O que o terrorismo palestino quer?

19/10/2015 | Conflito, Opinião, Política.

O que o terrorismo palestino quer ?
Autor: Bassam Tawil
(traduzido por Marcelo Treistman – artigo originalmente publicado pelo Gatestone Institute, clique aqui)

Durante os últimos dias, tive a oportunidade de visitar as casas de alguns dos homens e mulheres palestinos envolvidos na onda contínua de terrorismo contra os israelenses – a violência que alguns estão chamando de uma “intifada”, ou levante.

O que eu observei – o que você ou qualquer um poderiam ter visto durante estas visitas – era que nenhum desses palestinos enfrentaram uma vida sofrida. Suas condições podiam ser qualquer coisa, exceto miserável. Na verdade, esses assassinos levavam uma vida confortável, com acesso ilimitado à educação e ao trabalho.

Quatro dos terroristas vieram de Jerusalém e, como residentes permanentes que não registraram-se para obter cidadania, portavam carteiras de identidade israelenses. Eles possuem todos os direitos de um cidadão israelense, com exceção do direito ao voto para a Knesset – mas não pense que os árabes de Jerusalém estão matando e morrendo porque querem votar nas eleições parlamentares.

Esses jovens aproveitaram-se de seu status de residentes permanentes em Israel para identificar e assassinar judeus. Todos eles tinham carteiras de identidade israelenses que lhes permitiam viajar livremente dentro de Israel, e até mesmo possuir e conduzir veículos com placas israelenses. Eles também tinham direitos sociais e serviços de saúde gratuitos concedidos a todos os cidadãos israelenses, independentemente de sua fé, cor ou etnia.

Nenhum dos jovens palestinos envolvidos nos recentes ataques terroristas viveu em uma casa de barro, uma tenda, ou até mesmo um apartamento alugado. Todos eles viviam em casas que eram propriedade de suas famílias, e tinham acesso ilimitado à internet. Todos eles portavam smartphones que lhes permitiram partilhar as suas visões de mundo no Facebook e Twitter e, entre outras coisas, a se envolverem em incitamento desenfreado contra Israel e os judeus.

Na casa de Muhannad Halabi, por exemplo, o palestino que matou dois judeus na Cidade Velha de Jerusalém na semana passada, você iria descobrir que seu pai é um homem de negócios que lida com sistemas de ar condicionado e tem o seu próprio negócio em Ramallah. A casa da família, na aldeia de Surda na periferia norte de Ramallah, parece que saiu de um filme gravado em San Diego.

Foto de Muhannad Halabi em sua casa.
Foto de Muhannad Halabi em sua casa.

Muhannad Halabi, como conta um de seus parentes, era um menino mimado que sempre teve tudo o que desejou. Ele foi estudante de Direito na Universidade Al-Quds, perto de Jerusalém, e podia trafegar livremente entre Ramallah e o campus. Mas a boa vida que Muhannad teve não o impediu de se juntar a Jihad Islâmica e assassinar dois judeus. Ele desejava matar os judeus, porque tinha sofrido uma lavagem cerebral de nossos líderes e da mídia, e foi impulsionado pelo ódio – ele não estava vivendo na miséria e com privações.

O caso de Shuruq Dweyat, uma aluna de 18 anos de idade, da aldeia Tsur Baher, em Jerusalém, não é realmente diferente da de Muhannad Halabi. Ela agora está recebendo tratamento gratuito em um hospital, depois de ter sido baleada e gravemente ferida pelo judeu que ela tentou assassinar dentro da cidade velha de Jerusalém. Ela estava estudando história e geografia na Universidade de Belém, para a qual ela viajava quatro vezes por semana a partir de sua casa, sem enfrentar qualquer obstáculo ou ser parada por soldados israelenses.

Fotos de Shuruq postadas em mídias sociais mostram uma mulher feliz, que nunca parou de sorrir e posar para “selfies”  Ela possuía seu próprio smartphone. Sua família, como a de todos os outros terroristas, possui sua própria casa e levam uma vida extremamente confortável. A identidade israelense que Shuruq possui lhe permitia ir a qualquer lugar dentro de Israel a qualquer momento. Ela escolheu aproveitar esse privilégio para tentar assassinar um judeu aleatóriamente na rua. A razão? Ela, também, aparentemente foi impulsionada pelo ódio, anti-semitismo e intolerância. Ela também foi vítima de uma máquina de propaganda maciça que, de forma incessante, demoniza Israel e os judeus.

Selfies da jovem Shuruq Dweyat postadas em redes sociais
Selfies da jovem Shuruq Dweyat postadas em redes sociais

Se você tivesse conhecido Fadi Alloun de apenas 19 anos, você teria visto possivelmente o homem mais bonito de Jerusalém. Fadi, que veio de Issawiyeh em Jerusalém, também tinha desfrutado de uma boa vida sob o governo de Israel. Ele também tinha uma identidade israelense e podia viajar livremente por todo o país. Sua família me disse que ele adorava ir aos shopping centers em Israel para comprar roupas em lojas como a Zara, Renuar, Castro. Com suas roupas bem cuidadas e óculos de sol, ele parecia mais como um modelo de moda italiana do que um terrorista. Ele também tinha acesso ilimitado à Internet e sua família possuía casa própria.

Foto de Fadi Alloun - terrorista
Foto de Fadi Alloun – terrorista

A boa vida de Fadi em Israel, no entanto, não o impediu de esfaquear aleatoriamente o primeiro judeu que ele encontrou na rua. Isso aconteceu na semana passada, quando Fadi esfaqueou um judeu de apenas 15 anos de idade, fora da Cidade Velha de Jerusalém. Fadi foi baleado e morto por policiais israelenses que correram para o local do ataque. Fadi não partiu para assassinar judeus porque ele teve uma vida dura. Nem foi impulsionado pela miséria ou pobreza. Ele tinha quase tudo a que desejava, e sua família era relativamente rica. A vida que Fadi tinha, de fato, era muito melhor do que a vida de muitos de seus colegas palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Como um residente de Israel, Fadi era capaz de ir a qualquer lugar que desejasse em Israel e possuía livre acesso a restaurantes, shoppings e academias.

Os outros homens e mulheres jovens que realizaram a atual onda de ataques terroristas também estavam levando uma boa vida; alguns tinham empregos dentro de Israel, em parte graças às suas carteiras de identidade israelenses. Aqueles que vieram da Cisjordânia foram capazes de passar livremente por postos de controle e a barreira de segurança, assim como milhares de outros trabalhadores palestinos fazem, ao viajar para Israel todos os dias em busca de trabalho e uma vida melhor.

Para ser honesto, eu invejei estes terroristas por causa das vidas confortáveis que eles tinham. O mobiliário em suas casas é muito melhor do que meus móveis. Ainda assim, seus luxos não os impediram de de sair para matar judeus.

O que significa tudo isso? Isso mostra que os terroristas palestinos não são movidos pela pobreza e privação, como muitos tem afirmado. Os terroristas palestinos são movidos pelo ódio contra judeus, por conta do que os seus dirigentes, mídia e mesquitas estão dizendo a eles: que os judeus são o inimigo e que eles não têm o direito de estar nesta parte do mundo.

Isto demostra também que este conflito não é sobre locais sagrados islâmicos ou Jerusalém, estamos falando sobre assassinar judeus sempre que possível. Assassinar dois judeus dentro da Cidade Velha de Jerusalém, ou um casal de judeus na frente de seus quatro filhos nada tem a ver com a Mesquita Aqsa ou “ocupação”. É simplesmente sobre o desejo de matar tantos judeus quanto for possível. Os terroristas não estabelecem qualquer distinção entre um judeu vivendo em Jerusalém Oriental, a Cisjordânia, Tel Aviv ou Afula [norte de Israel]. Para os terroristas e seus patrocinadores, todos os judeus são “colonos” e Israel é um grande assentamento que precisa ser eliminado.

Nosso conflito com Israel não é sobre a “ocupação” ou Jerusalém ou locais sagrados ou fronteiras. Também não se trata de pobreza e más condições de vida ou muros e cercas e postos de controle. Este conflito é realmente sobre a própria existência de Israel nesta parte do mundo. A atual onda de terrorismo é apenas uma outra fase em nosso sonho de varrer Israel da face da terra. Esta não é uma intifada. É apenas mais uma onda de assassinatos destinada a aterrorizar os judeus e forçá-los a deixar esta parte do mundo. Ela já obteve êxito com os judeus no resto do Oriente Médio e agora o mesmo está sendo feito contra cristãos também.

Os terroristas e os que os apoiam não estão lutando contra um posto de controle ou um muro. Eles querem ver Israel destruída, judeus massacrados e sangue judaico escorrendo pelas ruas.


Bassam Tawil é palestino, pesquisador e escreve regularmente para a organização Gatestone Institute, um Think Thank americano, que define-se como uma instituição apartidária e sem fins lucrativos e que possui entre os integrantes de seu Conselho Consultivo indivíduos com o quilate de Elie Wisel.

Artigos relacionados

Ver mais artigos

Comentários    ( 47 )

47 Responses to “O que o terrorismo palestino quer?”

  • Alex Strum

    20/10/2015 at 15:27

    Metáforas podem ajudar a enxergar certos fenômenos sob um ponto de vista diferente. No caso do conflito Israel x Palestina gosto de uma metáfora médica: um transplante. Ela oferece uma visão orgânica, em vez de explicações históricas políticas ou religiosas.
    A criação do Estado de Israel, com a imigração de milhões de judeus num espaço de tempo relativamente curto pode ser vista como o transplante de um “órgão” judaico para dentro de um “corpo” árabe.
    As razões de o transplante ser necessário e justificado são por demais conhecidos.
    A rejeição do órgão transplantado pelo corpo receptor é um processo natural e, frequentemente demorado, que para ser controlado e superado requer cuidados especiais, a administração de remédios e o apoio de amigos e familiares.
    As agressões do corpo receptor ao órgão transplantado procurando expulsá-lo, e os efeitos colaterais da medicação necessária, mas nem sempre aplicada na dosagem adequada, acabam vitimando células sadias de ambos os lados o que acaba dificultando a cura do paciente.
    Alem disto, independentemente do transplante, o corpo receptor já sofria de diversas doenças, dentre elas um certo déficit de amadurecimento, e o órgão transplantado também se ressente de numerosos traumas sofridos no passado.
    A solução do conflito, ou melhor, o sucesso do transplante, depende muito da habilidade de médicos corajosos como foram os Drs. Sadat e Begin, e como foi também o Dr. Ehud Barak que infelizmente não contou com a devida colaboração do Dr. Arafat num dos procedimentos mais críticos da cirurgia.
    Melhorar a saúde geral do corpo receptor, apaziguar as tensões internas ao órgão transplantado, alem da ajuda de alguns amigos poderosos mais próximos, certamente facilitaria a cura do paciente.
    A esperança é que células sadias de ambos os lados consigam se multiplicar e se combinar numa velocidade tal que produzam tecidos sadios que auxiliem na assimilação do órgão transplantado.

    • Mario S Nusbaum

      22/10/2015 at 13:15

      Interessante sua metáfora Alex, tenho uma pergunta: já que o dr. Arafat não só era incompetente como, principalmente mal intencionado, por que não foi afastado da junta médica? Tudo indica que a doença do corpo receptor é incurável.

    • Alex Strum

      22/10/2015 at 20:00

      Olá Mario, com a metáfora eu quis apenas destacar que estamos diante de um processo natural e mais demorado que a nossa ansiedade tolera, já que, gostemos ou não, Israel foi criado artificialmente num ambiente estranho e hostil.
      Encaro todos estes episódios de conflito como parte de uma luta organica que infelizmente faz vítimas entre o que chamei de células sadias.
      Respondendo à sua pergunta entendo que Arafat foi sim afastado pela junta médica. Ele era o “médico responsável pelo corpo receptor” e como não deu continuidade ao procedimento proposto, acabou se tornando irrelevante daí em diante.
      Não defendo o Arafat, longe disto, mas é bem possível que se ele seguisse em frente estaria assinando a sua sentença de morte. Pela ótica da metáfora o médico achou a operação arriscada demais para o seu paciente naquela ocasião e poderia ficar com sequelas inaceitáveis.

    • Mario S Nusbaum

      23/10/2015 at 00:27

      Oi Alex, posso não ter demonstrado mas gostei muito da sua metáfora, mas do meu ponto de vista (e do que os fatos mostram) os médicos responsáveis pelo órgão transplantado vem indagando, há mais de 6 décadas, o que seus colegas do “outro lado” propõe, e a ÚNICA resposta que tiveram até hoje foi não fazer o transplante e destruir o órgão transplantado.
      “As razões de o transplante ser necessário e justificado são por demais conhecido”
      Sim, pela maioria absoluta dos judeus e dos israelenses e por uma minoria de palestinos. Infelizmente essa minoria não tem poder nenhum

    • Alex Strum

      23/10/2015 at 20:30

      Mario, na minha opinião é exatamente esta a raíz do problema.
      Saindo da metáfora, a única justificativa racional para explicar a aceitação tácita, pela imprensa e opinião pública, das agressões dos palestinos e as criticas às reações de Israel, é que estes consideram a existência de Israel ilegítima e portanto agredi-lo é perfeitamente aceitável mas Israel não “tem o direito de se defender” porque na origem nem deveria existir.
      Por isto é que acho estas discussões sobre o varejo do conflito meio sem sentido porque enquanto a raíz não for claramente exposta e resolvida (apesar das leis internacionais, na realidade não está resolvida) não vai haver progresso no sucesso do transplante.
      abs

  • Alex Strum

    24/10/2015 at 00:40

    Mario, complementando o comentário anterior, e mantendo o contexto da metáfora, eu responderia à sua pergunta dizendo que os médicos do corpo receptor procuraram boicotar o tratamento exatamente porque acham que ele é desnecessário e nocivo para seu paciente.
    Porém os médicos do órgão transplantado, em muitas ocasiões, não se esforçaram para diminuir as dores e sofrimento do paciente (corpo receptor) dificultando ainda mais a colaboração do outro lado.
    abs

  • Fábio

    19/11/2015 at 04:30

    Caros, outro artigo do Tawil:

    http://pt.gatestoneinstitute.org/6917/ataques-paris-licao#.VkzU7Pm-1vE.gmail

    Acho difícil de acreditar que esse camarada é quem diz ser ou o perfil descreve.

Você é humano? *