O que está por trás do terrorismo palestino?

16/11/2015 | Conflito

(Tradução livre do artigo de Guily Cohen no diário Haaretz, em 11 de novembro de 2015)

http://www.haaretz.co.il/news/politics/.premium-1.2773988

Shin Bet: A motivação dos jovens terroristas está fundada em sensação de opressão nacional, econômica e pessoal

A motivação dos executores dos atentados advém de “sensação de opressão nacional, econômica e pessoal – e até mesmo de gênero e também por problemas pessoais e psicológicos”, assim diz um relatório divulgado ontem (10 de novembro) pelo Shin Bet sobre a última onda de terror. Além disso, o relatório salientou que “para parte destes terroristas os atentados representam uma fuga de uma realidade sem perspectiva de mudança.”

Neste balanço, o Shin Bet tenta caracterizar os jovens autores dos atentados, destacando que estes terroristas não atuam influenciados por uma ideia específica nem como parte de nenhuma organização e enfatiza que a maioria dos terroristas são homens (mais de 90%), mas sete mulheres também executaram atentados. O relatório também mostra que os autores destes atentados são inspirados por incitações em redes sociais, “incluindo a incitação feita por altos membros da Autoridade Palestina”.

De acordo com dados do Shin Bet, 82% destes jovens estão na faixa etárea de 16 a 25 anos. Eles são em sua maioria (72%) palestinos da Cisjordânia, principalmente provenientes das regiões metropolitanas de Hebron e Ramallah, enquanto 23% são habitantes de Jerusalém Oriental que possuem cidadania israelense. 5% dos terroristas são árabes israelenses. Por fim, a maioria dos atentados foram feitos nos territórios da Cisjordânia (62%), enquanto o resto foi realizado em Jerusalém e em outras áreas do lado de dentro da linha verde (ou seja, dentro de Israel).

“As atividades destes jovens palestinos, que geraram a atual onda de terror, não estão nem organizadas nem institucionalizadas, mas têm um caráter espontâneo e popular. Sua origem está na incitação e na propagação de boatos sobre a tentativa de Israel de danificar a Mesquita de Al-Aqsa, provém também de uma motivação imediata, de caráter simbólico-religioso, e potencializam a manifestação violenta e o terror contra o  Estado de Israel”, segundo o relatório do Shin Bet. “Os jovens ‘vivem online’, e se alimentam de informação na internet, que exalta os argumentos pró-palestinos, segundo os quais os terroristas são vítimas de ‘ataques israelenses’ e teriam sido na verdade ‘executados sumariamente’. Ademais, existe uma dinâmica interna que se auto-alimenta, segundo o ciclo: atentado, seguido de morte do terrorista, seguido de vingança por sua morte.”

As fontes citadas pelo Shin Bet fazem coro com as palavras do Diretor de Inteligência das Forças de Defesa de Israel (FDI), general Herzi HaLevi, em uma reunião do governo na semana passada. HaLevi disse que uma das razões da onda de terror recente em Jerusalém e nos territórios é a sensação de fúria e de frustração entre os palestinos, especialmente entre os jovens. Três fontes presentes na reunião disseram que HaLevi afirmou que muitos dos jovens palestinos realizaram atentados por estarem desesperados com a situação e que “sentem que não têm mais nada a perder”.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu repeliu durante as últimas semanas a tese de que o terror emana da frustração. “O terror não resulta da frustração pela ausência de progresso nas negociações – o terror resulta do desejo de nos destruir”, disse Netanyahu no mês passado.

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Há poucas semanas, meu amigo Marcelo Treistman publicou uma tradução de um artigo assinado por um cidadão palestino, Bassan Tawil (leia aqui), explicando a motivação dos terroristas por trás dos ataques realizados na última onda de terror. O Serviço Secreto Israelense (Shin Bet) publicou na semana passada um relatório sobre a motivação dos atentados nesta última onda de terror. Parte desta opinião bate de frente com o que Tawil e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu alegam. E você? Tem “colhões” para discordar do Shin Bet?

Comentários    ( 27 )

27 comentários para “O que está por trás do terrorismo palestino?”

  • Raul Gottlieb

    16/11/2015 at 09:58

    Primeiramente (apesar de ser secundário ao teu questionamento), queria dizer que “culhões” me parece ser uma expressão machista, deselegante e desnecessária. Você, com certeza, poderia ter usado algo mais apropriado. “Ousadia”, ou algo assim.

    Em segundo lugar é importante entender que o desespero pode ser provocado de fora. Incutido numa pessoa ou num grupo de pessoas através de doutrinação maciça. Ele não precisa ser fruto de uma situação objetiva (pobreza extrema, solidão, por exemplo). Pode ser meramente percebido (o que não o torna menos dramático).

    Se você educar um grupo de pessoas afirmando ser direito inalienável delas, outorgado nada mais nada menos do que Deus (ou por qualquer outra figura construída de forma a ser a fonte incontestável de autoridade universal), comer dois copos de requeijão por dia (ou qualquer outra coisa, tais como ser o melhor cantor de yodl do mundo, ou conquistar a Champions League três vezes seguidas, ou destruir Israel), estas pessoas se desesperarão se comerem apenas 1,95 copos de requeijão por dia.

    Ou seja, o texto publicado pelo Treistman não destoa das descobertas (que me parecem óbvias) do Shin Bet.

    Há uma enorme pressão em cima dos Palestinos que foram e são educados dentro do contexto que eles precisam destruir o Estado de Israel. Como a véspera deste dia não parece ser amanhã (com a licença de Hergé), eles se desesperam e escapam para a morte gloriosa e heróica.

    E é aí que o Shin Beit (desespero) e o autor palestino (doutrinação) se dão as mãos e dispensam a polêmica que você propôs.

    Os Palestinos não odeiam os judeus por causa de Israel. Eles odeiam Israel por causa dos judeus.

    E não há nada mais despertador para um antissemita do que o sucesso dos judeus.

    Lembrando, para fechar, que o antissemitismo (e o racismo de qualquer espécie) é uma doença socialmente construída.

    • Mario S Nusbaum

      16/11/2015 at 21:46

      Sensacional Raul, meus parabéns! Fiz questão de escrever post antes de ler a resposta do João (espero que haja uma).
      Antes de comentar, por que ousadia e não chutzpa? Cairia como uma luva aqui! Adorei o seu post e só vou acrescentar algo:

      ” 23% são habitantes de Jerusalém Oriental que possuem cidadania israelense. 5% dos terroristas são árabes israelenses.”
      Não entendi a diferença, mas tudo bem. Até onde sei faz parte da realidade desses 23% frequentar excelentes Universidades, trabalhar em empresas high-tec, votar e ser votado, ser diplomata e até mesmo juiz. Eles disseram o que mais querem?

    • João K. Miragaya

      16/11/2015 at 23:31

      Raul, tudo bem?

      Você tratou de mostrar as semelhanças entre as duas visões. Eu, em um pequeno parágrafo (esmiuçado abaixo depois do pedido dos Marcelos) tratei de demonstrar as diferenças que se contradizem.

      Eu não sou especialista em doutrinação palestina, por isso me abstenho de comentar esta parte. Só mais uma vez digo que não estou de acordo com sua análise sobre o antissemitismo palestino (mas, claro, concordo 100% que o antissemitismo é uma patologia social, como constataram antes Pinsker e Borochov).

      Sobre o termo “colhões” (já corrigido), certamente é uma opção minha, que pode parecer deselegante para alguns. Se te ofendeu, peço desculpas. Em relação ao machismo, refleti e não me convenci. Não o acho machista.

      Um abraço

    • Mario S Nusbaum

      16/11/2015 at 23:54

      Também não acho machista, mas continuo votando em chutzpa.

    • Raul Gottlieb

      17/11/2015 at 10:45

      João, apenas sobre os “colhões” serem ou não machistas:

      a) Apenas homens os tem.

      b) A imagem machista é que homens são ousados e mulheres submissas. A imagem machista (e também a feminista) atribui características específicas a pessoas por conta de seu género.

      c) Então colhões são sinônimo de ousadia (ou chutspá) por causa da imagem machista que alguns homens construíram de si mesmos.

      Se você não está convencido, deveria estar 🙂

      Abraço forte, Raul

  • Marcelo Treistman

    16/11/2015 at 10:53

    Querido João,

    Belo texto. Eu acabei de reler o artigo de Bassam Tawil que eu traduzi em nosso site e não pude identificar qual é a parte que “vai de encontro” ao relatório do serviço de inteligência de Israel exposto neste artigo do Haaretz.

    Você poderia indicar – de forma precisa – qual parte do artigo de Bassam Tawil está em desacordo com o relatório apresentado?

    Um grande abraço!

  • Marcelo Starec

    16/11/2015 at 17:05

    Oi João,

    Muito importante você trazer a nós leitores essa informação…Eu li o texto três vezes antes de opinar aqui e me atentei a cada detalhe…De fato, tendo a concordar com o Marcelão…Não vi nenhuma grande divergência entre o texto e o que disse Bassan Tawil e mesmo o Primeiro Ministro….Antes de mais nada, é muito importante atentar para a diferença entre um “sentimento” e uma situação real, provada, constatada por fatos. O Bin Laden e seus amigos, na adolescência, brincavam de pegar um Mercedez Benz na concessionária e destruir para no dia seguinte pegar outro…Nada lhes faltava – mas apesar disso, de acordo com as suas convicções morais, religiosas, etc. etc. etc. Eles se sentiam humilhados, ocupados, colonizados, enfim sentiam que “não tinham nada a perder” e achavam justo dedicar a sua vida à causa de “defender o islâ” (ou a interpretação do islã que acreditam…), serem bons muçulmanos etc. etc. etc…Então um relatório sobre o Bin Laden e seu grupo indicariam pessoas que “sentem” que nada mais tem a perder, ao mesmo tempo que também são pessoas que tem direitos e privilégios que muito poucos no mundo tem….Há alguma contradição aqui…Não há!…Só há quando não se enxerga o “sentimento” por trás de uma cultura milenar e se interpreta tudo isso segundo os valores ocidentais…Esse é o grande erro!!!…Os muçulmanos lutaram por duzentos anos ou mais contra o Estado Cristão na idade média,…Fizeram vários “acordos de paz” mas sempre se sentiam “ocupados e humilhados” até recuperar o último milimetro de “terra ocupada” – e que ninguém se iluda – o sentimento por trás da fúria contra o judeu sionista é em regra exatamente o mesmo!…É um sentimento de “órgão transplantado”…e achar que nada tem a perder é achar que não conseguirão destruir Israel…O ocidente e parte dos israelenses comete um erro de tentar “encaixar” esse sentimento em termos de movimento nacional, ocupação da Judeia e Samaria e por aí vai…Uma conclusão equivocada e não foi essa a conclusão do Shin Bet…mas uma interpretação da mesma, com base nesse pensamento…Assim, concluo aqui que na realidade o que precisamos é tentar entender de fato o sentimento palestino em relação à questão…e “libertar Al-Aqsa” é algo muito representativo nesse sentimento…Mas, enquanto houver uma recusa em entender e tentar simplificar o palestino como alguém que simplesmente quer ter o seu Estado Nacional na Judeia, Samaria e Gaza e se tiver isso viverá para sempre, feliz da vida, em paz, lado a lado com o Estado Judeu não conseguiremos sequer entender o que se passa do “outro lado” e estaremos sempre propondo soluções equivocadas…Eu adoraria acreditar nessa simplificação, embora tenho plena convicção de que não é verdadeira…Se fosse, seria realmente fácil solucionar os 100 anos de revolta contra os judeus….

    Abraço,

    Marcelo.

  • João K. Miragaya

    16/11/2015 at 18:00

    Caros, serei didático e mostrarei as diferenças entre as duas visões:

    O relatório do Shin Bet fala em “sensação de opressão nacional, econômica e pessoal – e até mesmo de gênero e também por problemas pessoais e psicológicos””. Vejamos a comparação:

    1) Opressão nacional. Vejam o que disse Tawil: “Assassinar dois judeus dentro da Cidade Velha de Jerusalém, ou um casal de judeus na frente de seus quatro filhos nada tem a ver com a Mesquita Aqsa ou ‘ocupação’.” (Reparem que ele pôs ocupação entre aspas, como se fosse uma condição falsa, inventada, inexistente). Abaixo ele reitera: “Nosso conflito com Israel não é sobre a “ocupação” ou Jerusalém ou locais sagrados ou fronteiras.”

    2) Opressão econômica. Vejma o que disse Tawil: “os terroristas palestinos não são movidos pela pobreza e privação, como muitos tem afirmado.” Abaixo ele reitera: “Também não se trata de pobreza e más condições de vida ou muros e cercas e postos de controle.” O general Herzi HaLevi também discorda de Tawil, quando diz que ““sentem que não têm mais nada a perder”.

    3) Opressão pessoal. Vejam o que disse Tawil: “nenhum desses palestinos enfrentaram uma vida sofrida. Suas condições podiam ser qualquer coisa, exceto miserável”. Mais abaixo ele diz: “Os terroristas e os que os apoiam não estão lutando contra um posto de controle ou um muro. Eles querem ver Israel destruída, judeus massacrados e sangue judaico escorrendo pelas ruas.” (Ou seja, não há razões pessoais, há uma identidade coletiva em prol de um mesmo objetivo).

    Além disso, o texto pega três exemplos de palestinos bem de vida (curiosamente, por que nãpo falou de todos os terroristas?) para justificar um argumento que parece ser falso.

    O relatório também diz:

    1) “estes terroristas não atuam influenciados por uma ideia específica nem como parte de nenhuma organização” – Isso bate de frente com o que disse Tawil. Um movimento que não é influenciado por nenhuma ideia específica não pode ter um objetivo tão homogêneo como ele descreve.}

    2) “Sua origem (dos ataques) está na incitação e na propagação de boatos sobre a tentativa de Israel de danificar a Mesquita de Al-Aqsa”. Já Tawil, afirma (perdão pela repetição): “Assassinar dois judeus dentro da Cidade Velha de Jerusalém, ou um casal de judeus na frente de seus quatro filhos nada tem a ver com a Mesquita Aqsa ou “ocupação”. É simplesmente sobre o desejo de matar tantos judeus quanto for possível.”

    O único ponto que parece ser de convergência é o de que ambos concordam que há incitação por parte de membros da Autoridade Palestina (o que já sabíamos). A diferença clara é que Tawil fala em “lavagem cerebral”, enquanto o Shin Bet fala em incitação. Os termos são distintos, principalmente no que toca a profundiade das ações.

    Enfim, espero ter sido claro agora que mostrei as diferenças.

    Saudações a todos.

    • Marcelo Treistman

      16/11/2015 at 19:22

      João, acho que você não compreendeu o texto do Bassam para colocá-lo com uma contraposição do relatório do Shin Bet.

      Tawil tenta identificar qual é característica que existe no terror que assassina judeus inocentes de Raanana e Rishon leTzion- e conclui que o fundamentalismo religioso islãmico é a ferramenta e condição sine qua non para a perpetração de tais atentados suicidas. Este fundamentalismo que tem a característica única de perpassar diversas camadas sociais – ricos e pobres, arábes sem direitos civis e aqueles que possuem garantidos todas as suas liberdades individuais.

      O terrorismo que esfaqueia pelas costas não possui em si o gérmen da luta pela liberdade. Não é um grito contra muros ou postos de controle. O que vai na cabeça dos terroristas é a aniquilação do judeu pelo simples fato de ser judeu. Essa é o objtivo, esse é o alvo.

      Você afirma que Bassam escreveu um artigo ” explicando a motivação dos terroristas por trás dos ataques realizados na última onda de terror”. Ele não tenta em nenhum momento explicar a “motivação” dos terroristas. Ele não nega em nenhum momento que inexista opressão (nós não sabemos a opinião de Bassam Tawil sobre o assunto). Ele explica qual é a ideologia que está inserida em suas cabeças – e concluiu que é incitação com pano de fundo religiosa. E isso, definitivamente: o relatório não nega.

      Abraços

    • João K. Miragaya

      16/11/2015 at 21:38

      Acho que temos ideias distintas do termo “motivação”, Marcelão. Mas o artigo do Haaretz é claro, quando contrapõe a menção de Netanyahu ao relatório, compreendendo o sigificado de “motivação” tal qual eu o entendo. Sendo assim, quem parece estar fazendo o uso equivocado do termo não sou eu, é você.

      Abraço

  • Marcelo Starec

    16/11/2015 at 18:39

    Caro João,

    Com todo respeito pelos seus conhecimentos, gostaria de discordar de parte dos seus argumentos…Entendo que são duas visões complementares da mesmíssima questão…Veja, uma “sensação de nada mais ter a perder” é algo de acordo com uma determinada visão de mundo – a cultura islâmica entende infiéis querendo ser “livres e soberanos” (am rofshi…) na cara deles como uma ofensa a eles, uma tremenda humilhação para eles ter de encarar isso e não estar em condição de sequer enxergar uma perspectiva de vencer “este mal sionista” (e infiel, de valores liberais, ocidental, inimigo da sharia etc. etc. etc…)…A simbologia de Al-Aqsa nada tem que ver com a Mesquita apenas (é isso que quer dizer o Bassam Tawil) mas como um símbolo…É como se Israel levantasse as armas para dizer – Vamos para o Iraque libertar a cidade do nosso patriarca!…Al-Aqsa marca um ponto – a mesquita foi construída em cima do nosso Templo para dizer claramente – daqui para frente Dar-el-Islam (essa Terra nunca mais deixará de ser islâmica!!!)…Infiéis (cristãos e judeus) por aqui só como “Dhimys”…e assim essa incitação é meramente um chamamento aos valores em que essas pessoas foram educadas…Toda a teoria, João, é uma simplificação da realidade…O mundo sempre será mais complexo!…Mas faz sentido crer que esse chamamento funciona por ofender algo que eles acreditam – judeus não podem mandar, ser soberanos, naquela terra – cristãos também não – como “Dhimys” podemos pensar…O conceito de Nakhba, de ocupação e humilhação, de falta de perspectivas para eles é nesse sentido…E é isso que o Bassam coloca muito bem e esse relatório também…O foco é distinto, mas chegam ao mesmo ponto!…E é esse ponto que insisto aqui – pois em meu entender precisa ser, e não é, devidamente compreendido pelas pessoas para se poder chegar a algum tipo de solução….

    Abraço,

    Marcelo.

    • João K. Miragaya

      16/11/2015 at 18:45

      Prezado Marcelo, você não discordou de mim. Discordou do relatório do Shin Bet. Eu não escrevi absolutamente nada do que está acima.

      Um abraço.

  • Marcelo Starec

    16/11/2015 at 19:02

    Caro João,

    Eu creio que não…Estou me baseando também no mesmo relatório…
    Veja um trecho a meu ver relevante:
    “As atividades destes jovens palestinos, que geraram a atual onda de terror, não estão nem organizadas nem institucionalizadas, mas têm um caráter espontâneo e popular. Sua origem está na incitação e na propagação de boatos sobre a tentativa de Israel de danificar a Mesquita de Al-Aqsa, provém também de uma motivação imediata, de caráter simbólico-religioso, e potencializam a manifestação violenta e o terror contra o Estado de Israel” – Resta aqui entendermos o que significa para um muçulmano “mexer com Al-Aqsa”…Para eles, Al-Aqsa simboliza o domínio islâmico sobre esta terra – toda a terra e não simplesmente a mesquita…Entenda que na idade média todos os líderes que combatiam os cristãos bradavam – “Ninguém pode mexer com Al-Aqsa”…É um símbolo…”Todo bom muçulmano tem de lutar por Al-Aqsa”…Exato!…Assim o nada novo discurso de que “querem danificar Al-Aqsa” é o motivo justo para a revolta…A tradução é – querem nos impor a ocupação da nossa terra com valores que não aceitamos e nunca aceitaremos!!!….Essa Terra é islâmica e sempre será!…Se existe um chamamento e se esse se reflete no povo palestino, isso tem uma razão de ser!…O relatório não diz que tem uma razão para isso (deve considerar isso óbvio!)…mas eu como leitor do relatório do Shin Beit entendi…Não discordo do relatório, apenas interpreto o que está lá dentro de um contexto – inclusive para entender por qual motivo alguém insinuar que Al-Aqsa será danificada é algo tão importante assim…Se não fosse, os palestinos diriam…e daí?….Não sei se consegui ser claro João, esse assunto é muito complexo….

    Um abraço,

    Marcelo.

  • Mario S Nusbaum

    16/11/2015 at 22:14

    João, antes de ter chutzpa para discordar do Shin Bet preciso entender o que ele disse. Depois posso até concordar com ele. .

    “uma das razões da onda de terror recente em Jerusalém e nos territórios é a sensação de fúria e de frustração entre os palestinos, especialmente entre os jovens”
    Desculpe, mas isso não quer dizer nada. UMA das “razões” só faz sentido se soubermos quantos palestinos a levam em consideração. Pode ser que meia-dúzia deles resolveu assassinar judeus porque o time dele perdeu um jogo e essa seria a “razão” deles.
    Fora isso o que significa, nesse contexto, “razões”? Veja como é diferente:
    uma das “razões” de eu ter dito PQP em voz alta foi porque acordei tarde para um compromisso.
    uma das “razões” de eu ter dito posto fogo no apartamento do vizinho foi porque acordei tarde para um compromisso.
    Usei aspas porque a palavra razão é muitas vezes usada erroneamente.
    razão
    substantivo feminino
    1.faculdade de raciocinar, apreender, compreender, ponderar, julgar; a inteligência.
    2.raciocínio que conduz à indução ou dedução de algo.

    Não gosto de roupas verdes, mas se eu matar alguém só porque está vestindo uma, isso será tudo, menos razão (algo racional), apesar de que alguns poderão usar a palavra nesse sentido.

    “sentem que não têm mais nada a perder”.
    Acredito, mas e daí? Esse é o sentimento deles, o que pode/deve ser feito?

    “O terror não resulta da frustração pela ausência de progresso nas negociações – o terror resulta do desejo de nos destruir”
    Aqui concordo com o Marcelo, para eles “progresso” nas negociações seriam passos na direção da aniquilação de Israel, o que já foi provado muitas vezes.

  • Mario S Nusbaum

    16/11/2015 at 22:28

    Pois é João, você falar na bandeira da Fatah me fez fazer uma pequena pesquisa. Ela não foi exaustiva, mas só encontrei duas outras contendo armas, Angola e Arábia Saudita, mesmo sim simples espadas, não fuzis e granadas. O pacifismo das organizações palestinas sempre me emocionou.

  • Raul Gottlieb

    17/11/2015 at 11:02

    No massacre dos judeus em 1929 (ou será em 1920? Agora não me lembro, mas foi de um dos dois) o grito de guerra dos árabes foi “Os judeus são nossos cães!”.

    Os árabes (não todos, é certo, mas muitos) acreditavam que os judeus eram seus inferiores, a ponto de qualifica-los como cães.

    Esta qualificação inferior do não muçulmano não começou em 1929 (ou 1920) e não terminou até hoje. A TV e de parte da imprensa islâmica faz estas alegações todos os dias – de forma aberta ou velada.

    Então, é claro que ao perceber que seus supostos inferiores avançaram na civilização muitíssimo além do que eles, traz uma profunda baixo estima, que produz o sentimento de humilhação descrito no texto do SB.

    Sobre a ocupação entre aspas de Tawil: suponho que ele a coloque assim para identificar que a referida (e muito real) ocupação é fruto das opções dos Palestinos e não dos Israelenses. As guerras de 48 e de 67 foram fruto do rejeicionismo árabe (além da existência dos judeus – do seu direito de respirar).

    Que se os Palestinos quiserem a ocupação termina hoje.

    Que mesmo tendo os Israelenses desocupado Gaza, os Palestinos continuam a referir o território como não livre.

    ===

    PS o massacre que eu menciono foi insuflado pelo depois mufti Al-Husseini sob o pretexto falso de que os judeus estariam invadindo Al-Alksa. Mataram os judeus de Hevron, que viviam lá em extrema pobreza há muitos séculos.

  • Mario S Nusbaum

    17/11/2015 at 17:20

    Sabem o que tem me assustado muito João, Raul e Marcelos? A quantidade de israelenses que vivem procurando “motivações” para o terrorismo palestino.
    Aqui no Brasil muitos judeus também fazem isso, na sua quase totalidade esquerdistas e especialmente petistas, mas isso não tem praticamente nenhuma importância.
    Agora, a sociedade israelense dividida NESSE assunto (em todos os outros é mais do que esperado, e saudável) é grave.
    Não canso de repetir (aqui mesmo já fiz isso algumas vezes), são como a mulher que apanha do marido e diz: deve ter sido algo que eu fiz. A definição não é minha, mas a acho brilhante.

    • João K. Miragaya

      17/11/2015 at 19:39

      Mario, não estamos falando de um partido político nem de pessoas isoladas. Estamos falando do Shin Bet, uma das instituições militares mais respeitadas do mundo (tecnicamente falando).

      Estou à espera de alguém chamar o Shin Bet de esquerdopata ou antissemita. Não vai demorar muito.

    • Mario S Nusbaum

      17/11/2015 at 20:07

      Sei disso João mas o meu comentário foi genérico, apenas aproveitei a oportunidade Tenho ouvido acusações absurdas contra Israel e “justificativas” mais absurdas ainda para o terrorismo palestino por parte de judeus e/ou israelenses. Você acredita que alguns judeus brasileiros apoiaram o que o Caetano fez?
      Por vários motivos os Norman Filkensteins e Noam Chomskys estão proliferando.

  • Raul Gottlieb

    17/11/2015 at 20:33

    João, alguém pode chamar sim, O mundo está cheio de idiotas.

    Mas o que isto muda alguma coisa?

    Como disse, não vi nada de muito novo no texto que o SB colocou. Você o leu como se ele contradissesse o que o palestino disse, mas esta foi a tua leitura e não a do SB (assim como a minha também é apenas minha).

    Eu respeito a tua leitura, mesmo discordando dela de vez em quando.

    E mais, concordo com o que o Mario fala sobre os alguns judeus que culpam Israel pelo seu sucesso. Eu não sei porque eles fazem isto. Mas suspeito que alguns (muitos?) fazem para sair bonito nos grupos que frequentam.

    Abraço, Raul

    • Mario S Nusbaum

      18/11/2015 at 23:17

      “Mas suspeito que alguns (muitos?) fazem para sair bonito nos grupos que frequentam.” É chique, pega bem, nos grupos que todos nós sabemos quais são

  • Davy Bogomoletz

    21/11/2015 at 01:25

    Amigos, li quase tudo que vocês escreveram, e cheguei à conclusão de que vocês dariam excelentes talmudistas. Torcem e destorcem (des-torcem, não dis-torcem) os dois textos até eles verterem sangue pela boca, torturam as palavras até elas confessarem, parecem yeshive-bucherim, sem tirar nem por. Querem saber o que eu acho? Acho que todos vocês têm razão. E estou falando sério. Abraços.

Você é humano? *