Pacto, boicote e facebook

03/03/2013 | Eleições; Política

No último Sábado (2 de Março de 2013), Netanyahu recebeu do presidente Peres duas semanas a mais para negociar a formação de um governo. Netanyahu já teve 28 dias após sua nomeação para formar o governo, mas até agora apenas um acordo com o partido de Tzipi Livni foi firmado.
Na curta coletiva de imprensa na casa do presidente, Netanyahu disse que “a principal razão pela qual eu não consegui terminar a formação da coalizão até agora é que — e eu direi isso da forma mais clara possível — certos partidos estão boicotando outros”. A referência é uma clara alusão ao pacto entre Yair Lapid e Naftali Bennett de entrar juntos no governo, deixando os partidos ortodoxos de fora.

Lapid e Bennett se apressaram a responder, e divulgaram em suas páginas do facebook suas posições. Abaixo apresentamos sua tradução:

Yair Lapid:

Dizem que estamos rejeitando os ortodoxos.

Isso obviamente não é verdade. Nós não rejeitamos e não boicotamos nenhuma pessoa, e certamente nós não odiamos ninguém. Eu acho esquisito que eu tenho que explicar o tempo todo aos ortodoxos que não os odiamos, mas eles insistem em afirmar que nós sim odiamos. Eu não consigo entender por que alguém — pessoa ou grupo — possa fazer tudo o que pode para convencer a si mesmo que o odeiam.

Isso não lhes servirá de nada. Todo judeu do mundo é meu irmão, e eu não vou me render ao discurso do ódio. Não apenas isso, eu acho que nosso mundo seria mais pobre sem aqueles que estudam a Torá. Isso não quer dizer que eles não possam trabalhar ou se alistar no exército, mas o estudo da Torá é um dos valores fundamentais do israelismo e não existe o judaísmo sem a Torá.

Por outro lado, houve eleições aqui.

Para quem esqueceu, eleições são a luta entre visões de mundo. Pessoas vão às urnas e votam pelo caminho que em sua opinião o país deve se conduzir. Às vezes a esquerda ganha, às vezes a direita, às vezes os socialistas, às vezes os capitalistas, às vezes aqueles que apoiam a solução de dois países, às vezes aqueles que querem a terra de Israel completa.

No fim das eleições, forma-se o governo segundo os resultados. Quando Netanyahu foi eleito, estava claro para todos que ele não convidaria o Meretz para seu governo. Será que ele os está rejeitando? Claro que não. Eu estou convencido que Netanyahu acha que o partido de Zahava Galon é um partido israelense legítimo, mas eles têm opiniões opostas com respeito ao caminho que o país deve seguir e portanto eles não podem estar no mesmo governo.

Pois assim é a democracia. Ninguém gosta de perder, mas todos aceitam o princípio básico de que às vezes se está na coalizão e às vezes na oposição. Há, por exemplo, o cenário bem razoável de que o governo que se formará nas próximas duas semanas não incluirá o “Yesh Atid”. Se este for o caso, eu e meus colegas iremos à oposição de cabeça erguida, sem nos sentirmos por sequer um instante que alguém nos odeia ou nos está rejeitando. Todos entendem que isto é parte das regras do jogo democrático.

Todos, menos os partidos ortodoxos.

Por algum motivo, se fixou aqui o princípio que diz que não importa os resultados das eleições, e não importa em qual visão de mundo os cidadãos de israel votaram, os partidos ortodoxos devem permanecer no governo. Eles não são os “parceiros naturais” de Netanyahu, eles são os parceiros naturais de qualquer um que ganhe. Direita, esquerda ou centro, não tem diferença, sempre encontraremos o Eli Yishai sorrindo de um dos lados do primeiro-ministro, e o Litzman de cara séria do outro lado.

Mas por que mesmo?

Será que alguém mudou as leis e esqueceu de nos avisar? Será que é possível formar um governo sem o Likud, sem a Avoda, sem o Kadima, sem o Meretz, sem os partidos árabes, sem qualquer partido específico, mas os ortodoxos devem sempre entrar no governo, senão você será acusado de fazer boicotes e rejeições? Que espécie de processo democrático esquisito é esse?

Eu não rejeito pessoas — ortodoxas ou não — mas tem uma diferença entre pessoas e partidos. Nós devemos abraçar os ortodoxos e ter com eles um verdadeiro diálogo sobre o futuro do país, porém os partidos ortodoxos já são outros quinhentos.

Eu não acredito que o Shas e a Yahadut HaTora possam estar num governo que faça as mudanças pelas quais fomos às eleições: a mudança nos critérios de habitação, currículo base para todos, a igualdade dos deveres e de alistamento, o corte necessário nos orçamentos das yeshivot.

O papel do “Yesh Atid” é devolver o foco da sociedade israelense a temas como educação, assistência a pequenos negócios, abaixar o preço da moradia e abaixar o custo de vida. Em outras palavras, em vez de fazer crescer a força de certos setores da sociedade, temos que ajudar a classe média israelense que está prestes a ruir por causa da necessidade de financiar todos os outros.

Este é uma agenda social nova, diferente, que a absoluta maioria dos cidadãos do país apoia, mas os partidos ortodoxos estão firmemente contra. Esse é claramente seu direito, mas políticos também precisam estar dispostos às vezes a pagar o preço de suas posturas.

A conclusão óbvia é que não ocorrerá nenhum desastre se no próximo mandato eles estiverem na oposição.

Naftali Bennett:

Palavra é palavra

Nos dias após as eleições os líderes do Likud se recusaram em falar com HaBait HaYehudi. Nos boicotaram. Nos transmitiram que não estaremos no governo.

Nós esperávamos ser o parceiro natural e primeiro parceiro a entrar no governo de Netanyahu. Apesar do boicote contra nós, indicamos o Netanyahu ao presidente, sem qualquer condição. Conforme prometemos nas eleições.

Mas a mensagem do Likud era clara: por nenhum preço o sionismo religioso estaria no governo. Esqueçam disso.

Enquanto isso o primeiro-ministro se encontrou duas vezes com o Lapid, com a Tzipi Livni, com o Mofaz, até mesmo com a Zahava Galon. Apenas o sionismo religioso foi boicotado, fora do governo.
Vamos para um governo de esquerda-ortodoxos, o Likud nos disse.
A explicação: “É impossível avançar negociações de paz com HaBait HaYehudi”.

Esta foi uma continuação direta da campanha de boicote e denegrimento contra o sionismo religioso:
– Ataque de deligitimização contra o coronel Moti Yogev, Orit Strook e o rabino Eli Ben-Dahan.
– Propagandas escusas que usavam o assassino Yigal Amir para causar ódio contra os que usam kipa bordada (sionistas religiosos).
– Ataques ferozes contra os líderes do sionismo religioso e seus rabinos.
O público “de kipa bordada” não recebia tais ataques por muitos anos.
Diga-se de passagem, estes ataques por parte do Likud fizeram com que 3 ou 4 mandatos passassem de HaBait HaYehudi para o partido Yesh Atid.

Em paralelo, o Shas abriu um ataque de delegitimização contra o sionismo religioso:
– Nos chamaram de casa de goyim (não judeus), que trazemos problemas ao povo judeu, e mais.
– Atacaram o público de imigrantes da ex União Soviética, com a propaganda do “asterisco conversão”.

Depois das eleições, conforme dito, fomos totalmente boicotados pelo Likud. Sabíamos que se ficássemos quietos, estaríamos na oposição. Portanto agimos.

Foi feito um primeiro contato entre mim e Yair Lapid, quem eu não conhecia antes, exceto por uma visita na Samária há 3 anos. Discutimos a respeito de princípios e planos, e chegamos a acordos fundamentais em uma série de assuntos centrais.

Concordamos também que Yesh Atid não entraria no governo sem HaBait HaYehudi, e HaBait HaYehudi não entraria sem Yesh Atid.

Quando chegamos a tal acordo, Yesh Atid estava em uma situação melhor que a nossa.
Nós estávamos fora, eles dentro.
Yair Lapid cumpriu sua palavra comigo e com o público o qual represento.

Agora isso virou. De repente o Likud nos quer, sem Yesh Atid.
É nossa vez de cumprir nossa palavra.
Palavra é palavra. E vou cumpri-la.
Com prazer receberei todos os “spins” e ataques a esse respeito. Nós temos responsabilidade. Eu cumprirei minha palavra.

Que fique claro:
Nós não boicotamos nenhum partido. Não o Shas, não a Yahadut HaTora. Ninguém. O Likud foi o único que nos boicotou, mas isso é passado.

Eu peço ao primeiro-ministro formar um governo. O Estado de Israel precisa disso.
Do momento que ele decidir, ele será formado em um dia apenas.

 

Propaganda do Likud contra o partido de Naftali Bennett: "Yigal Amir pediu para sua família votar no partido... HaBait HaYehudi"
Propaganda do Likud contra o partido de Naftali Bennett:
“Yigal Amir pediu para sua família votar no partido… HaBait HaYehudi”


É interessante notar que mensagens publicadas pela página do facebook de um político tem tanta (ou mais) repercussão que uma coletiva de imprensa. Minutos após a publicação das mensagens de Lapid e Bennett, já eram milhares de “likes” e compartilhamentos, e os principais jornais online já divulgaram suas respostas aos comentarios de Netanyahu.

Todos os principais políticos usam habilmente esta ferramenta, mas poucos o fazem bem como Yair Lapid. Desde que anunciou sua entrada na política, o facebook tem sido um instrumento fundamental para a construção de uma ampla base de apoio, e um centro para divulgação e debate de ideias. Durante os vários meses de campanha, Lapid respondia todos os dias comentários de seguidores do facebook, e ele mesmo o fazia, ao contrário de outros políticos (normalmente dinossauros) que usam assessores em sua comunicação virtual.

Lapid e Bennett estão em uma excelente posição agora. Recentes pesquisas de opinião indicam que desde as eleições o cenário político segue mudando rapidamente. Se as eleições fossem hoje, o partido de Yair Lapid ganharia 31 assentos na Knesset, enquanto que o partido de Netanyahu teria apenas 26. A última coisa que Netanyahu quer agora são novas eleições, e ele tentará tirar o maior proveito dessas duas semanas que tem. Se suas tentativas de romper o pacto entre Bennett e Lapid não forem bem sucedidas, acabará por abandonar os ortodoxos, seus “parceiros naturais”. Esses são momentos emocionantes na política israelense, e o decorrer dos fatos nos próximos dias poderá ter um profundo impacto nas várias décadas a seguir.

Comentários    ( 11 )

11 Responses to “Pacto, boicote e facebook”

  • Bruno Gottlieb

    03/03/2013 at 14:12

    A política israelense é realmente fascinante!

    O Lapid tem pinta de estadista. Será que veremos ele primeiro-ministro um dia? Não seria uma surpresa.

    O Bennet, apesar das ideias esquisofrênicas, também traz uma bela contribuição ao debate político atual.

    Estou curioso pelos próximos capítulos.

  • Marcelo Treistman

    03/03/2013 at 14:32

    Yair, obrigado pelas traduções!

    Gostei muito do que o Yair Lapid escreveu. Palavras certas, corajosas e que direcionam o país para algo mais perto do que acredito. Particularmente não gosto do Bennet. Até gostaria de sentar com ele para tomar um café, mas não compactuo com as suas idéias.

    Entendo que será muito dificil – pelo menos nos proximos anos, que eu veja a minha coligação perfeita no parlamento. Entendo que a política é a única forma de atuação que poderá estabelecer as bases do país que queremos e isso SIM indica que um partido como o Habait Yehudi esteja no poder hoje.

    Estou otimista. Se os Charedim estiverem na oposição, poderemos ter uma avanço significativo nas politicas internas de Israel, eliminando finalmente o parasitismo no país.

    Não dá mais. Os caras TEM QUE trabalhar, TEM QUE servir o exercito. O país não tem como suportar uma legião de parasitas sanguessugas… Bennet e Lapid estão batendo forte nesta tecla, parecem que encontraram pontos de convergência e sabem que ganharão um capital político fabuloso se estas mudanças saírem do papel.

    Se não existir nenhuma traição no meio do caminho, a pressão que eles colocam sobre o Bibi, veio em boa hora, esta sendo uma estrategia inteligente e estão cumprindo o papel pelo qual se elegeram.

    Com relação a política externa, a coisa muda de figura. Bennet já deixou claro que é contra a criação do Estado Palestino (fora aquela ideia maluca de anexação de territorios)… O que o Lapid pensa é uma interrogação…nunca vi nenhuma posição clara sobre o assunto.

    O que está se abrindo a nossa frente é a possibilidade de mudanças internas relevantes e importantes para a sustentabilidade do país e a manutenção de políticas (ou a omissão delas) com relação a questão palestina.

    Acho que a coligação que está se apresentando com a Tzipi de (como Ministro da Justiça) e sem os charedim, supera todas as minhas expectativas e me faz sorrir um pouco, meio que de canto…

    • Rodrigo Weisz

      17/04/2013 at 18:39

      Caro Marcelo, parabéns pelo Blog e pelas opiniões que demonstram. Estou conhecendo agora esse blog e, assumo, conhecer muito pouco da política Israelense, embora seja Judeu. Me soa estranho quando vc chama os ortodoxos de sangue-sugas e assemelhados… Vc de fato acredita que a contribuição deles ao exército e à economia será determinante par alguma coisa, visto que, pelo que me parece, eles representam pequeno segmento da sociedade Israelense? Além disso, devemos aos charedim, a preservação da nossa identidade judaica e a nossa sobrevivência enquanto povo. Digo isso mas não sou religioso, nem um pouco, mas considero que eles são parte importante de um todo mais importante ainda. Não consigo imaginar um Estado Judeu, sem a presença dos religiosos. Por fim, acharia pior se eles não participassem da política, pois são parte de uma sociedade ampla e pluralista, logo soa-me salutar que defendam seus pontos de vista, dentro dos espaços tradicionais de disputas de ideias. abs

    • Marcelo Treistman

      18/04/2013 at 00:20

      Rodrigo,

      Obrigado pelo feedback. Seja sempre bem vindo a este espaço onde você encontrará diversas opiniões de quem vive o dia a dia em Israel.

      A ortodoxia que não trabalha em Israel é sangue-suga. Não há outra palavra que melhor defina a parcela da população que poderia e deveria estar trabalhando mas sobrevive apenas com dinheiro estatal. Independente do numero que ela represente.

      Não tem nada que enfureça mais a sociedade israelense do que a certeza de que ela financia um modelo de vida que não é importante para a vida delas. A ortodoxia se opõe de forma veemente aos valores seculares, ao sionismo, exército, igualdade entre os sexos, livre-pensamento, etc.. E no entanto, é esta sociedade (secular, que faz o exército, que determinou a igualdade entre os sexos e que defende o livre pensamento) que se vê obrigada a sustentar um modo de vida parasitário.

      Que fique claro: não sou contra esta escolha de vida. Mas que ela seja auto-sustentável, da mesma forma que acontece fora de Israel. Os ortodoxos no Brasil, são sustentados através de financiamento privado – doações (e alguma prática da simonia…); não há um recolhimento de impostos para o sustento das familias judaico-ortodoxas brasileiras…
      Em 3 decadas, de 1980 a 2010, o numero de ortodoxos sem emprego em Israel aumentou 200% e se continuar desta forma, encontraremos um futuro insustentável para o país.
      Insustentável porque o Estudo do Talmud é lindo, mas sozinho ele não gera receitas que possibilite a sua sobrevivência. Porque as familias ortodoxas tem em média 5 filhos. Porque estes filhos estudarão em um modelo educacional que os afastará do mercado de trabalho que exige o conhecimento de noções básicas que este sistema não proporciona. Mais uma vez, o ciclo estará formado e serão os indivíduos que escolheram uma vida “material” que terão que arcar com as despesas daqueles que escolheram viver uma vida “espiritual”…

      Uma sociedade saudável não pode viver para manter uma parcela da população que não pode ser qualificada de forma diversa. Da mesma forma que um parasita, ela deseja acabar com aquilo que lhe provem o alimento.

      Eu voto e apoio os partidos políticos que dizem querer acabar com este monopólio ortodoxo do orçamento do país. Que o Dinheiro estatal seja alocado a quem realmente necessita e não para quem poderia e deveria estar trabalhando.

      Chamo também a sua atenção para dois fatos que são recentes “no mundo”: a ortodoxia é uma invenção do final do século XIX e o “judeu que não trabalha” é uma invenção pós-criação do Estado de Israel. O judeu ortodoxo da Polônia era sapateiro, alfaiate, ferreiro… Nunca – em toda a vasta história judaica – tivemos qualquer coisa parecida com o que existe hoje em Israel.

      Se você realmente acredita que os “ortodoxos preservaram a identidade judaica e sobrevivência do nosso povo” então eu não vejo nada mais justo de que você contribua para sustentá-los. Não entendo porque alguém como eu, que acredita que a ortodoxia é apenas mais uma das diversas manifestações da cultura judaica, deva ser obrigado a subsidiá-los. Para mim a ortodoxia NÃO é a única forma de se viver judaicamente.

      Não deixa de ser curioso apontar o que eu acredito ser uma contradição: o mesmo modelo de vida que você crê ser importante e que mantém o judaísmo” é aquele modelo que você “não escolheu” para você… você ainda faz questão de frisar: “não sou religioso, nem um pouco…”

      Se depeder de você, o judaísmo está acabado… Estamos fritos! Ainda bem que temos os ortodoxos, para manter o judeu “que você não é” e que “escolheu não ser”… Feliz somos nós, que temos os ortodoxos para fazer “tudo aquilo que é importante”. É tão importante, mas tão importante que você não quer nem contato… Como você mesmo diz: “nem um pouco”…

      É o mesmo que dizer que você acha que a honestidade é importante. Você diria “Ela é o que nos mantém como povo, como sociedade. Ainda bem que existem os homens virtuosos para preservar a honestidade. Já eu… Eu não sou honesto…nem um pouco… Eu deixo isso para os virtuosos da capa preta”…

      O judaísmo ortodoxo está na sua vida de forma inversamente proporcional a importância que você dá a ele.

      Curioso, não?

      Por fim, você diz que ” Não consegue imaginar um Estado Judeu, sem a presença dos religiosos”
      Quer saber… Eu e toda a população não-ortodoxa também pensamos da mesma forma… Israel “é também” dos ortodoxos, religiosos, ateus, laicos, etc…. O problema é que o dia que a ortodoxia judaica for maioria em Israel, nem eu e nem você teremos espaço no Estado Judeu.

  • Mario Silvio

    03/03/2013 at 15:28

    “temos que ajudar a classe média israelense que está prestes a ruir por causa da necessidade de financiar todos os outros.”
    Estamos precisando de um partido com essa plataforma no Brasil, há muito tempo.

  • Mario Silvio

    03/03/2013 at 15:33

    Não entendi nada.
    O Naftali Bennett é religioso? (Mas a mensagem do Likud era clara: por nenhum preço o sionismo religioso estaria no governo. Esqueçam disso, Apenas o sionismo religioso foi boicotado, fora do governo.)

    E se é, o que significam as palavras do Yair Lapid? Eu gostei delas, concordo com quase tudo, mas como concilia-las com o pacto com um partido religioso?

  • Yair Mau

    03/03/2013 at 15:49

    Mario Silvio,
    O Bennett é religioso sionista, o que significa que segue as leis da halachá conforme os ‘religiosos’ a entendem, e também vivem uma vida moderna (trabalham, estudam, vão ao exército, etc). O Bennett foi chefe do gabinete de Netanyahu há alguns anos, e eles brigaram, não sei bem porque. Desde então há um forte rechaço entre ambos, e agora eles tem que resolver suas diferenças pessoais para que um governo possa se formar. O Netanyahu não o queria no governo, mas isso faz 3 semanas, o que na política de Israel significa milênios atrás. Agora mudou, simples assim.

    Toda a ‘nova ordem social’ proposta por Lapid é aceita pelo partido de Bennett, que embora religiosos, são completamente integrados na sociedade e fazem tudo o que outros não religiosos fazem.

  • Raul Gottlieb

    04/03/2013 at 00:39

    Fantástica a mensagem do Lapid. Esperemos que desta vez haja um partido de centro que dure pelo menos uns 15 anos. Estofo de estadista ele tem. O pai dele quase conseguiu formar um sólido partido de centro, mas não conseguiu.

    A tendência a marginalizar os ultra-ortodoxos da política israelense segue uma percepção que eu tenho há uns dois anos: o charedi é cada vez mais desprezado pela sociedade. Não pela leitura bizarra e revolucionária que eles fazem do judaísmo, mas por sua manipulação politica para auferir vantagens especiais ao seu grupo, que é aideológica. Parece que o israelense se encheu disso.

    Guardada as devidas proporções, o Shas é o PMDB de Israel. Há governo? Então sou a favor!

    A favor do Shas diga-se que eles lutam menos para os seus bolsos pessoais e mais para a comunidade que representam. O problema é que não é possível criar uma sociedade que não se sustenta financeiramente.

    A cisão entre a ultra-ortodoxia e a ortodoxia sionista é muito bem vinda. Quem sabe depois que se estabelecer claramente que existe mais de uma forma de ser ortodoxos as pessoas entendam que existe mais de uma forma de ser judeu religioso.

    É um processo gradativo, mas creio que vá acontecer.

  • Luis

    04/03/2013 at 04:37

    Yair,

    alguma chance do Lapid e do Bennett se recusarem a entrar na coalizão e assim forçar uma nova eleição, com o yesh atid em primeiro lugar?

    • Yair Mau

      04/03/2013 at 06:40

      Muito difícil que isso aconteça. Agora Bennett e Lapid estão numa posição de conseguir quase tudo o que querem.

      Além disso, ambos são novos na política e precisam muito ganhar experiência em ministérios importantes, para que nas próximas eleições concorram para poder liderar o governo.

      Finalmente, é sempre bom tem alguém outro no comando, para que quando algo der errado poder receber a culpa. Por exemplo, revelou-se recentemente que há um grande déficit nas contas do país. Bennett e Lapid não querem herdar essa bomba e levar a culpa.

Você é humano? *