O reinado de Zohar

03/02/2013 | Cultura e Esporte.

A música oriental israelense é um gênero de raiz no cenário local.

Darbucas e violinos dão um tom árabe às melodias, às vezes de modo alegre, outras vezes, “Dor de Cotovelo”. Boates e clubes noturnos que tocavam essas músicas, há pouco mais de 30 anos, eram marginalizados, chamados de brega.

Quem quebrou essa barreira foi um jovem da cidade de Rishon Le’Zion.

Zohar Argov nasceu no dia 16 de julho de 1955 e, aos 19, teve um filho, com a mulher de sua vida, Bracha, para quem dedicou a canção “Ma Lach, Yalda” (O que para ti, Garota?). Zohar rompeu tabus vendendo discos, tocando em todos programas de rádio e televisão, chegando a se apresentar no Teatro de Câmara de Tel Aviv, local da elite lírica. Tudo isso ainda jovem, beirando os 30 anos.

Na mesma proporção em que crescia sua popularidade, ele se afundava nos vícios de cocaína e crack. Devendo cerca de 100 mil dólares a traficantes, teve de vender a ampla cobertura comprada, além do carro do ano. Nessa época, Bracha e Guili já não viviam com o Zohar. Ela havia se casado com um policial. Deprimido, acabou mergulhando ainda mais nas drogas.

Irmão mais velho de uma família de dez, chegou a entrar na casa da mãe para roubar objetos e trocar por entorpecentes. Isso, exatamente, quando estava no topo da parada de sucessos. Os amigos tentavam ajudá-lo, mas ele chorava, apenas, pela perda da mulher e distância do filho.

Seu reinado, obra, ficou para a posteridade.

Zohar se suicidou aos 32 anos, na cadeia, depois de ser detido por guardas, totalmente drogado, por desacato à autoridade.

Um de seus maiores sucessos retrata sua vida: “Badad Elech, Ve´Tfilá Ein Li. Badad, Bli Atid, Bli Tikvá, Bli Chalom”, ou seja, “Sozinho, eu vou, e oração não tenho. Sozinho, sem futuro, sem esperança, sem sonho”.

Zohar Argov Z”L, 32 anos, (1955-1987).