Os crimes de guerra do Hamas – Contra os palestinos.

30/03/2015 | Conflito

4881 foguetes e 1753 morteiros foram lançados pelo Hamas, da Faixa de Gaza a áreas civis de Israel, durante 1 mês, duas semanas e 4 dias de conflito em julho e agosto do ano passado. Demorou à Anistia Internacional nada menos de 211 dias para determinar que o lançamento de morteiros e foguetes sobre civis – mais de 6 mil lançamentos – é um crime de guerra.

Quando tocava a sirene e eu e minha esposa (grávida) tínhamos que procurar refúgio, eu já suspeitava disso. E não precisei de 211 dias para chegar a esta conclusão.

Aliás, a esta mesma conclusão – de que se trata de crime de guerra – chegaram os analistas da Anistia com respeito ao armazenamento de munição e foguetes em residências, mesquitas e escolas, incluindo aqui as escolas da ONU. Aqui minha suspeita era menos contundente pouquinha coisa à época. Mas daí também, não sou especialista no assunto, e podia ser que as escolas tivessem sido construídas para esse propósito mesmo. Afinal de contas, nada melhor do que esconder morteiros, granadas, explosivos e foguetes embaixo de cadeiras escolares, não é verdade?

Não acho desnecessário nem repetitivo lembrar o número de mortos (2100, ficando com a conta mais modesta) nem o número de desabrigados (mais, bem mais de meio milhão) palestinos durante o confronto. E eu teria uma existência muito menos conflituosa se não tivesse que lidar com as respostas israelenses aos avanços do Hamas vindos do lado de lá. E infelizmente números não denunciam razão. Apenas tragédia.

No dia 28 de julho (cinco dias depois da nota de repúdio do Brasil a Israel, e apenas a Israel) houve uma explosão no campo de refugiados de Al-Shati, na Faixa de Gaza. Morreram 13 civis, incluindo 11 crianças. Segundo o relatório, foram mortos por fogo indiscriminado vindo do próprio Hamas, como confirmaram analistas independentes que estiveram no local, corroborando a acusação feita por Israel na época. Mais números, menos razão ainda. Muito mais tragédia. E 211 dias para esta revelação.

O relatório por hora se limita a este exemplo. Mas entre cinco e dez  porcento[ref]O calculo é meu, baseado em vários relatos diferentes da época do conflito, do qual destaco este e este[/ref] dos foguetes lançados da Faixa de Gaza caíram por lá mesmo. Há evidências, como relatos e vídeos de foguetes sendo lançado do meio de áreas civis, e várias acusações fundamentadas de lançamento a partir de escolas e de hospitais, o que levanta a suspeita de que o número de vítimas palestinas pelo próprio Hamas seja muito mais alta. A Anistia prepara mais um relatório em que revelará a investigação a respeito dos fuzilamentos sumários de supostos colaboradores de Israel pelo Hamas. Ainda não se tem um estimativa exata para o número de palestinos que morreram desta forma. Ao final, o relatório sugere que “aparentemente, palestinos mataram mais civis em Gaza do que em Israel”.

Frisei na época, como reitero agora, que a mais terrível desproporcionalidade no conflito entre Israel e o Hamas (Hamas, não os palestinos) é que quando um israelense morre, ganha o Hamas. E quando um palestino morre, ganha o Hamas.

Foram 55 dias de adjetivos bombásticos por conta de quase toda autoridade e celebridade que entendesse ou não fizesse ideia a respeito do assunto. Uma esculhambação tanto oficial quanto extra-oficial, de passeatas e até partidos pedindo não o fim da guerra, mas o fim do próprio Estado de Israel. E enquanto a guerra em si, para quem era parte dela se fazia uma maré de aflição, tristeza e decepção, eu sabia (até mesmo por experiência) que o pós-guerra seria muito pior, e muito mais deprimente.

Demorou 211 dias para alguma entidade internacional de importância se pronunciar de forma coerente a respeito. Tempo demais para as vítimas civis mortas no conflito. Para as “mártires” mortos por Israel, e os “efeitos colaterais”, completamente ignorados até agora, mortos pelo próprio Hamas.

Adjetivos bombásticos e notas diplomáticas unilaterais não ajudaram a frear o conflito, não melhoraram a situação da população civil palestina, não diminuíram a violência e agora fica claro que nem sequer descreviam a realidade ou ajudaram a elucidá-la. Enquanto escrevo isso 150 mil soldados e outros nove exércitos se juntam para mostrar que o Oriente Médio é tudo menos simples (ver gráfico 1): uma briga de bons contra maus. Inocentes contra algozes. Colocações levianas, sejam do seu amigo “que manja” no Facebook, sejam de fontes oficiais, confundem mais ainda. Confundem e adicionam para a tristeza, decepção, ódio e a tragédia.

E colocações levianas não vão ajudar para a próxima guerra. Guerra de quem sabe que não pode confiar no discernimento justo do resto do mundo.

Diagrama das relações geopolíticas no Oriente Médio
Diagrama das relações geopolíticas no Oriente Médio

Mais Links sobre a notícia:

http://www.dailymail.co.uk/wires/afp/article-3012589/Palestinian-rockets-killed-Gaza-civilians-war-Amnesty.html

http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/amnestys-other-verdict-on-gaza-war-hamas-committed-war-crimes-as-well-10134099.html

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4641155,00.html

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.648902

 

Comentários    ( 4 )

4 comentários para “Os crimes de guerra do Hamas – Contra os palestinos.”

  • Mirna

    30/03/2015 at 17:49

    Muito bom artigo, claro e elucidativo. Parabéns.

  • Raul Gottlieb

    30/03/2015 at 18:49

    Muito bom o texto, Gabriel.

    Apenas a frase:

    “Adjetivos bombásticos e notas diplomáticas unilaterais não ajudaram a frear o conflito, não melhoraram a situação da população civil palestina, não diminuíram a violência e agora fica claro que nem sequer descreviam a realidade ou ajudaram a elucidá-la.”

    deveria, a meu ver, ser assim:

    “Adjetivos bombásticos e notas diplomáticas unilaterais ampliaram o conflito, pioraram a situação da população civil palestina, aumentaram a violência e agora fica claro que nem sequer descreviam a realidade ou ajudaram a elucidá-la. “.

    Porque eu penso que a interferência dos observadores externos ao conflito está ajudando a colocar mais e mais lenha na fogueira e não a extinguir o fogo.

    No mais, tudo perfeito.

  • Marcelo Starec

    01/04/2015 at 06:15

    Oi Gabriel,
    Muito interessante o texto!…Infelizmente é algo um tanto raro de ocorrer, mas as vezes acontece de alguma organização importante reconhecer algo óbvio…Merece os parabéns, ainda que tenha sido muito tempo depois!…Enquanto que no calor do conflito contra o Hamas, muitos apareceram para falar coisas totalmente com um viés anti-Israel mais do que óbvio, em muitos casos deixando claro uma roupagem muito atual do velho antissemitismo, pois infelizmente não se vê essas pessoas terem a menor preocupação com qualquer outro fato que ocorre no Oriente Médio, contanto que Israel não esteja envolvido. Lamento por cada vida e por cada pessoa dos dois lados que sofreram com esse conflito, mas é fato que quem obrigou Israel a se defender foi o Grupo Terrorista Hamas, ao passar anos jogando mísseis, morteiros e similares em território israelense. Alguns argumentam que o número de baixas civis em Israel foi relativamente pequeno. Sim, é verdade, mas isso teve um custo enorme, pois as pessoas viviam tendo de correr para abrigos, saltar dos carros – em parte de Israel, por anos…É muito difícil entender quanto stress essas famílias tiveram – mas infelizmente essa equação do Hamas é fato: ” a mais terrível desproporcionalidade no conflito entre Israel e o Hamas (Hamas, não os palestinos) é que quando um israelense morre, ganha o Hamas. E quando um palestino morre, ganha o Hamas.”
    Abraço,
    Marcelo.

  • Raul Gottlieb

    03/04/2015 at 11:13

    Falando sobre crimes de guerra dos Palestinos contra os Palestinos:

    http://www.gatestoneinstitute.org/5468/arabs-bomb-gaza

    O autor do texto é um árabe israelense.

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