Eleições 2015: o dado mais importante das últimas pesquisas

06/02/2015 | Eleições; Opinião; Política

De acordo com os números da última pesquisa realizada pelo Yediot Ahronot, o Bloco Sionista, liderado por Herzog e Livni, obteria 25 cadeiras, enquanto o partido de Benjamin Netanyahu – Likud – alcançaria 24.

No entanto, para aqueles que pretendem substituir o atual governo votando em partidos de centro-esquerda (Bloco Sionista, Yesh Atid, Kulanu e Meretz), o dado mais importante na pesquisa é que 76% dos judeus israelenses estão certos de que votarão nas próximas eleições.

Qual é a relevância dessa informação?netunim_years
Esse dado é fundamental pois ele indica um crescimento na taxa de adesão eleitoral em relação aos últimos anos. Desde 2001 a média de eleitores judeus que compareceram às urnas é de 67%. Veja na tabela ao lado a variação nos índices gerais.

Mas por que esse crescimento é positivo para eleitores de centro-esquerda?
De acordo com pesquisas do Instituto Israelense para Democracia e do Centro Nacional de Estatística, a maioria das pessoas que não votam encontra-se em regiões onde partidos de centro-esquerda tem mais força. Além do fator “região”, as pesquisas apontam que o índice de abstenção é predominante entre pessoas de classe média-alta e seculares, exatamente o público-alvo do Bloco Sionista, Yest Atid, Meretz e, em menor proporção, Kulanu.

Há razão para otimismo?
Sim e não. Por um lado, vemos a estabilidade do Bloco Sionista e a queda de partidos de direita sem crescimento significativo do Likud. Por exemplo, Habait Hayehudi, liderado por Naftali Bennett, obteria apenas 12 cadeiras (5 a menos do indicado nas últimas pesquisas). O partido de Benjamin Netanyahu, por sua vez, alcançaria as mesmas 24 cadeiras previstas anteriormente.
Por outro lado, não é possível saber se Isaac Herzog e Tzipi Livni conseguirão formar uma coalizão. Dependerá do poder de persuasão dos dois em suas negociações com Moshe Kahlon (partido Kulanu) e líderes dos partidos ortodoxos (Shas e Yahadut Hatora).
É verdade que na teoria esses três partidos tendem a agregar uma coalizão formada por Benjamin Netanyahu. Na prática, no entanto, Shas já participou de governos liderados pelo partido Trabalhista (Avoda) e Moshe Kahlon decidiu recentemente pela saída do Likud por desavenças internas. Ou seja, há a possibilidade de mudança; apenas não se sabe quão real ela é.

Comentários    ( 8 )

8 Responses to “Eleições 2015: o dado mais importante das últimas pesquisas”

  • Raul Gottlieb

    06/02/2015 at 20:00

    Deliciosa a descabida pergunta “Há razão para otimismo?”.

    Por que, a meu ver, as coisas só vão melhorar no Oriente Médio quando os árabes se livrarem dos governos despóticos, sanguinários e incompetentes. A meu ver, as eleições de Israel não vão mudar uma vírgula no cenário da aceitação de Israel pelos árabes.

    Ou alguém acha em são consciência que o Hanaiê do Hamas ou o Nasrallah do Hizbolá ou o Khamenei do Irã ou o Bagdadi do ISIS gostam mais do Herzog do que do Bibi?

    Ou que vão passar a gostar quando o Herzog se mostrar disposto ao diálogo?

    • Bruno Lima

      07/02/2015 at 19:15

      Olá Raul,

      Há três grandes problemas no seu argumento:
      1) Ao contrário do que você pensa, Israel não se reduz a questões de segurança nacional. Os problemas econômicos e sociais estão se agravando com o passar dos anos devido a política vigente e o resultado das eleições é crucial para interromper esse processo degradativo. Aliás, a maioria dos israelenses (37%) acredita que as próximas eleições são sobre questões sócio-econômicas e não sobre a segurança nacional.
      2) O seu argumento baseia-se na ideia de que nós não temos nada a fazer, apenas sentar passivamente e esperar o Oriente Médio equilibrar-se em uma impecável democracia nos moldes ocidentais. Essa sua visão romântica do mundo, sinto lhe informar, não se realizará. Para melhorarmos o cenário político no Oriente Médio temos que ser assertivos, diplomáticos, pragmáticos e moralmente corretos. Imagina se Ben Gurion, Menachem Beguin, Isaac Rabin e Ariel Sharon adotassem essa postura de “esperar os árabes se livrarem dos governos despóticos, sanguinários e incompetentes”. Israel provavelmente já não existiria. Prefiro pensar adiante e encontrar soluções alternativas às atuais.
      3) Não precisamos esperar que eles “gostem” de nós. Podemos agir de forma a neutralizar esse debate sobre o amor para colocar na mesa as nossas razões para exigir mais segurança e estabilidade. Novamente você cai na falácia do romantismo político que não nos dá nenhuma direção. O israelense não se sente mais seguro com a política de Benjamin Netanyahu, e não é para menos. Talvez, Herzog e Livni sejam mais criativos que o atual primeiro ministro para evitar uma guerra a cada dois anos, o afastamento de seu principal aliado e o isolamento diplomático do mundo. Talvez haja algo além de esperar o mundo árabe ter uma “epifania ocidental” — talvez as eleições sejam uma oportunidade para começarmos a mudar essa postura de buscar no outro as respostas para o nossos problemas.

      Um abraço.

  • Marcelo Starec

    06/02/2015 at 21:27

    Oi Bruno,
    Interessantes os dados e as informações que você nos traz…Entendo que o mais importante é haver conscientização de todos os segmentos da população em participar das eleições…e considerando o fato de que em Israel o voto não é obrigatório, fico muito feliz em saber que se espera um percentual tão elevado de participação nesse pleito…e veja só, como uma simples comparação, o percentual deste pleito se iguala ao do Brasil, onde o voto é obrigatório e você recebe diversas punições se deixar de ir votar…Desse modo, fico muito feliz em saber disso…..
    Abraço,
    Marcelo.

    • Bruno Lima

      07/02/2015 at 19:18

      Olá Marcelo,

      Obrigado pelo comentário. É realmente interessante pensar que o percentual de votantes se iguala ao do Brasil, onde o voto é obrigatório.

      Um grande abraço.

  • Raul Gottlieb

    08/02/2015 at 10:27

    Bruno:

    a) Economia – o modelo esquerdista de economia deu errado em todos os lugares do mundo. Em Israel não foi diferente. É o viés pró mercado e anti estatal dos governos que não fortalecem o Estado como condutor da economia que dá a Israel a imensa pujança econômica atual. A desigualdade não é um problema. A pobreza é e Israel está longe – bem longe – de ter um problema de excesso de pobreza (tirando os voluntariamente pobres). Eu vivi em Israel em 1960 e 1968 – sei distinguir bem o hoje do ontem.

    b) Aceitação dos vizinhos – há que ser cego para não perceber que os árabes são virulentamente doutrinados em direção ao antissemitismo, anti americanismo e anti democracia e que com esta cultura é impossível negociar.

    Coincidentemente acabei de ler o seguinte editorial do Ynet. Vale a pena ler:
    http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4623863,00.html

    Um bom dia,
    Raul

  • Raul Gottlieb

    08/02/2015 at 10:32

    Bruno, completando:

    Não é preciso esperar que os árabes construam democracias representativas, plurais e tolerantes, no modelo europeu ou americano.

    Apenas que parem de queimar os “inimigos” vivos em praça pública.

    Você acha muito pedir isto?

    Abraço, Raul

  • Raul Gottlieb

    08/02/2015 at 14:43

    Bruno, insistindo na pergunta:

    Você acha que é um exagero, ou que é inadequado, ou que não é conveniente esperar que a cultura árabe passe a condenar com veemência o assassinato de adversários políticos, de “infiéis” e dos portadores de opiniões divergentes (inclusive no que diz respeito à religião e aos profetas) antes de sentir confiança para negociar com eles?

    Abraço, Raul

  • Raul Gottlieb

    08/02/2015 at 14:45

    Ah sim, e que também se abstenham de negar a Shoá (lembrando que a tese de doutorado do Abbas tenta provar a inexistência da Shoá e a “fabricação” dos judeus sobre ela, com o intuito de espoliar os árabes)

Você é humano? *