A paz negativa

11/02/2015 | Conflito, Sociedade.

Shalom significa “paz” em hebraico. Os israelenses, ao se cumprimentarem, dizem “shalom”. Na entrada do Shabat (sábado), se cumprimenta as pessoas com um “shabat shalom” (“tenha um sábado de paz”). Paz é uma palavra extremamente positiva, em todas as línguas. Poucas, no entanto, usam tanto o vocábulo como o hebraico[ref]A língua árabe também usa o termo “paz” na sua saudação diária, quando dizem ‘Salam Aleikum” (que a paz esteja convosco), respondido por “Aleikum Salam”. O leitor pode ler aqui, neste texto do Diogo Bercito, uma comparação entre os idiomas árabe e hebraico no que tange o termo “paz” e outros conceitos.[/ref]

Um dos cumprimentos tradicionais em hebraico é “Shalom Alechem” (“que a paz esteja convosco”), parecido com o árabe. É possível referir-se a um falecido com “Alav haShalom” (“paz sobre ele”, mas usualmente traduzível como “que descanse em paz”). O vocábulo pode ser utilizado de outras formas, por exemplo quando se diz “Chas VeShalom” (literalmente “piedade e paz”, mas adaptável para “Deus me livre!”). “Shlom Bait” (“paz da casa”), é um conceito talmúdico, espécie de benção aos recém-casados, que cada um cumpra com suas funções. Há mais alguns conceitos mais ou menos usuais do termo shalom, todos positivos[ref]Yair Mau escreveu um artigo sobre os milhares de significados do termo “shalom”. Confira aqui.[/ref] Todas as expressões listadas acima são extremamente positivas: quando se deseja shalom, se deseja algo bom. Certo?

Nem tanto. É impressionante, mas o termo “shalom” conseguiu, sabe-se lá como, adquirir uma conotação negativa no dia-a-dia israelense. Obviamente não me refiro às expressões listadas acima, nem ao uso do vocábulo como cumprimento. Me refiro à tradução literal do termo: paz. Sim, caro leitor. É isso mesmo que você está pensando. O termo “paz”, em Israel atualmente, tem conotação negativa para boa parte da população. Especialmente em período pré-eleitoral[ref]Outro artigo do companheiro Yair Mau que aborda um tema parecido, a partir de uma tradução de um texto de David Grossman. Leia aqui[/ref].

Recentemente, em uma propaganda eleitoral (veja abaixo), o partido Likud mostrou a estranha conotação que recebeu o termo. Um casal sai e deixa o Primeiro-Ministro Benjamin “Bibi” Netanyahu cuidando de seus filhos, como baby-sitter (ou, como o Primeiro-Ministro se auto-entitula, Bibisitter). Ao regressarem, o cumprimentam com um sonoro “shalom!”. Bibi assim os responde: “Lo bechol tnai”, que significa “não a qualquer custo”, ou “não sob quaisquer condições”. Esqueçam que isto foi um jogo de palavras e reparem bem nesta resposta: queremos paz, mas não a qualquer custo. Ou seja, há alguma circunstância em que é preferível a guerra (ou o conflito) à paz. O termo utilizado foi paz. Não foi “acordo”. Não foi “criação do Estado palestino”. Não foi “devolver territórios”. O termo usado foi paz.

“Você está exagerando”, pode argumentar o leitor. Prossigamos, então. Em período eleitoral, nas propagandas em hebraico[ref]Infelizmente as propagandas em árabe dificilmente chegam nas regiões de maioria judaica, e, mesmo quando chegam, eu não sou apto a compreendê-las[/ref] divulgadas no youtube ou espalhadas em cartazes pelas ruas do país, o termo “paz” só apareceu de forma positiva por meio do partido Meretz, e, ainda assim, com menos frequência que no período pré-eleitoral de 2012/13. O Bloco Sionista [ref]União entre o Partido Trabalhista (Avoda) e o HaTnua.[/ref] fez um vídeo sobre “o que é sionismo”, com seus principais nomes, e não falou em paz (neste caso, outros termos esquecidos foram “negociações”, “acordo”, “colônias” ou “devolução de territórios”). Além do Likud, o partido A Casa Judaica (HaBait HaYehudi) também fez propagandas criticando a paz, sobretudo quando os discursos envolvem o outro lado: tanto o ex-ministro da Defesa e do Meio Ambiente, Amir Peretz, quanto o líder do Bloco Sionista foram ridicularizados pela campanha somente por afirmarem que há chance de alcançarmos a paz.

O receio de referir-se à paz como algo positivo afeta diretamente os partidos cujas principais bandeiras há até pouco tempo atrás fosse um acordo de paz. A própria expressão, “acordo de paz” (eskem ha’shalom) foi substituída, tanto nas plataformas políticas, quanto na mídia, pela sentença “solução política” (esder medini). Na prática, no entanto, ambas querem dizer exatamente o mesmo. A diferença é que a locução “shalom” foi rifada. Mais um sinal.

Saímos da política, mas nem tanto. Não é raro que saibamos de pessoas que são ofendidas nas ruas do país por desfilarem com camisetas de grupos como o Shalom Achshav (Paz Agora), ou o Lochamim LaShalom (Guerreiros pela Paz). Qualquer movimento que carrega a alcunha “shalom” no seu nome[ref]Estenda este comentário para os grupos Gush Shalom (Bloco da Paz) e outros que não tem “shalom” no nome, mas são identificados diretamente como grupos que se encarregam de temas exclusivamente pacifistas, como B’Tzelem, Iniciativa de Genebra, Machsom Watch, Ir Amim (Cidade dos Povos), dentre outros.[/ref] é potencial vítima de maus olhares, ofensas pessoais ou, em caso mais remotos, até de agressão física. Irônico que os que pedem a paz recebem violência. A questão é que, neste caso, o antônimo natural de paz não é exatamente violência, como tentou alertar o Primeiro-Ministro Itzhak Rabin em discurso público no dia de seu assassinato. Infelizmente o termo foi deturpado, e hoje faz o contraponto com realidade ou bom senso.

Seria aceitável (embora eu individualmente não esteja de acordo) que os críticos da “paz” fossem céticos em relação a um possível acordo com os palestinos. Ser contra o acordo é compreensível, diferentemente de ser contra a paz. Não posso aceitar que paz seja de forma alguma um conceito negativo. Até mesmo a chamada “paz fria”, como alguns pesquisadores classificam os acordos feitos com Egito e Jordânia, não causaram absolutamente nenhum mal a Israel. A paz é preferível ao conflito, e me espanta que haja quem questione esta máxima. O mesmo não se aplica necessariamente ao termo “acordo”, pois este não geraria paz na região.

A cientista política Dália Gabrieli Nuri, do Centro de Estudos Hadassa de Jerusalém, divulgou em 2012 uma pesquisa sobre os diferentes usos que a palavra “shalom” tem no campo político.  Em sua obra “A Paz no Discurso Político em Israel”[ref]HaShalom baSiach HaPoliti beIsrael ou השלום בשיח הפולוטי בישראל[/ref], tanto na direita quanto na esquerda a paz é o objetivo final. Os dois lados, no entanto, se diferem bastante no uso do termo, tanto em discursos como nas práticas. Nesta entrevista ao diário Haaretz, em outubro de 2012, a pesquisadora mostrou que Netanyahu utilizou o termo “shalom” 44 vezes no seu famoso discurso na Universidade Bar-Ilan, quando admitiu que deve existir um Estado palestino. É válido reiterar que, em campanha eleitoral, o termo desaparece por completo da campanha do Likud, exceto em ocasiões negativas, como citado em alguns parágrafos acima. O famoso discurso na Universidade Bar-Ilan se deu poucos meses após as eleições, ou seja, após a campanha eleitoral. Por outro lado, a autora fala sobre a conotação negativa que a palavra tem em discursos políticos através de expressões como “preço da paz”, “sacrifícios pela paz” ou “não há paz sem lágrimas”. Ou seja, mesmo quando o termo “shalom” tem conotação positiva, é transformado em algo negativo através das expressões que se criam a partir dele.

Alguns alegam que falar de paz é um tabu, pois, após o (discutível) fracasso dos Acordos de Oslo, não é popular tocar no tema. Talvez isto explique porque o único partido judaico que fala de paz tenha menos de 5% dos votos no país, com possibilidade de ter menos ainda nestas eleições segundo as últimas pesquisas. A meu ver, infelizmente, paz não é um tabu: é um vocábulo mais negativo que positivo. Durante a última operação em Gaza, em julho de 2014, quem falasse sobre paz em círculos públicos era um sujeito corajoso.

Nem sempre foi assim. Shalom era, até os anos 1990, um termo positivo. Hoje os eleitores da direita radical falam em vítimas da paz (“korbanot hashalom”). Há alguns anos o líder máximo da direita sionista (por quem não tenho nenhuma simpatia ideológica) dizia o contrário. Confira o vídeo abaixo e veja como regredimos neste aspecto.

Comentários    ( 25 )

25 Responses to “A paz negativa”

  • Raul Gottlieb

    11/02/2015 at 09:56

    João, adorei o post com as propagandas eleitorais.

    Maravilhosa iniciativa!

    Como não foi possível comentar aquele post e há uma recomendação abaixo do texto para que se coloque comentários algures, faço o meu comentário debaixo deste teu texto sobre a palavra Shalom.

    A meu ver, as melhores propagandas disparado são as do Benet (não se desculpe) e do Bibi (bibi-seater). Engraçadas demais e muito claras na mensagem.

    Depois vem a do Shas, que mostra bem a classe média que se acha massacrada enquanto desfruta uma vida boa.

    As propagandas do Avodá e do Meretz não dizem nada. Só falam que eles vão fazer e todo mundo vai ficar feliz, mas sem dizer como. A meu ver, quem está fora do governo tem que dizer o que vai mudar. Já o Bibi pode falar mais do mesmo, pois todos sabem o que é o mesmo.

    Enfim, penso que a direita usa humor e a esquerda é sisuda. Exceção à propaganda do Meretz que mostra uma festa, mas sem uma mensagem, se limita a dizer “eu sou bom demais”, o que, convenhamos, todo mundo diz de uma forma ou de outra.

    Isto me parece estar em linha com o caráter religioso-dogmático do pensamento da esquerda.

    Mas sem dúvida que o Conexão marcou um golaço com este post. Um serviço sensacional para quem é interessado em Israel.

    Abraço, Raul

    • João K. Miragaya

      11/02/2015 at 10:45

      Obrigado, Raul. Estou de pleno acordo contigo. Você não acha que faltam propostas nestes vídeos (de todos os partidos)? Eu tenho esta sensação. Ninguém propõe nada, quando muito, criticam os outros.

    • Raul Gottlieb

      11/02/2015 at 21:38

      De acordo, ninguém propõe coisa alguma. A campanha parece ser baseada em provocar emoções.

      Este é o grande perigo da democracia!

      Na minha opinião, as pessoas que nasceram num mundo democratizado há muitas décadas não entende mais o valor de seu voto e em vez de ponderar com cautela age como se a democracia estivesse garantida e como se todos os partidos se equivalem, indo atrás de suas sensações.

      Então alguns filminhos são bem agradáveis e outros tentam meter medo. Mas ninguém se dispõe a discutir, debater. Um desastre, que não é só israelense. Os USA votou e revotou numa pessoa pelo que ela representa e não pelo que ela pensa e faz,

    • Gabriel Borensztejn

      12/02/2015 at 23:49

      Bom texto João.

      So que você errou em algo muito sutil.

      Segundo João disse:

      ”Esqueçam que isto foi um jogo de palavras e reparem bem nesta resposta: queremos paz, mas não a qualquer custo. Ou seja, há alguma circunstância em que é preferível a guerra (ou o conflito) à paz.”

      Eu respondi a ele o seguinte, e essa resposta vai também pra você.

      Negativo, dizer não a qualquer custo não significa querer a guerra. Dizer não a qualquer custo significa algo mais importante, mais interno.

      Dizer não a qualquer custo significa por exemplo, não dar Jerusalem oriental como capital de um futuro estado palestino, dizer não a qualquer custo significa não negociar com Hamas, significa não chegar ao ponto de dizer SIM a qualquer custo, e depois ter que lamentar um péssimo acordo.

      Nao podemos negociar a qualquer custo, e também não podemos negociar com guerra.

      Israel não quer guerra, não interessa a guerra. Estamos cansados de guerras. Mas não iremos vender a paz a qualquer custo e sim uma paz como a que foi assinada com Jordania ou com Egito.

      Negociar a paz a qualquer custo seria negociar a paz com Hamas , para que eles continuem sem aceitar um Estado de Israel. Um abraco

    • João K. Miragaya

      13/02/2015 at 15:50

      Olá Gabriel, obrigado pelo comentário.

      Lamento, mas não acredito ter errado. Justamente ao contrário, acho que você não percebeu o significado do que você mesmo disse: é preferível não ter paz (ou seja, ter conflito) a dar Jerusalém oriental como capital do Estado palestino. É preferível não ter paz a negociar com o Hamas. Ou seja: preferimos que nossos soldados (e alguns civis), além de outros milhares de palestinos sigam morrendo a negociar com o Hamas para alcançarmos a PAZ! Veja bem: você pode desconfiar de que um acordo trará a paz, mas não pode desconfiar que a paz trará a paz. Hoje o Hamas não quer paz, mas se no futuro uma negociação com eles trouxer a paz, você se oporia? Eu imagino que um acordo de paz nos traga simplesmente a paz. O discurso de parte grande da direita israelense é o de que a paz é negativa por si só, e não o acordo.

      Um abraço pra você também.

    • Claudio Daylac

      13/02/2015 at 17:31

      Gabriel,

      O atual governo já negocia com o Hamas: negociou a volta do Gilad Shalit, negocia os acordos de cessar-fogo nas guerras bienais que temos, enfim, está sempre negociando com o Hamas.

      Por que não aproveta e negocia a paz também?

      Um abraço!

    • Gabriel Borensztejn

      13/02/2015 at 19:18

      Inacreditavel. Vc parece dar a razao a Hamas, e a culpa em Israel por nao negociar.

      Vc e daquelas pessoas que pensa que dando Jerusalém oriental teremos paz.

      Pelo que vejo vc daria também toda Jerusalem com tal de ”comprar” uma paz. Uma paz que em menos de um ano terminaria por culpa de Hamas.

      Desculpe mas isso não e paz , isso e aceitar que Hamas e dono de Israel.

      Infelizmente pessoas como vocês são as que não querem paz em Israel e querem que o sangue de judeus continue caindo.

      Shabat Shalom

    • João K. Miragaya

      13/02/2015 at 23:22

      Não, Gabriel, eu não disse isso, não dei nem nunca darei razão ao terrorismo, ao fundamentalismo islâmico e aos que querem me ver morto.

      Sua interpretação é totalmente equivocada. Eu tentei discutir o uso da palavra paz, não mencionei sequer o que acarretaria um acordo com o Hamas hoje (pois ele é impossível). Você distorceu totalmente as minhas palavras e chegou a uma conclusão equivocada, pra não dizer mal intencionada. Eu vivo em Israel, o sangue de judeus que continua caindo pode ser o meu (que sou reservista do exército), da minha mulher, dos meus amigos ou dos meus futuros filhos. É preciso que eu diga que eu quero realmente paz, e não que o sangue de judeus continue caindo?

      Shabat shalom

    • Gabriel Borensztejn

      13/02/2015 at 19:20

      Claudio Daylac, segundo você a culpa e de Israel por não negociar a paz.

      Nao parecem judeus.

    • Claudio Daylac

      14/02/2015 at 03:14

      Não pareço judeu porquê, Gabriel? Porque discordo de você? Porque critico o governo de Israel?

      Achava que o judaísmo era a cultura do debate, das diferentes opiniões…

    • Raul Gottlieb

      13/02/2015 at 21:55

      Eu concordo com o João neste caso.

      A paz é melhor do que a guerra sempre, independente das circunstâncias,

      Contudo, uma paz de verdade e não uma paz de papel como a conseguida por Chamberlain e Daladier.

      Eu acho que o filminho do Bibiseater falhou nisso. Se a frase final do filminho fosse: “Paz sim, mas verdadeira” a discussão acima não aconteceria.

      Por outro lado o Claudio me surpreende. O fato do Hamas negociar com Israel o cessar fogo não significa que ele queira negociar o reconhecimento (conforme o Hamas deixa abundantemente claro em todas as declarações de princípios que emite).

      Fico com a impressão que o Cláudio suspeita que como o Mac Donalds está disposto a negociar venda de um milk shake para o dono do Burger King, também está disposto a negociar a venda da marca para ele.

      Ou seja, o fato de negociar um tema pontual não indica predisposição para a negociação de um assunto existencial.

    • Claudio Daylac

      14/02/2015 at 03:21

      Raul, apesar do seu deboche e do seu reducionismo bobo, a verdade é que temos um governo disponível ao diálogo e a muitas concessões ao Hamas. E isso apenas fortalece o os terroristas.
      Um abraço.

    • Raul Gottlieb

      14/02/2015 at 12:13

      Cláudio, eu não tive intenção de debochar. Me desculpe se a leitura deu esta impressão.

      Mas sim, tive a intenção de reduzir. Aprendi isto lendo o mestre Amos Oz que diz que as coisas são mais bem entendidas quando colocadas num cenário familiar e que mostra a incrível semelhança entre as questões políticas e as domésticas.

      Assim que quando ele compara o conflito árabe israelense com uma briga de vizinhos que têm que dividir um apartamento bem pequeno, ele está reduzindo para se fazer entender bem e também está demonstrando (e aqui a maior genialidade dele) que as grandes questões da humanidade se baseiam em princípios que estão ao alcance de qualquer um, mesmo quando se escondem atrás de linguagem inalcançável.

      Claro que eu não ouso comparar os meus comentários à genialidade do maior escritor em atividade do mundo, mas mesmo assim me sito bem em ser boboca junto com ele. Longa vida aos bobocas (sem deboche), pois um pouco de senso de humor é um fenomenal preservador da saúde.

      E sim, repito, negociar assuntos pontuais com o Hamas não é sinal de que a negociação a respeito da existência de Israel seja possível. Independente do exemplo do dono do Burger King comprando um sanduba no Mac Donalds.

      Um shabat de paz (verdadeira) é o que te deseja este teu debatedor boboca.

  • Raul Gottlieb

    11/02/2015 at 10:04

    Sobre o post a respeito do Shalom: a degradação do termo segue a degradação da esperança dos israelenses de que seja possível ter paz com uma sociedade que não consegue controlar bandos de selvagens, tais como os do Hamas, do Hezbolá, do ISIS, do Boko Haram, e outros.

    Quando esta sociedade neutralizar estes selvagens, acredito que a palavra paz ganhará outro lustro.

    Fique atento no que o presidente do Egito tem falado. Ele tem mostrado um grande bom senso e uma análise muito interessante da situação política da região.

  • Danoom

    11/02/2015 at 22:17

    João, gostei do texto! Tinha visto a campanha e me chamou muita atenção essa frase final do “nao a qualquer custo”.

    De qualquer forma, me lembrei de um texto que li na época do conflito em Gaza, do Etgar Keret, e que gostei bastante. Cai como uma luva nessa reflexão sobre a conotação do termo paz. O interessante é que talvez o enfraquecimento desse termo não seja algo negativo. Abraço!

    http://oglobo.globo.com/cultura/livros/etgar-keret-de-uma-chance-ao-acordo-13222782

    • João K. Miragaya

      11/02/2015 at 22:29

      Eu li este texto, Danoon. Ele consegue ver coisas positivas nisso. A minha sensação, por outro lado, é que as pessoas não acreditam num acordo de paz mesmo que haja acordo. E isso é triste.

  • Marcelo Starec

    11/02/2015 at 22:37

    Oi João,
    Gostei muito do seu artigo!…Foi muito inteligente a forma como você utilizou a palavra shalom para conseguir demostrar muito bem o seu ponto. Concordo contigo!…Em meu entender, a maioria dos israelenses está hoje um tanto cética quanto as reais possibilidades de paz no curto prazo, devido a tantas e tantas expectativas frustradas, independente do motivo. Acredito que a paz terminará vindo muito mais a partir de um pragmatismo de todas as partes envolvidas do que de algum tipo de “idealismo pacifista”…É a minha modesta opinião sobre o tema, mas jamais pode deixar de ser um objetivo a ser perseguido por Israel, independente de quem esteja no governo…mas quem ficar com a expectativa de que obter a paz é algo fácil, “basta a gente querer”, em meu entender acabará se decepcionando mais uma vez. A minha expectativa sobre um governo israelense, seja ele qual for, é que ele seja duro e firme sempre que precisar ser, sem medo, pois a existência do País está em jogo, algo que muita gente não consegue entender, mas ao mesmo tempo ousado quando existir uma real oportunidade de fazer algo diferente que possa dar certo!
    Abraços,
    Marcelo.

  • Raul Gottlieb

    16/02/2015 at 03:55

    Olá João, veja uma pessoa para quem a paz tem conotação positiva. Ou melhor: quando a voz de pessoas que pensam como ele for predominante a paz terá conotação positiva.

    http://blogs.timesofisrael.com/we-palestinians-hold-the-key-to-a-better-future/

    Adorei o texto dele – dá uma janela de esperança, O Conexão podia tentar entrevista-lo.

    Abraço, Raul

    • João K. Miragaya

      16/02/2015 at 09:16

      É uma boa ideia. Vou repassar a ideia ao grupo.

      Um abraço

  • cristina

    16/02/2015 at 14:09

    Bom e interessante o artigo. Aprendi muito sobre o que se passa em Israel e sobre as diferentes conotações da palavra shalom, coisas que eu não sabia. Agradeço, me enriqueceu culturalmente. Isto, a meu ver, é informar. Porém, se me permitem, gostaria de deixar registrada a minha modesta (no sentido secular da palavra) opinião. Eu não moro em Israel, os meus pais não são judeus (no sentido haláquico da palavra), não possuo Mestrado, Doutorado, ou PHD em Ciências Políticas, nem sou especialista em Oriente Médio, mas tenho visão espiritual e o que vejo (no sentido mais óbvio da palavra) é o seguinte: infelizmente, não há nenhuma possibilidade de paz (no sentido ausência de conflito) para Israel. Porque faz parte do Estatuto do Hamás destruir Israel e o povo judeu. Não importa o que a eles seja concedido, até mesmo Jerusalém Oriental, eles não vão ficar satisfeitos e vão continuar jogando bombas nos israelenses. Sonhar com a paz é normal, todos sonhamos, mas há que ser um sonho pragmático. Israel não pode se esquecer de que é o povo de Deus, o povo escolhido (sim, a palavra bíblica é escolhido) para ser o tesouro especial de Deus, a menina dos olhos de Deus, o povo que leva a luz de Deus aos outros povos. Imaginar que esta tarefa será realizada sem obstáculos é não ter a exata noção (no sentido espiritual da palavra) do que tal missão significa. As trevas não suportam a luz, porque a luz representa o fim das trevas. Então, antes que a luz chegue e acabe definitivamente com as trevas (o que vai acontecer no final dos tempos segundo as profecias) estas vão fazer tudo para acabar com a luz, não importando quanto a luz seja boazinha. A luz sempre vai ser luz e enquanto for luz será uma ameaça às trevas pelo só fato de existir. Quem é das trevas não pode acabar com os que são da luz (tentaram, continuam tentando, e vão sempre tentar fazer isto até o final dos tempos),mas pode machucar e fazer sofrer e é o que as trevas fazem. Como, segundo as profecias, está chegando o tempo do fim, quando a luz vai acabar com as trevas definitivamente, quem é da luz deve estar bem preparado para lutas cada vez mais acirradas, cientes de que não adianta tentar fazer acordo com as trevas. Não há possibilidade de acordo entre as trevas e a luz.

  • Mario S Nusbaum

    21/02/2015 at 19:45

    ” é preferível não ter paz (ou seja, ter conflito) a dar Jerusalém oriental como capital do Estado palestino. É preferível não ter paz a negociar com o Hamas.” São duas coisas completamente diferentes João! Negociar sempre é melhor do que lutar, com isso eu concordo 100%, mas dar alguma coisa nem sempre. Sou totalmente contra a divisão de Jerusalém, mas seria a favor de uma capital palestina simbólica na cidade, mas a questão é outra, e vou dar um exemplo absurdo para ficar mais fácil entender meu ponto de vista: é preferível não ter paz, ou seja, ter conflito a aceitar que os judeus sejam escravos dos árabes. Resumindo, dependendo das condições exigidas pelo outro lado para ter paz, o conflito é preferível, ou melhor, a única opção.
    E desconfio de que você também acha, tanto que quando falou em “Ou seja: preferimos que nossos soldados (e alguns civis), além de outros milhares de palestinos sigam morrendo….” usou o exemplo da negociação e não o de Jerusalém (que não é absoluto).

    • João K. Miragaya

      22/02/2015 at 11:31

      Mario, você comete dois equívocos na sua afirmação:

      1) No século XXI nenhum conceito de paz envolve escravidão. Os dois não são compatíveis. Ou há paz, ou há escravidão.

      2) Eu usei o exemplo da divisão de Jerusalém, justamente por ser um dos pontos de impasse. A escravidão dos judeus não entra nas negociações.

      Perdão pelo termo, mas acho seu exemplo infame.

      O conflito só é preferível a um conflito maior, jamais à paz. E aí poderemos discutir no que poderiam acarretar determinadas concessões. Mas, visto que elas tragam paz, não acho que são discutíveis.

    • Mario S Nusbaum

      22/02/2015 at 17:07

      Puxa João, você me subestimou! Claro que o meu exemplo não deveria ter sido tomado ao pé da letra, pensei que fosse óbvio. Mas já que não foi, dou outro: o absurdo e surreal “direito de retorno”, que não é nem direito nem muito menos retorno.
      Melhor agora?

      “O conflito só é preferível a um conflito maior, jamais à paz. E aí poderemos discutir no que poderiam acarretar determinadas concessões. Mas, visto que elas tragam paz, não acho que são discutíveis.”
      OK, vamos então nos focar no “direito de retorno”. Se ele for aceito em troca da paz, os judeus passarão a ser minoria (hipoteticamente, não sabemos quantos palestinos o usariam) assim como em dezenas de países do mundo.
      Na sua opinião, seria aceitável, mesmo que a paz fosse garantida? Nunca seria, claro, mas admitamos que sim.

    • João K. Miragaya

      22/02/2015 at 18:59

      Neste ponto você está discutindo no que acarrateria determinada decisão, mas não questiona que a paz é melhor do que o conflito. Eu, por exemplo, acredito que a volta de todos os palestinos causaria uma situação mais conflituosa do que a que temos, não representa paz. Se eu acreditasse que ela traria paz, possivelmente a apoiaria.

Você é humano? *