O verdadeiro problema do projeto atômico iraniano

04/03/2013 | Conflito.

Há três semanas o mundo ficou estarrecido com o novo teste atômico do minúsculo, subnutrido e isolado pais da Coréia do Norte. Mesmo com todas as sanções econômicas, total isolamento por parte do mundo ocidental desenvolvido, a terra de Kim Jong Il, e agora de seu filho Kim Jong Un conseguiu desenvolver um programa nuclear que, atualmente, pode lançar mísseis atômicos para quase qualquer parte do globo terrestre. Na ocasião do teste só havia uma pessoa mais feliz que o ditador coreano, era o seu amigo, também ditador e com poucos amigos no ocidente, Mahmoud Ahmadinejad.

O final da segunda guerra mundial deixou vários legados ao mundo e à humanidade, entre eles o fim da ocupação japonesa sobre as coréias e sua respectiva divisão entre Norte e Sul. A criação da ONU e seu conselho de segurança, além de um novo paradigma de segurança mundial: as potências (EUA, Russia, França, Reino Unido e China- países fixos no conselho de segurança da ONU) garantirão a paz e a ordem com suas bombas atômicas.

Desde o fim da segunda guerra mundial, ditas potências não permitiram que houvesse uma proliferação do armamento nuclear mundial. Subornaram, destruíram e pressionarem países para desmantelar ou não começar seus programas atômicos. Afirmaram garantirem a paz mundial sobre a premissa que ninguém se meterá com potências que detenham bombas atômicas. Sendo este o grande motivo pelo qual países como Japão, Coréia do Sul e até mesmo a Alemanha, hoje em dia, não possuem um arsenal nuclear de guerra.

As únicas exceções a regra são Índia e Paquistão que desde a década de 70 possuem programas nucleares ambos desenvolvidos de forma concomitante por EUA e o Bloco Soviético respectivamente. Ambas potências não podiam permitir que o país vizinho tivesse bomba e seu aliado não, pois tal qual o paradigma citado acima, o fato de “ter as bombas” é que garante o não acontecimento de guerras. Situação esta muitas vezes apelidada de “A PAZ ATÔMICA”.

Já desde o final dos anos 90 com a queda do bloco soviético a Coréia do Norte se viu ameaçada pelos países alinhados aos EUA e decidiu “acelerar” o projeto atômico. Dentro das premissas de Kin Jung Sung (pai de Kin Jung Il e avô do atual presidente do país) estava que somente o arsenal atômico pode dar o poder de barganha suficiente para amedrontar o mundo ocidental capitalista, e assim, manter o país longe da bancarrota econômica.

O teste realizado no dia 12 de fevereiro deste ano abriu a brecha para o rompimento do paradigma da paz atômica. Junto a isso trouxe duas certezas sobre a relação Irã-Israel, a primeira que sanções diplomáticas, econômicas, isolamento e pressão mundial não serão suficientes para parar o programa nuclear iraniano. A segunda certeza é que Israel tem razão quando diz que o maior problema de um Irã nuclear não é só o possível ataque ao território israelense, mas junto a isso o perigo de uma nova cara do terrorismo mundial agora armado com urânio enriquecido.

Nos últimos 20 anos grande parte do terrorismo mundial vem sendo armado, treinado e subsidiado por grupos terroristas islâmicos apoiados pela Irã. Atentados na Argentina, EUA, Londres, Turquia e em países africanos só reforçam a relação do país persa com estas diversas organizações e seu poder de destruição. Centenas de pessoas foram mortas nestes diversos atentados e na maioria dos casos os responsáveis pelo planejamento destas ações tiveram passagem ou treinamento financiado pelo governo de Ahmadinejad.

Na ocasião dos testes na Coréia diversos engenheiros iranianos estavam presentes para aprender do programa nuclear e levar para casa as lições aprendidas. A partir de agora passo a trazer hipóteses do desenrolar do programa nuclear iraniano e suas consequências para o mundo.

O primeiro cenário é que 48hs depois de conseguir desenvolver uma bomba atômica no Irã, a Arábia Saudita também terá bombas para manter o equilíbrio na região tal qual India-Paquistão. Porém, logo após a Arabia Saudita, o Egito como país líder da Liga árabe também terá. E assim sucessivamente até que dezenas de países “democráticos e não democráticos” terão bombas atômicas e todo dia estaremos escutando ameaças uns contra os outros. Até o ponto do primeiro líder/ditador/louco de uma nação apertar o botão.

Segundo cenário ainda mais amedrontador é o desenvolvimento de um arsenal atômico por parte do Irã que poderá ser comprado no mercado negro de mercenários tal qual são comprados mísseis e armas por todas organizações terroristas na atualidade. Dito cenário poderá desencadear um novo fenômeno mundial que este sim seria incontrolável. A ameaça atômica em cada grande assalto, luta civil ou atentado.

Não consigo nem imaginar as consequências de haver terroristas em qualquer lugar do globo terrestre chantageando o mundo sobre o perigo de uma bomba atômica (de maior ou menor porte) explodir no centro de qualquer cidade. Porque se Kim Jong Un e seu país de soldados subnutridos está conseguindo fazer o mundo cancelar dívidas, abrir mercados… imagino que o terceiro maior produtor de petróleo, e maior financiador do terrorismo mundial fará.

Comentários    ( 6 )

6 Responses to “O verdadeiro problema do projeto atômico iraniano”

  • Mario Silvio

    04/03/2013 at 23:58

    “Até o ponto do primeiro líder/ditador/louco de uma nação apertar o botão.”
    “Segundo cenário ainda mais amedrontador é o desenvolvimento de um arsenal atômico por parte do Irã que poderá ser comprado no mercado negro de mercenários tal qual são comprados mísseis e armas por todas organizações terroristas na atualidade. Dito cenário poderá desencadear um novo fenômeno mundial que este sim seria incontrolável. A ameaça atômica em cada grande assalto, luta civil ou atentado.”
    Pena que nada disso assusta o Obama

    “Não consigo nem imaginar as consequências de haver terroristas em qualquer lugar do globo terrestre chantageando o mundo sobre o perigo de uma bomba atômica (de maior ou menor porte) explodir no centro de qualquer cidade. Porque se Kim Jong Un e seu país de soldados subnutridos está conseguindo fazer o mundo cancelar dívidas, abrir mercados… imagino que o terceiro maior produtor de petróleo, e maior financiador do terrorismo mundial fará.”
    Será que o Obama imagina e mesmo assim não se importa?

  • Felipe

    05/03/2013 at 00:19

    Gostaria de saber a opinião dos senhores quanto a relação geopolítica de considerar o Irã nuclear derrubando o “status quo” da Israel nuclear. Não seria esse o verdadeiro problema do projeto nuclear iraniano? a questão nuclear e a geopolítica?

    • Lucas Pato Lejderman

      05/03/2013 at 21:42

      Ola Felipe, sinceramente não acredito que o projeto iraniano derrubara o status quo atomico de Israel por alguns motivos que passo explicar.
      Atualmente o projeto iraniano vem desencadeando algumas mudançcas no mundo árabe-muçulmano importantes. Entre elas o fortalecimento do bloco muçulmano frente ao bloco árabe, pois o Irá (de origem persa não faz parte da Liga àrabe). Com isso a hegemonia Egipcia decaiu muito na região. Em paralelo, a primavera árabe provocou uma enorme instabilidade nas ditaduras árabes, em dita situação o Irã aproveitou para reforçar (armar ou financiar) oposições que se utilizam do terror para conseguir seus objetivos.
      Hoje em dia vemos novos ou velhos governos em vários países árabes-muçulmanos “com o pulso mais firme que antes”. Guerras internas que levaram a morte de mais de 70 mil pessoas só na Síria. E ainda, uma corrida armamentiscia de todos árabes-muçulmanos na região para terem o maior arsenal de guerra possível frente a ameaça iraniana.
      Acredito ser importante aclarar que a rivalidade histórica entre o mundo árabe e o país persa. Uma histõria que remonta a guerras, boicotes e uma total desconfiança de parte árabe à republica iraniana. Rivalidade incrementada pela concorrência no mercado petrolifero.
      Dito tudo isso, volto ao tema inicial. Não acredito que o projeto atômico rompera o status quo israelense. Mas independentemente, acredito que dito programa nuclear ameaça a “estabilidade mundial” contribuirá á corrida armamentiscia nuclear dos países no Oriente Médio não democráticos e, principalemente, abrirá uma oportunidade a um tipo de terrorismo jamais visto antes.
      Novamente obrigado pelo comentário

  • Raul Gottlieb

    05/03/2013 at 10:18

    Uma análise muito boa, que evidencia que o boicote econômico não resolve a questão do desenvolvimento militar das ditaduras. Na Coréia do Norte falta papel higiênico, mas não bomba atômica.

    A visão que o Irã está sendo afetado pelas sanções econômicas e comerciais é infantil, conforme aponta com correção o Lucas Pato. A população pode estar sofrendo (não tenho certeza disso, mas pode ser), no entanto o programa continua a evoluir.

    Isto acontece ao mesmo tempo em que o Irã oferece ajuda econômica importante à Argentina, ou seja, eles têm recursos inclusive para ajudar outros países, quanto mais para desenvolver seu programa nuclear.

    Seria tão bom que o governo Obama entendesse isto! Mas o Obama está mais preocupado com a sua imagem e em anunciar os vencedores do Oscar do que nas questões complicadas que não se resolvem com um bonito discurso.

  • ALESSANDRO MARTINS DE PAULA

    10/03/2013 at 19:59

    O mundo passa pela maior crise de sua história, porque a verdade virou mentira e a mentira impera, como se fosse a verdade e as pessoas alienadas pela mídia mentirosa e tendenciosa, não tem mais o poder de estudar os fatos e decidir em que lado estão. O maior fato e chave de toda esta história, que vemos se desenrolando, é a de um ativista pró comunista-socialista e convertido ao islamismo, chamado Barack Husseim Obama. Alguém o conhece? Acho que poucos, porque como ele se apresentou a América e ao Mundo, era uma outra pessoa. Se mostra como sendo salvador da América e amigo de Israel, e o povo o idolatra assim mesmo: “Senhor e Salvador Barack Obama!” Mas nos seus atos de política sempre faz o contrário, a começar pelo seu minístério de governo, que só tem nomeado pessoas pró fraternidade muçulmana e marxistas roxos. Este cara odeia a América e odeia Israel, o problema é que ele não diz isto, e a vista da imprensa, jura amor pela América e seus aliados, só que na realidade, a América nunca esteve tão afastada de seus aliados, como agora neste governo. Bem, a sua candidatura na América é uma fraude, porque este senhor não é quem demostra ser, que os tribunais americanos vem investigando e a coisa não vai terminar bem, o problema é que até a coisa se desenrolar, leva tempo, e tempo é crucial para a questão do problema Atômico no mundo. E além disto, Barack Obama tem prestado uma extensa folha de serviços aos extremistas islamicos, são bilhões de dólares em ajuda financeira e armas a Fraternidade Muçulmana, rebeldes de todos os lados, inclusive da Al-Qaeda, o problema é que ninguém ao menos sonha com isto, eu falo das massas. Só que com Kim Jong Un não é assim, sempre acostumado a ganhar guloseimas da América, quem se lembra do governo de Bill Clinton, que levou presentinhos aos ditadores, para acalma-los? Pois quanto ao Irã, Barack Obama entende que é um problema de Israel se defender, e que vai usar isto como lhe aprouver, inclusive agora, segurando Israel de atacar o Irã, dando tempo aos iranianos de desenvolver as armas atômicas. Enfim, Barack Obama vai empurrar Israel para uma curva de bico, em que ataca ou vai ser atacado, Israel não tem mais opções a lidar, só a de desobedecer o seu maior aliado(?) e é claro, depois vem o “Salvador: Barack Husseim Obama”, com sua retórica de salvação do mundo, acusando Israel de ter se defendido e não ter perecido. É sempre assim, na mentalidade deles, Israel é culpado por viver e existir!

  • Bruno

    24/03/2013 at 15:52

    O maior financiador do terrorismo mundial é a Arábia Saudita. O Irã tem pouca influência em relação a maior parte dos grupos sunitas, sobretudo os de fora do Oriente Médio. Inclusive as doutrinas político-teológicas, que dão base retórica aos grupos terroristas mais perigosos, têm origem na Arábia Saudita (al-wahabismo, por exemplo).

Você é humano? *