Olho por olho

02/07/2014 | Conflito; Política; Sociedade

Resisti a escrever este artigo.

Incrédulo, comentava com meus colegas de Conexão Israel sobre o que estava testemunhando. Enquanto eles me estimulavam a escrever, eu optava pela tática do avestruz – afundar a cabeça na areia e esperar até que a crise passe para poder retomar minha convivência com a sociedade. No meu caso, a areia é composta de estudos e Copa do Mundo.

Nesta segunda-feira, a partir do momento em que a imprensa estrangeira noticiou que boatos indicavam que haviam sido encontrados os corpos dos três adolescentes desaparecidos, iniciaram-se os primeiros rumores em Israel. No país, a liberdade de imprensa tem uma única restrição: qualquer matéria sobre segurança deve ser aprovada previamente pelo censor militar. Desta maneira, ainda que a imprensa local já soubesse do que ocorreu, não tinha autorização para divulgar os fatos ao público. Quando a vinheta do plantão interrompeu o jogo entre França e Nigéria, todos nós entendemos do que se tratava.

A população precisou de um par de horas para digerir o que aconteceu.

Em seguida, meu choque foi substituído por uma imensa sensação de vergonha. A Copa do Mundo, naturalmente, foi substituída em todos os canais da televisão por mesas redondas sobre a segurança nacional e nossa relação com os palestinos. Alguns deputados dos partidos oposicionistas de esquerda pediam que o governo reagisse com racionalidade e não com emoção. As deputadas Zehava Galon (Meretz) e Shelly Yachimovitch (Partido Trabalhista) exigiam que os culpados fossem presos e punidos, mas sugeriam que uma ampla ação militar levaria apenas à rápida escalada da violência e não faria surtir o efeito desejado.

Ayelet Shaked, a playmate da extrema-direita.
Ayelet Shaked, a playmate da extrema-direita.

Os deputados dos partidos direitistas da coalização, entretanto, optaram por “jogar para a torcida”. A deputada Ayelet Shaked, do partido nacional-religioso HaBait HaYehudi, declarou que “um povo cujos heróis assassinam nossas crianças deve ser tratado no mesmo nível”. Líder do mesmo partido, o ministro da Economia (Emprego, Comércio e Indústria), Naftali Bennet, defendeu uma ampla operação militar contra o Hamas, “porque se nós não iniciarmos a guerra, o Hamas o fará”.

Por sua vez, o ministro da Defesa, Moshe Yaalon, do Likud de Benjamin Netanyahu, que efetivamente comandaria a tal guerra conclamada por Bennet, preferiu ser mais contido e também defendeu uma operação militar poderosa, mas precisa. Como cereja no bolo, sugeriu que a principal retaliação ao povo palestino seja a construção de mais três assentamentos, a serem batizados em homenagem aos três adolescentes assassinados.

E é exatamente nessa questão proposta pelo ministro da Defesa que eu gostaria de focar: a punição coletiva a ser imposta ao povo palestino. Ninguém mais acredita que punir um povo inteiro seja uma decisão que visa meramente influenciar suas escolhas políticas nas eleições vindouras a fim de prejudicar uma ou outra facção. As pessoas estão com a faca entre os dentes, com os olhos cheios de sangue, querendo vingar-se a qualquer custo.

Este incitamento por parte daqueles que foram eleitos exatamente para conduzir o povo com tranqüilidade nestes momentos de tensão fez surtir o efeito esperado: uma explosão popular de ódio. Nas horas que se seguiram, assisti embasbacado aos meus amigos, colegas e conhecidos manifestando-se nas redes sociais.

Os exemplos abaixo não são forjados, não são adaptações de discursos alemães da década de 1930, nem de minisséries sensacionalistas dos canais de televisão do mundo árabe. As frases que reproduzirei, e traduzirei quando necessário, são passíveis de inquérito por racismo em qualquer democracia ocidental, mas foram escritas por pessoas que eu conheço, com as quais já me sentei pra tomar uma cerveja. E nem discutimos sobre política, mas sobre futebol ou cinema.

Clique sobre as imagens para ampliá-las.

Eu vejo todos estes (maus) exemplos e só uma cena me vem à cabeça. Quando o jornal dinamarquês Jyllands-Posten divulgou, em 30 de setembro de 2005, caricaturas do profeta Maomé, o mundo muçulmano sentiu-se ultrajado. Segundo o Islã, qualquer reprodução, honrosa ou vexatória do profeta é proibida. O mundo ocidental, então, horrorizou-se diante da reação muçulmana: embaixadas dinamarquesas em diversos países foram alvo de protestos e ataques. A mim, mais do que o teor da reação propriamente dita, me causou estranheza a incapacidade daquelas hordas de compreenderem que a responsabilidade sobre a publicação das caricaturas, ainda que tenham sido permitidas por um ambiente de liberdade de expressão e plena compreensão de conceitos como ironia e sátira, recai principalmente sobre seus autores e os editores que as autorizaram.

As pessoas que preferem reagir ao assassinato dos rapazes seqüestrados rotulando todo o povo palestino como assassino, terrorista, verme e clamam por sua aniquilação – que aliás é crime de guerra, pois genocídio – sem diferenciar terroristas de trabalhadores e pais de família, podem até considerar-se civilizadas. A verdade é que nada mais fazem do que igualar-se aos idiotas medievais do episódio acima, ou de tantos outros, como o ataque às embaixadas americanas em retaliação à divulgação via YouTube do filme Innocence of Muslims, em setembro de 2012.

No dia seguinte à localização dos corpos do três jovens israelenses, a terça-feira, percebi que, ao contrário do assustadores exemplos de Pe Djora descritos pelo Yair Mau em seu artigo anterior, estas declarações não ficariam limitadas ao campo das idéias. Acordei e fiquei sabendo que a Força Aérea havia bombardeado durante a madrugada mais de trinta alvos do Hamas na Faixa de Gaza, que retaliações haviam ocorrido ao longo da noite e outras eram esperadas ao longo do dia. Precisava estar à tarde em Beer-Sheva, a capital do sul do país e maior cidade dentro do raio de alcance da maioria dos foguetes lançados pelo Hamas. Fui e voltei com medo. Ainda que nada tenha acontecido, o susto maior se deu quando retornei a Jerusalém, no inicio da noite.

Viver em Jerusalém é vivenciar Israel em sua totalidade. É morar a poucos minutos da Cidade Velha e de seu Muro das Lamentações, é sentir o cheiro da chalá sendo assada nas padarias nas horas que precedem o Shabat, é andar pelas ruas que testemunharam a História a caminho da Cinemateca para assistir às pré-estréias dos filmes dos diretores israelenses. Mas é também lidar diariamente com as tensões da sociedade israelense: religiosos contra laicos, ultraortodoxos contra sionistas, judeus contra árabes. Este último embate é quase que uma exclusividade nossa – poucas são as cidades israelenses de população realmente mista.

Todas estas questões somam-se à posição da cidade como capital do país e resultam em uma realidade: Jerusalém é uma cidade de protestos. Quem já morou aqui sabe que é sempre bom estar a par do que ocorre pela cidade a todo instante, a fim de evitar ruas bloqueadas inesperadamente e possíveis atrasos. Com um agravante: lar de uma grande população ultra-ortodoxa que não trabalha, Jerusalém também se dá ao luxo de ter protestos durante o dia, no horário comercial. Aqui não tem apenas “depois do expediente, todo mundo na Rio Branco protestando”, mas também “sai de casa agora e vamos bloquear a entrada da cidade no meio da terça-feira”.

E foi exatamente isso que ocorreu. No exato momento em que, a menos de 40 quilômetros de Jerusalém, as famílias enterravam os corpos dos três rapazes, dezenas de milhares de jovens, em sua maioria extremistas de direita e religiosos-nacionalistas, muitos membros da Juventude das Colinas sobre a qual o João Koatz Miragaya já falou, iniciaram uma manifestação não-autorizada sob a ponte estaiada por onde passa o trilho do bonde, na principal entrada da cidade[ref]Cercada pelos territórios palestinos ocupados a norte, leste e sul, Jerusalém comunica-se com o resto do país majoritariamente por sua saída ocidental[/ref]. Quando meu ônibus retornou de Beer-Sheva, a polícia já havia conseguido desobstruir a via, não sem entrar em choque com os manifestantes.

Mas esta não era uma boa notícia.

Frustrados em sua tentativa de praticamente sitiar a capital do país, os jovens manifestantes que clamavam por “vingança” e “basta deste governo de assassinos” iniciaram sua marcha pela Rua Yaffo até a Cidade Velha. Noite dos Cristais foi o termo usando pelos meus amigos, testemunhas do que ocorria no coração da nossa cidade e era o título original deste artigo, mas acabei optando por uma alternativa menos sensacionalista. Para narrar os lamentáveis e assustadores episódios que aqui ocorreram e me tiraram de meu anterior estado de apatia, me limitarei a traduzir quatros atualizações de status compartilhadas por amigos e conhecidos, ao longo da tarde e da noite desta terça-feira.

N.E.“Ayelet Shaked decidiu que é agora. Este é seu momento, esta é sua hora. Hoje ela vai descontar seu cheque. Pais “quebrados”, muita fúria – é preciso aproveitar-se rápido antes que retornem à indiferença comum. Ayelet incitou, e as massas a seguiram.

“Um povo cujos heróis assassinam nossas crianças deve ser tratado no mesmo nível”

Eu sou uma pessoa bastante associativa. A primeira associação que me veio à cabeça foi “A Noite dos Cristais”, um dos progroms se não o maior de todos, que ocorreu porque os nazistas usaram-se no assassinato de um diplomata alemão ao Paris, morto por Herschel Grynszpan, um refugiado judeu.

#éproibidocomparar”

N.E.

A.B.

“Estava agora mesmo no supermercado Coop da Colina Francesa [N.T.: a Colina Francesa é um bairro de Jerusalém Oriental, localizado próximo ao campus da Universidade Hebraica, onde moram cidadãos árabes e judeus, muitos deles colegas de turma] e, enquanto esperava na fila, ouvi uma conversa entre dois homens judeus:

– Estou triste o dia todo.

– Porquê?

– Você não sabe porquê?

Neste momento, achei que ele fosse falar que estava triste por causa dos três rapazes seqüestrados que foram assassinados. Mas não:

– Porque ainda não matei nenhum árabe hoje.

No supermercado, cheio de funcionários e clientes árabes, ele disse isso em voz alta sem evergonhar-se.

Logo percebi no caixa ao lado uma moça (que parecia ser árabe) olhando-o enfurecida.

Todo este ódio para mim é muito claro… há raiva e fúria para com o outro lado em função do ocorrido, e com razão. E quem me conhece sabe as minhas posições. Mas não podemos justificar exibições de ódio como essa que, além do fato de generalizarem os árabes, não contribuem para melhorar a situação e semeiam ainda mais ódio no outro lado para conosco!”

A.B., a mesma A.B. do post relatado mais acima.

C.T.“Há quase quatro anos eu trabalho em Jerusalém. Já vi de tudo. O belo e o feio. Sensatez e demência. Mas o que está acontecendo neste momento, em plana Praça Sion, com milhares de kahanistas, em sua maioria rapazes e moças, galopam pela Rua Yaffo em direção à Cidade Velha berrando “Morte aos árabes!” e “Queremos vingança!”, reconheço que esperava não ver no Estado de Israel em meus dias de vida. Espero muito que não aconteça uma pequena noite dos cristais na área do Portão de Damasco mas, pela indiferença da polícia e pela feição concentrada do [ex-deputado da extrema-direita Itamar] Ben Gvir e do [presidente da ONG extremista Lehava] Bentzi Gupshtein, eu realmente não sei o que pensar.

Em volta, as pessoas olham estupefadas, um árabe cochicha no telefone e olha amedrontado para qualquer movimentação, um homem mais velho me diz:

– Espera, em mais uns anos não teremos Estado.

Outras três jovens com adesivos “Kahane estava certo” e bandeiras de Israel cruzam a praça e se juntam à multidão.

Que deus tenha piedade de nós”

C.T.

C.M.“Estação ‘Yaffo – King George’ do bonde, 23:00. Um grupo de kahanistas cantam empolgados “Morte aos árabes!”. De pé, parada, assisto de lado a esta cena aterradora. Uma moça do grupo me pede um shekel para completar a passagem. Eu me afasto dela. Assim passam-se alguns minutos. Eu vejo que estão tentando articular um alvoroço em frente à casa do primeiro-ministro, então, como boa cidadã que sou, com fé na polícia (pois é) fui sussurrar (pois é) ao pé do ouvido do policial de maior patente que encontrei.

Então, do outro lado da rua, vejo uma moça com hijjab, correndo e abaixando sua cabeça. Pensei em ir atrás dela. Após alguns segundos, o rebanho passa a persegui-la, gritando “Morte aos árabes!”. Sinceramente temi por sua vida, sinceramente achei que fossem linchá-la. Não me contive e comecei a gritar que eram filhos da puta e que eu tinha vergonha deles. Então, até o trem chegar, alguns deles gritaram para mim também, e então temi por minha vida até que chegou um turista espanhol e me perguntou qual o motivo da confusão. Lhe expliquei e fiquei feliz de não estar ali sozinha entre eles.

No momento em que subi no vagão, percebi um garoto árabe sentado sozinho, então me sentei ao seu lado. Talvez porque eu sou uma maníaca esquerdista que se acha melhor que todo mundo (hipótese bastante difundida). Quando o grupo de recistas percebeu o garoto, as portas do vagão já havia se fechado, mas eles atingiam os vidros com golpes mortais e faziam gestos obscenos para o garoto. Ele fez os mesmos gestos de volta, mas sentava-se curvado e eu acredito que também um pouco amedrontado.

Liguei para a polícia. Na minha frente no vagão encontravam-se algumas mulheres religiosas. Expliquei para elas que eu temia pela minha vida e pelas vidas de quem circula pelas ruas de Jerusalém nesta noite dos cristais sem agradar aos kahanistas. Uma das mulheres me ouviu e foi simpática. Enquanto isso, as outras mulheres gritavam “Porque você defende os árabes?” e lhes respondi também aos berros. Senti bastante medo, para falar a verdade, mas aparentemente menos do que o garoto que se sentava ao meu lado. Sorte que de repente o M.S. chegou à cena, sentou-se ao meu lado e continuou o duelo em meu lugar. Ele tentou ser simpático e explicar, à sua maneira inteligente, e em sua ingenuidade perguntou se a vida de um judeu valeria mais que a vida de um árabe. A resposta de algumas pessoas à nossa volta era que a vida do judeu vale mais, sim! No final, até o M. perdeu a paciência após a moça desferir-lhe um golpe [verbal] afirmando que ele estava se lixando para o assassinato de três judeus.

Mudamos de lugar e comecei a balbuciar os versos de “katuv be-iparon bakaron hachatum” [N.T. poesia sobre o Holocausto]. Até que chegamos a Beit HaKarem, não parei de gritar o que gostaria de ter dito em voz baixa, que em toda a minha vida não havia visto tamanho demonstração de ódio. Em toda a minha vida, não havia estado tão próxima a um linchamento.

Não tenho muitas palavras de consolo no momento, ou mesmo palavras de reconciliação.

Apenas queria compartilhar a experiência e a taquicardia que ainda estou sentindo.

E obrigado novamente ao M., por existir.”

C.M.

A polícia impediu que os extremistas cruzassem a Praça Tzahal, que separa a prefeitura da Cidade Velha, representando a fronteira entre o lado judaico e o lado árabe de Jerusalém. Os manifestantes, então, se dispersaram em pequenos grupos que invadiam estabelecimentos comerciais judaicos à procura de funcionários árabes. Ao avistarem quaisquer pessoas de pele mais escura, perguntavam o horário, para identificar a etnia da potencial vítima pelo sotaque, evitando o “linchamento desnecessário” de judeus orientais.

Policiais tiveram que expulsar extremistas que queriam espancar funcionários árabes dentro da filial do McDonald’s e conter ataques a grupos de cidadãos muçulmanos que se reuniam pelo centro da cidade ao final do dia para a refeição de quebra do jejum diário de seu mês sagrado, o Ramadã.

Enquanto eu finalizava este artigo, já na manhã da quarta-feira, surgiam as notícias do desaparecimento de um jovem árabe. Os bandos responsáveis por toda a baderna da noite anterior eram os principais suspeitos. Engoli a perplexidade, tomei um café e fui à prefeitura resolver umas burocracias do meu IPTU. De volta à minha casa, ligo para a prefeitura novamente (pagamentos não podem ser feitos pessoalmente – não é só o Brasil que padece de burocracite), pago meu IPTU e, ao final da ligação, sem que a atendente perceba que ainda não havia desligado, ouço-a comentando com alguém: “Você viu que acharam o corpo do garoto árabe? Mas quem se importa com ele?”. As investigações indicam que não tratou-se de crime de ódio.

Estas pessoas, senhoras e senhores, estes são os inconseqüentes que se apoderaram da minha causa e me acusam de não ser sionista. Mais do que isso, por não odiar os árabes, nem desejar sua morte, me acusam de ingênuo e traidor da pátria.

Tenho vergonha de pertencer ao mesmo povo que todos estes indivíduos.

Não passarão!

Imagem de capa: http://www.haaretz.com/news/national/1.602523

Comentários    ( 24 )

24 comentários para “Olho por olho”

  • Rebeca Daylac

    02/07/2014 at 20:10

    Claudio,

    Querido, outro dia, quando ainda não tínhamos conhecimento da morte destes três meninos ( para nós mães, filhos serão sempre “meninos”) conversamos de como a VIDA anda desvalorizada em todas as sociedades do mundo e eu afirmei com toda certeza, que na sociedade israelense esta desvalorização não existia.
    Você teve de quem herdar esta sua igenuidade.
    Infelizmente esta desvalorização chegou muito perto de você.
    bj

  • Mario S Nusbaum

    02/07/2014 at 23:54

    Claudio,
    Também fiquei assustado, triste e revoltado com algumas reações israelenses, mas não chocado nem muito menos surpreso.
    Você exagerou muito, e cometeu alguns equívocos no seu artigo. Minha opinião, claro, e vou apontar alguns apenas, se não meu post será maior que o seu texto.

    OK, somente os autores do crime deveriam ser punidos, mas imagine que um parente bem próximo seu tivesse sido barbaramente assassinado e eu distribuísse doces celebrando o fato. Qual seria o seu sentimento em relação a mim?

    “um povo cujos heróis assassinam nossas crianças deve ser tratado no mesmo nível”.
    Sinceramente não sei como devem ser tratados, mas que seus heróis assassinam crianças israelenses é FATO.

    Vou encerrar ESTE post com o que considero seu maior erro, e, se for o caso, continuo nossa discussão em outro.

    ” A verdade é que nada mais fazem do que igualar-se aos idiotas medievais do episódio acima, ou de tantos outros, como o ataque às embaixadas americanas em retaliação à divulgação via YouTube do filme Innocence of Muslims, em setembro de 2012.”
    O que está acontecendo agora não tem absolutamente nada a ver com os dois episódios que você cita. Principais diferenças, todas importantíssimas:
    1) Nem o cartoonista nem o cineasta foram eleitos pelos povos de seus países
    2) Nem o filme nem o cartoon mataram ninguém
    3) A publicação do cartoon e a exibição do filme não foram festejados pela população
    Existem muitas outras um pouco menos relevantes, mas por enquanto fico nessas.

    Ops, ia deixar passar algo muito pior do que a comparação que você fez:
    “Eu sou uma pessoa bastante associativa. A primeira associação que me veio à cabeça foi “A Noite dos Cristais”, um dos progroms se não o maior de todos, que ocorreu porque os nazistas usaram-se no assassinato de um diplomata alemão ao Paris, morto por Herschel Grynszpan, um refugiado judeu.”
    Não sei o que significa ser “bastante associativa”, e pode-se associar qualquer coisa com qualquer coisa, ate, como aqui, duas completamente diferentes.
    1) Os judeus alemães homenagearam Herschel Grynszpan? Consideraram ele um herói?
    2) A polícia alemã reprimiu ou incentivou os responsáveis pela Noite dos Cristais? Em QUALQUER país do mundo podem ocorrer, e ocorrem, manifestações violentas por parte de população. Em alguns elas o governo as reprime, em outros tolera, em outros ainda incentiva, no caso dos três garotos, festejaram, acharam o máximo.

    • Claudio Daylac

      03/07/2014 at 00:33

      Mario,

      Obrigado por mais uma visita e mais um comentário.

      Mais uma vez, lhe digo que o texto deve ser analisado como um todo. Não em suas partes. Cada parte apenas faz sentido se lida em conjunto com as demais, na ordem que escolhi publicá-las.

      Em função disso, peço-lhe que pare de citar trechos e analisá-los como se fossem artigos independentes. Acho que perdemos a essência da mensagem ao desmontá-la.

      Eu não exagerei. E não consigo imaginar como você chegou a esta conclusão.

      Se você distribuisse doces celebrando o assassinato de um parente meu, eu concluiria que você é um idiota. Mas não almejaria assassinar-lhe, nem à sua família, ou destruir a casa de vocês. Eu apenas concluiria que você é um idiota.

      Quanto à comparação com o episódio do cartoon, eu lhe lembro que os seqüestradores também não foram eleitos pelo povo de seu país. Lhe lembro também que a raíz do terrorismo é atrair atenção para uma causa e parte disso vem do ato de assumir a culpa. O Hamas não assumiu a culpa pelo seqüestro/assassinato destes garotos. Acredita-se que tenha sido uma célula independente.

      Quanto à última citação, note que ela está entre aspas. Estou citando meu colega, cujo nome optei por omitir. É ele a pessoa associativa. Os estudos psicológicos e pedagógicos indicam que a inteligência se desenvolve de maneira diferente entre as pessoas. Há nove tipos de inteligência. Eu também não me considero uma pessoa associativa, mas entendo que tem gente que entende o mundo desta maneira.

      Eu imagino que os judeus alemães, enquanto comunidade organizada, não homenagearam o assassino de 1938, nem o consideraram um herói. Acredito que, devido à situação dos judeus na Alemanhã à época, muitos devem ter ficado satisfeitos. Acedito também que são reações individuais.

      É exatamente isso que acontece com os palestinos.

      Se você realmente os enxerga de maneira monolítica quando vê um grupo de palestinos comemorando a morte de um israelense, eu acho que você está errado, exatamente como as pessoas que eu critico no artigo. Imagino que não.

      Por fim, faço notar que a Noite dos Cristais e o lamentável episódio dos cartoons dinamarqueses são apenas episódios que uso para contextualizar meu artigo. O cerne da questão é a incitação à violência, o racismo, a punição coletiva e a vontade de fazer justiça com as próprias mãos.

      Gostaria de focar nossa discussão nestes temas. Esqueçamos se a minha descrição destes episódios do passado está correta: qual a sua opinião sobre o que ocorreu ontem?

      Eu acho que, ainda que sejam milhares de pessoas, não representam o público israelense como um todo e devem ser presos e processados de maneira legal. Essa é a minha opinião sobre qualquer pessoa que comete qualquer crime, aliás. Idependente da mãe dele ficar satisfeita ou revoltada, perder o apetite ou assar um bolo de chocolate.

      Um abraço,

    • Mario S Nusbaum

      03/07/2014 at 23:13

      “Obrigado por mais uma visita e mais um comentário.”
      É sempre um prazer Claudio, sério.
      “Mais uma vez, lhe digo que o texto deve ser analisado como um todo. Não em suas partes. Cada parte apenas faz sentido se lida em conjunto com as demais, na ordem que escolhi publicá-las.”
      OK, crítica aceita, mas é que certas vezes alguns trechos se destacam e influenciam a opinião de quem lê.

      “Se você distribuisse doces celebrando o assassinato de um parente meu, eu concluiria que você é um idiota. Mas não almejaria assassinar-lhe, nem à sua família, ou destruir a casa de vocês.”
      Muito provavelmente, mas não me surpreenderia em nada alguém que NESSAS circunstâncias partisse para a porrada e não o condenaria. Nunca foi uma boa ideia provocar quem está p da vida. Um exemplo do dia-a-dia brasileiro, e não estou defendendo: é muito diferente fazer gozação com um fanático por futebol quando os times estão de férias ou quando seu time acabou de perder um jogo decisivo. Eu não respondo por mim, sinceramente não posso afirmar com convicção que não reagiria a uma celebração pela morte de alguém querido.

      “Quanto à comparação com o episódio do cartoon, eu lhe lembro que os seqüestradores também não foram eleitos pelo povo de seu país.” Os sequestradores não, mas quem lhes financia, apoia e aplaude sim. Claudio, NENHUM grupo terrorista dura muito tempo sem apoio da população local.
      No Brasil (8,5 milhões de km2) quando decidiram acabar com os terroristas acabaram. NINGUÉM e NADA vai me convencer de que o hamas e a AP não conseguiriam fazer o mesmo em Gaza e Cisjordânia.
      “Acredita-se que tenha sido uma célula independente.”
      Faz muito tempo que eu propus a seguinte ideia: Israel cria um grupo, super bem treinado, equipado e financiado, dá o nome de, sei lá, macabeus e lava as mãos. Se esse grupo explodir metade de Gaza, basta dizer que trata-se de uma “célula independente”.
      Não conheço Gaza, mas não consigo imaginar um regime ditatorial que não consegue controlar um território daquele tamanho que nem florestas tem.

      “mas entendo que tem gente que entende o mundo desta maneira.”
      Tudo bem, mas assim como pessoas analíticas fazem análises erradas, imagino que o mesmo acontece com as associativas.

      “Eu imagino que os judeus alemães, enquanto comunidade organizada, não homenagearam o assassino de 1938, nem o consideraram um herói. Acredito que, devido à situação dos judeus na Alemanhã à época, muitos devem ter ficado satisfeitos. Acedito também que são reações individuais”
      Voltemos a Gaza. A homenagem aos assassinos de bebe libertados em troca do Shalit foram oficiais. NADA acontece por lá sem que o hamas aprove.

      “Se você realmente os enxerga de maneira monolítica quando vê um grupo de palestinos comemorando a morte de um israelense”
      Claro que não, mas também não os enxergo SÓ como um grupo de palestinos comemorando a morte de um israelense. Vejo também muitos que acham isso triste e lamentável e são OBRIGADOS a ficar calados para não serem assassinados. Vejo além disso uma liderança (eleita por eles) dando todo o apoio.

      “Por fim, faço notar que a Noite dos Cristais e o lamentável episódio dos cartoons dinamarqueses são apenas episódios que uso para contextualizar meu artigo. O cerne da questão é a incitação à violência, o racismo, a punição coletiva e a vontade de fazer justiça com as próprias mãos.”
      Verdade, mas volto a lembrar que os cartoons não mataram ninguém.

      “Eu acho que, ainda que sejam milhares de pessoas, não representam o público israelense como um todo e devem ser presos e processados de maneira legal”
      Ah ha! E finalmente chegamos no ponto x da questão! Eles SERÃO ao contrário dos do “outro lado”.

      ” qual a sua opinião sobre o que ocorreu ontem?”
      Desaprovo totalmente, mas não tem NADA a ver com o que acontece ROTINEIRAMENTE entre os palestinos. Coisas como essa podem ocorrer, e ocorrem, em qualquer país do mundo. Em alguns os governos as reprimem, em outros tolera, e em poucos (felizmente) apoia.

      “Essa é a minha opinião sobre qualquer pessoa que comete qualquer crime, aliás. Idependente da mãe dele ficar satisfeita ou revoltada, perder o apetite ou assar um bolo de chocolate.”
      Claudio, acho que minha posição não ficou clara. Não acho que a pena de um assassino deva ser maior ou menor de acordo com a reação de sua mãe, apenas digo que uma sociedade em que ela assas um bolo de chocolate está seriamente enferma e não há diálogo possível.
      um abraço

  • Daniel Avlis

    03/07/2014 at 02:12

    Seu texto, com o devido respeito ao tema de extrema gravidade, é incrível. Me senti vivendo as suas emoções nas ruas de Jerusalém. Que sufoco! Que tristeza! Que emoções contraditórias! E que coragem! Espero que as pessoas encontrem suas sanidades para resolverem essa situação da forma mais equilibrada possível! Shalom! Parabéns e Boa sorte – baruk hashen

    • Claudio Daylac

      03/07/2014 at 02:23

      Olá, Daniel.

      Obrigado pela visita e pelo comentário.

      Realmente foram 48 horas sufocantes e o fato de transmitir este sentimento me ajudou a desabafar um pouco.

      Veja que agora à noite ouve um protesto contra a violência e o racismo. Acho que temos também sanidades.

      Um abraço.

  • vodo

    03/07/2014 at 03:42

    tbm nao concordo com a comparaçao que vc fez das charges satirizarando/estigmatizando o islã/reaçoes absurdas que decorreram daquilo, com o episódio dos 3 garotos.

    sobre a comparaçao com a noite dos cristais, nao estou aí pra sentir o que está acontcendo, mas me parece que a comparaçao caberia, sim.

    • Claudio Daylac

      03/07/2014 at 06:26

      Olá, Vodo.

      Acho que fui mal interpretado.

      Estou comparando as reações em ambos os casos.

      Um abraço.

  • Ramon

    03/07/2014 at 05:42

    Texto desnecessário! Comparações infelizes! Não sou a favor do radicalismo praticado pelos manifestantes e internautas que você citou. Só acho que foi extremamente infeliz expor essas “conclusões” todas diante do contexto geopolitico que nos encontramos. 3 CRIANÇAS brutamente assassinadas. Estudantes, não militares! Hamas (que prega a destruição do Estado de Israel) se aliando novamente ao Fatah. E a grande maioria da população Palestina E arábe-israelense se vangloriando do ato heróico desses vermes. Cai na real! Eles não querem a paz. Se a guerra e ódio é a melhor solução? Com certeza não… Mas não julguem mal os governantes de Israel, ainda mais porque são recém chegados e não passaram pelo o que eles já passaram.
    Comparar com a noite dos cristais… Era só o que faltava!

    • Claudio Daylac

      03/07/2014 at 06:06

      Ramon,

      Obrigado pela sua visita e pelo seu comentário.

      Você menciona que a grande maioria dos palestinos e dos árabes-israelenses vongloriaram-se com o ato terrorista. Eu não tive essa percepção.

      Como você chegou a esta conclusão? Você tem esses dados para compartilhar com a gente?

      Um abraço.

    • Ramon

      10/07/2014 at 21:59

      Claudio,

      Acho que você poderia juntar meia dúzia de voluntários humanistas, ir para Gaza, distribuir comida e suprimentos e aproveitar para fazer essa enquete. Pergunta para eles o que acham do assassinato dos 3 garotos. Posso ter exagerado, porque coloquei um dado que eu realmente não tenho, mas qual é a sua percepção sobre isso? Pelo seu bom senso, você não chega a essa conclusão? Isso em relação aos Palestinos. Quanto aos Árabes-Israelenses, amigos e familiares meus tem também a mesma percepção que a minha pois convivem quase diariamente com eles. Não demostraram nenhum pesar sobre o ato…

      Em relação ao protestos, não sou favor de violência. E também assim como você repudio qualquer generalização, atos racistas, insulto contra árabes e etc… Mas cara, na minha opinião você colocou comparações fortes e desnecessárias num período em que Am Israel tinha é que se unir. Criticou as ações do governo, o qual na minha opinião você não tem gabarito para falar. Acha que é fácil tomar a decisão de tomar ou não uma ofensiva contra o Hamas?

      Com esse texto, em português, visando o público Brasileiro, você tira o foco de um assunto muito mais grave, que é o risco que Israel corre com o Hamas e a questão de uma guerra eminente e coloca em cima de problemas isolados. Alguns babacas resolveram partir para a rua protestar de forma errada e violenta, mas isso pode ser contornado dentro de casa. É muito fácil ser do contra, não? Relaxa, a mídia brasileira, 100% parcial, já está fazendo a propagandas Anti-Israel. A opinião dos brasileiros mal-informados, de classes mais humildes, já é Anti-Israel. Você agora quer contribuir mais com isso?

      “Tenho vergonha de pertencer ao mesmo povo que todos estes indivíduos.” – Como pode falar isso? Com esses acontecimentos todos, com Hamas ganhando força e querendo nos destruir, você parece estar mais preocupado com a forma de conduta humanitária, que deveria ser de 100% da população (que infelizmente é uma utopia), do que com os problemas que estamos passando. Você sabe muito bem que no nosso lado temos apenas uma pequena parcela da população que recorre a esse tipo de violencia. Já do lado deles…

      A única forma de resolver essa situação, é conter o Hamas. Por bem, parece que não vai ser possível. Então talvez tenha que ser na porrada mesmo. O que seria pra mim a solução definitiva para esse conflito todo seria uma liderança palestina que aceitasse nosso Estado. Assim, quem sabe, poderíamos ajudá-los a montar um estado com educação, dignidade, democracia, princípios… Imagina o que seria se pudéssemos educar o povo palestino, ajudar a organizar seu estado, desenvolver empregos, etc… Mas isso nunca será possível com os lideres do Hamas.

      Abs,

      Ramon

    • Claudio Daylac

      11/07/2014 at 02:33

      Olá, Ramon.

      Eu também conheço árabes-israelenses. Eles não estão felizes com a situação. Não vi ninguém comemorando o assassinato dos rapazes israelenses. Pior, agora estão com medo de andar na rua sozinhos. Não permitem que suas mulheres saiam para fazer compras no lado judaico de Jerusalém com medo violência.

      Eu também acho que o povo de Israel tem que se unir. Mas se existem duas posturas: uma a favor da vingança com as próprias mãos e outra contra, e eu sou contra, porque sou eu que tenho que me unir à outra idéia? Por que não são os inconseqüentes que têm que entender que vivemos num Estado de direito, com polícia e exército e deixar que os profissionais resolvam estas questões? Fico feliz que você concorda comigo sobre a violência e te convido a lutar comigo contra esse fenômeno doentio da sociedade israelense.

      Eu não quero tirar o foco de nada, muito menos do Hamas que lança foguetes sobre a minha cabeça. Escrevi sobre um episódio que vi com meus próprios olhos e me assustei. Eu sou cidadão israelense, moro aqui, em Jerusalém, voto e pago impostos. Isso me qualifica para criticar o meu governo. Quando você critica o governo brasileiro, ninguém avalia se você está gabaritado para tal. Só os economistas podem criticar as políticas que geram inflação? Só os professores podem criticar a qualidade do ensino do país?

      Se este bando de inconseqüentes não têm vergonha de sair na rua gritando “morte aos árabes”, porque eu haveria de ter vergonha de expô-los? E você? Não tem vergonha de ver pessoas de kipá, carregando a bandeira de Israel nas mãos enquanto perseguem árabes funcionários do McDonald’s?

      Como expliquei anteriormente, acredito no Estado de Israel tem instituições como polícia e exército que devem cuidar destas questões. Acredito que devemos atacar o Hamas e destruir sua infra-estrutura de terror. Mas não acho que devemos abrir mão de nossa democracia enquanto isto ocorre. Não podemos fechar os olhos para os radicais do nosso lado. Sou israelense e só posso melhorar a minha sociedade. Não almejo, daqui de Israel, influenciar o Brasil, a Alemanha, a Argentina ou a Palestina. Mas busco a cada instante construir uma sociedade mais iluminada no país onde vivo.

      O Conexão Israel não é mais um site de Hasbará, como existem dezenas por aí. Nosso objetivo não é esconder os defeitos da sociedade israelense e ficar repetindo suas qualidades como robôs. Somos uma revista, que reporta e analisa o quotidiano do país como o vemos. Escrevemos coisas sobre incríveis que ocorrem aqui, mesmo as mais pequenas, como neste exemplo, mas não nos calamos diante dos absurdos.

      Não sei se você conhece o nosso site, ou se chegou apenas a este artigo específico. Acredito que estamos fazendo uma cobertura consistente da atualidade, trazendo um post cru, apenas com fatos, a cada dia. Mas nosso forte é a opinião, e disso não abdicaremos. É consenso entre os autores que Israel precisa desmontar a capacidade bélica do Hamas, mas esta não é a única questão em Israel no momento.

      Um abraço.

  • Débora B

    03/07/2014 at 05:54

    Olá, Claudio, parabéns pelo seu texto. Compartilho da sua visão e estou muito triste com os eventos atuais.
    Me parece que o mais difícil é mesmo olhar para o próprio umbigo (os problemas da nossa comunidade, ou mesmo os nossos).
    Torcendo para que as coisas se acalmem logo. 🙂

    • Claudio Daylac

      03/07/2014 at 06:08

      Olá, Débora.

      Obrigado pela sua visita e pelo seu comentário.

      Estes são dias difíceis, mas as coisas vão melhorar.

      Um abraço.

    • Mario S Nusbaum

      03/07/2014 at 23:56

      “Me parece que o mais difícil é mesmo olhar para o próprio umbigo (os problemas da nossa comunidade, ou mesmo os nossos)” É sempre difícil mesmo Débora, mas existe algo chamado prioridade. Se meu vizinho tem como objetivo principal a minha morte, e vive tentando, dificilmente eu iria dedicar muito tempo a alguns azulejos que caíram.
      E mais uma coisinha, li, reli e voltei a reler o texto do Claudio e percebi que ninguém matou ninguém. ATENÇÂO! Sou RADICALMENTE contra estes fanáticos, sempre fui, e não só em episódios como esse. Me revoltou muito quando cuspiram naquela menina de 8 anos por não se vestir “adequadamente” e outras ações parecidas, mas como eu disse, existe algo chamado prioridade.
      Se de um lado existe quem assassina quem discorda dele e arrasta os cadáveres pelas ruas e de outro quem grita morte a x, quem é mais perigoso? Com quem devemos tomar mais cuidado? .

  • Alessandro

    03/07/2014 at 13:41

    Esta visão pura e ingênua da esquerda romântica é ideal para as intensões do radicalismo muçulmano. Facilitaria muito as coisas a eles.

    A equação no caso Palestino Islâmico Radical é simples: Só se evita sequestros de Israelenses, a partir do momento que não valha a pena aos Palestinos sequestrar israelenses. Hoje não vale a Fattah entrar em luta armada contra Israel e por isso não há luta armada. Hoje não vale a pena fazer uma 3.a intifada e por este motivo não se faz uma 3.a intifada.
    Como valeu a pena a troca que foi feita de 1.000 para 1 com Gilad Shalit, valia a pena tentar o mesmo com os 3 garotos.

    Construir 3 colônias, além de legítimo, já que damos direitos a mais de 1,5 milhão de árabes, é uma forma pacífica de fazer não valer a pena. E se você chama isso de punição coletiva, então a maior punição coletiva quem passa é o israelense.

    Os garotos foram mortos simplesmente por ser judeus e estarem em “Terra Palestina” ?
    Então porque seria diferente ser árabe muçulmano vivendo em “Terra Israelense” ?
    Não estou defendendo a expulsão dos árabes de Israel. Estou defendendo que independente dos acertos políticos, se é legítimo a um árabe muçulmano morar em Israel, é legítimo a um judeu israelense morar nos assentamentos.

    • Claudio Daylac

      03/07/2014 at 13:50

      Alessandro, você leu o artigo?

      Acredito que não estamos falando sobre o mesmo assunto.

      Um abraço,
      Claudio

  • moti sobel

    03/07/2014 at 23:14

    A diferença entre judeus e palestinos é que judeus escrevem ou falam essas coisas terríveis e os palestinos fazem. Simples.

    • Mario S Nusbaum

      04/07/2014 at 17:31

      Existem muitas outras moti. Por exemplo: o Claudio não vai ser ameaçado de estupro e morte como alguns palestinos que se manifestam contra o racismo e a violência, a polícia de Israel AGE contra os “nossos” malucos.

  • Mario S Nusbaum

    03/07/2014 at 23:28

    “Com um agravante: lar de uma grande população ultra-ortodoxa que não trabalha, Jerusalém também se dá ao luxo de ter protestos durante o dia, no horário comercial. Aqui não tem apenas “depois do expediente, todo mundo na Rio Branco protestando”, mas também “sai de casa agora e vamos bloquear a entrada da cidade no meio da terça-feira”. Você está extremamente desatualizado Claudio! Hoje mesmo bloquearam a av. Paulista no horário comercial e não foi coincidência, isso acontece mais de uma vez por semana.
    Hoje em dia não faltam agitadores que não trabalham aqui no Brasil, só que é muito pior do que em Israel, onde, pelo menos até onde sei, os desocupados não saqueiam e destroem propriedades públicas e privadas.

  • Alberto

    06/07/2014 at 00:58

    Só uma crítica. Achei que rotular a deputada israelense de “playmate” (na legenda da foto) foi desnecessário e machista. Ficou a impressão (errada, espero) de que o autor faz concessões à misoginia quando se trata de atacar aqueles de quem discorda. De mau gosto e destoando do resto do texto.

    • Claudio Daylac

      06/07/2014 at 01:33

      Olá, Alberto.

      Obrigado por sua visita e por seu comentário.

      Aceito sua crítica e assumo que fiz uma piada para poucos entenderem.

      Ayelet Shaked muitas vezes é usada como mulher, laica, de Tel Aviv e muito bonita que é, para exibir pensamentos da extema-direita israelense como se não fossem radicais, mas sim originados da maioria da população – como os desavisados poderiam visualmente identificá-la.

      Espero ter explicado a citação e peço desculpas pela indelicadeza.

      Um abraço,
      Claudio

  • Hélio Eduardo Lopes

    01/08/2014 at 06:14

    Parabéns pelo texto, rapaz…

    É difícil esta postura. Foi a primeira que vi diferente do “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Dizer não à guerra, independente do lado que se está é papel de poucos.

    Lendo seu texto me lembro do Manifesto de Gandhi, de 1938, em que trata de judeus e nazistas. E vejo tantas tristes semelhanças… Trago-o aqui, para sua leitura, pois não sei se o conhece.

    Harijan, em 26 de novembro de 1938.

    “Recebi muitas cartas solicitando a minha opinião sobre a questão judaico-palestina e sobre a perseguição aos judeus na Alemanha. Não é sem hesitação que ouso expor o meu ponto-de-vista.

    Na Alemanha as minhas simpatias estão todas com os judeus. Eu os conheci intimamente na África do Sul. Alguns deles se tornaram grandes amigos. Através destes amigos aprendi muito sobre as perseguições que sofreram. Eles têm sido os “intocáveis” do cristianismo; há um paralelo entre eles, e os “intocáveis” dos hindus. Sanções religiosas foram invocadas nos dois casos para justificar o tratamento dispensado a eles. Afora as amizades, há a mais universal razão para a minha simpatia pelos judeus. No entanto, a minha simpatia não me cega para a necessidade de Justiça.

    O pedido por um lar nacional para os judeus não me convence.

    Por quê eles não fazem, como qualquer outro dos povos do planeta, que vivem no país onde nasceram e fizeram dele o seu lar?

    A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.

    É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.

    O caminho mais nobre seria insistir num tratamento justo para os judeus em qualquer parte do mundo em que eles nascessem ou vivessem. Os judeus nascidos na França são franceses, da mesma forma que os cristãos nascidos na França são franceses.

    Se os judeus não têm um lar senão a Palestina, eles apreciariam a idéia de serem forçados a deixar as outras partes do mundo onde estão assentados? Ou eles querem um lar duplo onde possam ficar à vontade?

    Este pedido por um lar nacional oferece várias justificativas para a expulsão dos judeus da Alemanha. Mas a perseguição dos alemães aos judeus parece não ter paralelo na História. Os antigos tiranos nunca foram tão loucos quanto Hitler parece ser.

    E ele está fazendo isso com zelo religioso. Ele está propondo uma nova religião de exclusivo e militante nacionalismo em nome do qual, qualquer atrocidade se transforma em um ato de humanidade a ser recompensado aqui e no futuro. Os crimes de um homem desorientado e intrépido, estão sendo observados sob o olhar da sua raça, com uma ferocidade inacreditável.

    Se houver sempre uma guerra justificável em nome da humanidade, a guerra contra a Alemanha para prevenir a perseguição desumana contra uma raça inteira seria totalmente justificável. Mas eu não acredito em guerra nenhuma. A discussão sobre a conveniência ou inconveniência de uma guerra está, portanto, fora do meu horizonte. Mas se não pode haver guerra contra a Alemanha, mesmo por crimes que estão sendo cometidos contra os judeus, certamente não pode haver aliança com a Alemanha. Como pode haver aliança entre duas nações que clamam por justiça e democracia e uma se declara inimiga da outra? Ou a Inglaterra está se inclinando para uma ditadura armada, e o que isso significa?

    A Alemanha está mostrando ao mundo como a violência pode ser eficientemente trabalhada quando não é dissimulada por nenhuma hipocrisia ou fraqueza mascarada de humanitarismo; está mostrando como é hediondo, terrível e assustador quando isso aparece às claras, sem disfarces. Os judeus podem resistir a esta organizada e desavergonhada perseguição? Existe uma maneira de preservar a sua auto-estima e não se sentirem indefesos, abandonados e infelizes? Eu acredito que sim. Ninguém que tenha fé em Deus precisa se sentir indefeso, ou infeliz. O Jeová dos judeus é um Deus mais pessoal que o Deus dos cristãos, muçulmanos ou hindus, embora realmente, em sua essência, Ele seja comum a todos. Mas como os judeus atribuem personalidade a Deus e acreditam que Ele regula cada ação deles, estes não se sentiriam desamparados.

    Se eu fosse judeu e tivesse nascido na Alemanha e merecido a minha subsistência lá, eu reivindicaria a Alemanha como o meu lar, do mesmo modo que um “genuíno” alemão o faria, e desafiaria qualquer um a me jogar na masmorra; eu me recusaria a ser expulso ou a sofrer discriminação. E fazendo isso, não deveria esperar por outros judeus me seguindo em uma resistência civil, mas teria confiança que no final estariam compelidos a seguir o meu exemplo.

    E agora uma palavra aos judeus na Palestina:

    Não tenho dúvidas de que os judeus estão indo pelo caminho errado. A Palestina, na concepção bíblica, não é um tratado geográfico. Ela está em seus corações. Mas se eles devem olhar a Palestina pela geografia como sua pátria mãe, está errado aceitá-la sob a sombra do belicismo britânico. Um ato religioso não pode acontecer com a ajuda da baioneta ou da bomba. Eles poderiam estabelecer-se na Palestina somente pela boa vontade dos palestinos. Eles deveriam procurar convencer o coração palestino. O mesmo Deus que rege o coração árabe, rege o coração judeu. Só assim eles teriam a opinião mundial favorável às suas aspirações religiosas. Há centenas de caminhos para uma solução com os árabes, se descartarem a ajuda da baioneta britânica.

    Como está acontecendo, os judeus são responsáveis e cúmplices com outros países, em arruinar um povo que não fez nada de errado com eles.

    Eu não estou defendendo as reações dos palestinos. Eu desejaria que tivessem escolhido o caminho da não-violência a resistir ao que eles, corretamente, consideraram como invasão de seu país por estrangeiros. Porém, de acordo com os cânones aceitos de certo e errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe face aos esmagadores acontecimentos.

    Deixemos os judeus, que clamam serem os Escolhidos por Deus, provar o seu título escolhendo o caminho da não-violência para reclamar a sua posição na Terra. Todos os países são o lar deles, incluindo a Palestina, não por agressão mas por culto ao amor.

    Um amigo judeu me mandou um livro chamado A contribuição judaica para a civilização, de Cecil Roth. O livro nos dá uma idéia do que os judeus fizeram para enriquecer a literatura, a arte, a música, o drama, a ciência, a medicina, a agricultura etc., no mundo. Determinada a vontade, os judeus podem se recusar a serem tratados como os párias do Ocidente, de serem desprezados ou tratados com condescendência.

    Eles podiam chamar a atenção e o respeito do mundo por serem a criação escolhida de Deus, em vez de se afundarem naquela brutalidade sem limites. Eles podiam somar às suas várias contribuições, a contribuição da ação da não-violência.”

  • Ulyane

    16/12/2014 at 06:43

    Sou brasileira, amo o Brasil com tudo que há de maravilhoso e bagunçado, com carnaval,violência, alegria,protestos,roubalheira dos políticos, essa montanha russa constante e tão deliciosamente brasileira.Sou cristã não fanática e pelo que leio(de curiosidade, rs) os palestinos sofrem muitas privações e humilhações de todo o tipo.Os judeus quando foram maltratados pelos nazistas sentiram a dor da humilhação,privação e perda da dignidade e da vida.Não aprenderam nada com isso? Enquanto os americanos “fornecem” armas para Israel num joguinho sujo político, a mídia israelense e um bando de fanáticos fazem discurso de ódio, os homens de bem (Utopia??!) deveriam exercitar a empatia que é capacidade de se colocar no lugar do outro e julgá´-lo segundo seu ponto de vista e sua vivência diária e sair pras ruas pedindo PAZ e Conciliação. Com certeza não será com repressão que vocês conquistarão o direito de viver em segurança. Não se levem tão a sério, árabes e judeus são primos!Que triste essa briga em família. Abraços

Você é humano? *