O que nós temos de melhor

24/12/2012 | Conflito; Política

[publicado originalmente no dia 24/03/2010]

Conheço um conto: durante a II Guerra Mundial, na fronteira entre Suíça e Alemanha, estavam duas guarnições militares. A suíça do lado Suíço e a alemã do lado Alemão.

Os soldados nazistas resolveram dar um presente aos soldados suíços. Enviaram-lhes uma caixa enfeitada e embrulhada. Quando os guardas suíços abriram o presente, o conteúdo era escatológico: estava repleta de fezes…

Os suíços resolveram retribuir o presente. Quando os alemães abriram a caixa, encontraram um belo queijo, enorme, amarelo e perfumado. E um bilhete: “Continuemos assim: a nos presentear com aquilo que temos de melhor…”

No ultimo mês, Israel foi protagonista nos jornais internacionais em dois momentos. O primeiro, quando acusado por governos árabes e europeus de enviar seu serviço secreto -O Mossad – Dubai, um país inimigo de Israel, assassinando um dos lideres do Hamas. Mahmoud al-Mabhouh era o homem que fazia a ligação entre o governo do Irã e a liderança terrorista da Faixa de Gaza. Esta acusação ainda não possui evidencias claras.

De acordo com as investigações da policia de Dubai, os assassinos do terrorista chegaram em vôos diferentes, usaram roupas civis e entraram no quarto da vitima sem o uso de forca, apenas usando uma chave. Sabe-se também que foram usados passaportes ingleses, australianos, irlandeses e franceses falsos, o que poderia causar um enorme incidente diplomático. Pode-se dizer que esta morte causou um grande impacto no terrorismo.

Se realmente o Mossad executou esta operação, e conseguiu atuar em um país hostil, isto significaria que nenhum líder terrorista esta a salvo nem protegido em qualquer lugar do planeta.

Alguns dias mais tarde, a CNN apresentou ao mundo uma entrevista com um espião do Shin Bet – Agencia de Segurança Interna de Israel. Mosab Hassan Yousef, e’ filho de um importante líder do Hamas. Foi espião de Israel durante uma década – de1997 a 2007 – contribuindo por impedir dezenas de atentados terroristas e ajudando no assassinato e prisão de importantes lideres terroristas palestinos.

Seu apelido – “príncipe verde” – e’ a derivação da cor do islã – “verde”, e o seu status – “príncipe”, filho de um grande líder palestino preso em Israel. Na entrevista, o jovem de 32 anos, conta como foi “contratado” pelo serviço secreto israelense e qual era o seu objetivo. O “príncipe” demonstrou tristeza ao constatar o seqüestro da faixa de gaza por fanáticos religiosos e a transformação da religião muçulmana em uma doutrinação da morte. Louva os esforços de Israel para trazer a paz e por vezes, diz invejar os valores democráticos presentes em nosso país e ausente na Faixa de Gaza.

O que será que temos de melhor? Não foram poucas vezes, que ouvi a hipótese arrogante acerca do “desenvolvido cérebro judeu” e a sua contribuição ao mundo. Outros dirão, que Israel contemporânea, e’ a responsável pelo aporte de avanços inimagináveis nas áreas de tecnologia, medicina, ciências exatas, agricultura, economia, política. Eu não concordo.

Acredito, sinceramente, que a fundação de Israel representando um novo ápice da historia de nosso povo e o seu desenvolvimento e manutenção nestes 60 anos de intermináveis conflitos e ameaças, aperfeiçoa aquilo que temos de melhor: a nossa inteligência como ferramenta para sobreviver. Como indivíduos, como povo e como nação soberana.

Enquanto nossos inimigos continuarem a nos presentear com ameaças de destruição, bombas e terrorismo, enquanto continuarem a nos brindar com Ahmadinejad, Nasralla e Mahmoud al-Mabhouh, não restara outra alternativa. Seremos obrigados a retribui-los com o que temos de melhor.

Entretanto, os israelenses, não serão tão sutis quanto os suíços…

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