O Sabich do Ovad

A maioria das pessoas conhece falafel e shwarma (churrasco grego), os sanduíches mais famosos do Oriente Médio. Existe, porém, uma terceira opção fantástica, composta por berinjela frita, ou empanada, ovo cozido cortado, hummus, tehina, salada de pepino e tomate picados, tudo dentro da pita (pão sírio) ou baguete.

O motivo do Sabich (pronuncia-se sabirr) não ser tão conhecido como os “irmãos” eu não sei. Este sanduíche foi criado em Ramat Gan, cidade onde vivo, ao lado de Tel Aviv, na década de 1950. Muitos judeus, oriundos do Iraque, vieram para cá e trouxeram o costume de comer berinjela com salada, hummus e tehina, no café da manhã. Daí, até parar tudo junto na pita e criar uma iguaria, foi um pulo.

A questão da imigração judaica-iraquiana para Ramat Gan justifica o apelido antigo da cidade: Ramat Bagdad. No entanto, é na vizinha Guivataim que se faz o sabich “hors concours” de Israel. O próprio dono é quem atende no balcão, que dá para a rua, onde forma-se fila gigantesca.

Miznon Ovad (Quiosque Ovad) é local para se comer o primeiro sabich da vida. Os outros milhares poderão ser lá também, mas recomendo muito começar a introdução a este mundo por ali.

Ovad é o anfitrião que oferece atendimento personalizado. Primeiro, ele quer saber o nome do “jogador” que sobe ao gramado. Depois, a quantidade de berinjela que desejas (moderado, agressivo ou militante). Ovo ele nem pergunta, então sugiro aos veganos que se antecipem. Na sequência, série de brincadeiras com a língua hebraica, dignas de textos do colega Yair Mau. Por exemplo, “rotze Levatzel?” (Quer cebolar). Não existe o verbo “cebolar” no hebraico, nem em português, mas os neologismos do Ovad fazem a festa dos “jogadores”. Letachen-Tehina, Lechames-Hummus etc.

A última questão, também, tem a ver com futebol. “Kama ba’derby” (Qual o resultado no clássico)? As opções são pimenta vermelha, cor do Hapoel Tel Aviv, e amba, molho à base de manga, salgado, amarelo como o Maccabi Tel Aviv. Eu, como gosto de pimenta e torço pelo Hapoel, sempre peço, no mínimo, 2 a 1 para nós. Entretanto, a um jogador iniciante, sugiro começar pelo empate.

Há vários locais de sabich que valem a pena ser visitados, mas o Ovad é o melhor. Quem frequenta, aceita desafios que viram quadros e enfeitam o estabelecimento. “A porção com 20 colheres de pimenta”, “40 pedaços de berinjela”, “10 ovos” etc. Outras fotos vem de jogadores que passeiam pelo mundo e registram presença com o seguinte cartaz: “gam ba’everst ha’mana shel ovad ha’mana achi tova ba’iekum” (Também no Everest a porção do Ovad é a melhor do universo).

Meu amigo Bruno Gottlieb, que mora no Rio de Janeiro e é viciado em sabich do Ovad, tem esta missão: ser fotogrado no Maracanã com o cartaz: גם במרקנה המנה של עובד המנה הכי טובה ביקום

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