O melhor e mais barato

Escrito por: Nelson Burd

Abril de 1998, primeira vez que fui a Jerusalém. Depois de ir ao Muro das Lamentações, queria comer um falafel, sanduíche típico da região, com bolinhas fritas de grão de bico (o falafel mesmo), humus (pasta feita de grão de bico também), tehina (pasta de gergelim) e salada, dentro da pita (pão árabe ou sírio). Colocar batata frita foi uma invenção mais recente.

Um amigo, que já havia estado em Israel antes, foi quem nos conduziu ao Muro e, também, ao local que se tornou o meu “obrigatório” em Jerusa. A localização é central demais: King George, esquina Agripas, entre o calçadão da Ben Yehuda e o Shuk (mercado) Machané Yehuda. Falo do Melech Ha´Falafel Ve´Ha´Shwarma (Rei do Falafel e do Shwarma). O gosto foi ótimo, aquele sabor de verdadeiro, original, que eu queria sentir. Aliás, o que sempre sinto quando volto lá, até hoje.

Israel -  ConexaoIsrael - Falafel

Depois de ter ido várias vezes em 98, voltei a Jerusalém em janeiro de 2006, onde morei por um ano e meio. Vivia e estudava muito perto. Desta vez, eu já procurava o Shwarma, conhecido no Brasil também por Churrasco Grego.

Imaginem carne de peru, ou carneiro, ou frango, numa lafa (espécie de rap), com salada, humus, tehina, batata frita, pimenta, entre outros condimentos. Mesmo não tendo carneiro no Rei, o jeito de temperar é especial. E, além de tudo: É muito barato e bom. Sempre que o recomendo, digo: Vá lá porque não é para turista. Lá é a “bocada”, como falam em Porto Alegre, o “pico”, como dizem meus amigos de São Paulo. Ou seja, é o lugar.

Em valores atuais, o shwarma na lafa custa 15 Shekalim (R$ 7,50), enquanto no Moshiko, um similar que reúne a turistada, localizado no calçadão da Ben Yehuda, custa quase 40 (quase 20 Reias).

 

ISrael - ConexaoIsrael - shawarma jerusalem

Os defensores do “outro” argumentam que a lafa deles é bem maior. Até é, ok, mas não chega a ser o dobro, para cobrarem tanto dinheiro a mais. Comam um no “Rei” e, se ainda tiverem gula, peçam mais um, por menos do que na concorrência. Nada justifica ir a outro lugar. O melhor é mais barato e ponto final. Lembro do Marcelão Treistman, colega do site, comentando, nos seus primeiros dias de Israel, em 2007: “Cara, o falafel custa 6 Shekalim (R$ 3,00). Dá para comer bem e barato”.

Amigos que visitam Jerusalém, que moram por aqui, galera em geral: Procurem a “bocada”, o local do “dia a dia”, que mantém o padrão desde sempre, nunca subiu os preços de forma exorbitante, respeita o cliente e fica aberto até altas horas da madrugada, em ocasiões especiais. O “Melech” é o “Rei”. Os outros são perfumaria.

Comentários    ( 8 )

8 comentários para “O melhor e mais barato”

  • Any

    24/02/2013 at 21:26

    Eu concordo que o Melech seja muito bom…
    Mas o Mochico não é esse monstro imperialista…
    Em 2012 estava com um casal de amigos e não estava com muita fome e pedi 4 bolinhas de falafel e um pouco de hummus. Na hora de pagar, para a minha surpresa me deram de presente.

  • Mauricio Peres Pencak

    24/02/2013 at 21:36

    Em janeiro de 2012, quando passei um mês em ERETZ, fiquei alguns dias em TZFAT e fui passear em TIBERIAS. Por coincidência, foi um dia que ocorria uma competição de maratona. Passei por uma praça, pertinho da rodoviária, onde havia várias barraquinhas de comida. Parei numa onde atendia uma simpática senhora e um rapaz. O SHAWARMA foi servido em meia bisnaga, com batata frita, repolho no vinagrete, etc.. Sentei para comer e logo um grupo de CHAIALIM ocupou outra mesa em meio a FALAFEL e os sandubões de carne. Comi muito e ainda sobrou metade, que embrulhei criteriosamente para comer à noite. Lembranças muito boas!

  • Gabriel

    25/02/2013 at 00:08

    Vale a pena dizer que o local mudou de dono alguns anos atrás, passaram o reinado para um pessoal mais jovem, que soube manter o nome e o serviço.
    Mas pra quem quiser o “original”, eles estão na Agripas – “Steikyat Yerushalaim”. A família que mantinha o Melech se dividiu e os que quiseram se manter no negócio abriram lá. Pra quem é das antigas, vai reconhecer os tiozões lá e especialmente os filhos gêmeos de um deles – que estão crescendo fortinhos com o shawarma! 🙂

    Abração

  • Nelson Burd

    25/02/2013 at 01:48

    Any, fico feliz que os caras do Moshiko te trataram bem. Se tanta gente vai la, algo bom, com certeza, eles tem. Mauricio, bela historia. Shwarma no baguete eh bastante comum aqui tambem. Gabriel, faz tempo que nao vejo aqueles velhinhos das antigas. Preciso passar pelo novo lugar. Abracos a todos.

  • Marcelo

    25/02/2013 at 16:47

    Concordo 100%. melech eh o rei! caramba, ainda tá 15 shekalim? em 2006 cutava isto. acho q é o produto que menos inflacionou no mundo neste periodo.

    • Nelson Burd

      25/02/2013 at 19:17

      Marcelo, o preco chegou a dar uma variada, chegou a 22 shekel em 2008 por ai, mas logo voltou a 15.

  • Ricardo Gorodovits

    25/02/2013 at 22:24

    Caramba, ler sobre falafel me deu agua na boca (schwarma nunca foi sedutor para este vegetariano convicto). Adorava os do Adar em Haifa e os do entorno da antiga tachaná hamerkazit de Tel Aviv. Era preciso coragem, é verdade, mas era ótimo. Se recebia pita e as bolinhas do falafel, o resto era na base do all you can eat, desde que conseguisse colocar dentro da pita. O segredo era colocar na pita e nao moder o pão para poder usar o espaço novamente !!! Para ter um pouquinho mais de sofisticação, havia uma lojinha numa esquina no início da subida para o Adar, que também era tudo de bom. E batata frita rolava naquela epoca também (78). Abraço, Ricardo

    • Nelson Burd

      26/02/2013 at 00:16

      O Merkaz Adar em Haifa ainda tem bons lugares, Ricardo. Toda aquela parte baixa de Haifa, o Wadi tambem.

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