivo do artigo. Tudo o que você considerar importante acrescentar, fique à vontade.

      Um abraço

    • Raul Gottlieb

      07/06/2013 at 11:59

      Não critiquei, João. Apenas observei. Shabat Shalom, Raul

  • Mario Silvio

    03/06/2013 at 15:36

    A última coisa que as lideranças palestinas (tanto hamas quando AP) querem é um acordo. Elas vivem, muitíssimo bem, do conflito.

    • Claudio Daylac

      04/06/2013 at 14:01

      E as nossas lideranças, Mario? Querem mesmo a paz?

      O que eu sinto aqui é o Netanyahu se elegendo em 2009 porque disse que o Kadima era fraco e que ele no poder acabaria com o Hamas.

      Após isso, tivemos quatro anos de um governo que pouco se importou com mais de um milhão de israelenses que vivem no sul, sob foguetes freqüentes do Hamas. Quando o foco das eleições estava sob a economia – que também não vai tão bem, diga-se de passagem – finalmente a questão dos foguetes ficou importante e tivemos uma operação militar a dois meses do pleito.

      Uma operação militar eleitoreira, que visou apenas atrair votos para a direita e não resolveu nenhuma questão de segurança no sul. O Likud mais una vez utilizou-se do conflito para eleger-se, como em 1996 e como em 2001.

      Eu acho que também temos uma liderança que não saberia onde pedir emprego em tempos de paz.

    • Szyja Lorber

      05/06/2013 at 06:06

      Claudio, desculpe-me, mas achei seu comentário contraditório. Você diz que o governo não deu bola para a população israelense do sul e depois afirma que quando a crise dos mísseis se tornou importante aí houve a operação contra Gaza. Ao que me consta já houve duas operações quando os ataques se intensificaram.

      Se o governo não se importasse de fato com o sofrimento da população do sul, abrigos não teriam sido construídos, a cerca que separa Gaza não teria sido erguida, o bloqueio à entrada de explosivos e armas não teria sido efetuado por terra, ar e mar, e a política de retaliação não teria sido estabelecida com o revide a cada foguete lançado.

      Tudo isso tem um custo enorme em dinheiro e em desgaste político interno e externo para Israel e seu governo. Além disso, milhões de dólares não teriam sido empregados no desenvolvimento das Cúpulas de Ferro (kipat barzel). Como é que o governo Netanyahu não se impota com a população do sul de Israel?

      Agora, ninguém é isento de críticas, nem Netanyahu. Você pode ter razão em criticá-lo, e eu concordo com isso, por razões de política econômica ou social. Mas por não querer a paz?

      Você também utilizou um argumento comumente usado por antissionistas e esquerdistas, o de que Netanyahu lançou as operações com finalidade eleitoreira. A questão é que as operações foram feitas porque o Hamas justamente intensifica os mísseis lançados às vésperas das eleições para que Israel reaja com vigor e o mundo pressione e condene. O Hamas está pouco se lixando se Gaza vai ser ou não destruída ou se vai morrer muita gente lá. Isso também ocorria antes com a OLP, quando os atentados terroristas sempre aumentavam sensivelmente perto das eleições, e os governos de Israel, seja de direita ou de esquerda sempre reagiam. Tinham e têm que reagir. Foi assim também com Ariel Sharon, e foi assim também com Ehud Barak ou com Ytzhak Rabin. Você sabe que os árabes interpretam a falta de reação como fraqueza e aí os ataques posteriores são maiores e mais mortais. Não importa quem esteja no poder, se há uma chuva de mísseis, às centenas em poucos dias, o revide tem que vir, afinal, o governo deve proteger seus cidadãos.

    • Claudio Daylac

      05/06/2013 at 06:56

      Szyja,

      Abrigos, cerca, kipat barzel, bloqueio a Gaza – nada disso é obra do governo Netanyahu. Tudo vem de governos anteriores.

      Concordo com sua afirmação de que o Hamas ataca mais às vésperas das eleições, afinal são eles os maiores interessados na manutenção do Netanyahu no poder! Hamas e Likud não estão interessados em dividir a terra, são praticamente interdependentes hoje em dia (desde 1996, eu diria) e estão sempre apoiando um ao outro, principalmente ao enfraquecerem as respectivas oposições.

      Refuto sua defesa de que Netanyahu é a favor da paz e te desafio a nos trazer um exemplo concreto.

      Refuto também sua acusação rasa e demagógica de que uma simples crítica ao momento escolhido pelo governo para realizar a operação em Gaza seja esquerdista e antissionista. Te pergunto porque a operação não ocorreu oito meses antes, quando uma chuva de mísseis arruinou o final-de-semana de Purim do sul do país. E te pergunto também porque Netanyahu, depois de convocar 75 mil reservistas – convocação essa maior do que a II Guerra do Líbano, e a um custo que ainda não sabemos como pagaremos – não aproveitou pra entrar com uma operação terrestre e resolver o problema do Hamas.

      Netanyahu não quer solução. Quer a perpetuação do problema.

      Um abraço e seja bem-vindo ao debate!

    • Szyja Lorber

      05/06/2013 at 07:16

      Claudio, bem se vê que você é da esquerda

    • Claudio Daylac

      05/06/2013 at 07:27

      Szyja,

      O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy também acredita que Benjamin Netanyahu mente quando afirma que busca a paz.

      Ele também é da esquerda?

    • Szyja Lorber

      05/06/2013 at 08:49

      Claudio, bem se vê que você é da esquerda que odeia Netanyahu e que até hoje (a mesma esquerda) não se conformou que ele e o Likud ganharam as eleições. Você me deu boas vindas ao debate, mas discutir com alguém que equipara o Likud ao Hamas, tenha a santa paciência, não dá! Israel é uma democracia e a maioria dos votos dos israelenses foram para ele, que foi reeleito. Se o que você diz dele fosse verdade, ele não teria sido reeleito. Ou será que os eleitores israelenses são debilóides?

      Outros governos? Que outros governos? A atual crise com Gaza começou com a retirada de Israel em 2005, quando era primeiro-ministro Sharon, que era do Likud. Em 2006 o Hamas deu o golpe e assumiu. Em novembro de 2006 Sharon criou o Kadima posicionando-se como de centro, mas com uma boa turma do Likud, inclusive o Olmert, que o sucedeu menos de dois meses depois, quando Sharon ficou incapacitado. Ficou dois mandatos e depois veio Netanyahu que agora foi reeleito. O término da cerca com Gaza foi do Olmert? Não. Kipat Barzel, foi do Olmert? Também não. Desculpe-me mais uma vez, mas você está colocando teus sentimentos acima dos fatos. Bloqueio a Gaza, política de revide a cada ataque e kipat barzel são, sim, do governo anterior… de Netanyahu. E você quer me fazer crer que nos governos de Netanyahu não foi construído nem um abrigo no Sul? Me engana que eu gosto…

      Você pode refutar à vontade que eu sou bem democrático. Eu nem bem cheguei e já me desafia. Aliás, é todo cheio de mal-criações também, tentando me desqualificar com ofensas.gratuitas como rasteiro e demagogo. Por que é que quando faltam argumentos apela-se sempre para a ignorância? Além do mais, você se exasperou à toa porque eu escrevi que usou um argumento comumente utilizado por esquerdistas e antissionistas, o que também é fato, pois eles sempre dizem isso. Eu não o chamei de antissionista e nem disse, naquela ocasião, que você é esquerda, como constato agora que é. Você entendeu mal. Escreveu: “Refuto também sua acusação rasa e demagógica de que uma simples crítica ao momento escolhido pelo governo para realizar a operação em Gaza seja esquerdista e antissionista”. Pode parecer a mesma coisa, mas não é. Se não entendu, deixa pra lá, porque não vai entender mesmo que eu explique mais detalhadamente.

      Você pediu um exemplo concreto para provar que Netanyahu é a favor da paz e vou te dar três, embora existam mais, para não precisar prolongar esse bate-boca, que não tem futuro, pois o seu ódio a Netanyahu vai lhe fazer cócegas para desqualificá-las também. Mas vamos lá.

      No dia 14/6/2009, em seu governo anterior, portanto, num discurso de quase uma hora de duração na Universidade Bar Ilan, próximo a Tel Aviv, Netanyahu, pela primeira vez, aceitou a criação de um Estado palestino como parte do processo de paz no Oriente Médio, mas colocou algumas condições que, evidentemente, foram, de imediato, rejeitadas pelos palestinos. O discurso foi criticado por grupos palestinos e por colonos israelenses (que são contra a criação do Estado palestino), mas recebeu elogios dos EUA, com o presidente Barack Obama saudando o “importante passo”.

      Não recordo exatamente quando, mas acredito que foi em 2010 que Netanyahu declarou uma moratória nas construções dos assentamentos na Cisjordânia creio que por 60 dias, como prova de boa vontade de seu governo para negociar a paz com os palestinos, atitude que foi solenemente ignorada por Abbas. Antes visita de Obama a Israel este ano voltou-se a comentar que nova suspensão seria decretada.

      Em 6/7/2010, em visita à Casa Branca, em Washington, Netanyahu declarou ao presidente Obama e reafirmou isso em entrevista coletiva conjunta após o encontro, e publicada em todos os jornais, que estava na hora de israelenses e palestinos voltarem a negociar a paz diretamente, sem intermediários.

      Agora pergunto eu: Pode citar um único exemplo concreto de que os palestinos fazem alguma coisa pela paz?

      Claudio, você gosta de criticar, mas é avesso a críticas. Não o agredi, apenas critiquei sua posição. Se sua próxima resposta,contiver agressões, ofensas ou desqualificações, ao invés de argumentos e fatos, não espere retorno, porque deixarei este debate.

    • Claudio Daylac

      05/06/2013 at 15:25

      Szyja,

      Vê se bem que você é da direita.

      Acho que você se exasperou à toa porque eu escrevi que você usou um argumento rasteiro e demagógico comumente utilizado por direitistas, o que também é fato, pois eles sempre utilizam esta rotulação de esquerdista e antissionista à aqueles que discordam de suas idéias. Realmente, falta democracia.

      Eu não o chamei de rasteiro ou demagógico. Qualificava os seus argumentos. Na verdade, quem usou-se de ofensas gratuitas foi você, ao questionar minha capacidade de entender seu texto, mas infelizmente, você entendeu mal. Pode parecer a mesma coisa, mas não é. Mas, se não entendeu, deixa pra lá, porque não vai entender mesmo que eu explique mais detalhadamente.

      Na realidade, o Kadima surgiu em novembro de 2005. Isso significa que, entre 2006 e 2009, Netanyahu foi o líder da oposição. Foi nesta época que se desenvolveu o kipat barzel, por exemplo, e instaurou-se o bloqueio terrestre, aéreo e naval a Gaza após a subida do Hamas ao poder. Os abrigos anti-bomba, infelizmente, são uma realidade ainda mais antiga em Israel.

      Por que é que quando faltam argumentos, apela-se sempre para a elasticidade factual?

      Por fim, em resposta à sua pergunta, se apenas discursos desacompanhados de atitudes valem como grandes passos em pról da paz, temos a famosa entrevista, de novembro último, em que Abu Mazen afirmou com todas as palavras que está disposto a retornar à sua Tzfat natal apenas como turista, uma vez que a Palestina será declarada nas fronteiras de 1967. Declaração tão eficaz quanto o discurso de Netanyahu em Bar-Ilan, mas que representou o primeiro reconhecimento destas linhas como as fronteiras aceitadas pela liderança palestina.

      Também temos a iniciativa da Liga Árabe, há mais de dez anos em cima da mesa, oferecendo reconhecimento pleno do Estado de Israel em troca da total desocupação dos territórios ocupados em junho de 1967. Talvez tenha chegado a hora de encararmos essa oferta como o que ela realemente é: uma oferta. E, como toda oferta, passível de contra-oferta. Se deixarmos de enxergá-la como algo monolítico, poderíamos chegar a um acordo no meio do caminho – quem saber manter nosso controle sobre Jerusalém unificada.

      Infelizmente, nossa liderança tem optado ultimamente apenas por negociar e fortalecer os extremistas, ignorando as possibilidades moderadas.

      Não espero seu retorno, mas sinta-se sempre convidado ao debate. Este é o espírito do ConexãoIsrael.org!

    • Szyja Lorber

      06/06/2013 at 00:33

      Caro Claudio, você se engana redondamente: não sou de direita e não sou de esquerda. E mostra também que além de esquerdista é um malabarista sem muita criatividade. Lavoisier já dizia que neste mundo nada se cria, tudo se copia. Você copiou minhas palavras e procura inverter tudo. O que eu achei disso? Muito engraçado, mas completamente vazio. Inútil tentativa de continuar me desqualificando, aliás, mais uma típica característica esquerdista. É a mesma lenga-lenga de sempre: a esquerda acha que pode falar o que quiser pois isso é democracia, mas não aceita que quem não seja de esquerda fale o que quiser, pois isso estaria fora da esfera democrática…

      Eu me exasperei? Em, absoluto! Fui bem claro na minha resposta, observando que aceito críticas, ao contrário de você que não as suporta. Não adianta tentar inverter afirmando que eu é que o agredi. Você me agrediu primeiro. E agora faz igualzinho aos palestinos, agridem, e posam de vítimas agredidas…

      Vamos por partes.

      1. “Eu não o chamei de rasteiro ou demagógico. Qualificava os seus argumentos. Na verdade, quem usou-se de ofensas gratuitas foi você, ao questionar minha capacidade de entender seu texto, mas infelizmente, você entendeu mal. Pode parecer a mesma coisa, mas não é. Mas, se não entendeu, deixa pra lá, porque não vai entender mesmo que eu explique mais detalhadamente”

      Resposta – Raso e rasteiro não são a mesma coisa? Demagógico e demagogo, por acaso são palavras distintas? Você não qualificava meus argumentos. Você simplesmente os refutou, dizendo que minhas “acusações são rasas e demagógicas. Se isso não é ofensa, meu caro, caramelos é que não são! Vou reproduzir exatamente o que você escreveu, pela segunda vez, e sua frase não deixa margem a dúvidas de que agrediu primeiro. Você escreveu: “Refuto também sua acusação rasa e demagógica de que uma simples crítica ao momento escolhido pelo governo para realizar a operação em Gaza seja esquerdista e antissionista….”
      Mais uma vez torno ao tema: você de fato não compreendeu o que eu disse. Sinto muito se sentiu-se ofendido, e peço-lhe desculpas porque não sou de fazer ofensas a ninguém. Mas uma coisa é certa, você não entendeu mesmo! Pelas tuas respostas acredito que você esteja vivendo em Israel. Eu não sou de Israel, estou no Brasil. A esquerda em Israel, não é a mesma esquerda do Brasil evidentemente. A esquerda no Brasil é visceralmente antissionista. A esquerda em Israel é sionista. Aí está a raiz do nosso desentendimento. Você entendeu o fato de eu tê-lo identificado como de esquerda em Israel, com a esquerda antissionista que vive dizendo que os ataques a Gaza são eleitoreiros. Você levou isso para o campo pessoal porque — uma ofensa pessoal porque eu coloquei que os esquerdistas e antissionistas vivem dizendo isso. Não sei se me fiz entender agora. De qualquer forma já expliquei e o Raul também, que essa iniciativa nada tem a ver com as eleições. Antes do Hamas, como já disse, a OLP e o Fatah sempre às vésperas das eleições fizeram ataques e inclusive lançaram a intifada, próximo das eleições que elegeram Sharon primeiro-ministro. Portanto, é tudo uma repetição que o Hamas faz. Quando houver nova eleição em Israel, eles vão intensificar o lançamento de mísseis, e terão o troco.

      2 – “Na realidade, o Kadima surgiu em novembro de 2005. Isso significa que, entre 2006 e 2009, Netanyahu foi o líder da oposição. Foi nesta época que se desenvolveu o kipat barzel, por exemplo, e instaurou-se o bloqueio terrestre, aéreo e naval a Gaza após a subida do Hamas ao poder. Os abrigos anti-bomba, infelizmente, são uma realidade ainda mais antiga em Israel.
      Por que é que quando faltam argumentos, apela-se sempre para a elasticidade factual?

      Resposta – De fato você tem razão, me confundi com o ano, o Kadima foi criado em novembro de 2005 e não em novembro de 2006. Por que em janeiro ou fevereiro de 2006 Sharon ficou incapacitado de governar. Isso é motivo para afirmar que há aí, “elasticidade factual”? A questão do kipat barzel é a seguinte: a ideia surgiu em 2004 quando o general Daniel Gold, chefe de pesquisas das FDI queria criar projeto de antimísseis, mas esbarrou em enormes dificuldades dentro do exército e legislação para financiamento do projetos de segurança. Ele pediu ajuda dos políticos, mas nada aconteceu. Com a guerra do Líbano em 2006, aproximadamente 4.000 foguetes do Hezbolá caíram no norte de Israel, chegando até Haifa, e matando 44 civis israelenses e causando evacuação e realocação de 250 mil pessoas, enquanto que cerca de um milhão de pessoas ficou confinada em abrigos. No sul, mais de 4.000 foguetes e outro tanto de morteiros atingiram indiscriminadamente os centros populacionais de Israel, a partir de Gaza entre 2000 e 2008, disparados pelo Hamas. Foi só a partir daí quer o governo passou a se interessar pela ideia. E em fevereiro de 2007 o Ministério da Defesa, no governo Olmert, decidiu investir no projeto de uma solução defensiva com a quantia de 210 milhões de dólares. Foi a indústria Rafael que então passou a trabalhar no sistema, cuja primeira bateria operacional entrou em operação em 27 de março de 2011, no governo de Netanyahu.

      3 – “Por fim, em resposta à sua pergunta, se apenas discursos desacompanhados de atitudes valem como grandes passos em pról da paz, temos a famosa entrevista, de novembro último, em que Abu Mazen afirmou com todas as palavras que está disposto a retornar à sua Tzfat natal apenas como turista, uma vez que a Palestina será declarada nas fronteiras de 1967. Declaração tão eficaz quanto o discurso de Netanyahu em Bar-Ilan, mas que representou o primeiro reconhecimento destas linhas como as fronteiras aceitadas pela liderança palestina.
      Também temos a iniciativa da Liga Árabe, há mais de dez anos em cima da mesa, oferencendo reconhecimento pleno do Estado de Israel em troca da total desocupação dos territórios ocupados em junho de 1967. Talvez tenha chegado a hora de encararmos essa oferta como o que ela realemente é: uma oferta. E, como toda oferta, passível de contra-oferta. Se deixarmos de enxergá-la como algo monolítico, poderíamos chegar a um acordo no meio do caminho – quem saber manter nosso controle sobre Jerusalém unificada”.

      Resposta – É, Abbas afirmou que está disposto a retornar a Tzfat apenas como turista, Mas exige o retorno de Israel às fronteiras de 1967, o que sabemos todos ser impossível. Além disso, Abbas, ou Abu Mazen, disse também em várias ocasiões — e a última vez parece que foi em fevereiro deste ano — que o Fatah, seu partido no governo da Autoridade Palestina tem se reunido com o grupo terrorista Hamas para chegar a uma conciliação e partilhar um governo conjunto palestino, o que levanta sérias dúvidas sobre o processo de paz com Israel por parte de Abu Mazen, uma vez que trabalhando ao lado do Hamas, cuja reiterada e declarada, em alto e bom som, “razão de sua existência” é a destruição de Israel, o vislumbre da paz com os palestinos se apaga totalmente. Além disso, numa outra entrevista, à televisão libanesa, que depois foi divulgada pela Reuters no dia 4/2/2013, Abbas disse que: “Os sionistas pediram aos nazistas para matar judeus, de modo que eles teriam poder para reivindicar e estabelecer o Estado de Israel. Eu quero um, um só judeu que venha aqui e prove para mim que não havia ligação entre a liderança sionista e o movimento nazista antes da Segunda Guerra Mundial”,
      Na mesma entrevista, surpreendentemente, ele voltou a defender uma tese dele que se pensava, ele tinha abandonado. Mas não. Tornou a defender sua tese de doutorado, concluída em 1980 na Universidade de Moscou, na qual ele afirma, entre outras coisas, que o número de judeus assassinados pelos nazistas é de 600 mil, no máximo, e não 6 milhões.
      Num outro informe, recentemente, o governo de Israel havia feito uma oferta para abrigar 150 mil refugiados palestinos que estão na Síria, com a condição de firmarem um documento abrindo mão do seu direito de retorno. De acordo com a Associated Press, Abbas rejeitou a oferta dizendo que “é melhor morrer na Síria do que desistir de seu direito de retorno”.
      Atitudes como estas, em hipótese alguma levam uma pessoa em sã consciência a crer que Abbas esteja comprometido em fazer a paz com Israel.

      4 “Infelizmente, nossa liderança tem optado ultimamente apenas por negociar e fortalecer os extremistas, ignorando as possibilidades moderadas”.
      Resposta – Creio que isso já foi respondido, e bem, pelo Raul, num outro post.

      5 – “Não espero seu retorno, mas sinta-se sempre convidado ao debate. Este é o espírito do ConexãoIsrael.org!”
      Resposta – Eu retornei porque você foi mais comedido desta vez.

      .

    • Raul Gottlieb

      05/06/2013 at 12:54

      Sim, Cláudio,

      As lideranças de Israel buscam de forma ininterrupta a convivência harmônica com os seus vizinhos desde 1948. Antes disso o yishuv também buscava viver em harmonia com a população árabe.

      O que Bibi (não gosto dele) entende é que não é possível fazer muito movimento, porque a cada concessão de Israel parte-se desta plataforma para uma nova exigência.

      A paz com o Egito deu a nós todos a forte impressão que os Árabes iriam sair de sua trajetória negacionista. E eu creio que Sadat queria exatamente isto. Mas ele foi assassinado por negacionistas e os demais líderes Árabes colocaram as barbas de molho.

      Depois Arafat fez um movimento na direção da aceitação de Israel em 1993 – há 20 anos. Mas o movimento dele foi bem cauteloso e ele recuou após o assassinato de Rabin.

      É verdade que neste caso foram extremistas judeus (próximos às posições de Bibi na época) que entornaram o caldo, mas também é verdade que o Peres tentou com muito empenho prosseguir na trilha aberta pelo Rabin e o Arafat resolveu cair fora (e de forma traiçoeira).

      Neste exato momento não há nenhum movimento do lado das lideranças árabes em direção a aceitação da convivência harmônica com Israel. Então o Bibi também não coloca a cabeça para fora. Seria estúpido faze-lo, Cláudio.

      Veja a insistência no “direito de retorno” que as lideranças Palestinas colocam como sendo inegociável. É uma coisa bizarra – fundar um Estado para ter o direito de mandar a sua população morar no Estado vizinho. Como isto se explica a não ser pelo fato de ser uma exigência que derrota qualquer possibilidade de acordo?

      Veja a abjeta manutenção dos “refugiados” Palestinos de 1948 em campos provisórios nos países árabes vizinhos e sem direito à cidadania dos filhos e netos! Esta atitude é desumana, não tem paralelo na história da humanidade e só se explica pelo desejo de perpetuar a crise.

      Veja o incrível nível de antissemitismo e desinformação fomentado nos Estados Árabes. Esta atitude é oficial e não é um passo na direção da solução, muito pelo contrário, amigo Cláudio.

      E finalmente, não concordo que o mais recente ataque Israelense em Gaza tenha sido provocado por interesses eleitoreiros. Dizer que “aconteceu depois de, então foi por causa de” não é uma prova. Esta fórmula é a ferramenta preferida dos que cultuam teorias conspiratórias, mas sem a apresentação de provas causais ele é vazio.

      “Depois que eu peguei o guarda chuva começou a chover” não indica que tenha chovido por causa do meu gesto, não é mesmo? O fato concreto que liga o revide de Israel aos foguetes Palestinos é o recrudescimento exponencial dos foguetes Palestinos e não a marcação das eleições em Israel.

      Por favor não me queira mal, mas com certeza qualquer governo Israelense abraçará uma demonstração árabe de aceitação do Estado de Israel.

      Os líderes de Israel governam um país democrático e a maior parte dos Israelenses quer a convivência, assim que os líderes também o querem (porque se não quiserem caem da cadeira).

      Abraço grande,
      Raul

    • Claudio Daylac

      05/06/2013 at 15:35

      Raul,

      Note que em nenhum momento defendi a liderança palestina. Se acho que estamos em maus lençóis com Netanyahu, a situação dos palestinos é de sentar no meio-fio da calçada e chorar copiosamente.

      Vejo em Netanyahu duas falhas básicas:

      1. Só pensa no curto-prazo. Parece sempre priorizar a tática, em detrimento da estratégia. Resolve batatas quentes que surgem à sua frente, mas não ataca as razões que as criaram.

      2. Ingenuamente acredita que é possível manter o controle eterno dos territórios sem definir seu status definitivo. Já escrevi sobre isso em meu texto “Estado palestino, prioridade sionista“. Israel encontra-se no limiar demográfico: a população judaica entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo já quase não supera a população árabe (árabes-israelenses somados a palestinos) e isso significa que cada vez mais sofreremos pressões externas para tomarmos uma atitude: Estado palestino x anexação oficial dos territórios. Acho que você concorda comigo sobre onde isso nos levaria e o que devemos fazer neste caso.

      Como disse em meu artigo, não se trata de fazer paz. A paz não surge ao estalar os dedos. Precisamos acabar a ocupação (não discutamos o termo novamente, por favor), nos livrar desta bomba-relógio. Nossos filhos e netos construirão a paz.

      Um abraço!

    • Raul Gottlieb

      06/06/2013 at 04:21

      Cláudio,

      Israel não pode definir o que compete aos Palestinos. Se eles quiserem o Estado o terão em dois meses, mas eles realmente não o querem. Pelo menos esta é a minha convicção.

      Então penso que não é que Bibi pensa a curto prazo, é que não há mesmo nada a fazer no curto prazo.

      Eu também não gosto do Bibi. Mas não vejo como ele poderia agir diferente face à atitude dos Palestinos.

      Não creio que ele pense que vai manter os territórios indefinidamente, mas o que ele poderia fazer neste momento?

      Sobre o “direito de retorno” ser mera ficha de barganha, tomara que você esteja certo, mas eu acho que você não está certo não. Ela é uma ficha sim, mas não de barganha para um acordo, mas para justificar um não acordo.

      Enfim, a essência do que eu quero dizer é o que disse Szyja: it takes two to tango. Se o “lado de lá” não quer entrar na dança não adianta ficar rebolando sozinho.

      Você o que eu penso seria muito produtivo para um acordo de convivência? Por um lado a comunidade internacional auditar severamente a ajuda que dá aos Palestinos para que o dinheiro seja aplicado onde deve ser e por outro lado que a UNRWA passe a aplicar aos Palestinos a mesma regra que se aplica a todos os demais refugiados do mundo.

      Ajudaria muito também se os Palestinos que vivem em condições esquálidas nos países árabes há dezenas de anos ganhassem cidadania e direitos plenos.

      Ah sim, e que os Palestinos parassem de educar seus filhos num caldo que mistura martiriologia com antissemitismo.

      Mas como diz o chefe Abraracourcix da aldeia de Asterix: a véspera de tudo isto não será amanhã. Então, o que pode o Bibi fazer?

      Abraço, Raul

    • Claudio Daylac

      05/06/2013 at 15:43

      P.S – Sobre os refugiados: são um factóide. Suas palavras definem perfeitamente o absurdo da exigência. Mais uma vez, lhe convido a encará-la como o que realmente é: um factóide. Ninguém chega à mesa de negociações revelando exatamente as condições com as quais está disposto a concordar.

      Os negociadores palestinos precisam que esta questão conste de sua lista de exigências para depois poderem apresentar ao seu povo algo como “não conseguimos os refugiados, mas israel aceitou X, Y e Z – vejam só!”.

      Enfim, judeus e árabes negociando. Já viu, né?

  • Szyja Lorber

    03/06/2013 at 21:45

    Prezado João K. Miragaya,
    O texto contém algumas imprecisões, mas vou me ater à Guerra dos Seis Dias, de junho de 1967 em cujo trecho encontrei dois erros sérios . O primeiro é que a Resolução da ONU referida com a que exige a retirada de Israel dos territórios conquistados em 1967 não é a de número 282, mas sim a de nº 242.
    Por outro lado, essa questão, por falha de tradução e/ou pela insistência palestina em repeti-la sempre acabou por distorcer o que a resolução realmente dita. A Resolução 242 não exige que Israel se retire “dos” territórios, mas sim “de” territórios”. A diferença entre “dos” e “de” está no fato concreto de que enquanto a primeira significa “se retirar de todos os territórios” a segunda quer dizer “de parte, ou de alguns territórios”, o que na prática, já foi feito quando Israel se retirou de parte dos territórios após os Acordos de Oslo, entregando-os à administração da Autoridade Palestina. O problema é que a AP quer todos os territórios e não parte deles. Por outro lado a preconização das negociações para se chegar a um acordo dor parte de Israel, e também por todos os planos de paz já apresentados para o Oriente Médio, é igualmente constante da Resolução 242.
    O texto original da resolução em inglês é este:
    Resolution 242 (1967)
    of 22 November 1967

    The Security Council,

    Expressing its continuing concern with the grave situation in the Middle East,

    Emphasizing the inadmissibility of the acquisition of territory by war and the need to work for a just and lasting peace in which every State in the area can live in security,

    Emphasizing further that all Member States in their acceptance of the Charter of the United Nations have undertaken a commitment to act in accordance with Article 2 of the Charter,

    1. Affirms that the fulfilment of Charter principles requires the establishment of a just and lasting peace in the Middle East which should include the application of both the following principles:

    (i) Withdrawal of Israel armed forces from territories occupied in the recent conflict;

    (ii) Termination of all claims or states of belligerency and respect for and acknowledgment of the sovereignty, territorial integrity and political independence of every State in the area and their right to live in peace within secure and recognized boundaries free from threats or acts of force;

    2. Affirms further the necessity

    (a) For guaranteeing freedom of navigation through international waterways in the area;

    (b) For achieving a just settlement of the refugee problem;

    (c) For guaranteeing the territorial inviolability and political independence of every State in the area, through measures including the establishment of demilitarized zones;

    3. Requests the Secretary-General to designate a Special Representative to proceed to the Middle East to establish and maintain contacts with the States concerned in order to promote agreement and assist efforts to achieve a peaceful and accepted settlement in accordance with the provisions and principles in this resolution;

    4. Requests the Secretary-General to report to the Security Council on the progress of the efforts of the Special Representative as soon as possible.

    • João K. Miragaya

      06/06/2013 at 20:56

      Prezado Szyja,

      Fico feliz com a sua participação, e gostaria de tecer alguns comentários em cima dos seus, se você me permite.

      Primeiramente, obrigado pela correção do número da resolução. Me equivoquei durante a escrita, e já consertei o meu erro.

      A segunda “imprecisão” apontada por você não me parece digna desta qualificação. Você mesmo, aliás, toca na possibilidade de ser uma “falha de tradução”. Acredito que eu e você concordemos sobre as reais intenções da ONU quando decidiu emiti-la, não é mesmo? Ou por acaso você acredita que o objetivo era a indefinição? Eu não acredito. E nem tenho como intenção discutir o uso de pronomes, artigos e adverbios.

      Gostaria de acrescentar, também, que assim como não é o meu objetivo discutir os termos, também não me proponho neste artigo a discutir possíveis soluções e culpados pelo conflito. Meu objetivo era escrever um “resumão” para os menos entendidos, para que sirva de base para meus próximos artigos que tratarão exatamente sobre posições sobre o conflito, como se vê claramente no embate de ideias entre você, o Raul e o Claudio.

      Não vejo o menor problema que vocês discutam qualquer tema aqui, mas gostaria de criticá-lo, assim como você o fez comigo: não acho que o termo “malcriado” seja apropriado para qualquer discussão entre duas pessoas que ocupam o mesmo status em qualquer cenário. Sobretudo quando não se justifica nem um pouco. Também não me agrada o fato de você insistentemente repetir que o Claudio não compreende o que você quer dizer, ao invés de admitir que ele possa ter uma opinião distinta da sua. Este tipo de comentário, a meu ver, está no limite entre a crítica e a ofensa. Usado uma vez, eu entendo como crítica. Ao ser repetido, torna-se pejorativo. É como se você o estivesse chamando de burro. Eu não concordo com este tipo de postura. Minha terceira e última crítica será em relação à forma como você escreveu sua última postagem. Não é nem um pouco necessário transcrever parágrafos inteiros para dar a sua opinião. Isto gera uma poluição visual no site, e tampouco me agrada. Seu comentário foi autorizado porque isto não foi avisado por mim previamente, mas outros neste estilo não o serão.

      Sobre as suas posições políticas, bastante razoáveis a meu ver, eu prefiro não comentar por ora. Haverá outros momentos nos quais o embate de ideias será mais conveniente.

      Gostaria que você me dissesse quais seriam as outras “imprecisões” do texto.

      Obrigado pela participação. Volte sempre!

    • Raul Gottlieb

      07/06/2013 at 12:44

      Não pode ser falha de tradução, porque o texto original é em inglês e fala “from territories” e não “from the territories”.

      Mas o mais importante é que a resolução demanda retirada e reconhecimento, mas só se fala na retirada.

      Omitir a parte da realidade que não combina com nossos gostos e percepções é um artifício muito utilizado, mas nem por isto construtivo,

    • Szyja Lorber

      09/06/2013 at 08:08

      Caro João K. Miragaya,

      Muito grato pela resposta. Ao ler seu texto eu percebi que representa um resumão sobre o conflito do Oriente Médio, até porque a história completa demandaria muito espaço. Já foram escritos centenas de livros a respeito e, ainda assim, talvez nem todos os aspectos tenham sido abordados.

      Como eu já escrevi aqui, não sou impermeável às críticas. É claro as recebo, não, porém quando são injustas. Miragaya, eu não o critiquei em minha mensagem, apenas fiz observações sobre imprecisões que encontrei. Isso não é crítica, foi mais no sentido de colaborar para deixar seu texto – que, aliás, considero um dos melhores resumos que já vi sobre a questão Israel X Palestina – mais preciso ainda.

      Sobre o termo “malcriado” que mencionou, o que dizer então a respeito dos termos “raso” e demagógico” com os quais fui brindado? Se não foi foi malcriação, o que então seria? E com relação ao Claudio já dei minha explicação detalhada, e até pedi desculpas se ele se sentiu ofendido por não aceitar a minha colocação. Porém, não recebi, nem estou esperando dele desculpas em contrapartida por ter utilizado os termos que usou. Para mim o assunto está encerrado.

      A respeito da crítica por eu ter utilizado a formas de reproduzir o texto item a item e respondê-los, eu realmente não tinha conhecimento da regra que observou, mas também não encontrei na página nenhum aviso ou regras a respeito.Você tem toda a razão, fica muito maçante de ler e longo demais. Mas na hora não pensei nisso. Só pensei em responder.

      Você indagou sobre quais eram as outras “imprecisões” que mencionei. Isso me deu a leve impressão de não gostou da forma que escrevi, porque usou a palavra imprecisões entre aspas, e ai talvez esteja a razão de tê-la considerado como crítica. Mas, talvez não, porque o mesmo aconteceu com o Raul. Veja, procurei uma palavra adequada, porque não se tratam de erros, incorreções, descuidos, falhas omissões, ou coisas assim. Escolhi a palavra imprecisões porque uma informação deve ser sempre precisa e me parece ser ela a mais leve entre essas que citei.

      Algumas das imprecisões já foram apontadas pelo Raul e você já corrigiu. Eu teria mais duas, além daquela que o você não considerou sobre a Resolução 242 que, em seguida, torno a comentar. A primeira é com relação ao Mandato da Palestina que teria se iniciado em 1917. Naquele ano os britânicos ocuparam a Palestina tomando-a dos turcos, uma vez que fazia parte do império otomano. Mediante o acordo Sykes-Piquet, firmado na Primeira Guerra Mundial entre ingleses e franceses, ficou acertado quem tomaria o quê. Os franceses o Líbano, a Síria e o Egito, enquanto que os britânicos a Palestina ()que então era muito maior, pois englobava o que hoje é a Jordânia), a região do Golfo Pérsico. e a península arábica.

      O mandato britânico não começou em 1917. Começou três anos mais tarde. E os britânicos não atribuíram a si esse mando, que lhes foi conferido, pela Liga das Nações (a ONU da época) numa conferência realizada em San Remo, na Itália, em abril de 1920. E o mandato da Palestina lhes foi entregue com o propósito de ali criar um Lar Nacional Judeu.

      O segundo item que sugiro rever, é o referente à consequência dos refugiados palestinos com a Independência de Israel. Os países árabes também expulsaram um contingente entre 800 a 900 milo judeus imediatamente à Independência de Israel. Muitos nem foram expulsos, mas assassinados Esses refugiados são pouco lembrados hoje dia, porque eles foram em parte absorvidos como imigrantes em Israel, e você até os cita quando fala que Israel recebeu imigrante do mundo todo. Mas eles foram obrigados a deixar lugares onde viviam há séculos, perderam suas propriedades e seus pertences. Seria interessante observar que o número de judeus expulsos praticamente bate com o número de palestinos que deixaram seus lugares e/ou foram expulsos.

      Agora volto à interpretação da Resolução 242. O que eu citei sobre a “falha de tradução” não foi da ONU com algum intuito de deixar uma indefinição na questão como alguns querem crer a partir de então. O Raul também já observou bem isso. A mídia, e principalmente a mídia árabe bateu nessa tecla de que Israel tinha que se retirar dos territórios e Israel respondia quer não, que não era de todos os territórios, pois de acordo com a resolução em inglês é “from territories” e não “from the territories”. O que ajudou na confusão foi que a a tradução para o francês dizia “des territoires” .

      O ex-presidente Carter, em seu livro ’Palestina: Paz, Não Apartheid’, afirma que a Resolução 242 da ONU pede que Israel devolva todos os territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias de junho de 1967 e volte às suas fronteiras de antes da guerra (página 125 do livro). Mas, segundo o Centro Simon Wiesenthal, nos Estados Unidos, a Resolução 242 da ONU não exige que Israel retorne às suas fronteiras pré-Guerra dos Seis Dias. E afirma que o embaixador britânico na ONU, Lord Caradon que introduziu a resolução, ele próprio, subsequentemente explicou: “teria sido errado exigir o retorno de Israel às suas posições de 4 de junho de 1967. A resolução determina a retirada das tropas israelenses de territórios ocupados, simultaneamente com a exigência do reconhecimento da soberania e integridade territorial, e independência política de todos os Estados da área, e seu direito de viver em fronteiras seguras, livre de ameaças e atos de força, ou seja, o reconhecimento de Israel existir”.

      Mais ainda: Conforme explicou o especialista em Direito Internacional,Eugene Rostow: “A resolução 242, que eu, como subsecretário de Estado [dos EUA] encarregado de questões políticas entre 1966 e 1969, ajudei a produzir, requer que seja feita a paz entre ambas as partes. Ela permite que Israel administre os territórios que ocupou em 1967 até que seja alcançada ‘uma paz justa e duradoura no Oriente Médio’. Quando essa paz for alcançada, Israel deve retirar suas forças armadas ‘de’ territórios que ocupou durante a Guerra dos Seis Dias – ela não diz ‘dos’ territórios ou de ‘todos’ os territórios, mas de alguns deles”.

      Esta afirmação taxativa a respeito do tema, dita por quem ajudou a redigir a resolução pode ser encontrada no item 16 da seguinte página na internet: http://www.visaojudaica.com.br/Agosto_2004/Artigos%20e%20reportagens/20_fatos_sobre_israel_e-o_OM.htm

      Espero, sinceramente, Miragaya, que leve em consideração esse fatos, que são de extrema importância para o entendimento do conflito.

    • João K. Miragaya

      09/06/2013 at 20:33

      Olá Szjya!

      Acredito que os termos “raso” e “demagógico” do Claudio tenham se referido a um argumento em específico, não a nenhuma pessoa. Ele também me confessou ter se referido à postagem do Mário Sílvio, não à sua.

      Quanto aos seus comentários, o Mandato Britânico na Palestina teve início no ano de 1917, mas militar. Por isso não considero uma imprecisão. O Tratado de Sykes-Pikot foi feito em 1916, antes mesmo da conquista da região pelos inglêses e franceses. A própria Rússia estava na jogada. Em 1920 teve início o Mandato Britânico Civil na região.

      Eu não comparo oso judeus saídos dos países árabes com os palestinos, pois não acho que isto tenha qualquer influência no conflito. Mas, diga-se de passagem os palestinos também alegam que foram massacrados, como no caso Tentura e em Deir Yassin.

      Sobre a resolução 242, prefiro deixar a minha opinião para uma ocasião mais oportuna.

      Um abraço e obrigado pela participação.

    • Szyja Lorber

      09/06/2013 at 22:29

      Olá João Miragaya,

      Eu comentei que o Claudio estava utilizando argumentos comumente usados por antissionistas/ esquerdistas e ele respondeu num post dia 5/6, dirigido a mim, e não ao Mario (é só verificar na quência do texto) que ele refutava minha acusação rasa e demagógica de que uma simples crítica….

      Como eu já escrevi, em 1917 os britânicos tomaram militarmente a Palestina. O mandato só foi obtido legalmente pelo Conselho da pela Liga das Nações., em 1920, mas o documento só foi assinado em agosto de 1922. E não fala em mandato civil. Em seu artigo 1º diz que a “Mandatória (Inglaterra) deverá ter plenos poderes para legislar e administrar, salvo naquilo que que possa ser limitado pelos termos deste mandato”..

      O artigo 2º reza que a Mandatória deverá ser responsável por criar condições políticas, administrativas e econômicas tais que assegurem o estabelecimento do lar nacional judaico, como consta do preâmbulo, e o desenvolvimento de instituições de autogoverno, e ainda salvaguardar os direitos civis e religiosos de todos os habitantes da Palestina, sem considerar raça ou religião”.

      Se tiver interesse e quiser ver, o texto completo do documento do mandato está em: http://unispal.un.org/UNISPAL.NSF/0/2FCA2C68106F11AB05256BCF007BF3CB

      A influência dos refugiados no conflito esta´no fato de que sempre são lembrados os refugiados palestinos e não os refugiados judeus. Isso é justamente o que os palestinos têm usado “ad nauseam” como condição prévia para sentar e negociar a paz, o retorno dos palestinos para Israel, dentro de um quadro kafkiano que o Raul já explicou muito bem, deseja-se criar um Estado Palestino para que os palestinos possam ir morar em Israel, ou seja, compram um apartamento para se mudar para o apartamento do vizinho. No caso dos refugiados palestinos, os países árabes tudo fizeram para que sua situação permanecesse assim, negando-lhes cidadania, trabalho, direitos civis, e até propriedade de imóveis. Ao mesmo tempo pressionaram o mundo para usar os palestinos como ‘arma’ contra Israel, criando a ONU então uma agência, a UNRWA, que até hoje despeja milhões de dólares em assistência e pagamento de salários já que eles não podem obter emprego nos países árabes pois não são seus cidadãos. Ao contrário de Israel que absorveu seus refugiados judeus, deu-lhes cidadania e direitos, provando que os árabes poderiam ter feito o mesmo com os palestinos. Mas, a política dos três Não dos líderes árabes continua a mesma desde a conferência de Kartum: Não ao reconhecimento de Israel, não à paz com Israel e não à negociação com Israel.

      Sobre a Resolução 242, entendo que prefira deixar para uma ocasião oportuna, mas lamento que não tenha levado em consideração nem mesmo as manifestações posteriores daqueles que ajudaram a redigi-la e que esclarecem, a meu ver, qual foi realmente o espírito dela: A retirada de [parte] dos territórios e não a retirada de [todos] os territórios, mas a retirada em consequência de negociações de paz, conforme o texto original que já postei anteriormente.

      Sob esse ponto de vista,. para mim a imprecisão continua quando o texto afirma que “A resolução 242 da ONU exigia que Israel se retirasse dos territórios conquistados em 1967 imediatamente, …”, a despeito de, como já mencionei no post anterior, seu resumo ser um dos melhores, senão o melhor que já li sobre o conflito do Oriente Médio.

      Abraço também e grato pela atenção da reposta.

    • Mario Silvio

      10/06/2013 at 15:58

      “Acredito que os termos “raso” e “demagógico” do Claudio tenham se referido a um argumento em específico, não a nenhuma pessoa. Ele também me confessou ter se referido à postagem do Mário Sílvio, não à sua.”
      Até aquele momento o único “argumento” que eu tinha escrito (na verdade um FATO incontestável) tinha sido:

      “A última coisa que as lideranças palestinas (tanto hamas quando AP) querem é um acordo. Elas vivem, muitíssimo bem, do conflito.”

      E mais o Claudio foi explicito:
      “Refuto também SUA acusação rasa e demagógica ”
      dirigindo-se ao Szyja

  • Sheila Tellerman

    03/06/2013 at 21:53

    Excelente,João!!!!Antes de dar opinião,vamos ESTUDAR mais!!!

    • João K. Miragaya

      06/06/2013 at 21:00

      Muito obrigado, Sheila! Estou de acordo contigo!

    • João K. Miragaya

      10/06/2013 at 09:45

      Caro Szjya,

      Antes de tudo, perdao pela falta de acentos. Minah grafia esta comprometida pelo fato de eu estar escrevendo em um computador da Universidade de Tel-Aviv.

      Sobre a sua discussao com o Claudio, eu prefiro nao me intrometer mais. Apenas reproduzi o que me foi dito por ele, como as “hostilidades” cessaram eu prefiro nao alimenta-las mais. Estou certo que voces dois se entenderam.

      Ha uma especie de consenso na historiografia sobre o tema que considera o inicio do Mandato Militar Britanico em 1917 e do Civil em 1920. Por isso nao considero uma imprecisao da minha parte. Mas sinta-se a vontade para discordar de tais historiadores, o dialogo me agrada.

      Eu reitero que nao desejo iniciar discussoes sobre meu ponto de vista sobre a questao dos refugiados neste momento. Nao quero discutir neste espaco o quao justo seria o retorno dos refugiados palestinos ou nao. Mas vale a pena um comentario a respeito do status de refugiado. Mas nao acho tao conveniente a comparacao com os judeus saidos dos paises arabes, visto que (1) eles nao desejam retornar a tais paises e (2) eles possuem outras cidadanias.

      Em relacao a Resolucao 242, ja expliquei a minha interpretacao do texto. Nao acredito que a ONU tivesse a intencao de deixar a Israel a escolha de quais territorios deveriam ser evacuados. Aceito a sua interpretacao, mas ainda assim duvido de que a ONU realmente tenha dado a Israel tamanha liberdade. Mas a discussao existe, de fato, e voce tem razao quando analisa os termos especificamente.

      Agradeco aos seus elogios e espero que apareca mais no nosso site.

      Um abraco

    • Szyja Lorber

      11/06/2013 at 07:42

      João,

      Só agora tomo conhecimento de que você está em israel. Achei que, pelo nome e pelo português estava no Brasil. Quanto aos acentos, não se preocupe, entende-se muito bem sem eles.

      Sobre a discussão com o Claudio, que parece conhecê-lo, pois de outro modo não se reportaria a você sobre minha resposta a ele, parede que realmente terminou. Mas gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer que nunca imaginei encontrar alguém que vivesse em Israel e fosse capaz de fazer uma comparação tão descabida como a de equiparar o Likud com o Hamas, por mera oposição ao governo ou ódio ao seu primeiro-ministro! Isso não é muito distante das maldosas comparações que antissemitas e antissionistas fazem entre nazistas e israelenses quando mencionam os palestinos.

      Sem desejar retomar aquela discussão, lembrei agora de um ponto que esqueci de responder ao Claudio, quando da réplica do desafio que ele me fez já na minha primeira participação. Ele citou dois exemplos de que os palestinos estariam dispostos a negociar a paz; um, foi a declaração de Abbas em entrevista de que gostaria de visitar Tzfat como turista, à qual respondi; dois, a proposta de retornar às linhas de 67 que na verdade foi apresentada pela Arábia Saudita. A Liga Árabe pode ser que a tenha transmitido, mas não sei. Sem entrar no mérito do plano, sendo da Arábia ou da Liga, não foi uma iniciativa palestina. E me parede que a Autoridade Palestina nem mesmo é parte formal da Liga Árabe, que, aliás, não é “flor que se cheire”. Ainda guardo um exemplar de uma revista da LEA (Liga dos Estados Árabes de anos atrás, distribuída pelas embaixadas árabes no Brasil. Detalhe: a revista veio com um suplemento editado em português do livro…. “Os Protocolos dos Sábios de Sião”….

      Interessante que hoje mesmo recebi duas notícias mostrando que Netanyahu deu mais dois passos em busca das negociações com os palestinos. Um foi ter mesmo suspendido as construções em Jerusalém Oriental, sem que houvesse qualquer contrapartida palestina. Outro, foi a oferta a Abbas da libertação de 50 prisioneiros palestinos pré-Oslo para iniciar as negociações. Em resposta veio mais um sonoro “não” Os links das notícias para quem quiser ver são:

      http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/israel-suspende-colonias-em-jerusalem-oriental-para-fomentar-dialogo,f89b27b2ffa2f310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

      http://www.timesofisrael.com/abbas-rejected-netanyahu-offer-to-free-50-pre-oslo-prisoners-for-new-talks/?utm_source=The+Times+of+Israel+Daily+Edition&utm_campaign=e8d5ec5ecb-2013_06_10&utm_medium=email&utm_term=0_adb46cec92-e8d5ec5ecb-54434073

      Quanto à questão do consenso da historiografia, também não desejo iniciar nova discussão, apenas observar que historiadores devem se basear sempre mais em documentos quando se trata de fatos do que em deduções. A verdade é que em 1917, com a invasão da Palestina, os britânicos adquiriram o Mando do território, mas não o Mandato, pois este, como já referi aqui, eles não podiam arrogar a si próprios, já alguém teria que conceder-lhes isso. E foi justamente a Liga das Nações que cooncedeu o Mandato em 1920 formalizando-o três anos depois. Se o consenso é 1917, paciência, porém não está correto.

      Como você vive em Israel, sabe, como qualquer israelense, melhor do que eu a importância e o peso dos refugiados judeus dos países árabes. Realmente não há necessidade de discutir. Apenas observo que os dois pontos que mencionou estão corretos, mas isso, lembro, se deve ao fato de Israel tê-los absorvido integralmente. Coisa que não aconteceu com os refugiados palestinos nos países árabes, justamente para usá-los como massa de manobra contra Israel. Além disso, no mundo todo, mesmo na Europa e aqui no Brasil ninguém sabe da história dos refugiados judeus dos países árabes. E, se isso não é divulgado, continuarão desconhecendo esse fato, e conhecendo só um face da moeda: a que é contra Israel.

      Sobre a Resolução 242 também já expliquei com declarações textuais dos autores do texto que esclareceram qual o espírito dos termos. Concordo com você quando diz que a ONU não iria dar liberdade a Israel escolher quais territórios que deveria evacuar. O fato é que, ao mesmo tempo em que afirma que deve se retirar de territórios e não de todos os territórios, também não especificou quais eram eles, justamente porque desejava que ambos os lados negociassem um acordo para definir as fronteiras, o que até hoje não possível, pois enquanto os palestinos querem que Israel se retire de todos os territórios, Israel alega que, de acordo com a resolução não é obrigado a sair de todas as áreas. Não acredito também que a ONU tenha decidido de alguma forma infringir o direito internacional, que estipula sobre a posse de territórios conquistados em guerra não provocada pela parte contrária e que representem questão de segurança, Os são termos não são exatos, mas em síntese é isso o que diz. Também lembro de um artigo sobre o ex-presidente Lyndon Johnsson — foi no governo dele que a ONU aprovou a Resolução 242 — comentando com (o já referido aqui em outro post) Eugene Rostow, especialista em direito internacional e subsecretário de Estado dos EUA responsável pela equipe americana na ONU, e que ajudou a redigir a Resolução que: “o que precisamos agora são fronteiras reconhecidas e outras disposições, que lhes dará segurança contra a destruição, o terrorismo e a guerra”, referindo-se a Israel. Além disso já citei aqui também os casos das cidades de Gdansk e Koenigsberg, que pertenciam à Alemanha antes da Segunda Guerra Mundial, e por razões de segurança na época, agora pertencem respectivamente à Polônia e Rússia.

      A rigor os chamados territórios ocupados são na verdade territórios em disputa. Por palestinos e israelenses. E existem uma série de outros territórios espalhados pelo mundo que também estão em disputa, como o Norte do Chipre, as Ilhas Kurilas, Abu Musa, no Golfo Pérsico, a área de Nagorno-Karabah junto ao Azerbaijão e o Saara ocidental, todos territórios ocupados militarmente, mas ninguém, as classifica como tal, só como territórios em disputa.

      Um abraço também.

    • João K. Miragaya

      11/06/2013 at 16:09

      Szjya,

      Novamente escrevo de um computador sem acentuacao correta. O site conexaoisrael.org eh feito por brasileiros que residem em Israel, e o Claudio eh um dos autores assim como eu. Te convido a conhecer textos de nossos outros autores e especiais que fazemos em conjunto.

      Hoje mesmo pela manha ao ler o Israel HaYom (periodico pro-Netanyahu distribuido gratuitamente, atualmente o mais lido no pais) me deparei com uma materia que expunha a seguinte declaracao do atual premier: “Seguiremos construindo em Jerusalem, e isto nao tem nenhuma relacao com as negociacoes”. Bibi discursou ontem em uma conferencia aberta do Likud, convocada exatamente para que ele explicasse o congelamento das construcoes para seu partido, cuja maioria nao esta de acordo com tal medida. Bibi tambem afirmou que “a construcao de assentamentos em Judeia e Samaria nao tem nenhuma influencia nos acordos de paz”. Se voce le hebraico, o link esta aqui: http://www.israelhayom.co.il/article/93263. Eu normalmente desconfio das fontes de imprensa internacionais, aqui esta um bom motivo.

      Sobre o comentario do Claudio, acredite que ele nao esta sozinho quando fez a comparacao. Evidentemente, no meu entender, a comparacao nao foi em relacao as visoes de mundo de cada um dos dois grupos, mas sim as estrategias em um assunto determinado: a criacao de dois Estados. A comparacao entre Hitler e Ahmadinejad tambem pode ser levada a serio, caso estejamos nos referindo ao antissemitismo de ambos, mas nao se aplica em relacao aos projetos politicos de cada um. Se podemos comparar as estrategias politicas de Stalin e Roosevelt durante a Segunda Guerra, por que nao podemos comparar as estrategias de dois “governos”? (as aspas sao para o Hamas, evidentemente).

      Diversos analistas israelenses afirmam que as estrategias do Likud e do Hamas sao sempre direcionadas ao enfraquecimento da Fatah e dos moderados israelenses. A forma como cada um atua, no entanto, eh distinta. Para tais analistas, tanto o Likud quanto o Hamas sao contrarios a criacao de um Estado palestino ao lado de um Estado judeu em algo baseado nas fronteiras de 1967, ideia ja admitida pela Fatah e pela centro-esquerda israelense.

      Voce pode considerar a comparacao descabida, e esta em seu pleno direito. Só nao a julgue alienigena e/ou antissemita/antissionista. Ela sai da boca de diversos sionistas daqui de Israel, gente influente que escreve em diarios respeitados como o Haaretz e o Yediot Achronot, e politicos influentes na Knesset.

      De resto, acredito que tenhamos chegado a um entendimento sobre os outros temas.

      Volte sempre!

    • Szyja Lorber

      11/06/2013 at 17:34

      OK. Mais uma vez grato pela resposta.
      A braços

  • Raul Gottlieb

    04/06/2013 at 13:28

    É isto mesmo, Szyja! Temos que entender que a resolução 242 de 1967 exige a retirada de Israel de territórios ao mesmo tempo em que exige que o direito à existência de Israel seja reconhecido por todos os países.

    Uma coisa não se sustenta com a outra e a Liga Árabe (inclui os Palestinos) responderam à Guerra que eles iniciaram e perderam em 1967 com os três “nãos” de Kartum em setembro de 1967: não ao reconhecimento de Israel, não às negociações com Israel e não à paz com Israel. Estes 3 “nãos” de setembro foram mantido pelos árabes após a resolução 242 de novembro e a tornaram letra morta. Curiosamente hoje em dia só se fala da metade da resolução que obriga a retirada de Israel de territórios.

    Os territórios conquistados por Israel em 1967 haviam sido ocupados militarmente por Jordânia e Egito em 1948, visto que os Palestinos se recusaram a fundar seu estado conforme previsto pela resolução 181 da ONU em 1947. Ou seja, os Palestinos não tinham cidadania, nem Estado nem governo porque não quiseram tê-lo e não por força de opressão. É fundamental entender isto.

    Foi no vácuo provocado pela recusa Palestina sobre a resolução 181 que surge o problema dos territórios, ocupados primeiro por Jordânia e Egito e depois por Israel, que se retirou de Gaza em 2005, dando lugar a mais um vácuo jurídico, pois os Palestinos continuam se recusando a fundar seu Estado, mesmo tendo soberania sobre o território.

    Os Palestinos se recusaram a fundar seu Estado conforme a resolução 181 e de reconhecer Israel conforme a resolução 242. E ainda assim dizem que é Israel que viola as leis internacionais. Parece piada, e é mesmo! Se bem que trágica.

    Creio que o João deveria fazer uma revisão em seu texto para incluir os pontos cruciais que foram objeto dos comentários. Conforme diz a Sheila, os fatos devem anteceder as opiniões.

    Deixando claro que nada disso sanciona a construção das cidades Israelenses nos territórios ocupados em 1967. Estas cidades complicam a resolução do problema, mesmo não sendo o ponto central do mesmo, como querem muitos. Conforme se viu em Gaza, retirar os Israelenses dos territórios não apressa nem antecipa a convivência.

    • Szyja Lorber

      05/06/2013 at 05:33

      Grato Raul. Concordo com quase tudo o que escreveu, e só não concordo com o final. Durante 19 anos, de 1948 a 1967, que então nem se identificavam como palestinos, mas como árabes que realmente são, nenhum de seus líderes, nunca, jamais, abriu a boca para pedir a criação da Palestina,. Nesse período, como você bem disse, a Cisjordânia estava ocupada pela Jordânia, e Gaza, pelo Egito, que sempre, segundo eles dizem, apoiou e apoia a causa palestina. A despeito disso, também nunca esses países mencionaram a criação da Palestina porque já existiam 23 países árabes (ou mais de 50 países muçulmanos em todo o mundo). O que esses países árabes vizinhos queriam era mesmo que os judeus fossem expulsos da Palestina, Ninguém, em nenhum desses 23 países árabes, mas ninguém mesmo, falava em criar mais um país árabe: a Palestina.
      Os árabes que só depois da guerra dos Seis Dias em 1967 passaram a se identificar como palestinos, também nunca quiseram estabelecer um país para si. Antes mesmo da Partilha da Palestina na ONU em 1947 houve várias comissões que tentaram instituir duas nações, uma para os árabes e outra para os judeus na Palestina, sendo a mais famosa delas a Comissão Peel, que deu em nada. Quando da Partilha na ONU (1947) os árabes recusaram criar a Palestina, assim como no Armistício de 1949, após a guerra da Independência de Israel. Com o término da guerra do Sinai, em 1956, quando Gamal Abdel Nasser vociferava que iria jogar nos judeus no mar, os árabes, mais uma vez, rejeitaram a oferta de paz e da criação da Palestina árabe. Como você também bem observou, após a guerra dos Seis Dias em 1967, reunidos em Kartum, no Sudão, os países árabes decidiram pelos famosos 3 Não: Não ao reconhecimento de Israel, não à negociação com Israel e não à paz com Israel, o que para os não entendidos, quer dizer, recusaram, mais uma vez, a citação da Palestina. Ficou até famosa uma citação do professor, historiador e ex-embaixador de Israel na ONU, Abba Eban. Ele disse: Os árabes nunca perdem a oportunidade de perder a oportunidade. Tem mais:
      A Conferência de Madri, em 1991 resultou em nada; em 1993 um acordo que daria o controle de parte da Cisjordânia e da Faixa de Gaza aos palestinos, conhecido como o Acordo de Oslo, foi a base para o processo de paz entre com Israel num gesto de boa vontade retirando-se de boa parte dos centros urbanos palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, e dando autonomia administrativa aos palestinos, sem nenhuma contrapartida palestina, a não ser o que se tornou óbvio depois, com atentados, homens bomba, franco atiradores, e mais atentados. Pelo acordo de Wye Plantation, nos EUA (1998), Israel fez novas retiradas na Cisjordânia, aí vieram mais e mais ataques terroristas com homens bomba que se explodiam em restaurantes, cafés, cinemas, ônibus etc, etc. Em Camp David, Arafat recusou mais uma oferta de Israel para criar a Palestina independente, através de Ehud Barak, então primeiro ministro. Em 2005 Ariel Sharon fez Israel retirar de Gaza mais de 3.500 colonos, e nenhum soldado ou civil israelense permaneceu ali para dar uma chance aos palestinos de construir seu Estado. Ao invés disso, o que veio foram mísseis, foguetes e morteiros, num total de quase 15 mil em cerca de 8 anos! Em 2008 o então primeiro-ministro de Israel Ehud Olmert fez uma nova oferta, desta vez a Mahmud Abbas, com 93% da Cisjordânia e Jerusalém Oriental. E qual a resposta? Nenhuma. Olmert deixou o governo e até hoje não recebeu nem mesmo um não.
      A lista é grande e não é preciso ser muito inteligente para perceber que os palestinos não estão, nem nunca estiveram, interessados em criar o Estado palestino. O que interessa é simplesmente a destruição de Israel. E que ninguém venha com o papo furado de uma Palestina poderia abrigar judeus e árabes juntos. Qual o país árabe onde isso acontece? Não há. A única solução são dois Estados, um para os judeus e outro para os palestinos. Mas para dançar um tango é preciso dois e é necessário querer. E os palestinos, definitivamente, não querem. É muito melhor receber ajuda de todo mundo, ficar bilionário, como Arafat fez e Abbas faz hoje do que construir um país.
      Bem, agora por que não concordo com a retirada total de Israel da Cisjordânia. Primeiro porque se isso acontecer, vai repetir-se o que ocorreu após a retirada do Sul do Líbano em 2000, e após a retirada de Gaza, em 2005: Naquele, assumiu o Hamas e veio bomba. Neste assumiu o Hezbolá e tome bomba, Ser houver retirada total da Cisjordânia, virá, certamente, mais bomba; Segundo, porque a resolução da ONU diz claramente em inglês “retirar-se de territórios” e não “dos territórios”. Terceiro, com quem negociar se o Fatah de Abbas e o Hamas, de Hanieh, são adversários políticos e ambos se dizem legítimos representantes do povo palestino, mas têm entre si diferenças enormes e a despeito das “n” tentativas anunciadas — mas nunca concretizadas — de unificação, continuam a se digladiar pelo poder. É impossível tratar de paz, enquanto eles não resolvem o problema interno deles. Quarto, ainda que conseguissem resolver, o Hamas jura de pé junto que não reconhece Israel, não aceita negociar nunca e grita aos quatro cantos que o que quer é destruir Israel. Já o Fatah, também quer o mesmo, mas finge que aceita Israel, caso contrário secam as fontes do dinheiro que vem do exterior. Quinto, Israel já se retirou de parte da Cisjordânia com os acordos de Oslo e Wye Plantation. Pode e talvez deva se retirar ainda de outros a territórios onde estão construídos assentamentos considerados ilegais pelo governo israelense, mas não os de Hebron, Maale Adumim, Modiin Illit, Betar Illit e outros que já são cidades e que possuem uma população perto de 500 mil habitantes. Sexto, não vejo problema algum nem os considero empecilho para se chegar a paz. Por que seriam? Se os palestinos concordarem em sentar para negociar e levarem um ou mais desses assentamentos, excluídos os principais, evidentemente, eles só teriam a ganhar com isso. Casas de confortáveis e de boa qualidade, ruas urbanas pavimentadas, e infraestrutura urbana lhes seriam entregues. Por que seria isso uma barreira? Não é! Por que exigem os palestinos que cessem as construções ali? Pela simples razão de que sempre querem mais alguma coisa sem dar nada em troca e para dificultar a vida dos israelenses. Por que Israel constrói ali se poderá ter que entregar isso aos palestinos? Quem conhece Israel sabe que os terrenos são caros e as casas pequenas comparadas com as nossas aqui no Brasil. Naquela área os terrenos são bem mais em conta e as casas são construídas com financiamento do governo. Além disso, muitas famílias religiosas são grandes e há necessidade de espaço. Lá, as casas são maiores. Sete, a Autoridade Palestina não quer que se construam casas ali para não dar emprego aos palestinos. Isso mesmo. A AP não quer que os palestinos trabalhem para os judeus ganhando mais do que ganhariam nos territórios administrados pelos palestinos, e também porque não desejam que eles sejam influenciados pela democracia israelense que a AP ou o Hamas detestam. Oito, por questões de segurança nacional Israel tem que manter parte da Cisjordânia, pois sem ela, o lugar mais estreito do território é um gargalo de uns de 18 km de extensão. Em caso de guerra, o pais poderia ser facilmente dividido em dois, além do perigo da proximidade das grandes cidades como Tel Aviv, Haifa e Natania, entre outros se tornarem alvos fáceis de mísseis caso o Hamas tome também o território como fez em Gaza. Nove, o que o mundo chama de Cisjordânia, para os judeus é a Judeia e a Samaria. Chama-se Judeia, porque os romanos assim a denominavam e assim está na Bíblia, mas sobretudo porque a área sempre pertenceu aos judeus. Foi ali que tudo começou quando Abrahão chegou. E dez, porque Israel conquistou a região em 1967 numa guerra defensiva, que ele não iniciou e quando assinou a paz com a Jordânia e quis devolvê-la ao país que a ocupava, e de quem a tomou, este se recusou a recebê-la de volta. O direito internacional é claro nas questões de territórios perdidos em guerras provocadas pelos perdedores. A Alemanha perdeu a cidade porto de Schechtin para os poloneses na Segunda Guerra Mundial que agora se chama Gdansk. A Alemanha também perdeu para os russos a cidade Koenigsberg que agora se chama Kaliningrad. A Alemanha perdeu ainda a região do Saar para a França que passou a se chamar Sarre (foi devolvido após um plebiscito em que se tornaria independente, mas a população decidiu voltar à Alemanha, o que aconteceu num caso especial). A Alemanha, que provocou a Segunda Guerra Mundial e perdeu, nem por isso está exigindo a devolução desses territórios. Por que os palestinos que são árabes deveriam ter tudo de volta, se eles nem mesmo querem a Palestina?

  • Szyja Lorber

    05/06/2013 at 08:53

    Sarkozy não é da esquerda, mas recebeu dinheiro árabe para sua derrotada campanha eleitoral e está sendo agora investigado por isso na França.

  • Raul Gottlieb

    05/06/2013 at 12:13

    Caro Szyja,

    Eu não defendo uma retirada militar de Israel da Cisjordânia e sim a retirada da população civil das cidades judaicas ali construídas, com algumas exceções. Creio que você defendeu a mesma posição em seu post.

    Com certeza que esta retirada não vai trazer a paz nem mudar nada a posição dos Palestinos.

    Eu creio que Israel tenha que retirar a população da Cisjordânia (com algumas exceções) porque a manutenção das cidades e fazendas judaicas não faz bem para a democracia israelense.

    Não faz bem para a democracia israelense manter controle militar sobre uma população hostil. Entendo que isto seja inevitável tendo em vista a recusa árabe em reconhecer Israel – como você prova com abundância de fatos – mas os enclaves mais afastados da linha verde exigem um custo moral muito alto e desnecessário.

    Abraço, Raul

  • Mario Silvio

    05/06/2013 at 16:35

    Claudio, já que isso parece importar, começo dizendo que sou de extrema direita em assuntos econômicos e 100% liberal em assuntos sociais, Resumindo, que cada um faça o que quiser com seu dinheiro e corpo.
    Passemos ao conflito. Já ouvi de muitas fontes que Netanyahu não quer um acordo, mas VÁRIOS líderes israelenses quiseram e NENHUM palestino.
    Apesar de não morar em Israel, consigo entender perfeitamente o racicínio político envolvido: paz não vamos ter mesmo, então vou agradar os que querem assentamentos. Os que são contra não tem NADA a oferecer, já que retiradas implicam em muito mais israelenses mortos.
    A tempo: sou contra os assentamentos, sempre fui. Concordo com o que o Raul escreveu sobre eles.

    Estou assistindo Gatekeepers. Ainda não terminei, mas reproduzo um trecho que tem tudo a ver com essa discussão:

    Um dos ex-chefes do Shin Bet, o careca, relatando um diálogo em Londres
    com um DOUTOR EM PSICOLOGIA, um dos lideres palestinos durente a intifada:

    – Finalmente obtivemos uma vitória
    – Você está louco? Centenas de palestinos estão morrendo
    – Você não entendeu, vitória para nós é faze-los sofrer. Isto é TUDO o que queremos

    Mais uma (são milhares) prova de que não há possibilidade de acordo com NENHUMA das lideranças palestinas.

    “Sobre os refugiados: são um factóide. Suas palavras definem perfeitamente o absurdo da exigência. Mais uma vez, lhe convido a encará-la como o que realmente é: um factóide. Ninguém chega à mesa de negociações revelando exatamente as condições com as quais está disposto a concordar.”
    SE não tivessem havido Camp David e Taba, isso PODERIA ser verdade. Como houveram, temos certeza de que NÃO é.

  • Gabriel

    05/06/2013 at 22:43

    Na minha opinião, enquanto não houverem sites como o Conexão Israel em Gaza, não haverá paz na região. É exatamente isso que falta nos territórios ocupados pelo Hamas e pelo Fatah, falta espaço para opiniões, divergência e esperança. Falta espaço para o povo, falta educação universal e humanista (e não apenas religiosa)

    Falta os países árabes receberem os “refugiados Palestinos”, falta a ONU fechar a UNRWA e mudar o status de milhões de Palestinos que não vivem em condições precárias – que vivem em outros países a gerações – e não são mais refugiados.

    Abram o olho, tem muita gente em todo o mundo fazendo din din com a situação dos Palestinos. E as leis e os bla bla blas burocráticos não vão mudar nada.

    A situação atual beneficia os seguintes:
    – Países árabes (A Liga): moral e criação de um bode espiatório (Israel) – além de não precisar mais mandar seus soldados para sua “guerra contra Israel”, como fez até 1973.
    – ONU: din din do mundo para a UNRWA ($$$)
    – Palestinos: melhor dizendo, liderança Palestina. din din do mundo.
    – Coréia do Norte, Russia, Irã, e outros países com indústria militar: o din din da liderança Palestina que vai para esses países (onde provavelmente tem uma conta especial – como descobriram que o Arafat tinha)
    – EUA: o meu din din e o de milhões de judeus pelo mundo que apoiam Israel e tem medo da ameaça Palestina
    – Israel: ganha uma indústria militar e uma população inteligente desenvolvendo coisas militares ao invés de se concentrar em fazer TIKUN OLAM.

    Quem perde:
    – O povo Palestino – que não sabe o que é liberdade desde nunca e que sempre foi tratado como cidadão de última categoria, especialmente pelo mundo árabe, que os rejeita onde quer que seja.
    – O povo israelense – especialmente as vítimas, mas também todos que vivemos em constante paranoia existencial.

    Com a arma apontada na cabeça, o homem faz coisas inexplicáveis.
    A liderança árabe é vitalícia, não tem eleições e pensa a longo prazo. Israel perde feio com isso, pois está criando uma sociedade de políticos que pensam a curto prazo em uma região onde tudo se pensa a largo prazo. O problema Palestino é um complô árabe contra Israel, uma ferramenta de xeiques para lucrar e manter-se no poder por mais anos, em um mundo cada vez mais globalizado e “assimilado”. Os países da região sempre rejeitaram Israel pelo medo da sua influência, e em 1967 decidiram abrir mão dos territórios, junto da bomba relógio que é a população Palestina. O resto é história.

  • Mario Silvio

    08/06/2013 at 18:25

    Do artigo indicado pelo Raul:

    ” Hamas, Islamic Jihad and the leftist Palestinian factions are saying, clearly and publicly: No to peace; no to negotiations; no to recognition. The difference is that they say this publicly, while Abbas and his spokespeople conceal it.”

    Alguém acha que não é assim?

  • Rafael Stern

    09/06/2013 at 23:38

    João,

    Dei uma peulá exatamente sobre esses mapas três dias antes de o artigo ser publicado. Os seus mapas estão melhores do que os que eu consegui, e o seu resumo está muito didático e preciso. Precisava dele três dias antes, hehehe, mas tudo bem, vou encaminhar como um ótimo material de apoio. Parabéns pelo texto, com certeza vai ajudar muitos madrichim e professores no futuro.
    Muito obrigado, meu eterno madrich da tochnit “Amud haEsh” – 2005!

    Abraços,

    Rafa

    • João K. Miragaya

      10/06/2013 at 09:32

      Obrigado, Rafa!

      Fico honrado com suas palavras!

      Um abraco!

  • Gilberto Klein

    12/07/2014 at 23:00

    Ótima leitura. Em outras palavras, houve 2 estados, e somente dois estados, independentes na região desde que a humanidade existe, Israel I e, agora, Israel II. Nenhum outro.

    Importante adicionar que os inventados ‘Palestinos’ nunca foram um povo, ou tiveram uma cultura própria. Não tem distinção da maior parte da população da atual Jordânia. Em suma, não são, e nunca foram uma nação distinta. Também não têm nenhuma relação com povos antigos, muito menos os filisteus. Palestina foi um nome que os Romanos inventaram para a região para erradicar o nome Judéia.

    Portanto querem dar um país para uma nação que não existe, nem nunca existiu, enquanto dezenas, centenas de nações distintas não são permitidas ter o seu próprio país, como os bascos, e os curdos, entre muitos outros.

    Outra coisa, os territórios disputados pertenciam a Israel I, e depois nunca mais foram parte de nenhuma nação independente. Não podem ser, portanto, ocupados, porque nunca mais pertenceram a ninguém. Foram somente administrados. Pelos otomanos, inglêses, Jordânia, e presentemente Israel.

  • Isaac Averbuch

    26/07/2014 at 21:53

    Apenas 2 comnetários:

    1) quanto à questão dos refugiados expulsos de suas terras e desprovidos da ssua spropriedades, é preciso mencionar os judeus expulsos por Nasser em 1956, cerca de 25 mil (salvo engano), mebros de uma comunidade mllenar qu etiveram que deixar o país “doando” sua spropriedades ao governo e com apenas 20 libras egípcias no bolso (ou seja, nada);
    2) É preciso ter em mente que, como quase todos os povos, o israelense (árabes israelenses, que tb votam) quer a paz e qualquer proposta exequivel, será aceita pela população, em sua grande maioria. Os radicais israelenses não são em número suficiente para eleger o governo e sem apoio interno ou externo, não teriam força para implantar suas ideias. O eleitorado de Israel não vive de esmolas governamentais, tem alto nível de informação e não está sujeito ao voto de cabresto em velhos coronéis. Além disso, o regime é parlamentarista, ou seja, um governo impopular cai rapidamente. A população sabe tb que uma estrutura de defesa como a israelense é um imenso peso nos impostos que paga. Então a pergunta se os líderes israelenses desejam a paz perde um pouco o sentido. No caso árabe e muçulmano (porque o Irã não é árabe) é bem diferente. São todos regimes ditatoriais ou, digamos, não-democráticos”. Se as lideranças árabes/muçulmanas desejarem a paz, ela acontece e o primeiro passo seria retirar o apoio político, diplomático e financeiro das entidades (terroristas ou não) que insistem na ideia de destruir Israel. O fim desse discurso retira o discurso dos radicais israelenses e abre caminho para as negociações efetivas. E o que se entende por negociações efetivas: fronteiras (incluindo a questão dos reassentamentos), alguma compensação aos refugiados (não o retorno, porque isso é bizarro, como já foi dito, uma típica armação para nada avançar), a desmilitarização do futuro estado palestino e suas condições de sobrevivência econômica, e o estatuto de Jerusalém (que considero tb uma questão bastante difícil, especialmente porque os árabes artificialmente lhe dão uma importância que não tem para eles porque sabem a importãncia que tem para os judeus).

Você é humano? *