O fim da Rashut haShidur, explicado

16/05/2017 | Uncategorized

Esta semana, vimos em Israel o fim da Autoridade de Rádiodifusão (Rashut haShidur), responsável pela televisão e rádio públicas. O mitológico jornal das 8, o Mabat, ficou sabendo duas horas antes que esta seria sua última edição, depois de mais de 49 anos no ar. Anteontem (domingo), foi a vez do Kol Israel, que há 81 anos transmitia notícias na rádio. Por que isto aconteceu? O Conexão Israel traz abaixo um resumo da história, escrito por alguém que acompanhou o caso de perto (e que prefere não ser nomeado). Confiram e compartilhem.


A Rashut haShidur (Autoridade de Radiodifusão) foi, por anos, um elefante branco: um órgão caro, muito mal gerenciado, fazendo mau uso do dinheiro do público. Há mais de 15 anos discutia-se sua suspensão, renovação ou substituição. Decidiu-se então fechá-lo e criar em seu lugar um outro órgão, o Taagid (corporação em hebraico).

Para que isto pudesse acontecer rapidamente, criou-se uma comissão especial da Knesset, em 2015, que depois de longa deliberação, criou o texto para uma legislação eficiente e lógica mas, infelizmente, não exatamente vantajosa para os membros do governo..

Enquanto que a Rashut haShidur era um cabide de empregos, cujos principais cargos eram nomeados por políticos com todo tipo de interesse, a nova lei estabeleceu uma assembléia independente, que nomearia os diretores desta nova associação.

Até Netanyahu entender o que aconteceu, já tinham ingressadas centenas de pessoas para o Taagid. Gente que teve que largar seus empregos anteriores para trabalhar na nova organização. Quando Bibi entendeu o problema (“para que serve um órgão de imprensa público, se não é possível controlá-lo?”, como deixou escapar numa reunião a ministra da cultura – sic – Miri Regev), ele propôs uma legislação contrária, que adiaria o começo do funcionamento do Taagid, com o argumento (um tanto estranho) de que o processo fere os trabalhadores da Rashut haShidur, que seriam demitidos. Esta discussão logo virou um circo político, em que todo político usava estes dois órgãos para adiantar suas próprias agendas.

No final das contas, acordou-se nas discussões da comissão de economia da Knesset, que o novo Taagid começaria a atuar no dia 15 de maio, mas sem noticiários, que seriam de responsabilidade uma associação separada (!!!). Isto é, obviamente, uma piada de péssimo gosto, pois noticiários são o coração da transmissão pública. Na verdade, esvaziaram o Taagid de seu conteúdo e criaram uma nova associação de notícias que pudesse ser controlada por políticos.

No momento em que esta decisão foi tomada, o responsável no governo pelo desmantelamento das empresas estatais ordenou a interrupção imediata do trabalho da Rashut haShidur, para permitir o novo Taagid poder se preparar para a transmissão na mesma frequencia.


Geula Even, apresentadora do Canal 1, chora ao apresentar seu último programa de notícias.

É cedo para dizer quais serão os resultados desta reestruturação. O que ficou claro para mim é que, mais uma vez, a política e o cinismo venceram o bom senso. Pessoalmente, ficará a saudade do pi-pi-pi a cada hora cheia, antes das notícias transmitidas na rádio pelo Kol Israel.

Imagem de destaque: Elimelech Ram, jornalista da Rashut haShidur, foto de 1959, Wikimedia Commons.

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