Por que Netanyahu venceu outra vez?

21/03/2015 | Política.

4.253.336 israelenses foram às urnas em Israel para eleger a vigésima Knesset da história. O percentual de eleitores que fez jus ao seu direito político de votar foi de 72,4% do total (o voto em Israel é facultativo), maior taxa em 15 anos, 5% a mais do que nas eleições de 2013. O Likud, como vocês já devem saber, foi o partido mais votado, e é praticamente impossível que seu líder, Benjamin Netanyahu, não monte a próxima coalizão governista. Tentarei explicar neste artigo por que o Likud venceu novamente, em quem de fato o povo votou, e que fatores entraram em cena no jogo político da democracia israelense.

(Se você quiser ler mais sobre a ideologia e as propostas dos partidos, clique aqui)

Claudio Daylac explicou de forma simples e didática como funcionam os blocos políticos e ideológicos em Israel em dois artigos (parte 1 e parte 2). Por isso, partirei do princípio que o leitor já está familiarizado com as divisões ideológico-partidárias existentes de acordo com variados temas, como conflito, economia, religião e Estado, entre outros assuntos.

Veja as formações da Knesset em 2015 (acima) e 2013 (abaixo) nas tabelas abaixo:

Knesset 2015

Knesset 2013
Knesset 2013

Algumas considerações para que o leitor possa comparar as tabelas:

  1. Likud-Beiteynu foi uma aliança entre os dois partidos para concorrer em conjunto em 2013. Poucos meses após as eleições a lista se separou, com 19 cadeiras para o Likud e 12 para o Israel Beiteynu de Avigdor Lieberman.
  2. Os trabalhistas e o partido HaTnua, de Tzipi Livni, formaram uma lista conjunta chamada União Sionista em 2015.
  3. Ra’am-Ta’al, Hadash e Balad juntaram-se para concorrer em conjunto em 2015, em uma coligação chamada Lista Unificada, devido ao aumento da cláusula de barreira (de 2% a 3,25%)
  4. O Yachad Ha’am Itanu é uma lista conjunta formada pelos partidos Ha’am Itanu, de ex-membros do Shas (como Ely Ishay), e os ultra-direitistas da Força Judaica, de Michael Ben-Ari, que nas eleições passadas chamava-se Força para Israel, e obteve pouco menos de 60 mil votos, insuficientes para ultrapassar a cláusula de barreira.
  5. O Kadima, ainda presente na última Knesset, decidiu não concorrer às eleições. O Kulanu, de Moshe Kahlon, não existia nas últimas eleições.

Agora vamos ao que interessa.

Quem venceu as eleições?

(Por que houve eleições antecipadas? Leia aqui)

Como nos explicaram Gabriel Paciornik (aqui) e novamente Claudio Daylac (aqui), no parlamentarismo israelense não há eleições diretas para o poder executivo. Isso quer dizer que nem sempre o partido mais votado é o que chefiará a coalizão, como aconteceu com o próprio Netanyahu em 2009: tinha uma cadeira a menos que o Kadima, mas formou o governo por ter mais condições de fazê-la aos olhos do presidente do país (na ocasião, Shimon Peres).

Mesmo assim, podemos dizer sem hesitar que o Likud de Netanyahu venceu as eleições. Venceu com sobras. Por quê? Porque conquistou a maior bancada. Porque era o partido mais atacado por grande parte dos concorrentes, inclusive por aliados em potencial. Porque foi criticado incessantemente pela maioria absoluta da grande mídia israelense. Porque as últimas pesquisas apontavam para a sua derrota. Porque parte do eleitorado fez voto útil para que o Likud vencesse. E, por fim, por ter visivelmente as maiores possibilidades de montar o governo. O Likud venceu pela terceira vez consecutiva. Se nas duas anteriores sua vitória foi questionável, desta vez não foi. O partido foi o grande vencedor destas eleições.

Outro vitorioso foi o Kulanu, de Moshe Kahlon. O novo partido, criado pelo ex-ministro das Telecomunicações de Netanyahu (2009-2013), abocanhou 10 cadeiras. Kahlon promete lutar pelo social, e Netanyahu já lhe prometeu a pasta da Fazenda. O Kulanu não divulgou um programa de governo, portanto não sabemos exatamente como Kahlon pretende atuar. O que parece claro é que o Kulanu será o segundo maior partido da bancada governista, o que lhe dá grande poder de barganha.

Apesar do clima de velório, eu não considero que a União Sionista (em especial os trabalhistas) foram os grandes derrotados nestas eleições. Embora houvesse grande expectativa pela vitória, o que de fato deixa um ar de decepção, há de se levar em conta três fatores: (1) desde a década de 1990 os trabalhistas não passavam das 20 cadeiras na Knesset. O partido aumentou consideravelmente sua bancada. (2) Desde o surgimento do Kadima os trabalhistas sequer tinham a esperança de compor a maior bancada da Knesset. (3) Apesar da falta de carisma, Isaac Herzog mostrou ser um político competente para formar alianças, desafiar o status quo e lançar-se como possível primeiro-ministro. Parece ter surgido uma liderança inexistente há mais de uma década. Os trabalhistas descobriram que o caminho para conquistar o poder é permanecer na oposição, fazer frente ao governo conservador do Likud e apresentar-se como alternativa. Resta observar se ninguém no partido tentará derrubar o atual líder. Seria um erro, na minha opinião.

Podemos também analisar os vitoriosos e derrotados na Knesset através de cinco blocos: direita (Likud, A Casa Judaica e Israel Nossa Casa), “esquerda” 1 (União Sionista e Meretz), centro (Yesh Atid e Kulanu), religiosos (Shas e Judaísmo da Tora) e “árabes” 2 (Lista Unificada). Vemos na tabela abaixo que a direita, a esquerda e os árabes se fortaleceram timidamente, e os grandes prejudicados foram os religiosos. Caso o partido Yachad tivesse ultrapassado a cláusula de barreira, a direita (em especial a extrema direita) teria se fortalecido.

Blocos
Blocos

Acredito que, analisando as eleições desta forma, os grandes derrotados foram os partidos religiosos (em especial o Shas). Por outro lado, percebemos um crescimento dos grupos mais moderados. Disso podemos tirar uma conclusão: o voto útil foi uma ferramenta usada em demasia, tanto pelos tradicionais eleitores dos partidos da direita radical (Israel Nossa Casa e A Casa Judaica) e dos ultraortodoxos (Shas) para o Likud, quanto de eleitores de partidos de centro (como o Yesh Atid) e de esquerda (Meretz) para a União Sionista 3. Reparem nas tabelas acima que todos estes cinco partidos tiveram menos votos do que em 2013, apesar do aumento de eleitores. Isso praticamente derrubou estes partidos pequenos e médios, tirou parte de sua força, e diminuiu seu poder de barganha, tanto no governo quanto na oposição.

Claro que há outros fatores em jogo: O Shas perdeu seu grande guia espiritual (rabino Ovadia Yossef), o que gerou uma cisão no partido, enfraquecendo-o. O Israel Nossa Casa foi envolvido em um grande escândalo de corrupção, o que lhe tirou credibilidade. A Casa Judaica, que aparecia com até 18 assentos nas pesquisas até janeiro, começou a declinar após seu líder, Naftali Bennett, nomear o ex-jogador de futebol Ely Ohana para sua lista. Ohana em 2005 foi a favor do Plano de Desconexão de Gaza, frontalmente oposto à ideologia do partido. Não adiantou que o ex-atleta afirmasse arrependimento por sua postura na época: militantes do partido o insultaram nas redes sociais, utilizando algumas vezes termos racistas (Ohana vem de família marroquina, e seria o único mizrahi – oriental – entre os primeiros nomes na lista do partido). O que parecia uma jogada de mestre de Bennett acabou complicando-o. Os judeus orientais de direita, inclinados a votar no partido de Bennett, sentiram-se discriminados e procuraram outras alternativas, como o Likud, o Kulanu e o Yachad. O Meretz perdeu um de seus principais parlamentares, Nitzan Horowitz, tradicional defensor dos direitos dos homossexuais, que preferiu não concorrer a mais um mandato. Mas ainda defendo que o voto útil foi o que mais enfraqueceu a maioria destes partidos.

A razão dos votos

Os votos dos israelenses têm ligação direta com origem (ashkenazita ou oriental), grau de instrução, renda e região. A regra é tão clara que as raríssimas exceções só servem para confirmá-la. Parece ser automático.

Quanto mais laico, mais ashkenazita, mais instruído, de mais alta renda e mais próximo aos grandes centros urbanos (como Tel-Aviv e Haifa), mais votos para União Sionista, Yesh Atid e Meretz. Quanto mais tradicionalista, mais oriental, menos instruído, mais pobre e mais periférico (como Beer Sheva ou Tiberias), mais votos para Likud, Shas e Israel Nossa Casa (este último principalmente quando há população imigrante da ex-URSS). As cidades árabes votaram em peso na Lista Unificada. Os assentamentos na Cisjordânia, votam majoritariamente em A Casa Judaica. As cidades de população ultra-ortodoxa são reduto do Judaísmo da Tora e do Shas. Os kibutzim, com exceção dos (poucos) religiosos, têm forte tendência à União Sionista e ao Meretz. Cidades como Jerusalém e Acre, de população muito mesclada, têm resultados esquizofrênicos, mas obedecendo as mesmas regras acima. Veja a tabela abaixo e convença-se sozinho.

Votos por cidades

Aposto que após as minhas instruções o leitor adivinha facilmente qual o perfil socio-cultural de cada cidade. Jerusalém 4e Haifa são um pouco heterogêneas, ao contrário das outras que obedecem a uma lógica impressionante 5. O modelo é claríssimo.

A União Sionista tentou de todas as formas atrair os tradicionais eleitores do Likud, com uma forte campanha baseada na situação socio-econômica do país. Durante os últimos 10 anos a economia vêm crescendo, mas a maioria da população não usufrui deste crescimento. O custo de vida aumentou muito mais do que o salário, e apesar do baixo desemprego, boa parte da população não consegue “fechar o mês” segundo recentes pesquisas, e a pobreza aumenta cada vez mais no país. Uma forte campanha foi feita neste caminho pela maioria dos partidos da oposição (incluindo o Yesh Atid, que há até pouco tempo era parte do governo 6). As críticas a Netanyahu intensificavam-se, parecia que a população preocupava-se mais com a economia do que com o conflito pela primeira vez na curta história deste país.

Parecia. Só parecia. Recebendo pancadas de todos os lados, Netanyahu e o Likud decidiram sua estratégia: ignorariam todos os temas que não fossem o conflito. A estratégia era claramente amedrontar a população para o caso de a esquerda vencer as eleições e negociar com os árabes. Era impressionante, o Likud sequer respondia às críticas à economia, aos problemas crescentes resultantes da coerção religiosa sobre o judaísmo do Estado, às más relações com os EUA, dentre outras questões. Ao mesmo tempo, quase todos os partidos praticamente ignoravam o conflito. A palavra “paz” não estava na agenda de quase nenhum partido (leia mais sobre isso aqui). Herzog estava seguro que sua estratégia funcionaria, afinal, o governo Netanyahu não trouxe absolutamente nenhuma sensação de segurança à população israelense. Os foguetes continuam caíndo no sul e no centro do país, túneis subterrâneos foram cavados pelo Hamas (que também preparou terroristas mergulhadores), o Estado Islâmico segue se aproximando, as sanções sobre o Irã caíram… mas Netanyahu tinha razão: a maioria da população israelense, cada vez mais conservadora, prefere manter a situação como está a arriscar um governo que tente algo distinto. Não confiam na esquerda, mesmo que esta afirme que não é esquerda, não utilize o mesmo vocabulário pacifista de antes, e afirme (como fez Herzog) que do ponto de vista da segurança, não há diferença entre ele e Netanyahu. Por quê?

No sul é diferente?

A guerra com o Hamas aumenta a popularidade da direita nos territórios afetados, certo? Guarde sua resposta. Tomemos como exemplo estas oito localidades bastante próximas à Faixa de Gaza, que igualmente sofreram com os foguetes, os túneis e os mergulhadores do Hamas no verão passado. As quatro primeiras são kibutzim, as quatro últimas são cidades. Os kibutzim são formados em sua maioria por judeus ashkenazitas, de classe média, com alto grau de instrução. As cidades são habitadas majoritariamente por judeus orientais, de classe baixa e com pouca instrução. Vejam:

Próximo à Gaza

Repararam algo estranho? Pois sim: o kibutz Alumim é um kibutz religioso, enquanto Rahat é uma cidade beduína. Percebemos que minha teoria serve para esta região do país, também. Viver perto de Gaza não muda o voto dos eleitores: os padrões são os mesmos. Instruído, ashkenazita, de classe média vota na centro-esquerda. Pouco instruído, oriental e de classe baixa, vota na direita e nos religiosos. A União Sionista tentou romper com isso pela primeira vez desde 1992 (Rabin venceu em cidades como Beer-Sheva), mas não foi muito bem sucedida. O sul do país funciona exatamente igual ao resto.

Esperem! Os votos não são automáticos!

Estes votos, no entanto, não são automáticos. Não é porque um sujeito é descendente de iemenitas, nasceu em uma cidade pobre da periferia e não tem curso superior que votará necessariamente na direita. Eu particularmente conheço alguns orientais que votaram e votam em partidos de centro-esquerda, como conheço muitas pessoas instruídas e de classe média que votam nos partidos de direita. Não há uma obrigatoriedade nos votos. As pessoas votam em quem confiam, e isto explica bastante a vitória do Likud, e, principalmente, de Netanyahu. Explicarei o voto dos israelenses baseado em três fatores.

O primeiro é a propaganda. Netanyahu acertou em cheio, não só nos últimos dois meses. Ao ser indagado sobre o porquê da população de sua cidade não votar nos trabalhistas, o prefeito de Sderot afimou: “Os políticos da esquerda só vêm a Sderot em época de eleições. Os parlamentares do Likud estão aqui todas as semanas, conversam com os habitantes, escutam suas preocupações… como os moradores daqui acreditarão nas boas intenções de quem só aparece para ganhar votos?”. O público não vota no Likud só porque é conservador. Vota no Likud porque sente que os políticos de esquerda são ashkenazitas bem de vida, que vivem outra realidade em Tel-Aviv, e sequer estão dispostos a conhecer o seu difícil dia-a-dia na periferia. O discurso não cola, soa artificial e oportunista.

A segunda razão é o conflito: enquanto a esquerda não assumir uma postura, vai sempre parecer estar fugindo do tema. Eu não acredito que a maioria da população hoje em dia acredite que estejamos próximos da paz, muito menos que ela dependa somente de nós. Mas acho que esta população percebe quando um lado se esconde atrás de outros temas, e ignora o que sempre foi a pauta mais significativa de todos os gabinetes na história deste país. O conflito ainda é a principal preocupação de boa parte dos israelenses quando votam.

A última razão se explica através da figura de Netanyahu. Não há em nenhum outro partido um líder com seu carisma, sua experiência, seu tato e sua imagem. Enquanto os trabalhistas continuarem trocando seu candidato, Netanyahu seguirá único, inquestionável e imponente no poder. Lideranças não se criam do dia para a noite, se formam com o tempo, adquirem confiança com seus feitos. Benjamin Netanyahu é o único que transmite confiança à maioria da população. Enquanto não houver outro, ele reinará sozinho.

Notes:

  1. As aspas são porque o próprio Herzog define seu partido como “de centro”, apesar de sabermos que, comparado aos outros partidos de centro, a União Sionista tem uma proposta claramente à esquerda. O mais correto seria tratá-los como de centro-esquerda.
  2. Estas aspas vêm por duas razões: na Lista Unificada há um partido composto por árabes e judeus, o Hadash. Há um parlamentar judeu entre os 13 eleitos, assim como há árabes em outros partidos, como no Likud, na União Sionista e no Meretz
  3. As pesquisas também nos mostram isso: A Casa Judaica chegou a contar com 18 cadeiras, e o Meretz com 10.
  4. Lembro ao leitor que os árabes de Jerusalém Oriental (35% da população da cidade), em sua maioria, não têm cidadania israelense e não podem votar nas eleições para a Knesset.
  5. Para leitores céticos em relação à minha teoria, entrem neste site (se souberem ler em hebraico), escrevam o nome da localidade no meio, na parte de cima, e façam o teste.
  6. Veja mais sobre a propaganda dos partidos israelenses aqui, aqui, aqui e aqui

Comentários    ( 15 )

15 Responses to “Por que Netanyahu venceu outra vez?”

  • Raul Gottlieb

    21/03/2015 at 19:35

    Boa análise, João!

    Enquanto a esquerda não falar claramente aquilo que já sabe, ou seja, que os Palestinos (OLP e Hamas) não são parceiros de coisa alguma, e enquanto a esquerda não conseguir fazer com que os árabes de Israel votem com ela, a direita vai continuar a governar.

    Mas isto em si não é ruim. O que é ruim é a simbiose de religião e Estado e os assentamentos. E a direita não vai fazer nada para mudar ambas situações.

    E se o Meretz tivesse se juntado à Machané Tzioni, o que teria acontecido?

    Abraço, Raul

    • João K. Miragaya

      21/03/2015 at 20:42

      Não estou de acordo com colocar o Abu Mazen com o Hamas no mesmo saco de gatos. Acho que se pode negociar e chegar a um acordo com o Abu Mazen, não vejo nada que mos mostre o contrário.

      A hipótese de junção das listas do Meretz com o Machane Tzioni sequer foi levantada. Eu acho que ambos sairiam prejudicados.

      Um abraço

  • Celso Zilbovicius

    22/03/2015 at 01:16

    João, muito boa a análise.
    De fato estes grandes blocos populacionais ( mesmo que não sejam regra absoluta) perfazem o mapa social e político de Israel.
    É uma enorme pena que o bloco do “centro-esquerda”não consiga quebrar esta hegemonia de uma direita que transmite, de alguma maneira, segurança à população ( eu não concordo com esta teoria que Likud transmita segurança) .
    Pelo visto este bloco hegemônico não quer viver em paz e faz suas escolhas baseadas no status-quo do medo e da força…
    Que pena que o sonho sionista ficou assim…

  • Marcelo Starec

    22/03/2015 at 02:54

    Oi João,
    Eu achei a sua análise muito boa, abrangente, interessante e buscando entender o que as pessoas de fato sentem ao votar!…Em meu entender, as pessoas votaram no Bibi em função de sentirem a necessidade de um líder forte, capaz de enfrentar quem for preciso, para garantir a sobrevivência de Israel !…Essa a minha impressão, nem mesmo estou discutindo se isso é verdade ou não ou se o Herzog e a Livni não poderiam fazer isso melhor que o Bibi, mas sinto que a segurança que o Bibi passa para os eleitores, acerca de sua liderança é maior que qualquer um dos demais…Desse modo, concordo 100% com a sua conclusão, no último parágrafo: “A última razão se explica através da figura de Netanyahu. Não há em nenhum outro partido um líder com seu carisma, sua experiência, seu tato e sua imagem. Enquanto os trabalhistas continuarem trocando seu candidato, Netanyahu seguirá único, inquestionável e imponente no poder. Lideranças não se criam do dia para a noite, se formam com o tempo, adquirem confiança com seus feitos. Benjamin Netanyahu é o único que transmite confiança à maioria da população. Enquanto não houver outro, ele reinará sozinho.” E até diria, em meu modesto entender, que sequer existe a questão central direita versus esquerda em Israel, mas fundamentalmente que os israelenses (não sem razão) ainda hoje sentem que a questão existencial é mais relevante do que as demais questões, relativas a um País que não está constantemente ameaçado, no seu direito de existir. Se digamos surgisse um líder com esse carisma e experiência no campo da esquerda de Israel, acho que ele teria a mesma chance de ganhar que o Bibi. Por fim, quero deixar aqui uma mera impressão minha. Acho que essa nova coalização contará com Kahlon e ele tentará (não sei exatamente como…), mas ao menos tentará de fato atender à demandas sociais e o Bibi, que como qualquer outro político está atento à opinião pública israelense, tentará mostrar que pode fazer algo nesse sentido, nesse novo mandato….
    Abraços,
    Marcelo.

  • Raul Gottlieb

    22/03/2015 at 11:00

    Olá João, olá Celso, muito bom falar contigo de novo!

    Sim, o Abas não pode ser comparado ao Hamas, mas a meu ver, nem um nem o outro querem negociar com Israel.

    O Abas está muito feliz com o seu status quo e seu único desejo é continuar sentado onde está há aproximadamente 12 anos tendo sido eleito para ficar sentado lá por 4 anos.

    O Hamas quer destruir Israel.

    São atitudes muito diferentes, mas ambas resultam mais ou menos no mesmo e, a meu ver, o povo em Israel tem esta intuição.

    Celso, nenhum sonho existe na vida real. O país perfeito não existe, assim como a sociedade perfeita não existe. O Bibi foi criminosamente infeliz em suas declarações no dia das eleições, o que mostra que ele estava com medo de perder a cadeira onde se senta há algum tempo. E isto é realmente muito triste.

    Mas eu tenho certeza que o povo de Israel continua querendo viver em paz com os vizinhos. O problema central é que os vizinhos não dão passo algum para concretizar um acordo de convivência.

    Abraço a ambos,
    Raul

  • Marcel Gottlieb

    22/03/2015 at 13:16

    João, muito boa análise !
    Que bom que o sonho sionista ficou assim.
    Já passamos por momentos políticos piores em que a terceira força cantava mais de galo, devido a necessidade das coligações.
    Temos uma democracia, em que as pessoas votam por opção e vêm necessidade em votar.
    E quem ganha realmente tem a responsabilidade de fazer as coligações e juntos criarem as regras.
    Apenas elas não são aquelas que sonhamos, mas as que precisamos (tirando, é claro algumas poucas besteiras).
    Enquanto não houver uma pessoa confiável e carismática não teremos outra opção que esta que está ganhando.
    Porque no dia a dia poderemos ter um monte de pensamentos bacanas, mas na hora do voto o que pesa mesmo é a segurança. É ela que importa. O cenário mundial só aumenta nossa intraquilidade.
    E a oposição ao Netanyahu não tem credibilidade suficiente para vencer a confiança da população. O carisma vêm com o tempo, com ações. O que tudo indica que não estão praticando ações suficientes para ganhar a confiança do povo.
    PARABENS novamente João.
    Bola pra frente.
    Obrigado.
    Abraços,
    Marcel

  • Raul Gottlieb

    22/03/2015 at 16:10

    João, talvez o Likud tenha ganho de novo por causa disto:

    http://www.gatestoneinstitute.org/5425/apartheid-week

    Ou seja, enquanto a vizinhança for assim os israelenses votarão em quem tem coragem de chamar as coisas por seus devidos nomes, independente de outros fatores.

    Abraço, Raul

  • carlos augusto da costa

    23/03/2015 at 18:06

    Se for possivel dialogar com Mazen que seja,com o Hamas o Dialogo é bombardeio e exterminar esses vermes,lamento pela postura covarde do Obama

  • Mario S Nusbaum

    23/03/2015 at 18:41

    “Acho que se pode negociar e chegar a um acordo com o Abu Mazen, não vejo nada que mos mostre o contrário.”
    Talvez eu possa ajuda, preste atenção nas datas:.

    BBC Brasil | 21/09/2010

    O presidente palestino, Mahmoud Abbas, lançou nesta terça-feira um ultimato e ameaçou romper as negociações de paz com Israel se o país não estender o prazo de congelamento na construção de assentamentos na Cisjordânia, que deverá terminar dentro de cinco dias. “Sem congelamento não continuarei as negociações nem por um minuto”, afirmou o presidente palestino.
    A paralisação por 10 meses, decretada pelo premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em novembro do ano passado, deixa de vigorar em 26 de setembro
    As negociações diretas entre israelenses e palestinos foram retomadas em Washington no inicio deste mês

    APR 24, 2014
    Yesterday, Palestinian President Mahmoud Abbas announced that the Palestinian Liberation Organization’s (PLO) leading faction, Fatah, has agreed to a unity pact with its main political rival, Hamas, ending a seven-year rift between the parties.

    • João K. Miragaya

      25/03/2015 at 00:19

      Não me ajudou, pelo contrário. Concordo com a exigência, eu faria o mesmo em seu lugar.

    • Mario S Nusbaum

      25/03/2015 at 16:42

      OK João, eu tentei. Tenho a impressão de que você não prestou atenção nas datas. Aliás nem precisaria, tenho certeza de que você sabe muito bem o que aconteceu. Em todo caso, aí vai um pequeno resumo:

      O Abbas fez uma exigência PARA negociar (não acho que seja razoável, mas alguns, como você acham que é), o Netanyahy ATENDEU a ela e, mesmo assim, o Abbas enrolou até o último minuto para depois pedir a extensão do prazo.
      Parenteses: não entendo impor condições para negociar, exigências são feitas DURANTE a negociação. Exceção: guerras abertas, quando se pede a suspensão das hostilidade. Fim do parenteses
      Sequência dos fatos: ele exigiu o congelamento por 10 meses e, falsamente otimista como sempre, disse que em 6 meses se chegaria a um acordo. Israel aceitou, mas ele só começou a conversar quando faltava 1 mês para o fim do prazo. Segundo o ABBAS, se tivesse começado a negociar quando Israel atendeu sua exigência, teríamos tido tempo de sobra para um acordo justo. Mas isso tudo é História João. Se eu fosse o Bibi, chamaria o blefe. Declararia todos os dias, por um mes digamos, que Israel aceita negociar. Depois desse um mês eu passaria a declarar, também todos os dias, que uma delegação israelense estaria no local x, dia y pronta para conversar. É mais fácil Israel ganhar a próxima Copa do que encontrar alguém nesse dia e local.

    • João K. Miragaya

      26/03/2015 at 18:03

      Mário, sinto te informar, mas a construção jamais foi cancelada durante o governo Netanyahu. O que foi congelado foi a licitação para novas construções, por tempo limitado, e em Jerusalém sequer isto ocorreu. A expansão dos próprios assentamentos sempre aconteceu.

      Eu estaria de acordo contigo que condições prévias para negociar são injustas, caso os dois lados estivessem sob as mesmas condições. Infelizmente não estão. Um lado tem seu território alvo de construção de colônias, o outro, não. Um lado tem seus cidadãos impedidos de cruzar a fronteira, ou outro não. Um lado tem seus cidadãos obrigados a passar por check points, o outro não.

      Não há blefe maior que a delcaração de Netanyahu de que ele quer criar um Estado palestino. Ele mesmo já a desmentiu duas vezes. Não sei como alguém continua acreditando nele.

    • Mario S Nusbaum

      26/03/2015 at 20:39

      Obrigado João eu realmente não sabia dos detalhes do congelamento. Apenas para esclarecer, não acho que o Netanyahu quer criar um estado palestino. O que eu acho, e cansei de dizer isso em blogs, grupos do FB e outros fóruns aqui no Brasil são duas coisas:

      1) As lideranças palestinas querem menos ainda, daí ele não correr risco nenhum (na minha opinião, claro) em marcar data e local para negociar
      2) Se eu estiver errado e os palestinos aparecerem, ele será obrigado a negociar a sério, sob risco de cair. Esse é o x da questão: israelenses a favor do acordo tem como se manifestar, e são levados em conta, palestinos são assassinados.

      Para mim parece tão óbvio que um acordo JUSTO seria muito melhor para a grande maioria dos dois lados que continuo achando, contra todas as evidências, que vai acabar acontecendo.

  • Mario S Nusbaum

    23/03/2015 at 18:45

    Segundo o Raul, o povo de Israel continua querendo viver em paz com os vizinhos. O problema central é que os vizinhos não dão passo algum para concretizar um acordo de convivência.
    Posso estar sendo otimista demais, mas aqui de longe tenho a impressão de que muitos líderes árabes já estão de saco cheio com os palestinos e que poderiam fazer algum tipo de acerto com Israel para que fosse politicamente capazes de dizerem para hamas e cia. ltda: é pegar ou largar, se largarem, se virem.

  • Eduardo

    24/03/2015 at 10:42

    Netanyahu venceu por sua sinceridade abertamente racista, anti-democrática e belicista. A direita escolheu jogar no campo que lhe é próprio, sem tergiversar, enquanto a esquerda corria em desespero na direção do centro político, que, ao contrário do gráfico, correu substancialmente para o lado de lá. Aliás, a sinceridade que sobrou ai, nos faltou aqui. O fascismo, maldito, não nos falta. Tempos sombrios.

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