Praça Rabin – 20 anos depois….

02/11/2015 | Política; Sionismo; Sociedade

Yonatan Ben-Artzi, neto do primeiro-ministro assassinado Yitzhak Rabin.

No último sábado, 30 de outubro de 2015, 100 mil pessoas reuniram-se na Praça Rabin em Tel Aviv para lembrar o assassinato do ex-primeiro ministro Yitzhak Rabin. Abaixo trechos dos principais discursos da noite:

Não estou preparado para explicar para os meus filhos que viver aqui significa guerras e gente morrendo sem fim. Há apenas uma única solução. Todos que querem o bem do povo judeu e da democracia, e todos que acreditam que o povo judeu deve manter um Estado com maioria judaica, devem sair daqui e gritar bem alto para que o governo israelense anuncie imediatamente o reconhecimento sem pré-condições do Estado palestino, em coordenação com as Nações Unidas e em parceria com os Estados Unidos. O governo israelense precisa trocar o disco, e deixar de apenas reagir e responder. Devemos tomar a iniciativa, devemos liderar, precisamos levar à criação do Estado palestino. Chega de culpar o “outro”, chega de ineficácia e ociosidade. Nós precisamos liderar este processo.” (Yonatan Ben-Artzi, neto do primeiro-ministro assassinado Yitzhak Rabin)

Presidente de Israel - Reuven Rivlin
Presidente de Israel – Reuven Rivlin

Estamos aqui hoje, juntos, na mira daquele assassino, diante do ódio violento de extremistas, para dizer: Vocês não irão nos derrotar! O Estado judeu e democrático de Israel e sua Declaração de Independência, não serão vítimas de sua violência e intimidação. Nunca.
E para aqueles que ameaçam, que levantam os punhos cerrados, que criam imagens [com uniformes] da SS, para aqueles que ameaçam parlamentares, juízes, ministros eprimeiros-ministros, eu desejo dizer-lhes: não tememos vocês. Vinte anos se passaram e nós ainda estamos muito ocupados apontando as feridas do passado ao invés de construirmos o futuro; muito ocupados com o senso de justiça e os erros de todos os lados e setores dentro de nós, e muito pouco com a compreensão e entendimento sobre o outro lado; temos medo demais e muito pouca esperança. Não temos que temer, a democracia israelense é forte o suficiente, nós somos fortes e corajosos o suficiente para abrir as portas do sentimento de israelenses que estão
afastados dentro de cada grupo para moldar o caráter e o futuro de Israel. Nós estamos discutindo a forma, mas nós estamos sonhando juntos com uma Israel em que todos nós nos sintamos membros, de Israel que é judeu e democrático,
democrático e judeu, ao mesmo tempo”. (Presidente de Israel – Reuven Rivlin)

Sara Rosenfeld, mãe de Malachi Rosenfeld, que foi assassinado em um atentado terrorista
Sara Rosenfeld, mãe de Malachi Rosenfeld, que foi assassinado em um atentado terrorista

“Sara Rosenfeld, mãe de Malachi Rosenfeld, que foi assassinado em um atentado terrorista no cruzamento Shvut Rachel, discursou na cerimonia. “Me questionaram nos últimos dias, não por poucas vezes, como decidi chegar aqui nesta noite.”. “A verdade é que a pergunta me surpreendeu. Estava tão claro para mim que a oportunidade de ficar junto em um único palco, numa praça, com todos meus irmãos e irmãs, é um presente para mim e uma forma apropriada de respeitar a memória de Yitzhak Rabin e do meu (filho) Malachi”. (Sara Rosenfeld, mãe de Malachi Rosenfeld, assassinado em um atentado terrorista no último mes).

Rabin
Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos

O legado de Rabin é de certa forma claro e intocável. Ele arriscou a sua vida para criar e defender Israel. Ele passou a sua vida servindo Israel pelos seus valores e interesses. E ele deu a sua vida para que vocês pudessem viver em paz. O que tudo isso pode atingir? Isso depende de vocês. Dez anos atrás, quando eu tive a honra de estar presente nesse lugar, disse que se eu pudesse milagrosamente trazer Rabin de volta a vida para que ele pudesse estar aqui comigo, ele diria: “chega de bajulação; vamos voltar ao trabalho e terminar a tarefa pela qual eu dediquei a minha vida”.

“Rabin acreditava se tornar mais humano na medida em que reconhecia a humanidade de outros. Mais humano na medida em que solucionava divisões para promover um futuro pacífico. E aqueles que queriam acabar com ele pensavam exatamente o contrário. E então, todos vocês devem decidir, enquanto vivem sob uma bela canção, os filmes de cinema e a surpreendente história de sua vida, como terminar o seu legado (…) pois o úlimo capítulo deve ser escrito pelo povo pelo qual ele dedicou a sua vida para que este pudesse ser salvo e cultivado” (Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos e grande amigo de Yitzhak Rabin

Abaixo fotos da manifestação – Fotógrafo: Fabio Kahn – Website: www.fabiokahn.com

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Comentários    ( 3 )

3 Responses to “Praça Rabin – 20 anos depois….”

  • Marcelo Starec

    03/11/2015 at 01:44

    Esse interessante artigo nos traz importantes posições de lideranças e de pessoas que, por razões diversas, acabaram por se juntar a elas…A paz é algo que todo mundo quer!…Isso é consenso – o que importa é como chegar lá…A ideia mais digamos prática veio, em meu entender, de Yonathan ben Artzi: “Devemos tomar a iniciativa, devemos liderar, precisamos levar à criação do Estado palestino. Chega de culpar o “outro”, chega de ineficácia e ociosidade. Nós precisamos liderar este processo.”…Não consigo enxergar nada de original nisso…1) Israel já fez isso em relação a faixa de segurança no sul do Líbano (Resultado – após muitos anos de “desocupação”,hoje lá está plantado o Grupo Terrorista Hezbollah – com declarado apoio do Irã, o qual,segundo estimativas tem 150.000 mísseis apontados de lá para Israel – Entrar lá para desarmá-los? Impossível !)…2) Israel “desocupou” Gaza (Resultado – Hoje o Grupo Terrorista Hamas domina tudo por aquelas bandas – e está a cada dia mais atuando no sentido de matar judeus e praticar atos de terror…)…Muito bem, então vamos imediatamente “desocupar” também a Cisjordânia e aí vem o 3) Quem vai ficar lá?…Hoje certamente isso levaria a algo parecido…Ocorre que Israel é um país minúsculo e a fronteira ali é justamente próxima ao eixo central do país…Qualquer ataque fecharia o Aeroporto Internacional e pararia o país…

    Então, concluindo, é muito bonito falar o “politicamente correto” que é agradável a todos ouvir, mas que para mim é claro…Não levará nem a paz e tampouco a segurança de Israel…Mas será que não vale a pena ainda assim?…Em meu entender, sem que seja construído, pelas lideranças palestinas, um Estado viável, pacífico e democrático, que busque a coexistência e a paz ao invés da tradicional intolerância do islã radical, ao longo do século XX, tudo isso levará Israel a um cerco cada vez maior e uma área de controle, para fins de segurança, cada vez menor…Por outro lado, muitos dizem, então nesse caso Israel poderia, legitimado pelo direito internacional, “arrasar tudo” em caso de um único míssil, com apoio do mundo!!!…Será???….Bom, isso tudo só o tempo irá dizer e talvez Israel tenha mesmo de fazer isso (O Estado Palestino) por falta de alternativa viável, mas é certo, não é a solução ideal nesse momento…A boa solução seria de fato construir um Estado Palestino viável, exigindo desde já uma mudança radical na educação e em toda a péssima administração das lideranças palestinas, que em nada contribuem para a coexistência e a paz!…É um processo mais longo, mas é o único que de fato, no longo prazo, pode realmente resolver o conflito…

    Abraço,

    Marcelo.

  • Mario S Nusbaum

    03/11/2015 at 03:06

    Interessante ler essas opiniões justo quando mais uma pedra, ENORME, foi colocada no caminho para a paz. Na II Guerra Mundial os EUA colocaram nipo-americanos em campos de concentração (nada a ver com os nazistas, mas ficaram conhecidos assim), o que foi considerado um absurdo, um erro gravíssimo, e foi mesmo.
    Agora, vamos imaginar que esses nipo-americanos começassem a esfaquear e atropelar outros americanos, o que deveria ser feito? Vocês não acham que a situação deles seria insustentável? E se durante a guerra do Iraque, descendentes de árabes com cidadania americana fizessem isso? Já quando se trata de Israel o mundo parece achar normal e esperado que ISRAELENSES assassinem seus concidadãos por causa de terceiros. Esses ISRAELENSES impossibilitaram, por pelo menos décadas, um acordo justo. Enquanto isso, na praça Rabin ouve-se que “O governo israelense precisa trocar o disco”. E mais: “Vocês não irão nos derrotar! ” Nos quem? “com todos meus irmãos e irmãs, ” Quais irmãos e irmãs cara-pálida? Acho que o que estou querendo dizer é, se ISRAELENSES, que nasceram e sempre viveram no país tem tanto ódio a ponto de assassinar crianças, adultos e idosos, que esperança existe?

  • Rita Burd

    03/11/2015 at 12:58

    A seleção de opiniões sobre Rabin, é uma foto com lente zoom da conduta deste sempre grande homem.
    Mais uma vez, a Conexão Israel mostrou porque é tão respeitada e cada vez mais lida.
    Kol haKavod
    Rita