Or: Luz para Elkabetz

O cinema nos faz viajar na fantasia, mas pode escancarar realidades menos agradáveis. A americana-israelense Keren Yedaya conseguiu levar às telonas história verossímil, pouco romantizada. Porém, com conotação sexual.

Ruthie é prostituta. Depressiva, alterna internações com sua atividade profissional. Sua filha, Or, está prestes a completar 18 anos. Cursa o último ano do Ensino Médio, trabalha em um restaurante e cata garrafas pelas ruas, para ajudar a mãe no orçamento da casa. O pai não aparece dentro da trama.

A jovem (Dana Ivgi) conta com a ajuda da assistente social para tirar Ruthie (Ronit Elkabetz), tanto da depressão, como da prostituição. Or carrega o peso de cuidar da mãe, sustentá-la e ainda bancar seus sonhos de um futuro melhor. Os vizinhos a tratam como filha, são donos do estabelecimento onde trabalha, mas não aprovam o namorinho de seu rebento com ela.

Todas as cenas se passam na região central de Tel Aviv. Ruthie costuma pagar o aluguel “em espécie” ao proprietário. Com o amadurecimento físico de Or, o velho esticou os olhos para a adolescente, que “quita a dívida”.

Mesmo conseguindo empregos alternativos à mãe, torcendo muito para que dê certo, a situação não muda. Ivgi vê a personagem de Elkabetz cada vez mais afundada em remédios tarja preta, sem condições de levantar do sofá, nem colocar um tostão em casa.

Or termina procurando uma agência de acompanhantes de rapazes, onde prometem uma grana forte. Lá, recebe o “nome de guerra” Sivan. Ao tentar puxar a mãe de dentro da areia movediça, acaba caindo na mesma lama.

O filme foi premiado em Cannes e Jerusalém (2004). Yedaya levou o “Caméra d´Or”, na França. Dana Ivgi foi a “melhor atriz”, segundo o festival israelense.

Há poucos dias, Ronit Elkabetz, 51, nos deixou, vitimada por um câncer. Sua carreira foi recheada de atuações impactantes. Em “A Banda” (2007), agraciada em Cannes, novamente.

Recomendo ler, ou reler, texto do Claudio Daylac http://www.conexaoisrael.org/o-julgamento-de-viviane-amsalem/2016-01-18/claudiodaylac
Filme indicado como “melhor estrangeiro”, Globo de Ouro (2015).

Ronit era uma guria ainda. Havia cravado a bandeira do cinema israelense na França. Presidiu, inclusive, um júri em Cannes.

Ficam saudades e uma filmografia forte. São muitos tapas de realidade na cara do mundo.

Links: Filme Or https://www.youtube.com/watch?v=uKbiotNYFSM
Sinopse http://www.imdb.com/title/tt0388311/plotsummary?ref_=tt_ov_pl

PS: Or, em hebraico, significa Luz.
Foto: Any Dana.

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