O milagre verde de Israel

Quem aterrissa no Aeroporto Ben Gurion pode olhar pelas janelas do avião e verá campos e plantações de diferentes cores. Quem anda de carro em estradas do sul do país dirá que viu campos verdes e estufas em meio a um deserto seco, um milagre ou uma miragem?

Israel  é conhecido mundialmente por sua avançada agricultura, e seu desenvolvimento nada tem a ver com milagres. A agricultura israelense tem uma história estritamente ligada à história do país, e foram seus desafios, e as soluções encontradas, que moldaram essa indústria. Atualmente, ela é responsável por quase 4% das exportações do país.

A maioria da agricultura israelense é baseada em princípios cooperativos envolvendo pequenos agricultores, sendo kibutzim e moshavim responsáveis por 76% dos produtos frescos do país. Essas comunidades foram responsáveis por desenvolver áreas antes desérticas, no sul, ou de pântanos, no norte. Movidas por ideologias, essas comunidades permitiram a organização da agricultura e seu avanço em áreas de difícil exploração pelas mãos de pioneiros.

Os números falam por si só. O país produz 95% do que consome de produtos agrícolas, uma marca considerável para um país que tem apenas 20% de terras ‘naturalmente’ aráveis. Desde 1948, o número de hectares cultivados subiu 2,6 vezes, de 165 mil para 430 mil. No mesmo período, a produção agrícola subiu 16 vezes. Não se engane, assim como em qualquer economia que se desenvolve, a agricultura cresceu, mas paralelamente perdeu importância no total da economia do país.

Alguns dos cultivos produzidos são trigo, milho, algodão e outras culturas extensivas. Entre as frutas e vegetais, destaque para os cítricos (suas famosas laranjas), abacates, kiwi, manga, uvas (inclusive para vinho), melão, banana, maçãs, peras, morangos e outras frutas vermelhas. As famosas saladas israelenses do café da manhã vêm direto dos campos e estufas: tomates, pepinos e pimentão serão facilmente encontrados pelo país.

A ciência tem enorme influência sobre o desenvolvimento da agricultura israelense. O país tem inúmeros institutos científicos e de educação que lidam com o tema. Com diferentes fundos de investimento e foco total no nível universitário, pode-se destacar o Centro Volcani. Volcani é o nome do instituto de pesquisa agrícola do Ministério da Agricultura do país. Lá surgem novas ideias, empresas e pesquisas avançadas em diferentes áreas. Para os interessados no assunto, vale uma visita.

O país trouxe desenvolvimentos em diversas áreas da agricultura. Por exemplo, a falta de recursos hídricos (principalmente no sul do país) fez com que o país alcançasse marcas impressionantes no campo da irrigação. Primeiramente, a irrigação por gotejamento foi levada ao nível industrial pela primeira vez em Israel. O uso pontual de água leva à maior produtividade, e Israel tem conseguido aumentar sua produção agrícola enquanto diminui o uso de recursos hídricos na agricultura.

Do país saíram também invenções interessantes em outros campos:

  • Diminuição de perdas: Manutenção de grãos colhidos contra umidade e oxigênio
  • Substituição de químicos nocivos: Controle biológico de pragas
  • Sementes: Uso de melhoramento genético para obtenção de melhores sementes
  • Gerenciamento e IT: Sistemas de gerenciamento e automatização de fazendas de carne e leite
  • Genética: Invenções de variedades de batatas e outros vegetais para adaptação a climas diferentes
  • Integração de dados: Tecnologias israelenses ajudam fazendas do mundo inteiro a informatizarem suas atividades
  • A presença israelense no mercado de tecnologia agrícola é marcante para o tamanho do país. O mundo tem um desafio importante de manter uma produção crescente de produtos agrícolas, já que projeções populacionais preocupam quanto à possível falta de alimentos nas próximas décadas.

Repleto de pequenos agricultores, os campos espalhados pelo globo veem a maioria de seus produtores com dificuldades na produção por causa da falta de informação técnica ou capital para profissionalizar sua produção. Israel pode ter um papel central na expansão de sua experiência pioneira na agricultura familiar e cooperativa, com a expansão de modelos e perpetuação do espírito inovador que molda soluções através dos problemas da realidade.

Foto de capa de Rodrigo Uriartt. Seu Flickr é https://www.flickr.com/photos/ruriak/.

Comentários    ( 4 )

4 Responses to “O milagre verde de Israel”

  • Raul Gottlieb

    26/11/2015 at 11:27

    Belo e interessante texto, David.

    Israel é um exemplo para muita coisa boa, inclusive na agricultura em terrenos inóspitos, no reflorestamento e em como se defender do Islã supremacista.

  • Marcelo Starec

    03/12/2015 at 22:11

    Oi David,

    Muito interessante o seu artigo….de fato, a bem sucedida atuação de Israel em vários setores e particularmente na agricultura, serve como um ótimo exemplo para o mundo de como é possível vencer desafios extremos e num território minúsculo e inóspito em quase todos os sentidos possíveis – conseguir produzir ainda assim cerca de 95% dos alimentos consumidos por toda a população de Israel….

    Abraço,

    Marcelo.

  • Marion Vaz

    03/03/2016 at 12:17

    Quero agradecer aos articulistas da Conexão Israel por nos trazer informações precisas sobre o país e a vida cotidiana do povo israelense. Notei que cada autor contrói seu texto de acordo com sua opinião e dados específicos sobre os assuntos apresentados. É comum transferirmos para o texto uma parcela do estamos sentindo no momento quando algo nos afeta diretamente. Alguns escritores conseguem ser imparciais, o que não é o meu caso (risos). Com certeza parte do desenvolvimento econômico e agrícola de Israel tem seu reconhecimento nos esforços da comunidade e trabalho árduo com a terra ao longo dos anos. Assim como nas outras áreas em que o país se destaca podemos afirmar que avanços tecnológicos e científicos, por exemplo, foram possíveis devido ao empenho humano nas atividades. Mas discordo que muitos destes não tenham nada a ver com milagres! Não consigo excluir a ação de D-us na vida do povo israelense e dar o mérito apenas para nós, meros mortais.

Você é humano? *