O ABC do conflito

03/06/2013 | Conflito

O conflito entre Israel e os palestinos parece ter se transformado no tema favorito da mídia internacional. A demanda por informações tem crescido nos últimos tempos, e a mídia latino-americana praticamente ignora qualquer informação sobre Israel que não seja sobre este tema. O que eu tenho percebido, no entanto, é que a imensa maioria dos leitores simplesmente desconhece o significado de termos básicos para que se compreenda a questão, como “Declaração Balfour”, “Partilha da Palestina”, “Linha Verde”, “Acordos de Oslo” e etc. Pedi licença ao companheiro Claudio Daylac para atuar como “Guia dos Perplexos”, e publicarei aqui um longo texto com informações básicas sobre o conflito israelo-palestino dando atenção à história e examinando ainda que superficialmente determinados pontos de vista.

 

Mesmo após a destruição do 2º Grande Templo (70 d.C.) e a Revolta de Bar Kochba (132-135 d.C.), quando a grande maioria dos judeus se dispersou pelo mundo no que é conhecido como a diáspora judaica, sempre houve comunidades judaicas na Palestina. Entretanto, desde meados da baixa Idade Média até o princípio do século XX, os judeus nunca chegaram a ser mais que 10% da população. Em 1882, inspirados pelos ideais nacionalistas emergentes na Europa, e impulsionados pelos pogroms russos, judeus da Europa Oriental organizaram três grandes levas de imigração à Palestina chamadas de 1ª Aliá. O território era parte do Império Turco-Otomano, que não ofereceu nenhuma resistência à imigração. Os judeus, então, compravam as terras turcas através do financiamento principalmente do Barão de Rotschild, e se estabeleciam no local. O nacionalismo não resolvera a questão judaica nem mesmo onde os judeus abdicaram de qualquer nacionalidade judaica em prol do recebimento da cidadania, como foi evidenciado pelo Caso Dreyfus na França em 1894. O sionismo como ideologia evoluiu, sobretudo a partir de Theodor Herzl, que escreveu a obra “O Estado Judeu” e organizou o movimento sionista através de congressos e de uma dedicada luta política em prol da criação de um Estado nacional judaico.

Em 1904, judeus oriundos da Europa Oriental mesclaram as ideologias sionista e socialista e organizaram uma segunda leva de imigração chamada de 2ª Aliá. Os chamados pioneiros foram os responsáveis pela criação das primeiras instituições que caracterizariam o Ishuv, como os kibutzim, o Banco Hapoalim, a cooperativa de saúde Kupat Cholim, dentre outras. Até então, não há registros de conflitos entre árabes e judeus na região por questões de ordem nacional.

Em 1917, então, os britânicos conquistam a região da Palestina, dando início ao que se chama Mandato Britânico. Foi prometido aos judeus um lar nacional na Palestina através da Declaração Balfour. A comunidade árabe não hesitou em expressar seu descontentamento, organizando motins no ano de 1921. Em 1922 foi criada pelos judeus a Haganá, primeiro grupo para-militar de defesa judaica. Preocupados com um conflito iminente, os britânicos lançaram o 1º Livro Branco, dividindo o território palestino em um reino (Transjordânia, hoje a Jordânia) e o protetorado da Palestina, além de pôr limites na imigração judaica. Outras duas aliot se deram entre 1918 e 1933, fortalecendo muito o crescimento do Ishuv. Os árabes percebiam que cedo ou tarde os judeus revindicariam o território como seu, e organizaram os chamados “Tumultos árabes de 1929”, com direito a chacinas a comunidades judaicas em Hebron e Tiberíades. Estes novos tumultos acarretaram na emissão do 2º Livro Branco (1930), limitando ainda mais a imigração judaica, e na criação do Etzel (1931) pelo movimento sionista revisionista, milícia para-militar judaica anti-britânico, que passou a executar ações de sabotagem.

Com a chegada de Hitler ao poder (1933) e o aumento de leis restritivas na Polônia, se deu início a 5ª Aliá, que trouxe à Palestina outros 80 mil judeus. A indignação árabe resultou em uma guerra civil (1936-39), estimulada pelo líder religioso muçulmano, o Mufti Amin Al-Husaiyni, entre judeus e árabes. Preocupados, os britânicos enviaram o comissário Peel à Palestina para elaborar uma solução para o conflito, e este acabou elaborando o primeiro plano de partilha da palestina em 1937.

O Movimento Sionista aceitou as condições embora houvesse uma oposição do movimento sionista revisionista. Os árabes, por sua vez, rejeitaram veementemente o plano. Em 1939, pouco antes da 2ª Guerra Mundial, os britânicos lançaram o 3º Livro Branco, posicionando-se agora de forma contrária a qualquer partilha do território e limitando a imigração judaica ainda mais. Neste contexto, um grupo dissidente do Etzel cria a guerrilha Lechi, que se recusava a cooperar com os britânicos, intensificando as ações de sabotagem e aderindo ao terrorismo.

A 2ª Guerra Mundial esfriou levemente o conflito, direcionando as atenções judaicas à possibilidade de os nazistas ocuparem a Palestina. Em 1941 é fundado o Palmach, grupo de elite da Haganá. Ao fim da guerra, tanto os britânicos quanto as milícias judaicas e árabes voltaram as suas atenções à Palestina. O Holocausto serviu como um incentivo a causa sionista, mas não demoveu os britânicos a abandonar seu controle sobre a Palestina. Em 1946, o Etzel explode o hotel Rei David em Jerusalém, causando a morte de 95 pessoas, em sua maioria britânicos. Apesar de o Movimento Sionista se opor ao terrorismo revisionista e atuar contra o Etzel e o Lechi, a Haganá decidiu optar também por ações de sabotagem contra os britânicos. Em 1947, então, os britânicos resolveram dar à recém-fundada ONU o destino da Palestina. Em 1947, então, a resolução 181 opta por dividir a Palestina em dois Estados, um judeu e um árabe, com 33 votos a favor, 13 contrários e 10 abstenções.

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Mapa 1

Os árabes rejeitam a decisão e iniciam o que os israelenses chamam de Guerra de Independência. Inicialmente um confronto civil, toma dimensões internacionais quando o líder do Movimento Sionista declara a independência do Estado de Israel no dia 14 de maio de 1948. Egito, Líbano, Síria, Jordânia e Iraque se unem às milícias palestinas e atacam o recém-fundado Estado de Israel. Ben-Gurion unifica as milícias judaicas no Exército de Defesa de Israel, e adquire armas da Tchecoslováquia para enfrentar os inimigos. A Guerra termina em 1949, modificando radicalmente as fronteiras e deixando como resultado um número de 600 a 900 mil refugiados palestinos em diversos países, sobretudo na Jordânia (incluindo a Cisjordânia), no Egito (incluindo Gaza) e no Líbano. Parte deles expulsos, parte cúmplices da ofensiva árabe e a maior parte de refugiados de guerra, hoje representam uma questão de impasse à chegada à paz. A grande maioria dos palestinos residentes em outros países jamais recebeu cidadania.

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Mapa 2: Israel após a Guerra de 1948

O Estado de Israel, imediatamente, passou a receber imigração judaica de todos os cantos do mundo, em especial de sobreviventes do Holocausto e de judeus habitantes dos países árabes, vítimas de hostilidade por parte dos governos locais de característica antissionista. O Estado judeu estava em estado de guerra com todos os países que o cercavam, intensificado com a chegada do nacionalista Nasser ao poder no Egito e o advento do Pan-Arabismo.

Devido à dimensão do texto, sou obrigado a saltar um longo período, até que chegamos ao ano de 1967. Ressalto, no entanto, que em 1964 é fundada a OLP (Organização pela Libertação da Palestina), e, em 1965, é assinado pelos países árabes onde se encontravam refugiados palestinos os Protocolos de Casablanca, que decidiu em comum acordo não dar cidadania a nenhum palestino afim de que Israel fosse pressionado a criar um Estado Palestino, sem nenhuma sugestão de delimitação territorial.

Pressionado pela iminente guerra e ao fechamento do Estreito de Tirã pelos egípcios, Israel lança uma ofensiva contra Egito, Jordânia, Síria e Líbano e em uma espetacular operação militar vence uma guerra em apenas seis dias. O resultado foi a conquista dos territórios do Sinai e Gaza (antes pertencentes ao Egito), Colinas do Golã (da Síria) e Cisjordânia, onde também se situava a parte oriental de Jerusalém (sob domínio da Jordânia). Sobretudo em Gaza e na Cisjordânia, habitava uma população árabe palestina, despossuída de qualquer status de cidadania, sem governo e sem Estado. A resolução 242 da ONU exigia que Israel se retirasse dos territórios conquistados em 1967 imediatamente, exigência esta negada enquanto não houvesse um tratado de paz com os Estados vizinhos.

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Mapa 3

Paulatinamente a causa palestina passa a ganhar eco dentro da comunidade internacional. Israel não declarou soberania sobre nenhum dos territórios, transformando o seu status em “territórios ocupados”. A OLP intensifica ações de guerrilha e terroristas contra o Estado de Israel com o apoio do Egito, no que se convencionou chamar de Guerra de Desgaste. Uma dura resposta de Israel fez com que o rei da Jordânia expulsasse a OLP de seu país em uma ação violenta e com um saldo de muitos mortos. A liderança palestina, então, migrou para o Líbano.

Apesar da vitória na Guerra dos Seis Dias, Israel viu-se dono de um problema ao perceber que deveria administrar agora uma população hostil e insatisfeita com seu status. O governo israelense decidiu colonizar determinadas regiões da Cisjordânia e de Gaza sob o argumento de defesa das fronteiras. É neste momento que se dá início a construção dos assentamentos judaicos nos territórios ocupados, que se intensificaram no fim da década de 1970 sob o governo do direitista Menachen Begin.

Em 1973, Egito e Síria atacam Israel no dia do perdão (Yom Kipur), ferindo o orgulho militar israelense, em alta desde 1967. Com grandes perdas apesar da vitória militar, Israel, viu-se em difícil situação caso permanecesse em estado de guerra com seus vizinhos. Devido a um desejo do novo presidente egípcio Anwar Sadat de se aliar aos EUA, iniciaram-se em 1975 as negociações pela paz entre os dois Estados. A questão palestina foi inicialmente incluída na pauta. Em 1979, Egito e Israel chegam ao acordo de paz que traria a ambos relações diplomáticas e comerciais dentro de uma situação de estabilidade, mas sem evoluir no que diz respeito aos palestinos. Israel devolveu aos egípcios a província do Sinai, mas seguiu ocupando Gaza. Begin e Sadat foram receberam o Prêmio Nobel da Paz pelos Acordos de Camp David I. 

Apesar de concretizar a paz com o Egito, Israel recusou uma proposta da Liga Árabe para a criação do Estado palestino em 1981, respondendo com a declaração de autonomia sobre Jerusalém. Os árabes que se encontravam na cidade receberam o status de “residentes” por não aceitarem a soberania israelense. A comunidade internacional não reconhece até hoje esta declaração de autonomia.

Em 1982, após sucessivos ataques da OLP ao território israelense, o governo optou por uma invasão no Líbano, que estava em meio a uma guerra civil desde 1975. A simples Operação Paz na Galileia transformou-se na 1ª Guerra do Líbano, com duração maior do que a última guerra da qual Israel havia participado. O exército israelense não estava preparado para combater terroristas e civis hostis, o que gerou um número alto de mortos dos dois lados (principalmente do lado árabe), intensificado ainda mais pelo massacre de Sabra e Chatila. A opinião pública se voltou fortemente contra Israel, que viu-se numa crise política sem fim. O 1º Ministro renunciou, caíram outros ministros (como o da Defesa, Ariel Sharon) e o chefe das forças armadas. Esta guerra representa um trauma coletivo até os dias de hoje, recentemente representado em filmes premiados internacionalmente. O movimento Paz Agora cresceu e passou a exigir o fim da ocupação. Houve casos de ataques de judeus extremistas aos pacifistas, antecipando um pouco o que ocorreria na década de 1990. A crise política e econômica foi amenizada após a formação de um governo de união nacional (unindo trabalhistas e o Likud), mas que nenhuma proposta concreta apresentara para resolver o conflito. A OLP, ao fim da guerra, novamente fora expulsa de outro país, refugiando-se agora na Tunísia.

Em dezembro de 1987, um jipe do exército israelense choca-se com um automóvel em Gaza, causando vítimas. Uma revolta árabe palestina eclode nos territórios de Gaza e da Cisjordânia contra a ocupação israelense, rapidamente tomando as manchetes dos principais veículos de comunicação, chamada Primeira Intifada. O exército israelense, que recém se habituara a lidar com o terrorismo, agora se via frente a outro desafio: como acalmar manifestações violentas feitas por civis? No mesmo ano foi fundado o grupo Hamas, que, à diferença da Fatah, se baseia em preceitos fundamentalistas islâmicos. O Hamas, por trás dos protestos civis, deu início a uma onda de atentados terroristas contra a população civil de Israel, tornando ainda mais complicada a ação do exército israelense: diferenciar terroristas e civis passou a ser ainda mais difícil e necessário ao mesmo tempo. Crimes de guerra foram cometidos, por suposto, e uma quantidade razoável de soldados israelenses foi parar atrás das grades.

A Guerra do Golfo (1991) mudou um pouco o panorama da região. A principal liderança palestina (Yasser Arafat) apoiara Saddam Hussein no conflito contra as tropas internacionais. A derrota política de Arafat o obrigou a admitir uma postura mais moderada, uma vez que boa parte do mundo árabe, inclusive, havia se posicionado do lado oposto. Foi convocada uma conferência entre os principais países do Oriente Médio (Conferência de Madrid), onde se viu que o 1º Ministro israelense era um obstáculo aos acordos desejados pela comunidade internacional. Em 1992 houve eleições em Israel, quando o Ministro da Defesa da Intifada, Itzhak Rabin, foi eleito o 1º Ministro de Israel que deveria levar o país à paz com os palestinos.

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Mapa 4

Em 1993, Israel e a liderança da OLP (agora chamada de ANP – Autoridade Nacional Palestina) chegaram aos Acordos de Oslo. Nesta reunião foram estabelecidos, dentre outros pontos, as seguintes máximas:

1)      Israel reconheceria a ANP como a legítima liderança do povo palestino;

2)      A ANP reconheceria a existência do Estado de Israel (sem delimitar fronteiras);

3)      Os territórios de Gaza e Cisjordânia seriam divididos em áreas A, B e C. Os dois primeiros estariam sob administração civil da ANP;

4)      Ambos os lados se comprometeriam a lutar contra o terrorismo;

5)      Dever-se-ia chegar a um acordo permanente dentro de 5 anos.

Além de dar o Prêmio Nobel a Rabin, Arafat e Shimon Peres, Oslo trouxe a Israel oportunidade de estreitar laços não só com os palestinos, mas também com outros países árabes como o Marrocos e a Jordânia, com a qual foi assinado o Tratado de Paz em 1994. A Turquia também estreitou relações com Israel, e a rejeição ao sionismo foi se tornando menos “natural” no mundo árabe-islâmico. Por outro lado, radicais israelenses ameaçavam os acordos com manifestações violentas, com direito à incitação ao ódio e atentados terroristas. O Hamas e outros grupos radicais palestinos não deixaram por menos, realizando atentados em diversas cidades israelenses. Em 1994 as fronteiras que separavam os territórios palestinos e Israel foram fechadas, passando a ser exigida aos palestinos uma permissão especial para ultrapassar a linha verde.

Em 1995 foram assinados os Acordos de Oslo B, que transformava em territórios A e B uma parte ainda maior da Cisjordânia. Temendo que os acordos trouxessem mais atentados, a direita israelense passou a realizar manifestações cada vez mais frequentes. A esquerda pacifista, então, decidiu demonstrar que representava a maioria. Numa destas manifestações, na antiga Praça Reis de Israel, foi assassinado o 1º Ministro Itzhak Rabin e o processo de paz se estagnou. Atentados terroristas se acentuaram e necessitou-se dois anos até que a situação se acalmasse.

Cinco anos depois, Israel e os palestinos resolvem se reunir e chegar a uma solução para o conflito. Israel recém se retirara de territórios do sul do Líbano, demonstrando que a questão territorial não era vital para que se chegasse a um acordo. Nas negociações conhecidas como Camp David II, o ex-1º Ministro Ehud Barak e o líder palestino Yasser Arafat sentaram-se e conversaram sobre a criação de um Estado palestino. Barak apresentou um plano exposto no mapa abaixo, no qual a Palestina seria criada em mais que 90% do seu território sob determinadas condições (desmilitarizada, sem espaço aéreo, abdicando de Jerusalém Oriental e etc.). Arafat recusou prontamente. O clima esfriou, mas não tardou a esquentar novamente: após os fracassos das negociações, começa a 2ª Intifada, repleta de violência dos dois lados. Houve ainda, em meio ao conflito, uma nova tentativa de paz (Negociações de Taba), mais uma vez frustrada.

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Mapa 5

A 2ª Intifada terminou somente em 2004, quando Israel decidiu de forma unilateral retirar as suas colônias e seu exército de Gaza. A questão dividiu a opinião pública, mas o “Plano de Desconexão” foi efetuado em 2005, pouco menos de seis meses após o falecimento de Arafat e a posse de Abbas como líder da ANP. Seis meses depois, no entanto, o Hamas vence as eleições para o legislativo palestino e ameaça o retorno às negociações com Israel. Seis meses depois, o grupo fundamentalista Hezbollah, que controla o sul do Líbano, entra em conflito com o exército de Israel causando uma guerra muito semelhante à primeira. Este conflito é conhecido como 2ª Guerra do Líbano, e expôs o quão fortalecido estava o grupo xiita militarmente, capaz de ameaçar toda a região norte de Israel com mísseis de médio alcance.

Em 2007, pouco depois, estoura uma guerra civil nos territórios palestinos (Gaza e Cisjordânia) entre Fatah e Hamas. Brigando pelo controle da região, os palestinos entraram em um confronto com dezenas de mortos, acarretando na divisão de territórios: o Hamas controla Gaza e a Fatah fica com a Cisjordânia. Se antes os dois grupos eram apenas adversários políticos, desde então são inimigos declarados. Gaza desde 2007 está sob bloqueio israelense: tudo o que entra e sai do território se dá somente através de inspeção e permissão do exército israelense. O Fatah esporadicamente negocia com Israel,m embora isso não tenha acontecido com grande frequência nos últimos anos. O Hamas só negocia cessar-fogo (como nos confrontos em 2008-09 e 2012) e a libertação de sequestrados (como em 2011). Os confrontos na região, desde então, passaram a ser esporádicos[ref]Três operações militares israelenses em Gaza foram feitas desde então: Chumbo Fundido (2008/09), Pilar Defensivo (2012) e Margem de Protenção (2014).[/ref], e envolvem principalmente o ataque a foguetes vindos dos palestinos e bombardeios aéreos por parte de Israel (embora em 2014 os famosos túneis do Hamas tenham sido mais alarmantes do que qualquer coisa). As negociações atualmente estão congeladas. A ANP (coordenada pelo Fatah) exige que Israel cesse as construções de assentamentos na Cisjordânia, enquanto Israel não aceita pré-condições para retomar as negociações. E chegamos a 2016 em uma sinuca, sem negociações e com a sensação de que o conflito está distante do seu fim.

Os principais temas do impasse:

1) Trocas de territórios e fronteiras de separação;

2) Refugiados palestinos;

3) Jerusalém Oriental (revindicada por ambos);

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Foto de capa retirada do site: http://www.arcauniversal.com/mundocristao/noticias-de-israel/noticias/soldado-israelense-faz-comentarios-racistas-no-facebook-18077.html

Mapa 1: http://ummundoglobal.blogspot.co.il/2009/05/conflito-israelo-palestiniano.html

Mapa 2: http://www.npr.org/news/specials/mideast/history/map4.html

Mapa 3: http://www.metrolic.com/palestinians-could-drop-historical-demands-on-israel-138919/

Mapa 4: http://reneefrompalestine.wordpress.com/2010/05/27/life-in-area-c/area-a-b-c-2/

Mapa 5: http://74.220.219.57/~pazagora/wp-content/uploads/2011/07/mapas-Camp-David-e-Taba1.jpg

Comentários    ( 42 )

42 Responses to “O ABC do conflito”

  • Mario Silvio

    08/06/2013 at 18:25

    Do artigo indicado pelo Raul:

    ” Hamas, Islamic Jihad and the leftist Palestinian factions are saying, clearly and publicly: No to peace; no to negotiations; no to recognition. The difference is that they say this publicly, while Abbas and his spokespeople conceal it.”

    Alguém acha que não é assim?

  • Rafael Stern

    09/06/2013 at 23:38

    João,

    Dei uma peulá exatamente sobre esses mapas três dias antes de o artigo ser publicado. Os seus mapas estão melhores do que os que eu consegui, e o seu resumo está muito didático e preciso. Precisava dele três dias antes, hehehe, mas tudo bem, vou encaminhar como um ótimo material de apoio. Parabéns pelo texto, com certeza vai ajudar muitos madrichim e professores no futuro.
    Muito obrigado, meu eterno madrich da tochnit “Amud haEsh” – 2005!

    Abraços,

    Rafa

    • João K. Miragaya

      10/06/2013 at 09:32

      Obrigado, Rafa!

      Fico honrado com suas palavras!

      Um abraco!

  • Gilberto Klein

    12/07/2014 at 23:00

    Ótima leitura. Em outras palavras, houve 2 estados, e somente dois estados, independentes na região desde que a humanidade existe, Israel I e, agora, Israel II. Nenhum outro.

    Importante adicionar que os inventados ‘Palestinos’ nunca foram um povo, ou tiveram uma cultura própria. Não tem distinção da maior parte da população da atual Jordânia. Em suma, não são, e nunca foram uma nação distinta. Também não têm nenhuma relação com povos antigos, muito menos os filisteus. Palestina foi um nome que os Romanos inventaram para a região para erradicar o nome Judéia.

    Portanto querem dar um país para uma nação que não existe, nem nunca existiu, enquanto dezenas, centenas de nações distintas não são permitidas ter o seu próprio país, como os bascos, e os curdos, entre muitos outros.

    Outra coisa, os territórios disputados pertenciam a Israel I, e depois nunca mais foram parte de nenhuma nação independente. Não podem ser, portanto, ocupados, porque nunca mais pertenceram a ninguém. Foram somente administrados. Pelos otomanos, inglêses, Jordânia, e presentemente Israel.

  • Isaac Averbuch

    26/07/2014 at 21:53

    Apenas 2 comnetários:

    1) quanto à questão dos refugiados expulsos de suas terras e desprovidos da ssua spropriedades, é preciso mencionar os judeus expulsos por Nasser em 1956, cerca de 25 mil (salvo engano), mebros de uma comunidade mllenar qu etiveram que deixar o país “doando” sua spropriedades ao governo e com apenas 20 libras egípcias no bolso (ou seja, nada);
    2) É preciso ter em mente que, como quase todos os povos, o israelense (árabes israelenses, que tb votam) quer a paz e qualquer proposta exequivel, será aceita pela população, em sua grande maioria. Os radicais israelenses não são em número suficiente para eleger o governo e sem apoio interno ou externo, não teriam força para implantar suas ideias. O eleitorado de Israel não vive de esmolas governamentais, tem alto nível de informação e não está sujeito ao voto de cabresto em velhos coronéis. Além disso, o regime é parlamentarista, ou seja, um governo impopular cai rapidamente. A população sabe tb que uma estrutura de defesa como a israelense é um imenso peso nos impostos que paga. Então a pergunta se os líderes israelenses desejam a paz perde um pouco o sentido. No caso árabe e muçulmano (porque o Irã não é árabe) é bem diferente. São todos regimes ditatoriais ou, digamos, não-democráticos”. Se as lideranças árabes/muçulmanas desejarem a paz, ela acontece e o primeiro passo seria retirar o apoio político, diplomático e financeiro das entidades (terroristas ou não) que insistem na ideia de destruir Israel. O fim desse discurso retira o discurso dos radicais israelenses e abre caminho para as negociações efetivas. E o que se entende por negociações efetivas: fronteiras (incluindo a questão dos reassentamentos), alguma compensação aos refugiados (não o retorno, porque isso é bizarro, como já foi dito, uma típica armação para nada avançar), a desmilitarização do futuro estado palestino e suas condições de sobrevivência econômica, e o estatuto de Jerusalém (que considero tb uma questão bastante difícil, especialmente porque os árabes artificialmente lhe dão uma importância que não tem para eles porque sabem a importãncia que tem para os judeus).