O Marcelo Freixo israelense

29/12/2012 | Política

(Aos interessados: à parte qualquer acusação de antissionismo aos partidos dos dois políticos aqui citados – das quais eu discordo, por ser contra generalismos não documentados –, advirto aos interessados que não vou me ater a este ponto. Meu texto é comparativo sobre duas pessoas, não sobre dois partidos. É uma simples comparação de trajetórias, referências e posições políticas. O “sionismo” não é uma questão primordial neste texto, como não parece ser para nenhum dos dois personagens principais. Boa leitura.)

 

1. Dov Chanin
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2. Marcelo Freixo

Dov Chanin, 54 anos, nasceu em Petach Tikvah[1]. Talvez por influência de seu pai, David Chanin (ex-membro do Maki – Partido Comunista Israelense), começou sua militância ainda jovem em Tel-Aviv em grupos pró-direitos humanos. Quando soldado, Dov Chanin se recusou a servir nos assentamentos na Cisjordânia, julgando a ocupação ilegal. Estudou direito na Universidade Hebraica de Jerusalém e ingressou no movimento Campus, grupo árabe-judaico que visava promover direitos iguais para árabes e judeus em Jerusalém. Marcelo Freixo, 45 anos, nasceu e cresceu em Niterói, também uma cidade importante que compõe a região metropolitana de outra grande cidade, famosa por ser centro de resistência democrática em períodos mais truculentos. Também foi ativista de movimentos sociais e lutou por direitos humanos desde jovem, sobretudo na ONG Justiça Global, na qual exerceu o cargo de pesquisador.

 

Ao longo do tempo, Dov estendeu sua atuação à melhoria dos direitos dos trabalhadores e para causas ecológicas. Desde 1990 é membro da liderança do Maki (que ainda atua dentro do Partido Hadash), quando passou a ter mais influência no meio político israelense. Hoje Chanin é doutor em Ciências Políticas pela Universidade de Tel-Aviv e pós-doutor pela Universidade de Oxford. Marcelo Freixo também começou sua militância política cedo, no PT. Foi consultor do atual deputado federal Chico Alencar na ALERJ[2], fiscalizando o governo atuando em defesa de grupos historicamente discriminados. Freixo, apesar de ser considerado uma referência intelectual no meio político, optou por não seguir no meio acadêmico.

 

Em 2006 ambos foram eleitos parlamentares pela primeira vez. Chanin foi eleito membro da Knesset como número três do partido Hadash (que recebera três assentos), enquanto Freixo foi eleito deputado estadual do Rio de Janeiro pelo recém fundado PSOL, com a menor votação dentre todos os candidatos do estado naquelas eleições. Pela primeira vez ambos puderam aparecer para a sociedade.

 

3. Chanin em um evento do movimento Paz Agora (2010)

Chanin aprovou leis de controle a corrupção, como a que exige transparência da Autoridade Israelense das Terras (Reshut HaMekarkaim) para não favorecer determinados grupos; a Lei de Condição de Prisão Adequadas, que exige que os presos tenham direitos básicos como cama, colchão, tratamento médico, alimentação saudável, e etc; Proibição das Taxas de Entrada nos Parques Públicos; Lei de Proibição de Cobranças de Mobilidade para Cegos; Lei de Direito à Vítimas de Crimes; Lei de Notificação para Funcionários, afim de que os trabalhadores terceirizados sejam informados sobre as suas condições de trabalho anteriormente; Lei de Proibição de Discriminação Referente à Idade; Extensão da Licença Maternidade; e diversas outras leis trabalhistas, de direitos da mulher, da criança e da preservação do meio ambiente. Freixo assumiu a Comissão pela Defesa dos Direitos Humanos e pela Cidadania da ALERJ. Atuante em outras áreas, o deputado também é vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Tribunal de Contas do Estado, que fiscaliza prefeitos do estado, além de técnicos e conselheiros do TCE. Presidente das CPIs[3] de Tráfico de Armas e das Milícias, o deputado ganhou grande notoriedade devido ao sucesso da segunda, que lhe rendeu a segunda maior votação na sua reeleição para deputado estadual em 2010.

 

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4. Uma Cidade Para Todos Nós
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5. Primavera Carioca
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6. Marcelo Freixo e Chico Buarque

Em 2008, Chanin foi candidato a prefeito de Tel-Aviv pelo movimento “Ir LeKulanu” (Uma Cidade Para Todos Nós)[4]. O grupo foi criado por habitantes de esquerda de Tel-Aviv junto ao Movimento Verde e à Lista Judaico-Árabe de Jaffa. A campanha contagiou boa parte da cidade, tal qual a do candidato do PSOL Marcelo Freixo no Rio de Janeiro em 2012, com a campanha “Primavera Carioca”. Uma das políticas propostas por Dov foi a de uma linha de transporte urbano semelhante à de Curitiba[5], sustentável e econômica. Participaram da campanha torcedores do Hapoel Tel-Aviv[6], assim como intelectuais de prestígio e boa parte da juventude de Tel-Aviv.  Toda a cidade foi contagiada pela militância e cartazes com o slogan do movimento foram espalhados dando a sensação da vitória da oposição. Chanin, no entanto, foi derrotado pelo atual prefeito Ron Huldaí (que chegou ao seu terceiro mandato), mas atingiu 34,4% dos votos (contra 50,6% do vencedor que contava com toda a máquina pública e o apoio dos partidos Avodá e Kadima), mesmo pertencendo a um grupo pequeno e sem grande orçamento para a campanha. De trajetória muito semelhante, Marcelo Freixo também concorreu por um partido pequeno, com orçamento limitadíssimo e contra a máquina pública. Saiu de 8% nas pesquisas e atingiu cerca de 28% dos votos. Atraiu para a sua campanha a presença de artistas, estudantes e acadêmicos, e fez o clima político da cidade do Rio de Janeiro parecer-se um pouco mais com o que era até o início dos anos 1990.

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7. Torcedores do Hapoel Tel-Aviv na campanha de Dov
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8. Slogan da campanha de Freixo

A derrota de Chanin foi seguida de uma vitória: o Hadash, seu partido, conseguiu a sua maior votação em mais de 20 anos, elegendo quatro mandatos para a Knesset. Dov, número três do partido, angariou muitos votos do eleitorado judaico de esquerda (tradicionalmente do Meretz e do Avodá) devido à sua partipação da Knesset desde 2003 e impulsionado pela sua candidatura à prefeitura de Tel-Aviv. Sua atuação não foi menos brilhante e agressiva após a derrota nas eleições de 2008: Dov seguiu como uma das vozes mais ativas da oposição ao governo Netanyahu, o qual seu partido considera como executor de uma política fascista e colonialista. Em 2010, em meio à aprovação da lei que proíbe o boicote a produtos produzidos no parque industrial dos assentamentos[7], Dov fez um dos discursos mais ácidos da Knesset nos últimos tempos, condenando a casa por ferir a liberdade civil, um dos princípios básicos da democracia[8]. Em 2010, Dov recebeu o prêmio de “Cavaleiro da Qualidade do Governo”, do movimento que preza pela qualidade dos parlamentares. Hoje Chanin é presidente do Comitê Fiscal da Knesset[9], que avalia o balanço dos gastos e orçamento de todos os parlamentares da casa. Ainda não sabemos quais serão os efeitos da candidatura de Marcelo Freixo nas políticas carioca, fluminense ou brasileira. Dificilmente, no entanto, encontra-se quem considera Freixo e sua proposta a uma “outra alternativa” ao modelo político brasileiro derrotados.

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9. A juventude com Dov
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10. Comício de Freixo com jovens na Cinelândia

Qualquer semelhança entre Dov Chanin e Marcelo Freixo pode ser mera coincidência. Ou não. Parlamentares da esquerda radical, forma como são chamados pela direita radical, ou de esquerda genuína, como eu os considero, tendem a ser bastiões da moralidade. Por que? Simplesmente por serem coerentes. Esta, pelo menos, é a minha forma de pensar. Mas a queda é maior quando o salto é mais alto. Gente como o deputado estadual do Rio de Janeiro Marcelo Freixo sabe que não pode falhar. Dov Chanin, idem. Eu acredito de verdade que ética e os valores da esquerda são indissociáveis um dos outros. Não sou eleitor do Hadash, mas Dov por pouco não me fez ser. Infelizmente, dentro do Hadash, só Dov Chanin é visível aos olhos judaicos. Os parlamentares árabes do partido não aparecem para o público de língua hebraica, e o parlamentarismo não me permite votar em um candidato em detrimento de um partido – o que eu considero positivo, diga-se de passagem. Em outras palavras, se houvesse um partido repleto de “Dovs”, teria meu voto. Ele merece e nós precisamos.

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11.”I ‘DOV’ Tel-Aviv”. A palavra “Dov”, em hebraico, significa “urso”. Por isso a pegada.
Notas:

 

[1] Região metropolitana de Tel Aviv-Jaffa

[2] Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Chico Alencar era deputado estadual.

[3] Comissão Parlamentar de Inquérito.

[4] As eleições para as prefeituras em Israel não são realizadas como no Brasil, por partidos, embora estes possam apoiar determinados candidatos.

[5] Em hebraico: veja: http://www.youtube.com/watch?v=z_yDFiWPpkw

[6] Tradicional time de futebol da esquerda na cidade.

[7] De autoria do parlamentar Yariv Levin, do Likud.

[8] Em hebraico: http://www.youtube.com/watch?v=IyLnwCYFG8l

[9] Algo equivalente ao conselho de ética.

 

Fotos:

Capa: http://news.walla.co.il/?w=/5700/1839466/514848/5/@@/media

Foto 1: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Dovkhenin.jpg

Foto 2: http://www.jb.com.br/anna-ramalho/noticias/2012/10/06/relacao-de-petistas-com-freixo-esfriou/

Foto 3: http://www.yairgil.com/100220-Peace-now/index.htm

Foto 4: http://www.tlv1.co.il/?p=1367

Foto 5: http://educadordealmas.blogspot.co.il/2012/06/primavera-carioca.html

Foto 6: http://www.politicapb.com.br/Noticia.aspx?id=125923

Foto 7: http://www.citydov.org/?tag=%D7%93%D7%91-%D7%97%D7%A0%D7%99%D7%9F&paged=5

Foto 8: http://somosfreixo.juntos.org.br/

Foto 9: http://room404.net/?author=1&paged=286

Foto 10: http://noticias.uol.com.br/album/album-do-dia/2012/08/16/imagens-do-dia—16-de-agosto-de-2012.htm

Foto 11: http://www.tapuz.co.il/blog/net/Maavaron.aspx?foldername=adaddynow&tagname=%D7%AA%D7%9C%20%D7%90%D7%91%D7%99%D7%91

 

Comentários    ( 19 )

19 Responses to “O Marcelo Freixo israelense”

  • Raul Gottlieb

    02/01/2013 at 20:38

    João,

    Negar que não existam os mais pobres é pensar que todas as pessoas terão, um dia, todas elas o mesmo nível econômico. Isto é para lá de para lá de impossível!

    Eu não sei o que seja um “quase crime”. Mas é inegável que desde 1888 não há mais discriminação contra os negros no Brasil e que o processo de integração e ascensão social é lento (muito), mas é contínuo. Não vejo discriminação contra o negro em lugar algum. Vejo uma enorme dificuldade dos pobres ascenderem economicamente no Brasil, porque somos um pais injusto e com políticas equivocadas.

    O que existe hoje, aliás, é uma discriminação contra os brancos, que são obrigados a ceder lugar aos negros apenas por serem brancos, sem julgamento de mérito.

    O que eu concordo contigo é na questão da direita/esquerda. No Brasil não temos nada disto porque somos um país muito confuso.

    Um abraço!
    Raul

  • João Koatz Miragaya

    02/01/2013 at 22:34

    Raul,

    Eu não concordo com a sua avaliação sobre os negros, assisti aulas com os antropólogos Roberto Kant e Marcos Alvito que mostram através de pesquisas que há instituições estatais racistas, como a PM do Rio de Janeiro, por exemplo. A constituição pode não ser racista, mas o Estado é.

    Sobre o resto, vou deixar que os outros participem, acho que outras pessoas podem ter opiniões relevantes.

    Um abraço

  • Sérgio Storch

    11/05/2013 at 22:34

    Caro João

    Caí por caminhos tortuosos neste post já antigo, ao explorar este site que eu até hoje não conhecia.
    O post e os comentários (gostei de reencontrar o Ricardo Gorodovits, que deixei de ver há mais de 20 anos) entram num tema pelo qual tenho especial predileção: as diferenças entre esquerda e direita. Recentemente decidi afastar-me da Marina Silva, por ter ela pisado na bola nesse tema, no programa Roda Viva (“nem esquerda, nem direita, temos que ser pra frente”).

    Acho que esse entendimento no Brasil fica especialmente confuso, por termos no governo o PT – um partido presumidamente de esquerda. Daí torna-se comum desqualificar a esquerda (ou melhor, o que você chama de esquerda genuína), usando desvios do PT como argumento. O fato do PT ter se deixado penetrar pela corrupção e por práticas antidemocráticas, sem deixar de ser, na base, um partido de esquerda, é realmente alimentador de confusões.

    Por isso, entendo que essa discussão precisa ser pautada por definições de esquerda e direita como campos programáticos, em que não haja ambiguidade. Por exemplo, a questão de reduzir as desigualdades na distribuição da renda tem claramente os seus polos direita e esquerda. Nítidos, como em inúmeras outras questões. Já em questões como direitos humanos não há essa nitidez, pois existem as esquerdas autoritárias, bem como o liberalismo (o genuíno) que se distingue pela radicalidade em direitos individuais e sociais.

    Usando um instrumental de outra área, a matemática, eu acho que o eixo esquerda-direita tem poder explicativo em algumas coisas, mas que precisamos de outros eixos, ortogonais, para os temas em que a esquerda não se diferencie da direita de forma clara. Com isso a discussão se qualifica pois teremos quadrantes em vez de lados de um eixo unidimensional. Teremos, assim, a esquerda democrática, a esquerda autoritária, a direita democrática e a direita autoritária. E certamente outros eixos são necessários. Um de enorme importância seria o da complacência com a corrupção versus a firmeza ética.

    Quis dar essa contribuição, mesmo meses depois do post original, por achar que é um campo em que podemos ter grandes afinidades.

    Em termos práticos, essas reflexões teóricas me levam a sugerir que temos um desafio/oportunidade interessante; fazermos vasos comunicantes entre a esquerda democrática e ética brasileira e a esquerda democrática e ética israelense. Se fizermos isso eu creio que estaremos dando uma enorme contribuição às possibilidades de protagonismo brasileiro na construção da paz Israel-Palestina. E sugiro que você pense nisso também na relação Brasil-Palestina.

    No ano passado o grupo de judeus progressistas de que participo marcou alguns gols na relação com o Itamaraty, e hoje temos amizade com o embaixador brasileiro em Ramallah. Se tivermos pessoas engajadas em fazerem o que sugeri acima, certamente teremos apoio do governo brasileiro, que nos evidenciou sentir carência de vozes alternativas na comunidade judaica. É um caminho que estamos construindo, e pode ser muito legal fazermos em dobradinha, entre gente que está aqui e vocês que estão aí.

    Um abraço, e se quiser adiciono você no Face do TABA – Judeus Progressistas.

  • Leandro Rocha

    04/08/2014 at 21:44

    Muito legal o texto, compartilhei no facebook, até pq votei no Freixo pra prefeito tb. Concordo com tudo que disse, só fiquei com dúvida em duas coisas:

    1) Vc tem cidadania israelense, certo? Em que partido vc vota?

    2) Uma coisa que me deixa em dúvida em relação a essa questão da representatividade na Knesset. Se os árabes são 20% da população de Israel, pq eles não conseguem eleger uma Knesset um pouco mais de esquerda? Pq a maioria dos árabes não vota?

    • João K. Miragaya

      05/08/2014 at 00:03

      Oi Leandro. Obrigado pela visita.

      1) Eu sou cidadão israelense e não só voto como sou filiado ao partido Meretz. Você encontrará mais sobre ele aqui: http://www.conexaoisrael.org/meretz/2012-12-17/conexaoisrael-org e sobre a minha participação política aqui: http://www.conexaoisrael.org/clone-de-minha-militancia-no-dia-das-eleicoes/2013-01-22/joao

      2) O voto em Israel não é obrigatório. Historicamente os cidadãos árabes-israelenses, quando não abdicavam de votar (uma forma pessoal de fazer um boicote ao Estado de Israel, com o qual não se identificam), em geral optavam por partidos sionistas, em geral de esquerda: ou os trabalhistas ou o antigo Mapam (atual Meretz). Os partidos árabes eram quase que inexpressivos e o Partido Comunista levava alguns votos árabes. Mas havia uma quantidade razoável de árabes que votava até mesmo nos partidos sionistas de direita, como o antigo Herut (atual Likud). Atualmente o percentual de árabes que vota segue sendo desproporcionalmente pequeno. Os que votam, cada vez menos optam por partidos sionistas, seja de esquerda ou de direita. Hoje, pela primeira vez, o Meretz conta com um parlamentar árabe, mas isto não foi suficiente para angariar muitos votos para o partido. A identidade palestina dos árabes-israelenses aos poucos está se fortalecendo, o que explica a opção pelos partidos Raam-Ta’al e Balad.

      Se você fizer uma busca no nosso arquivo (http://www.conexaoisrael.org/arquivo), encontrará material sobre os partidos políticos israelenses (preparamos um especial para as eleições de 2013) e um pouco sobre os árabes-israelenses.

      Um abraço

    • Leandro Rocha

      05/08/2014 at 16:20

      João, engraçado que cheguei ao seu site procurando justamente pelo Meretz. Em discussões pelo facebook tenho justamente defendido que os moderados dos dois lados (Fatah e Meretz) sejam fortalecidos para que se alcance a paz. Não dá pra ter paz com radicais falando de um lado e de outro.

      Aliás eu penso o seguinte, o Hamás é o maior cabo eleitoral da direita, tal como a sensação de insegurança é que da voto a malucos como o Bolsonaro aqui no Brasil.

      Quanto ao voto dos árabes, sinceramente, eu não consigo entender. Como pode um árabe votar no Likud? Sei lá, é a mesma coisa que um gay votar no Feliciano, ou um negro votar num candidato abertamente racista.

      Que os árabes votem no Raam-Ta’al e no Balad, ao invés do Meretz e do Hadash, é até compreensível, tem lógica. Mas não entendo pq votem no Likud, ou deixem de votar. Não era pra esses partidos de direita terem uma representatividade no parlamento tão grande. Some os 20% de árabes + os (chutando) 10% de israelenses de esquerda (não to dizendo que seja só isso, mas pelo menos seria isso), mais os eleitores tradicionais do Avoda (o PT de Israel), enfim, era pra ter aí uns 40-50% do parlamento de esquerda/centro-esquerda.

      Acho que cabe um novo artigo do site explicando isso, não? Lógico que entendo a existência do sentimento do oprimido que se acha opressor (o árabe que por ter cidadania israelense tá cagando pras vidas dos seus irmãos palestinos) e entendo tb a existência da abstenção, ela existe em qualquer país do mundo em que o voto não seja obrigatório, e sempre tem os burros que acham que não votar é protesto. Mas na minha visão, esses números estão altos demais na população árabe.

      Aproveitando, sobre o Dov Chanin, tive alguma dificuldade de entender talvez por não conhecer o sistema eleitoral, mas acredito que seja parlamentarista tb a nível municipal, com voto em lista fechada, certo? Mas no artigo diz que o Dov Chanin não foi eleito. Se ele (no caso o partido dele) teve uma uma votação tão alta, sendo o terceiro da lista, não era pra ele ter sido eleito ao menos “vereador”?

    • João K. Miragaya

      05/08/2014 at 23:27

      Oi Leandro!

      O Dov Chanin não foi eleito prefeito de Tel-Aviv (estas eleições não são parlamentárias, o prefeito é eleito pela população através do voto direto), mas é deputado eleito pela terceira vez consecutiva.

      Um abraço

    • Leandro Rocha

      06/08/2014 at 01:01

      Putz, eu fiz confusão entre o post da outra eleição (pra prefeito) com a de 2013. Mas explica melhor essa parte dos árabes aí. Pq os partidos árabes e os sionistas de esquerda não conseguem mobilizar os eleitores?

    • João K. Miragaya

      06/08/2014 at 09:04

      Oi Leandro.

      Há muitos sociólogos que tentam explicar a postura dos árabes, e me parece que há quase um consenso de que parte grande dos árabes-israelenses, por uma questão de identidade, optam por não fortalecer nem legitimar as instituições sionistas, opta pelo boicote.

      Há um artigo meu chamado “Em quem o povo votou”. Procure-o no arquivo, você entenderá melhor como votaram os israelenses nestas eleições.

      Um abraço