O preço da segurança

22/01/2014 | Conflito; Opinião; Sociedade

Segunda-feira, 30 de Dezembro de 2013. Uma colega de classe chega ao aeroporto Ben-Gurion em Tel Aviv com seu passaporte nas mãos. O destino: Turquia. Após um intenso ano de estudos em Israel, Turquia foi o lugar escolhido para passar as suas merecidas férias. Na terça-feira, 31 de Dezembro, vejo o seguinte post publicado em seu facebook:

1484230_10202189102745832_1795646523_nEstes são os meus sapatos. Foram comprados em Israel no ano passado por tê-los achado bonitos e confortáveis. Eu andei muitos quilômetros com esses sapatos. Ontem os vestia ao entrar no aeroporto Ben Gurion. 

Estes sapatos levaram o Chefe de Segurança a concluir que eu era um risco a segurança dos demais. Eles não me disseram exatamente qual era a suspeita. Fui interrogada por quase 4 horas, revistada até a minha calcinha e deixada esperando – com apenas um fino top – em uma sala fria por cerca de 40 minutos. 

Um supervisor foi chamado para obter mais informações sobre mim e me perguntou se eu usava drogas e quando tomei uma aspirina para a minha dor de cabeça. Eu gritava e custava a acreditar na situação com a qual me defrontava. Por fim, a minha raiva e tristeza foram confundidas com nervosismo e, portanto, com motivo para suspeitarem de mim. Fui tratada como uma fora da lei sem qualquer resquício de respeito ou empatia. Fui tratada como uma inimiga.

Ao final, decidi não embarcar no meu vôo para a Turquia. Eles não puderam garantir que meus aparelhos eletrônicos (laptop , câmera SLR , iPhone e iPod) – os quais eu não fui autorizada a levar comigo – seriam entregues à mim em Istambul.

Muitos amigos disseram “sentir muito”.  Sentir muito por mim. Eu também sinto muito, mas não por mim. Sinto muito por eles, por suspeitarem da pessoa errada, alguém que teve que lutar muito para construir uma vida aqui (em Israel). Sinto muito por tê-los visto desfazer minhas malas e por terem encontrando um livro do Amos Oz  – “A Tale of Love and Darkness” – e uma coleção de poemas de Yehuda Amichai. Sinto muito por quando buscaram a minha versão em hebraico do jornal Haaretz procurando por páginas de explosivos como recomendação de leitura. Sinto muito por imaginá-los abrindo o meu programa de estudos no meu laptop (projetado para melhorar o meu hebraico). Eu sinto muito quando os imaginei indo atrás dos meus dados pessoais (meu telefone estava quente quando o recebi de volta, o que significa que ele havia sido ligado) apenas para encontrar contatos de amigos israelenses e fotos deles comigo.

Eu entendo que Israel tenha muitos problemas de segurança e muitos inimigos. Mas eu não sou um deles. Ter sido rotulada como ameaça por aqueles que amo e com quem decidi viver parte o meu coração.

Assim como minha colega de classe, sou consciente dos problemas de segurança que Israel possui. Concordo com a maioria dos procedimentos de segurança pelos quais somos obrigados a passar diariamente. Não sou ingênuo, no entanto. Sei que a “nossa segurança” tem um preço, talvez alto demais. No testemunho acima não se trata dos milhares de palestinos que já internalizaram o “senso de inferioridade” imposto pela “nossa segurança”; para eles liberdade já se tornou uma idéia muito obscura; para muitos deles desrespeito já não é mais a exceção. Trata-se de uma menina loira, branca, alemã, doutoranda na Universidade de Haifa; uma colega que conheci durante o mestrado e que, apesar de não ser judia, sempre teve muito apreço pelo mundo judaico e por Israel.

Não me entendam mal: o palestino que passa por um check point e a alemã que é revistada no aeroporto possuem direitos idênticos à liberdade individual. O ponto é que relatos de abuso, preconceito e desrespeito se tornaram parte da rotina  daqueles que lidam com a “nossa segurança”. A resposta é sempre a mesma: “a nossa segurança exige medidas como essas”. É inquestionável que essas medidas devem ser tomadas. O que me surpreende é o quanto estamos dispostos a pagar por essa “nossa segurança”. Surpreende-me a banalização da invasão da privacidade, a institucionalização do preconceito, a normatização do desrespeito. Surpreende-me aceitarmos o discurso da “nossa segurança” sem questioná-lo. Surpreende-me o medo de muitos ao se submeterem aos agentes de segurança; eles estão lá para que nós não tenhamos medo, não? Surpreende-me a ignorância daqueles que sustentam essa posição sem perceber que, em nome da “nossa segurança”, podem ter suas casas invadidas a qualquer momento e sem aviso prévio. Surpreende-me uma sociedade inteira se confortar com as “desculpas pelos possíveis danos causados” e ver indivíduos perderem suas liberdades individuais pela “nossa segurança”. Afinal, o que essa “nossa segurança” assegura? Qual o propósito da “nossa segurança” se não a garantia de liberdade?

O exército é fundamental, assim como as diversas instituições de segurança que atuam em Israel. Mas com quem reclamaremos quando, em nome da “nossa segurança”, nossas irmãs, filhas, pais ou avós tiverem suas liberdades violadas? “Eles agem pela sua segurança”, dirão os críticos. Pela minha segurança? A minha segurança é a liberdade de ir e vir. A minha segurança está na certeza de que serei compensado moral e financeiramente pelos danos causados. A minha segurança termina quando, sem explicação prévia, sou obrigado a me despir e quando perco meu vôo acreditando que tudo isso é feito em prol da “minha segurança”.

A questão de segurança nacional é, sem dúvida, paradoxal: somente com segurança podemos usufruir de liberdade, mas, para que haja segurança, certas liberdades devem ser infringidas. O absurdo lógico  chega a tal ponto que a segurança que nos concede liberdade é a mesma que nos tira ela.  E o problema  é que quanto menor a liberdade, menor será a segurança. De fato, a liberdade é um pilar básico da nossa segurança. Ela preserva nossa privacidade e nos concede o direito a autonomia individual. Ela impede que governantes tornem-se ditadores em nome da “nossa segurança”. Reconheço a necessidade dos procedimentos de segurança pelos quais temos que passar diariamente em Israel. Reconheço também que o preço desta segurança está se tornando alto demais e que, em breve, não conseguiremos mais arcar com os custos. Eu não tenho uma solução para o paradoxo da segurança. Ainda assim, testemunhos como o exposto acima me fazem chegar a algumas conclusões: se a mentalidade de segurança não está associada ao propósito da liberdade, essa segurança é fictícia. Se não temos a quem recorrer quando a nossa liberdade é infringida, a “nossa segurança” se perde. Se não somos praticamente compensados pelos danos causados, a “nossa segurança” não tem razão de ser. Em linhas gerais, penso que se essa não é a “nossa segurança”, eu prefiro assumir os riscos de viver em liberdade.

Comentários    ( 54 )

54 Responses to “O preço da segurança”

  • Mario S Nusbaum

    31/01/2014 at 12:44

    Pogroms, claro. E faltou fechar aspas.

  • João K. Miragaya

    31/01/2014 at 16:31

    Quando eu questiono os valores de determinada ação, costumo me perguntar se defendo alguma ideia a partir da qual “os fins justificam os meios”. Quando me faço esta pergunta, raramente sigo em dúvida sobre os valores de determinado “fim”.

    Neste caso eu estou convicto de que os fins adotados por Israel possuem valores com os quais eu não concordo. Aceitar estes fins é admitir a mediocridade. Os grandes líderes sionistas sempre buscaram formas de minimizar os danos de seus atos, e neste caso parece que aceitamos que somos medíocres no quesito “forma” e paramos de nos questionar sobre o certo e o errado.

    É evidente que a comparação com outras realidades muitas vezes coloca Israel em uma posição positiva. Mas eu não sou do tipo que admite a condição de “menos pior”. Eu quero o certo. E enquanto ele não vier, vou seguir criticando.

    • Mario S Nusbaum

      31/01/2014 at 20:39

      ” eu estou convicto de que os fins adotados por Israel possuem valores com os quais eu não concordo.”
      Você poderia dar exemplos João?

  • Raul Gottlieb

    31/01/2014 at 18:00

    Bruno, não te obriguei a me responder e assim que respeito que você se retire da conversa. Não há nenhum problema nisso e eu acho que é uma boa saída. Espero que um dia você igualmente encontre a saída do labirinto da história e também que você jamais seja contratado para fazer segurança de alguma coisa.

    João, quais são os valores com os quais você não concorda?

    Marcelo, sou da opinião que a pergunta “Ou vocês acham que em nome de nossa segurança podemos infernizar a vida de seres humanos sem uma justificativa razoável?” está respondida em si mesma. A tua vida é uma justificativa para lá de razoável, não te parece?

    Shabat Shalom,
    Raul

    • Mario S Nusbaum

      31/01/2014 at 20:37

      ” Creio ser mais conveniente analisar a realidade atual, os interesses das partes e as possíveis soluções.”
      Bruno, com isso eu estou 100% de acordo, e, coerentemente, sempre disse que o maior obstáculo para a paz é a exigência do surreal “direito de retorno”.
      Se partirmos deste princípio, com o qual nós dois concordamos, não dá para negar que são os palestinos que impedem um acordo, e nisso não há nada de subjetivo.

    • João K. Miragaya

      31/01/2014 at 20:40

      Os valores com os quais eu não concordo são simples: não acho que a vida de um cidadão israelense valha mais do que a de outro qualquer humano. Partindo deste princípio, sou contra violações aos direitos humanos em nome de qualquer coisa que seja. Inclusive para defender os direitos humanos.

    • Mario S Nusbaum

      31/01/2014 at 21:02

      Obrigado por responder João. Discordo e explico do que e porque.

      ” não acho que a vida de um cidadão israelense valha mais do que a de outro qualquer humano. ”
      Sim e não. No plano teórico e filosófico não, mas exércitos existem e sempre existiram para proteger o SEU povo contra os outros.
      E outra coisa, essa muito mais pertinente ao caso em questão: a defesa da vida de qualquer cidadão “normal”, seja israelense, brasileiro, chines ou paquistanês deve ser defendida mesmo que isso implique na perda da de quem tenta mata-lo.
      É muito, muito simples: um policial deve ou não atirar em um franco atirador para salvar seus alvos? Eu não tenho dúvida nenhuma de que sim.

      ” Partindo deste princípio, sou contra violações aos direitos humanos em nome de qualquer coisa que seja. Inclusive para defender os direitos humanos.”
      Para mim é mais do que óbvio de que depende fundamentalmente dos direitos. Você é contra violar, até certo ponto, o direito de ir e vir livremente (um direito humano) através de check-points e revistas para defender a vida?
      Sou 100% a favor independentemente da nacionalidade, religião ou etnia dos dois.

      Quer um exemplo disto sendo usado CONTRA os judeus em Israel? Liberdade religioso é um dos direitos humanos, mas, mesmo assim, eu não posso rezar em Temple Mount, certo?

    • Marcelo Treistman

      01/02/2014 at 08:56

      Raul, respondo a sua pergunta:

      A tua vida é uma justificativa para lá de razoável para que soldados israelenses possam infernizar a vida de milhares de seres humanos sem uma justificativa razoável, não te parece?

      Não, não me parece. Não em meu nome. Não admito que isso seja uma prática em meu país. Não em nome da minha segurança, do meu filho e da minha esposa.

      Não acredito que estejamos construindo uma sociedade saudável, quando pertmitimos ou condecendemos com praticas como essas: infernizar a vida de seres humanos sem uma justificativa razoável? Ou então, que em nome da nossa segurança, amedrontar e aterrorizar crianças? Em nome da defesa de Israel, que um comandante ordene que se atire em menores que jogam pedras em tanques?

      São comportamentos reais. São exemplos de dolo, de abuso, de crimes que ocorrem todos os dias. E que nem sempre são punidos. E onde quase sempre existe um ambiente permissivo e instigador na instituição que deveria garantir que isto não ocorra nunca.

      O limite da minha segurança não passa perto da linha onde os testemunhos acima residem.

      Você, o Mário, o Marcelo, defendem com propriedade os nossos acertos. Explicam detalhadamente a justificativa em prol de uma segurança eficaz. Mas, fica parecendo, que vocês conseguem justificar casos como os exemplos acima, colocando-os sob a agradável caracterização de “efeitos colaterais”

      Casos acima são inadimissíveis. Devem cessar imediatamente. Devem ser punidos com toda a força de nossa lei democrática.

      Porque do contrário Raul, não existirão mais valores do lado israelense que mereçam ser defendidos.

    • Mario S Nusbaum

      01/02/2014 at 13:18

      Marcelo, nada a contestar no plano TEÓRICO. Mas vamos voltar ao mundo real. Todos nós já fomos mal atendido no comércio ou por um prestador de serviços, certo?
      Pois bem, alguém tem dúvida de que se fosse necessário ter graduação em administração e psicologia para ser balconista, o nível de atendimento melhoraria? Já chego lá.
      Alguns aqui devem se lembrar do Erasmo Dias, o Erasmão.
      Certa vez em uma entrevista, quando era secretário de segurança pública em SP cobraram dele um abuso de um policial. A resposta foi: eu adoraria ter só sociólogos na minha polícia, mas eles não toparam.
      Vou apurar e se for o caso punir, mas essas coisas são INEVITÁVEIS. O que ele não disse mas é óbvio é que mesmo as punições tem que ser dosadas, se não corremos o risco dos policiais e/ou soldados não cumprirem sua função por medo das consequências.

  • Mario S Nusbaum

    31/01/2014 at 20:42

    ” eu assumo o risco (prático e teórico) de questionar o sistema de segurança que me protege. Tenho autoridade para questioná-lo porque pago por ele, usufruo dele, sofro com ele e estudo ele.”
    Verdade Bruno, mas acho que a grande questão é o que colocar no lugar dele. Você tem alguma sugestão?
    Não sei se você tem acompanhado, mas a situação da segurança pública no Brasil está muito próxima do caos total, e, mesmo assim, existem muitos grupos influentes que SÓ se manifestam quando alguma medida é tomada contra esse estado de coisas.

  • Raul Gottlieb

    31/01/2014 at 21:16

    Concordo contigo, João. A vida de um israelense não vale mais que a vida de um não israelense. Mas também não vale menos, não é mesmo?

    Assim que eu penso que para defender vidas é legítimo causar desconforto e às vezes até mesmo provocar mortes, quando isto não for doloso ou inevitável.

    Se não for o mundo não se sustenta. Para lutar contra o abismo é preciso olhar para ele. A tua formulação é meramente retórica. Na prática ela é um naufrágio seguro.

    E você sabe disso!

    • João K. Miragaya

      01/02/2014 at 19:35

      Pois é, Raul. Aí está o nosso ponto de discórdia. Para mim é um dilema ético muito grande, que custe a vida de pessoas a defesa de outras. A partir daí posso exemplificar diversos ditadores, revolucionários e terroristas que afirmam que mataram para salvar vidas de outros. Os meios são os mesmos, o que é diferente são os fins.

      Não há o que saber ou não saber, há a minha opinião e a sua. Talvez a minha opinião você não respeite, mas certamente te será um pouco mais complicado discordar de dois ex-chefes do serviço secreto israelense, que questionam o mesmo que eu no filme Gatekeepers (que provavelmente você já assistiu). Acredito que eles entendam muito mais que nós dois sobre segurança pública, e não meteram nem querem meter o país num naufrágio seguro.

      Eu prefiro estar do lado deles, buscando uma solução que não legitimize o “desconforto” nem “o ato de provocar mortes”. Ainda não me acostumei com soluções do tipo.

    • Mario S Nusbaum

      01/02/2014 at 21:00

      “que custe a vida de pessoas a defesa de outras”
      Desculpe dizer João, mas este NÃO é o assunto em questão.
      Ninguém matou a amiga do Bruno.
      E por isso pergunto: para você é um dilema ético que custe o DESCONFORTO de pessoas a defesa da VIDA de outras? Para mim não.
      Tenho idade para lembrar muito bem quando embarcar em um avião era muito mais fácil e cômodo do que hoje. Quem é o culpado por não ser mais? Na minha opinião os terroristas islâmico, e na sua?

    • João K. Miragaya

      02/02/2014 at 00:19

      Perdão, Mário, mas a discussão também não é essa. O Bruno abriu um debate muito mais amplo, sobre os limites dos procedimentos de segurança. Se você quer saber a minha opinião sobre de quem é a culpa, não tenho problema em dizer: a culpa é dos criminosos, terroristas, assassinos, como quer que você queira chamá-los, sem dúvidas. A discussão, no entanto, é ética: quais são os meios corretos de evitar estes ataques. Em nenhum momento o Bruno tocou em culpa, pois me parece evidente quem são os culpados. Voltemos, então, à discussão proposta pelo autor.

      PS. O aeroporto Ben-Gurion recebeu um ataque terrorista em 1972, causando a morte de 26 pessoas. O autor? Um grupo japonês, não religioso. Desde então o aeroporto recebe segurança especial. Não acho correto o uso do adjetivo “islâmico”, como se tal cultura seja diretamente responsável por terrorismo. Há terrorismo por todos os lados, como você deve saber. Acho bastante problemático a compreensão que parte do mundo ocidental tem da cultura islâmica, centralizando nela tudo o que há de ruim.

    • Mario S Nusbaum

      02/02/2014 at 13:58

      “Não acho correto o uso do adjetivo “islâmico”, como se tal cultura seja diretamente responsável por terrorismo. Há terrorismo por todos os lados, como você deve saber. Acho bastante problemático a compreensão que parte do mundo ocidental tem da cultura islâmica, centralizando nela tudo o que há de ruim.”

      Essa é um assunto que eu venho discutindo há muito tempo e sobre o qual tenho opiniões firmes.
      Em 99% das vezes alguém aparece (não é o caso aqui) dizendo que o islamismo prega a paz. Não duvido, mas e daí?
      Se estivéssemos na época da Inquisição, seria um consolo saber que Jesus disse amai-vos uns aos outros?

      “. Há terrorismo por todos os lados, como você deve saber. ”
      Com toda franqueza, não sei não. Se você escrevesse HOUVE terrorismo por todos os lados, eu concordaria, mas hoje em dia?
      Na América Latina é zero, TODOS os dos últimos anos na Europa foram de autoria muçulmana, assim como na Rússia, India, Nigéria, etc

      ATENÇÃO! Claro que nem todos os muçulmanos são terroristas, nem 1% deles é, mas 99% dos EM ATIVIDADE são.

      Finalizo dizendo uma obviedade que tem tudo a ver com a questão: são ELES que dizem agir em nome da religião.

      Deixo para outra hora o FATO de que existem muito mais protestos em Israel contra a ocupação dos territórios do que no mundo muçulmano inteiro contra o terror.

    • Mario S Nusbaum

      02/02/2014 at 14:03

      Puxa João, eu já ia esquecendo. Você tem razão, a discussão não é exatamente a que eu disse, mas o exemplo dado é o de alguém que foi interrogado e revistado, não torturado ou preso.

      “O Bruno abriu um debate muito mais amplo, sobre os limites dos procedimentos de segurança…..Voltemos, então, à discussão proposta pelo autor.”
      Verdade, e voltemos sim.

      ” A discussão, no entanto, é ética: quais são os meios corretos de evitar estes ataques. ”
      Sem dúvida, mas TAMBÉM é técnica, a quase totalidade dos que questionam esses meios, no mundo inteiro, não só em Israel, passa por cima.

  • Marcelo Starec

    31/01/2014 at 22:29

    Caro Mario,

    Voltando ao Oriente Médio, gostaria de acrescentar alguns fatos: 1) Sem sequer precisar ir até a Síria, eu indago sobre o Iraque – um País onde grupos radicais islâmicos estão diariamente explodindo homens bomba, e contra muçulmanos mesmo! Alguém duvida que se Israel relaxar hoje na segurança, não se tornaria rapidamente um País com índices de atentados parecido ou, provavelmente, até muito pior do que o Iraque?…2) Houve vários casos, em Israel, onde a segurança salvou o homem bomba, evitando a explosão do mesmo, e este ser humano, após ter sido salvo, se arrependeu da atitude insana que iria perpetrar. Isso não é uma atitude em prol dos direitos humanos?…Nesse cenário, de grupos radicais atuando com vigor, tenho convicção de que uma segurança dura não só é necessária como também salva vidas, inclusive de muçulmanos!…Espero que um dia todo esse aparato de segurança venha a ser desnecessário, mas é óbvio que isso está muito longe de ocorrer e, enquanto não for o caso, que outra saída há?…Infelizmente nenhuma, a meu ver!…Assim, o máximo que faz sentido discutir aqui é algo que o próprio Bruno escreveu acima: “O texto trata desses pequenos efeitos colaterais que o NECESSÁRIO sistema de segurança em Israel produz.”

    Abraço e shabbat shalom,
    Marcelo.