O Hezbollah e as eleições israelenses

Qual é o impacto do recente atrito entre Hezbollah e Israel no atual processo eleitoral?

1) É complicado associar o ataque israelense à campanha eleitoral de Benjamin Netanyahu. Mesmo Isaac Herzog, líder da oposição e do partido trabalhista Avoda, negou qualquer interesse político no ataque. Provavelmente, por entender que ao atribuir um caráter eleitoral às ações do exército produziria um incômodo em parte da população e provocaria um efeito negativo em sua imagem como possível líder do governo.

2) Ainda assim, é inevitável que Benjamin Netanyahu pondere os possíveis efeitos em sua campanha eleitoral. Após a esperada retaliação do grupo xiita libanês, acredito que o primeiro ministro esteja se fazendo as seguintes perguntas:

O Hezbollah está suficientemente envolvido no conflito da Síria a ponto de deixar o grupo militarmente despreparado para um eventual confronto com Israel? Trata-se de uma vitória israelense certa que levaria ao fortalecimento da imagem de Benjamin Netanyahu?

3) Se os cálculos do primeiro ministro israelense indicarem que há a possibilidade de complicações no conflito, não creio que arriscará sua campanha eleitoral e optará pela manutenção do status quo. Até o momento, é o que parece. Em condições “normais”, acredito que estaríamos na eminência de uma guerra.

4) Se Israel, mesmo sabendo que haveria retaliação, não abriria uma frente militar no sul do Líbano, por que decidiu pelo ataque?

Há duas possíveis respostas, não necessariamente excludentes: (a) há uma célula do Hezbollah ganhando força nas Colinas do Golã e a inteligência israelense acreditou que tratava-se de uma operação necessária; (b) Netanyahu voltou a deixar claro que, apesar do interesse público em questões sócio-econômicas, o tema central das eleições de março é a segurança nacional. Nesse caso, fez uma precisa leitura da complicada situação em que se encontra o Hezbollah. A precisão foi tamanha que mesmo com a morte de Jihad Mughniyeh, importante comandante operacional do grupo, e de Mohammed Allahdadi, general da Guarda Revolucionária Iraniana, a retaliação  parece ter sido dentro das proporções esperadas.

5) Ao meu ver, as respostas (a) e (b) estão corretas, o que demonstra a desenvoltura política de Benjamin Netanyahu. Ao que tudo indica, a situação que se consolidaria após o ataque israelense foi meticulosamente pensada. Esse estado de “tensão sem conflito direto” apenas reafirma algo que o líder do partido Likud não permite sair de foco: a questão central das eleições é a segurança nacional, e nada além disso.

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