Outros partidos – Eleições 2013

21/12/2012 | Eleições; Política

Escrever sobre alguns partidos e não escrever sobre outros foi uma opção. São 34 partidos concorrendo às cadeiras da Knesset, e, certamente, alguns são mais importantes do que outros. O padrão utilizado pelo Conexão Israel, então, foi somente escrever sobre os partidos que aparecem com previsão de votos suficiente para conquistar mandatos segundo todas as pesquisas.

O único partido que atendia ao requisito e não tem uma página escrita é o Balad, por questões técnicas. As principais fontes do partido são em árabe, e nós não quisemos escrever algo baseado somente no Wikipedia. O partido, infelizmente, não nos dá informação suficiente para escrever mais do que será apresentado agora.

Você, aqui, terá a oportunidade de ler sobre alguns outros partidos que concorreram às eleições de 2013.

 

Balad

1041904-5Partido árabe fundado em 1995, o Balad teve presença na Knesset em todas as eleições das quais participou, mas nunca ultrapassando três assentos. O partido se diz democrático e representante dos árabes-palestinos que vivem em Israel (se recusando a diferenciar os árabes palestinos dos árabes israelenses).

As principais bandeiras do partido são: o reconhecimento dos árabes como uma minoria nacional; a criação de um Estado palestino soberano nas fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Oriental, com o desmantelamento de todos os assentamentos e o retorno dos refugiados de 1948; a devolução do Golan e a paz com a Síria; a separação total entre religião e Estado e o fim da lei do retorno para os judeus.

Seus principais membros são o número um Jamal Zahalka e a parlamentar Chanin Zoavi (foto), famosa por seus discursos antissionistas na Knesset. O partido alcançou após as eleições de 2013 o mesmo número de 3 cadeiras que havia alcançado nas eleições de 2009.

 

Kadima

שאול-מופז-לראשות-הממשלה-צילום-פלאש-90Ex-maior partido da Knesset após as eleições de 2006 e 2009, o Kadima, fundado por Ariel Sharon em 2005, reunia diversos ex-parlamentares de Likud, Avodá e Shinui (antigo partido centrista). Era uma alternativa à velha dicotomia israelense esquerda-direita, e foi a maior bancada nas duas primeiras eleições das quais disputou.

O partido, de ideologia liberal, é a favor da criação de um Estado palestino provisório em 60% da Cisjordânia, e, após negociações, cogita um intercâmbio de terras para não desmantelar os grandes blocos de assentamentos. O Estado palestino deve ser desmilitarizado.

O número um do partido é Shaul Mofaz (foto), ex-Ministro da Defesa e ex-Chefe das Forças Armadas. Após a saída de Tzipi Livni e outros 14 parlamentares, o Kadima perdeu muito de sua força elegendo a menor bancada da atual Knesset, com só 2 assentos,

 

Am Shalem

MK AmsellemCriado em 2012 pelo rabino Amsalem (foto), expulso do Shas após acusar o partido de favorecer o público ultraortodoxo ao invés dos mais pobres. O partido se autodefine “judaico-social” e é visto com bons olhos por quase 80% da sociedade (segundo uma pesquisa do diário Haaretz).

As propostas eram: diminuir as diferenças entre os judeus, sejam eles ortodoxos, laicos ou tradicionalistas; alistamento militar para os ultraortodoxos para que estes se integrem na sociedade; facilitar a conversão de imigrantes não judeus segundo a lei religiosa; reforma ética no parlamento; fazer justiça social e ajudar à população pobre.

Amsalem conta com religiosos e laicos no seu partido, entre eles, representantes do “Movimento dos Otários” (indignados por nem toda a sociedade se alistar no exército). O partido não conseguiu ultrapassar o percentual mínimo para eleger uma bancada, ficando de fora da Knesset 2013.

 

Otzmá LeIsrael

1392163-5Formado para estas eleições, o Otzmá LeIsrael (Força para Israel) é uma dissidência do Ichud HaLeumi e do antigo Mafdal (que se juntaram com o Bait HaIehudi nestas eleições), insatisfeitos com a participação do partido no governo Netanyahu. O lema do partido é “Não há igualdade sem cobrança”, com forte propaganda antiárabe.

O partido afirma que a Terra de Israel pertence ao povo judeu, e não há nenhuma possibilidade de dividi-la com outro povo. A crença é a de que todos os cidadãos do Estado judaico de Israel devem ser leais ao país, inclusive os não-judeus. O partido também propunha um reforço na educação judaica evitanto a assimilação; isenção de impostos na compra de imóveis; fim dos monopólios para fortalecer a indústria nacional; bolsa de estudos integral para soldados combatentes; desenvolvimento da Galiléia e do Neguev (regiões mais pobres do país); novo método de seleção de juízes, com influência do executivo.

Os líderes são Arie Eldad (à esquerda), médico, e Michael Ben-Ari (à direita), arqueólogo, foram importantes vozes da direita nacionalista contra a Desconexão de Gaza. Ben-Ari, inclusive, teve seu visto de entrada aos EUA negado por ser considerado terrorista. O partido não conseguiu ultrapassar o percentual mínimo para eleger uma bancada, ficando de fora da Knesset 2013.

 

HaIsraelim

O partido representa os imigrantes russos, e foi fundado pelo famoso apresentador do Canal 9 (emissora de televisão falada na língua russa), David Kun. Angariou parte dos votos do Israel Beiteynu, sobretudo de imigrantes russos insatisfeitos com a união com o Likud, mas não conseguiu ultrapassar o percentual mínimo para eleger uma bancada, ficando de fora da Knesset 2013. O HaIsraelim prometia uma constituição, igualdade entre homens e mulheres e eleições regionais.

 

Outros partidos que não ultrapassaram o percentual mínimo:

Eretz Chadasha: Partido Social-Democrata

Da’am – Partido Socialista

Kulanu Chaverim – Ultraortodoxos seguidores do rabino Nachman MeUman

Dor – Partido dos Aposentados

Ale Yarok – Partido Liberal, a favor da legalização da maconha

 

Fontes:

Portal Mako: http://www.mako.co.il/news-elections-2013/candidates

Portal Walla: http://news.walla.co.il/elections/?w=/@parties

Comentários    ( 8 )

8 Responses to “Outros partidos – Eleições 2013”

  • João

    25/12/2012 at 04:24

    Boa noite (aqui no Brasil), porque o Kadima perdeu tanto em seu eleitorado?
    Obrigado, e parabéns pelo Blog.

    • Claudio Daylac

      25/12/2012 at 11:32

      Olá, João.

      Quando de sua criação, em 2005, o Kadima veio suprir uma necessidade específica: viabilizar politicamente o Plano de Desconexão de Gaza. Juntaram-se ao então-primeiro-ministro Ariel Sharon (e, posteriormente, a seu sucessor, Ehud Olmert) uma série de deputados dos partidos Likud, Trabalhista e Shinui. Alguns ideologicamente alinhados com o plano, outros interessados apenas em permanecer no governo (uma vez que o Likud, anteriormente liderado por Sharon, posicionara-se contra a Desconexão e deixara a coalizão).

      Após a retirada unilateral de Gaza, e outros três anos e meio governando o país, o Kadima foi o partido que conquistou mais cadeiras na Knesset na eleição de 2009, mas o bloco direitista-religioso tornou-se maior que o bloco de centro-esquerda, forçando o presidente Shimon Peres a conceder a Netaniahu o direito de formar o novo governo.

      Uma vez na oposição, e sem grande coesão político-ideológica, o Kadima esvaziou-se e, às vésperas das eleições atuais, sem apresentar grandes propostas que o diferenciem dos demais concorrentes, assiste a uma série de seus deputados retornarem aos seus antigos partidos.

      Um abraço,
      Claudio.

  • João Koatz Miragaya

    31/12/2012 at 02:05

    Eu acrescentaria o fato do líder do Kadima, Shaul Mofaz, ter participado durante míseros 40 dias da coalizão comandada pelo atual primeiro ministro entre julho e agosto, e não ter tido sucesso em sua tentativa de aprovar a nova lei de alistamento militar obrigatório. O Kadima, que postulava entre sete e onze assentos na Knesset, passou a ser cotado a ter cinco, no máximo. Após a saída da parlamentar Tzipi Livni, que fez oposição ao atual governo durante todo o tempo em que foi líder do partido, o Kadima praticamente sumiu do mapa. Vamos conferir isso no dia 22 de janeiro.

  • Felipe Marcel

    02/01/2013 at 03:01

    Boa noite e parabéns pela boa forma como passam as informações
    Porque esta parlamentar Tzipi Livni saiu do Kadima e porque foi pro Hatnua?

    Só o Ale Yarok tem posição liberal quanto a maconha? E quanto a questão LGBT também? Gostaria de saber o quanto essas questões entram nos blocos de esquerda e direita, e o quanto são influentes no país.

  • João Koatz Miragaya

    14/01/2013 at 16:12

    O Felipinho!

    Tzipi Livni diz que não concorda com a forma como Shaul Mofaz conduz o Kadima, especialmente após a entrada do partido na coalizão de Netanyahu.

    Só o Ale Yarok tem a liberação das drogas como bandeira. Nenhum dos grandes partidos sequer toca no assunto.

    Em relação ao LGBT, posso te informar que a campanha do Meretz toca bastante no assunto, mas não há proposta para casamento gay nem nada do gênero. O Meretz também tem uma braço forte no feminismo.

    Além do Shas e do Yahadut HaTora, lógico, que são assumidamente anti-gays, o Israel Beiteynu já apresentou, através sobretudo da ex-parlamentar Anastacia Michaeli, um discurso homofóbico na Knesset. Lamentavelmente estas questões não são destaque no parlamento, pois, apesar de marginais, são importantes e representam conflitos sociais no país.

  • Israel - ConexaoIsrael - Minha militancia no dia das eleicoes

    22/01/2013 at 17:57

    […] outros três voluntários. Pouco antes de terminar, chegaram ao local três militantes do partido Otzma LeIsrael (um adulto de aproximadamente 50 anos e dois adolescentes de menos de 13 anos). Sem lugar para […]

  • Israel - ConexaoIsrael - Atualizacao sobre caso dos sequestrados (17.06)

    17/06/2014 at 17:52

    […] noite do dia 16/06 foi divulgado um vídeo de um parente próximo da parlamentar Chanin Zoabi (Bala’ad), cidadão árabe-israelense residente em Nazaré. O adolescente (como você pode ver abaixo) […]

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