Os cães da guerra

06/07/2014 | Conflito; Opinião; Sionismo

Artigo conjunto de Yair Mau e Marcelo Treistman.


Em certo momento da peça Júlio César, de Shakespeare, a multidão sai pelas ruas querendo vingar o assassinato de César, depois de inflamados por Marco Antônio. Encontram um poeta, e perguntam seu nome. “Meu nome é Cina”, e a multidão “despedacem-no, ele é um conspirador!” Cina desesperado responde que é um poeta, não o conspirador de mesmo nome! A massa não quer nem saber, “não importa, o seu nome é Cina”, e que o despedaçariam então pelos maus versos que escreve.

Nos últimos dias em Israel, a maior parte da sociedade foi surpreendida pela fúria de alguns indivíduos que, ensandecidos, procuravam “o conspirador cina” pelas ruas de Jerusalém. Queriam fazê-lo pagar com a sua própria vida pelos pecados que cometera. Para esta turba de animais, não importava nem um pouco se estariam julgando e punindo o “Cina” correto. Apenas o nome parecido, a cor da pele parecida, o sotaque parecido, já seria o bastante para condená-lo a morte. Para eles de nada importava se a vítima fosse apenas um poeta, não o “conspirador”.

Em alguns artigos do Conexão Israel (pe djora, olho por olho), trouxemos algumas tristes declarações, posts, discursos e artigos do lado israelense surgidos em meio ao sequestro e posteriormente ao assassinato de três adolescentes judeus por terroristas palestinos.

Recebemos diversos comentários raivosos, acusando-nos de antissemitas, antissionistas, panacas, terroristas, self-hating-jews. Os mais carinhosos, nos qualificavam apenas de ingênuos.

O Conexão foi criado porque observamos um vácuo de informações que chegavam à sociedade brasileira acerca de Israel. Nunca quisemos fazer pura e simples Hasbará, isto é, defender Israel incondicionalmente. Esta prática de defesa sem auto-crítica causa um dano enorme a todo nosso povo.

O que diferencia a massa desgovernada ilustrada na peça Júlio César de uma sociedade democrática baseada no cumprimento de leis são as concessões que fazemos ao grupo em nome da nossa segurança. Uma das mais importantes concessões que fazemos é a impossibilidade de se fazer justiça com as próprias mãos. Ninguém deseja viver em um local, cidade ou país, em que um grupo ensandecido possa confundir-lhe com o “Cina” da vez. Que te julgue sem direito amplo a defesa. Que te puna sem o devido processo legal.

Não é o sistema de governo que forma a sociedade. É a sociedade que define o sistema de governo. Não são as leis que formam a sociedade, é ela, a sociedade, que define a sua legislação. Não é a força militar que sustenta a sociedade. É a sociedade que define que tipo de exército deseja ter.

A larga maioria da sociedade israelense deseja que o país siga firme no trilho da democracia. Somos um Estado verdadeiramente democrático e somos uma sociedade que escolheu viver sob o império de leis democraticamente instituídas.

Entretanto, a manutenção desse caráter democrático do Estado depende de uma constante supervisão e controle. A sensibilidade democrática é muito “dolorida” e qualquer coisa ela grita. Este “grito” necessário nada mais é do que a tentativa de impedir que bandos desrespeitem a lei (que garante a segurança de todos) em nome de uma justiça particular.

Nós não escondemos os nossos terroristas, racistas e xenófobos debaixo do tapete. Não nos vangloriamos que existam pessoas assim entre nós. É nosso dever como sociedade, como comunidade, como povo, apontar o dedo na cara destes indivíduos para dizer em alto e bom som: “Nós não somos como vocês. Não queremos ser como vocês. Vocês não tem espaço na nossa sociedade”.

Abaixo separamos alguns exemplos de como a sociedade israelense está reagindo à loucura dos últimos dias e semanas. A maior parte dos israelenses quer deixar claro que não é possível exigir vingança num dia e dizer no dia seguinte que somos a única democracia do Oriente Médio. O racismo e a sede de vingança são incompatíveis com um “Estado judaico e democrático”.

Ação

Assistam ao vídeo abaixo, filmado no centro de Jerusalém dia primeiro de julho. O hebraico é simples, todos gritam “morte aos árabes”.

Uma comunidade no Facebook, chamada “o povo de israel exige vingança” atraiu mais de 35 mil membros em dois dias, antes de ser fechada pela rede social. Para eles, o mais justo a se fazer agora é vingar a morte dos três garotos judeus, matando seus assassinos, suas famílias, seus vizinhos, e qualquer outro palestino que passar pelo caminho.

Muitos deles são adolescentes, como no vídeo acima, e como as duas boçais da imagem abaixo, que dizem: “Odiar árabes não é racismo, é uma questão de valores! #IsraelExigeVingança”. Muitos outros são soldados, um deles aparece numa imagem que diz “Deixe-nos simplesmente metralhar!!”.

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Nesta segunda-feira, o presidente mundial do movimento juvenil judaico Bnei Akiva, o rabino Noam Perel, divulgou em sua página no Facebook que “Uma nação inteira e milhares de anos de História pedem vingança. A desgraça será paga com o sangue de nosso inimigo, não com nossas lágrimas”. Parte do post original do Facebook (imagem abaixo), parece indicar que ele deseja que o exército de pessoas que estavam às buscas dos três garotos judeus se transforme num exército de vingadores.

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Um jovem árabe de Jerusalém foi encontrado morto na manhã desta quarta-feira. Muhammad tinha apenas 16 anos. As investigações da polícia ainda não divulgaram a causa da morte, mas a internet está fervilhando com especulações. Muitos assumiram rapidamente que foi um ato de vingança em resposta ao assassinato dos três garotos judeus. Outros, revoltados com essa possibilidade, encontraram uma foto do garoto e começaram a espalhar por aí o seguinte boato. A imagem abaixo diz: “Essa é a cara do viado árabe que foi assassinado hoje de manhã e que nos culparam por sua morte. O jovem árabe foi morto por assassinos árabes em um caso de ‘honra da família’, mas mídia esquerdista se apressou a nos culpar por sua morte. Compartilhem!”. Que alívio, hein, morreu porque era gay, não porque era árabe. De toda forma, repetimos, isso tudo são boatos, a polícia ainda não divulgou nada. Enquanto isso, o pau está rolando solto em Shuafat, bairro de Jerusalém oriental onde o garoto árabe morava. No momento em que escrevemos estas palavras 30 palestinos e policiais foram feridos no confronto. [Atualização de última hora: 6 judeus foram presos por suspeita de terem assassinado Muhammad, queimando-o vivo.]

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Sabe quando estudamos a Alemanha dos anos 1930 e nos perguntamos como pode ser que uma sociedade inteira resolveu assassinar um outro povo? Bem, a resposta está na nossa cara, começa assim. Muitos não gostam de comparações com o Holocausto, dizem que chamar as manifestações anti-árabes de “noite dos cristais”, como fizeram muitos dos que estiveram em Jerusalém nos últimos dias, é um desrespeito à memória do holocausto e aos sobreviventes. Isso é discutível, mas é inegável que nenhuma sociedade está imune a ideologias nazifascistas, nem os judeus. O maior dos desrespeitos à memória do holocausto é que em 2014 ainda existam pessoas que se comportam dessa forma.

Vale notar que isto não é uma anomalia passageira. A maior parte deles estava esperando em suas cavernas seu momento de glória. Não pense que isso é apenas uma “fase conturbada” na vida destes adolescentes (são também muitos adultos, afinal “o fascismo não discrimina ninguém”, hehe), embora muitos hão de se arrepender por terem divulgado seus rostos na internet, juntamente com suas opiniões iluminadas.

Reação

A família de Naftali Frankel, um dos três jovens sequestrados e assassinados, divulgou a seguinte nota. “Não sabemos exatamente o que aconteceu esta noite em Jerusalém Oriental, e o caso ainda está sendo investigado pela polícia, mas se de fato um jovem árabe foi assassinado por motivos nacionalistas, trata-se de um ato terrível e atordoante. Não existe diferença entre sangue e sangue. Assassinato é assassinato, seja do povo e idade que seja. Não há justificativa, não há perdão e não há expiação por nenhum assassinato.”

Com respeito a Noam Perel, do movimento Bnei Akiva, centenas de pessoas exigiram que ele se retratasse e renunciasse ao cargo de presidente do Bnei Akiva. Diante de sua recusa, várias sedes do Bnei Akiva, em Jerusalém, Beer Sheva e Modiin, anunciaram a criação do novo movimento, o Bnei Hillel. Preferem rachar este quase centenário movimento juvenil a serem associados a este tipo de comportamento. Estes que vos escreve aplaudem a decisão. O que o movimento Bnei Akiva no Brasil teria a dizer a respeito? [Atualização: O rabino Noam Perel se retratou pelo que disse. Leia mais nos comentários abaixo, juntamente com uma declaração da liderança do Bnei Akiva no Brasil.]

Finalmente, há as manifestações públicas de repúdio à sede de vingança. A maior delas ocorreu quinta-feira a noite em Tel Aviv com milhares de participantes, chamada “manifestação da sensatez – não à vingança, não à escalada de violência”. Milhares compareceram à manifestação, que foi organizada pelo movimento Shalom Achshav (Paz Agora) e pelos partidos de oposição.

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Foto de Moti Kimchi, YNET

Caro leitor. As reações que indicamos acima revigoram e ressaltam a característica democrática do nosso país. É exatamente isso que nos diferencia daquelas sociedades que vivem sob ditaduras sanguinárias e que proíbem a liberdade de expressão do seu povo.

Reparem que as manifestações não são apenas contra uma vingança arbitrária, o que já seria, em si, uma causa nobre. As manifestações nos trazem uma mensagem muito mais ampla que visa diferenciar vingança de justiça, impulsividade de ponderação, emoção de razão e subjetividade de objetividade.

Num momento em que há uma forte tendência a se fazer justiça com as próprias mãos ou em que há pedidos a favor de uma punição coletiva, estas reações tornam-se fundamentais para afirmação da legitimidade democrática do Estado judeu.

E somente assim, revelando, expondo e deixando claro quais as práticas e discursos que não aceitamos entre nós, é que teremos a força necessária para exigir um governo, leis e um exército que sejam os dignos representantes de todo o nosso povo.

A sensatez é a nossa única arma contra os cães da guerra.


Fontes: Protesto em Tel Aviv: YNET; Reação da família Frankel: Walla; Post de Noam Perel: Haaretz.co.il, Haaretz.com e Facebook; Comunidade do Facebook “o povo de Israel exige vingança”: Haaretz; Boatos sobre o jovem árabe assassinado: Mako; Peça Júlio César, de Shakespeare, aqui, Ato III, cena III.

Comentários    ( 25 )

25 comentários para “Os cães da guerra”

  • Daniel Segal

    06/07/2014 at 16:49

    Ola Sr Marcelo:

    Hoje em dia sou o rabino do Bnei Akiva SP. Fiquei sabendo de sua publicação por terceiros. Como o Sr atacou o Bnei Akiva e exigiu explicações (mesmo sem contactar o representante do mesmo, o que a meu ver é antiético), gostaria de esclarecer alguns pontos:

    1 – o próprio Rav Noam pediu desculpas e escreveu um pedido público de desculpas (o que seu texto, por algum motivo, não cita),

    2 – o Bnei akiva SP publicou já há algum tempo uma nota sobre o ocorrido (o que o SR nem se deu ao trabalho de procurar antes de escrever suas acusações, o mai importante era escrever “O que o movimento Bnei Akiva no Brasil teria a dizer a respeito?” sem ao menos procurar ),

    3 – quando o líder de qualquer movimento comete um erro, isso nos dá legitimidade de anular uma história de quase 100 anos?? Um ponto a se pensar.

    Obrigado pela atenção
    Daniem Segal

    • Marcelo Treistman

      06/07/2014 at 19:46

      Olá Daniel,

      Agradeço o seu comentário e aceito a sua crítica.
      Repare que citamos um fato público: o pedido de vingança feito pelo lider de seu movimento. E ao final, fizemos apenas uma pergunta: “O que o movimento Bnei Akiva no Brasil teria a dizer a respeito?”

      Fico feliz que você – como representante do movimento em Sao Paulo – também acredite que o Rabino Noam Perel tenha feito uma declaração infeliz e digna de ser condenada. Desta forma, vocês se juntam ao lado daqueles que desejam honrar a história deste grande movimento.

      No dia 02 de julho o Sr Perel esteve no canal 10 da televisão israelense. Ele explicou que utilizou o que ele chama de “estilo bíblico e poético“. E afirmou em alto e bom som que mantém palavra por palavra tudo o que foi dito. Eu tenho pena daqueles que aceitam o “estilo poético”, do rabino como um valor moral para a educação judaica ou que as utilize como diretriz para as Forças de Defesa de Israel.

      Em tempo: antes de publicarmos o artigo, procuramos na internet a declaração pública do Bnei Akiva de São Paulo que condenava as palavras prppferidas por um dos lideres deste movimento em Israel. Não obtivemos êxito. Nem na página do Facebook, nem no site oficial do movimento.

      Envie-nos o texto em que há a devida condenação e declaração pública do Bnei Akiva SP contra as palavras do Rabino Noam Perel que atualizaremos no próprio artigo.

      Um grande abraço

    • Daniel Segal

      07/07/2014 at 13:48

      Ola
      Obrigado pela resposta. Para terminar (pelo meu lado). Posto duas coisas:

      1) Resposta escrita pelo Rav Noam e publicada:
      Statement from Rav Noam Perel

      Tammuz 5774

      To our partners and friends around the world – Hashem Imachem.

      Following my Facebook post of last Monday night, and the resulting storm it has caused I would like to unequivocally clarify my position.

      I am strongly opposed to any notion of revenge, and to any violent reaction by citizens against any person on earth.

      Throughout my many years working in education, I have always promoted values of co-existence, tolerance and love of human life. Thousands of my friends and students will attest to my educational philosophy, and it was based on this reputation that I was chosen to lead the World Bnei Akiva movement. These are its values and this has always been its way.

      The misleading and irresponsible post that I wrote was a result of the finding of the bodies of pure, young boys, slaughtered by evil people, including the son of my close friend Bat-Galim, Gilad Sha’ar z’l.

      The call for the Israeli government to look after the lives of our children must not be confused in any way with any suggestion of revenge, words which should not be used by any person, and certainly not educators and leaders. I cannot express to you how badly this error has caused me to feel, and especially its unintended consequences.

      I deeply apologise before each and every one of you that in my haste, I placed all of you in the midst of a crisis, affecting your feelings, values, communities and possibly even security. For this, I ask for your forgiveness.

      In order to discuss this issue and to clarify the movement’s educational direction, which is a movement that calls for tolerance in every aspect of life, an emergency meeting of World Mazkirut Murchevet will be convened. We will also be calling for the leaders of our partner movements worldwide to join in order that they play a full role in the decision making process.

      This meeting will deal with finding a way to fix what was broken and the errors that my words have caused. I have full faith in the leadership of World Bnei Akiva, both here and overseas to come to the right conclusion on this matter, for the best of our movement.

      Bevirkat Chaverim Le’Torah Va’Avodah,

      Rav Noam Perel, Mazkal, World Bnei Akiva

      É bem diferente da entrevista na televisão citada na resposta. E no próprio texto não vi uma citação direta que o Rav Noam apagou o post e se retratou. Como não vi a entrevista, fico com a carta e minha conversa com o Bnei Olami.

      2) Quanto ao post do Bnei de SP, escrevemos no face três dias depois do Rav Noam:

      “Os madrichim do Bnei Akiva vem expressar a mais profunda tristeza pela morte de Eyal, Gilad e Naftali. Tivemos um pedaço de cada um de nós arrancado com o covarde assassinato de nossos irmãos, e oferecemos nossas sinceras condolências aos familiares e a todos que, como nós, estão de luto pelo ocorrido.
      Estamos todos chocados e atônitos, e nesse momento difícil para Am Israel, tudo que podemos desejar é שיהיה זכרם ברוך e que se apague o nome daqueles responsáveis por tal atrocidade.”

      Este post resume nossa opinião sobre os fatos. Não escrevemos diretamente uma crítica ao Rav Noam pelo fato dele ter pedido desculpas publicamente, e o Bnei Olami está estudando que mais deve ser feito, que para nós é suficiente. Como ele conhecia pessoalmente um dos assassinados e estava em um momento de dor, escreveu algo realmente infeliz. Somos todos seres humanos e passíveis ao erro. Para nós do Bnei de SP (que o conhecemos pessoalmente e sabemos que o Rav Noam não é assim) o pedido de desculpas e a carta de retificação encerrou o assunto.
      Quanto a demissão dele, o Bnei Olami esta julgando os fatos e é uma decisão interna. Demos nossa opinião e esperamos o decidido. Mas em nenhum momento um nome, ou uma pessoa destruirá a história do Bnei.

      Por último, acredito que se realmente houvesse um interesse em apurar os fatos, o texto seria escrito de outra maneira e teria que entrar em contato direto com os devidos envolvidos (o contato dos shlichim está no site, aplicativo e etc; ou uma postagem no face com uma pergunta).

      Sem mais e um grande abraço

      Daniel Segal

    • Yair Mau

      07/07/2014 at 17:03

      Obrigado por postar o pedido de desculpas do rabino Noam Perel. Fiz uma atualização no texto, indicando a retratação e encaminhando o leitor para os comentários abaixo do texto, para que possa ler mais.

      No que diz respeito à nossa parte, nós não pudemos encontrar nenhuma manifestação pública do Bnei Akiva no Brasil com respeito ao caso, pelo que sei, a sua resposta a este artigo é a primeira manifestação pública de um representante do BA-Brasil que pode ser encontrada na internet. Não agimos de má fé, mostre que estamos errados e voltaremos atrás sem problema algum.

      Vale notar que o Bnei Akiva UK não aceitou o pedido de desculpas, conforme publicado ontem pelo Mazkir Artzi Ben Dov Salasnik, veja: http://bauk.org/mazkir-statement-on-rav-noam-perel/
      Eles também chegam ameaçar se desligar do movimento. Leia também aqui: http://www.haaretz.com/jewish-world/jewish-world-news/.premium-1.603468

  • Jacques Griffel

    06/07/2014 at 17:16

    Parabéns pelo texto, gostei da avaliação, sensata e precisa. É preciso combater os extremistas onde quer que estejam, independentemente da origem ou religião.

  • Uri

    06/07/2014 at 20:31

    Marcelo,

    Me oponho completamente as mensagens clamando por vingança e a promoção do ódio. Temos que fazer o possível no combate a essas ideias radicais.

    Quanto ao caso do Rav Noam Perel e Bnei Akiva, posso falar como boguer do Bnei Akiva São Paulo, e não em nome do Bnei Akiva São Paulo. Discordo completamente com as palavras do Rav Noam, não o conhecia antes de ler a respeito sobre a infeliz afirmação dele no Haaretz, infelizmente, só o conheci nessas circunstâncias. Portanto, não posso criticar, em nome do Bnei Akiva SP, o post do Rav Noam. Posso e critico, em meu nome, o post do Rav Noam.

    De qualquer forma, quem fez o infeliz comentário foi o Rav Noam, não o Bnei Akiva Olami. Não sei como o Bnei Akiva Olami vai agir, e nem os outros Bnei Akiva ao redor do mundo. Não sei como funciona as questões políticas, estamos falando de um movimento juvenil sionista mundial. Não apoio essas rachas no Bnei Akiva, pois reforça que o Bnei Akiva incita ódio, e caso seja contrário, tenho que me desligar e criar um novo movimento. O Bnei Akiva não é, e nem deve ser, um movimento que educa o ódio, aqueles que estão ligados ao Bnei Akiva que agem assim que devem se desligar do movimento e criar um novo.

    Em tempo, o Bnei Akiva SP não incitou ódio em nenhum momento, e tenho esperança que o Bnei Akiva, não apenas em São Paulo, mas em qualquer localidade, mantenha seus ideais originais, pois, como disse o Rav Segal, não devemos anular 100 anos de história por um erro do líder do movimento.

    Abs.

    • Yair Mau

      06/07/2014 at 21:34

      Obrigado, Uri, pelo seu comentário. Não acusamos o Bnei Akiva do Brasil de incitar a violência, perguntamos o que teriam a dizer. Creio que neste momento todos devemos deixar claro que vingança não é o caminho, e se o presidente do Bnei Akvia acha isso, os membros do movimento deveriam deixar claro que não há espaço para esse tipo de opinião. O rabino Perel errou em dizer o que disse, e o movimento Bnei Akiva errará em mantê-lo em seu cargo. Esta é a minha opinião.

  • Mario S Nusbaum

    06/07/2014 at 20:50

    “Recebemos diversos comentários raivosos, acusando-nos de antissemitas, antissionistas, panacas, terroristas, self-hating-jews. Os mais carinhosos, nos qualificavam apenas de ingênuos.”
    Yair e Marcelo,
    Fui um dos que discordou muito da maioria das opiniões de vocês. Nunca os acusei de nada disso citado acima e poderia, no máximo, concordar com ingênuos. Sinto-me obrigado a repetir aqui alguns dos meus pontos de vista.
    Toda e qualquer democracia prevê leis especiais quando está em guerra. Tecnicamente não é o caso de Israel hoje, mas na prática é quase isso.
    Porque tanta preocupação com gritos e xingamentos quando algo milhares de vezes mais sério está acontecendo?
    Deixando o caso em questão de lado, pelo que leio e vejo na TV, o dia a dia aí inclui árabes apedrejando judeus em Jerusalém.
    Resumindo: se alguém vier em sua direção com um taco de beisebol para arrebentar sua cabeça, você pode não se igualar a ele, mas vai morrer.

    • Marcelo Treistman

      06/07/2014 at 21:33

      Olá Mario,

      Você é um fiel e honrado debatedor. As suas palavras de discordâncias, perto daquelas que fomos acusados, são apenas elogios.
      Esperamos (junto com você) que a sociedade israelense respeite todas as leis – inclusive as leis da guerra.

      Eu não posso fazer muito pela sociedade palestina. A mudança de postura daquele lado, depende mais dos palestinos do que dos israelenses. Mas tenho o dever de lutar pela sociedade israelense que desejo deixar de herança para o meu filho.

      Eu, particularmente fico muito preocupado com gritos e xingamentos. Pensamentos determinam palavras, que por sua vez levam a ações. Se a suspeita se confirmar, e ficar comprovado que judeus incendiaram vivo um palestino inocente, esta será a maior comprovação dessa minha preocupação.

      É melhor condenarmos duramente as palavras racistas e xenófobas do nosso lado, antes que possamos chegar perto daqueles que comemoram assassinatos de civis inocentes. De certo, ainda nos falta muito como fizemos questão de deixar claro no texto. Mas é bom não pegar leve não…

    • Mario S Nusbaum

      07/07/2014 at 20:02

      Obrigado Marcelo, eu ADORO participar do conexão, e sei que todos nós queremos um Israel cada vez melhor, mesmo os que, como eu, não moram lá.

  • Mario S Nusbaum

    06/07/2014 at 20:57

    As diferenças entre as duas sociedades são muitas e ENORMES, como prova algo que você cita corretamente: ” Não são as leis que formam a sociedade, é ela, a sociedade, que define a sua legislação.”
    Na prática elas (as diferenças) podem se demonstradas através de dezenas de exemplos. Segue-se um:

    “Police have arrested six Jewish extremists in the brutal murder of Palestinian teen Muhammad Abu Khdeir, an Israeli security official said Sunday”

    Se Israel deixasse a cargo dos palestinos a prisão dos assassinos dos três garotos o Messias chegaria antes de eles prenderem alguém.

  • Mario S Nusbaum

    06/07/2014 at 21:01

    “Sabe quando estudamos a Alemanha dos anos 1930 e nos perguntamos como pode ser que uma sociedade inteira resolveu assassinar um outro povo? Bem, a resposta está na nossa cara, começa assim. ” A comparação faria sentido se os judeus alemães explodissem cafés e ônibus pela Alemanha, se impedissem os cristãos de rezar, se organizassem festas pela morte de alemães, etc, etc, etc, etc,etc, etc, etc, etc,etc, etc, etc, etc,etc, etc, etc, etc,etc, etc, etc, etc,

    • Yair Mau

      06/07/2014 at 21:40

      Olá Mario. Eu não comparo atitudes pontuais com os eventos históricos ocorridos na Alemanha nos anos 30. Pense no seguinte: cada vez mais um discurso racista e fascista é aceito no debate público em Israel. Isso é o ponto em comum. Este tipo de opinião não tem lugar em uma democracia.

  • Paulo Guimarães

    06/07/2014 at 22:01

    Prezados,

    Acompanho vocês porém esse é meu primeiro post por aqui.
    Sou absolutamente contra radicalismos, acho que pode sair do controle manifestações como as de Jerusalém e vejo Bibi e Livni dando declarações para acalmar os ânimos.
    Mas pelo que acompanhei desde o sequestro o extremismo do lado de Israel é muito menor se comparado ao palestino, basta ver o apoio que o sequestro ganhou dentro do próprio Fatah que apagou seus posts no facebook e deu declarações 4 dias depois do fato.
    Quem sequestrou os garotos quer a discórdia e por via de consequencia a guerra, tenho a convicção que tem dedo do ISIS nisso. O ISIS está em Gaza e os alvos de seus foguetes recentes tem sido o oleoduto Trans Israel que tem levado óleo curdo.Creio que vamos conseguir conter os ânimos de nosso lado , fico é preocupado com o que virá do lado de lá.

    • Yair Mau

      07/07/2014 at 02:10

      Olá Paulo. Eu concordo que o extremismo do lado de Israel é muito menor do que o do lado palestino. Note que este artigo tinha como foco um processo importante que está passando dentro da sociedade israelense, de que é “aceitável” dizer por aí absurdos do pior tipo. Não quisemos comparar com o que se passa “do lado de lá”, o nosso medo é justamente que durante este longo conflito com os palestino estamos aos poucos nos transformando a pontos irreconhecíveis.

  • Mauricio Peres Pencak

    07/07/2014 at 00:27

    Discordo profundamente dos extremistas de nosso lado, os que usam os mesmos SLOGANS que nossos inimigos.
    Considero porém previsível a reação de setores importantes da sociedade israelense.
    Todas as iniciativas de paz são respondidas com patadas, foguetes, tentativas de sequestro, sequestro e assassinato dos sequestrados pelos árabes e imagino que isso canse, gerando um enorme STRESS na população judaica.
    Quanto AOS CÃES DE GUERRA, o lugar certo a procurá-los e eliminá-los é em Gaza, Territórios Contestados e agora no tenebroso ISLAMISTÃO.
    O resto é o crônico sentimento de culpa que os antissemitas conseguiram introjetar na PSIQUÊ de boa parte do mundo judeu.

    • Marcelo Treistman

      07/07/2014 at 00:57

      Olá Mauricio, obrigado pelo comentário.

      Fico feliz que você também condene o ódio e fundamentalismo existente de nosso lado. Ao que tudo indica, infelizmente também há em nossa sociedade os chamados “cães de guerra”. Certamente em muito menor número e condenados a execração pública como você o faz no presente comentário.
      Só assim poderemos garantir que os antissemitas tenham “introjetado” apenas o sentimento de culpa na psiquê de boa parte do mundo judeu e não as suas práticas.

  • Gabriel Spuch

    07/07/2014 at 01:15

    Caros Marcelo e Yair,

    Sou o atual Rosh Chinuch do Bnei Akiva SP, e gostaria de me manifestar sobre o artigo.

    Primeiramente, sobre a inexistência de posicionamento da tnuá sobre o ocorrido, um pequeno desabafo: vocês que já foram de tnuá devem saber como é difícil mobilizar madrichim nas férias. No Bnei, fazemos nossa machané em Junho, e em Julho a grande maioria dos madrichim viajam, de modo que, apesar da gravidade do assunto, foi praticamente inviável mobilizar um número razoável de madrichim para soltar um posicionamento sobre o ocorrido, apesar de muitos terem soltado suas posições individuais internet afora. Não vou aqui me arrogar a legitimidade para falar em nome dos madrichim ou da tnuá, até porque isso seria uma inverdade muito pouco democrática, mas tentarei, enquanto Rosh Chinuch, expressar meu posicionamento.

    Tenho brigado muito contra uma visão maniqueísta, essencialista e rasa do conflito, e quando o líder do movimento do qual faço parte se expressa incitando o ódio e a violência, não tenho como não ficar desapontado, tenha ele feito isso de forma poética e bíblica ou não, como ele insistiu em dizer.
    O Bnei Akiva não pode dar espaço para discursos extremistas, e deve criticar com veemência aqueles que, no movimento, se posicionem dessa forma.

    Tendo dito isto, reitero o que o Uri disse: o post do Rav Noam foi feito em sua página pessoal, e não expressa o posicionamento do Bnei Akiva Olami. Não desconheço que haja quem apoie o discurso dele dentro do movimento, e por isso acho importante que se exija que o Bnei Olami repudie o que ele escreveu. Fiquei insatisfeito com o pedido de desculpas dele, que mais se pareceu com um esclarecimento, e não acho que o problema do post está no seu estilo , muito menos na incompreensão dos críticos.

    Ademais, parabéns pelo artigo, o site de vocês tem sido um alento em meio a tantos discursos de ódio.

    Um grande abraço,
    Gabriel Spuch

    • Marcelo Treistman

      09/07/2014 at 21:36

      Gabriel,

      Obrigado pelo comentário. A sua mensagem foi descoberta agora em nossa caixa de spam e este é o motivo pela demora na publicação.

      É óbvio que entendemos a dificuldade de mobilizar os madrichim em um período de férias e compreendemos a razão pela qual não houve um posicionamento oficial do movimento. Acredito que a pergunta que fizemos era relevante no contexto do artigo. Uma vez que existiram declarações oficiais de outras sedes pelo mundo, nós que escrevemos para o público em português, gostaríamos de saber: “como o Bnei Akiva-Brasil se posiciona em relação a este caso específico?”

      Agradeço pelo seu feedback em relação ao site e agradeço pela sua coragem de expor a sua posição individual.

      Ter um Rosh Chinuch que pense desta forma é a certeza de que esta declaração infeliz do Rav Perel, não é (e não será) capaz de apagar a grandeza da história do seu movimento.

      Muito obrigado.

  • Débora B

    07/07/2014 at 02:24

    De fato não se pode condenar um povo pelas ações de uns poucos (espero que sejam poucos mesmo) extremistas. Nem o povo judeu, nem os palestinos. Muito triste, e parece que de fato a humanidade tem muito que aprender…
    Aqui no Brasil também temos, guardadas as devidas proporções, nossas “caças às bruxas”: caças às pessoas de pensamento diferente, direita ou esquerda. E até aos médicos cubanos, taxados de ruins porque são cubanos…
    Enfim, gostei do texto.

  • Almeida

    08/07/2014 at 17:21

    Frase do texto – O Conexão foi criado porque observamos um vácuo de informações que chegavam à sociedade brasileira acerca de Israel.

    Meu comentario – muitos artigos aqui,dependendo do autor,são usados para atacar religião e religiosos,além de na politica ter uma tendencia de esquerda.

    Se não me falha a memoria,foi de autoria do João um artigo que fala sobre ser de esquerda em Israel e quais os significados,já que não necessariamente implica que a pessoa seja comunista e tambem porque a esquerda de hoje em dia é diferente de 50 anos atrás.

    Apesar de ver varias coisas erradas acontecendo entre os religiosos,sou contra esses ataques indiscriminadamente por qualquer motivo,não estou falando do caso dos assassinos do garoto arabe e sim de uma maneira geral.

    Estou fazendo uma critica construtiva.

    • João K. Miragaya

      09/07/2014 at 10:02

      Olá Almeida.

      Eu escrevi um artigo chamado “Direita orgulhosa, esquerda envergonhada”. Pode buscá-lo no arquivo (se fizer a busca por autor encontrará mais facilmente). Não acho, no entanto, que você esteja se referindo ao meu artigo. Claudio Daylac escreveu dois artigos explicativos em sequência, mostrando o que significa ser de esquerda e de direita em Israel sob vários aspectos distintos: há direita e esquerda no mapa político, mas os conceitos transitam entre religião x Estado, conflito com os palestinos e política econômico-social.

      Eu estou de acordo com você: ser de esquerda hoje é bem diferente do que era ser de esquerda nos anos 1960.

      Apesar da independência e liberdade que cada um dos autores têm para escrever o que bem entendem, eu não estou de acordo com a sua crítica (que é construtiva). Não vi aqui ataque à religião. Pode ser que haja ataque a religiosos. Mas o que eu vejo, de fato, é a crítica consistente à coerção religiosa no Estado de Israel. Eu, particularmente, não me lembro de ter escrito nenhum artigo sobre este tema, mas estou de acordo com a maioria das opiniões defendidas por meus companheiros aqui no conexaoisrael.org.

      Se há um ataque indiscriminado, gostaria que você nos apontasse para que possamos fazer uma autocrítica, pois, caso realmente haja, esteja certo de que estarei de acordo contigo.

      Um abraço

    • Almeida

      09/07/2014 at 16:54

      Obrigado pela sua resposta João.
      Foi artigo do Claudio e provavelmente ele citou o seu anterior.
      Tendo varios autores,automaticamente vão existir opiniões diferentes.
      Porque religiosos erram e muito diga-se de passagem,não se pode condenar a todos e a religião em si.
      Sobre estado-religião,Israel não é uma teocracia mas ainda é o estado judeu.(por quanto tempo não sei,espero que para sempre)
      Passei algum tempo sem visitar aqui o site,acho que vou passar a escolher os artigos pelos autores e não pelos titulos.
      Abraço

  • Michel - Cauton

    11/07/2014 at 21:04

    Marcelo, parabéns pelo texto.
    Obrigado por nos mostrar opiniões e realidades diferente das defendidas pela mídia viesada brasileira e pela diásporada sem auto-crítica judaica.
    abs

  • Alex rossan

    29/07/2014 at 06:58

    Dear soldiers of the Israeli Defense Forces remain strong, because this is a just war. Bravely defend your homeland’s freedom and defend yourselves. My heart and soul are with you, stay safe and return unharmed to your families! Hugs from Brasil

Você é humano? *