Preço por preço: Transportes

28/03/2016 | Economia; Sociedade

O número de brasileiros que imigraram para Israel bateu recorde no último ano [1], devido à crise econômica e à busca por uma melhor qualidade de vida.

De fato, o brasileiro imigrante que se adaptar bem a Israel, provavelmente encontrará vantagens em viver no país, com destaque a um acesso a saúde e educação públicas de qualidade, maiores oportunidades de emprego, menores índices de criminalidade, entre outras vantagens.

Ele, no entanto, poderá se surpreender com o alto custo de vida do país. Neste artigo, escolhi comparar o setor de transporte (Para um descrição detalhada dos meios de transporte coletivos no país, clique aqui) e encontrei resultados surpreendentes. Se voce acha caro se deslocar no Rio de Janeiro, ou em São Paulo, ficará surpreso com os custos em Tel Aviv.

Apenas para propósitos de comparação, vale lembrar que a paridade entre o real(R$) e o shekel(₪) já perdura por mais de oito meses. Desde Julho de 2015, as duas moedas praticamente se equivalem, salvo pequenas variações. Assim que os preços aqui expostos, sejam em reais ou em shekels, podem ser diretamente aproximados na base de 1:1.

y = shekel/real
y = shekel/real

Carros

É lugar comum dizer que carros são caros no Brasil. Os motivos? [2] Altos impostos diretos e indiretos, concorrência limitada (Fiat, Volkswagen, GM e Ford concentram cerca de 65% do mercado [2.1]), e insumos importados. Os preços são abusivos quando comparados com os Estados Unidos ou com a Europa, podendo ser até mais que o dobro [3] para determinados modelos.

Pois bem. Em Israel atualmente, os preços são muito mais caros. Os motivos são parecidos, mas os impostos aparecem com destaque por aqui. Em 2014, os israelenses pagaram em média, 37 mil shekels em impostos para cada carro novo comprado[4].   

Veja abaixo os resultados. Os sete carros mais baratos, em Israel [5] e no Brasil[6], em 2015.

Carro Israel(₪) Carro Brasil(R$)
Suzuki Alto 54.000 Fiat Palio 27.340
Skoda Citigo 57.000 Renault Clio 27.380
Chevrolet Spark 59.000 Fiat Uno 28.770
Citroen C1* 60.000 Geely GC2 29.900
Hyundai i10 60.000 VW Gol 30.230
Fiat Panda 60.000 VW Take Up 30.560
MG3 * 60.000 Chery QQ 31.900

*Preços promocionais

Interessante notar que quando a paridade era de dois shekels para um real, o valor destes carros seria equivalente. Mas a desvalorização do real tornou os carros brasileiros muito mais baratos aos olhos do israelense.

Gasolina

Se o imigrante optar por um carro, além de todos os gastos comuns de manutenção e IPVA, ele terá que considerar um alto custo de gasolina por litro.

Em Dezembro de 2015, o preço da gasolina em Israel “baixou” para ₪5.78 [7], sendo que deste valor, 67% é pago em impostos para o governo. De fato Israel não é um produtor de petróleo, mas os preços são inflados por conta dos impostos. O barril de petróleo teve uma queda de 16% nos últimos meses, e foi acompanhado por uma redução de apenas 3% no preço da gasolina no país. Uma nova redução é esperada nos próximos meses.

No Brasil, o preço da gasolina gira em torno de R$3.75 [8], sendo que “apenas” cerca de 40% desse total é paga em impostos [9]. Diferente do que alguns pensam, o Brasil é autossuficiente em petróleo, mas não em gasolina, que deve ser importada, e portanto, aumenta quando há desvalorizações do real, como ocorreu ultimamente.

Ônibus e táxi

Se o carro é caro, talvez o transporte público seja a solução dos israelenses.

No Rio de Janeiro e em São Paulo, cidades que apresentam as tarifas de ônibus [10] mais caras do Brasil, as passagens subiram para R$3,80 em 2016. Os israelenses de Tel Aviv e Jerusalém pagam ₪5,90 para viajar dentro da cidade.

O bilhete único mensal em São Paulo custa R$140, enquanto o mesmo em Israel, para a região metropolitana de Tel Aviv, custa ₪246.

Apenas por curiosidade, não existe isenção para idosos. Eles pagam uma tarifa reduzida (50% de desconto), mas igualmente pagam as passagens em Israel. Soldados estão isentos de passagens caso estejam uniformizados.

Trechos intermunicipais, como São Paulo-Campinas, Rio de Janeiro-Teresópolis e Tel Aviv-Haifa (todos com mais ou menos a mesma distancia – cerca de 90 km) custam respectivamente R$30,70, R$32,68 e ₪24. Aqui, a vantagem israelense deve ser explicada pelos pedágios das vias brasileiras.  

Nestas mesmas cidades, os táxis são cobrados de acordo com as seguintes tarifas (tarifas básicas para dias úteis):

Bandeirada Inicial Quilômetro Rodado
São Paulo R$4,50 R$2,75
Rio de Janeiro R$5,40 R$2,30
Tel Aviv ₪12,30 ₪3,80

Bicicleta e Bicicleta Elétrica

Proporcionalmente, tanto o Rio de Janeiro, como Tel Aviv apresentam grandes malhas cicloviárias. Arrisco dizer que quem vive em Tel Aviv, está em forma e tem disposição, pode fazer praticamente qualquer deslocamento dentro da cidade apenas via bicicleta. Com excessão de Jerusalém e Haifa, o mesmo vale para outras cidades do país, como Ramat Gan, Hertzilia e Bat Yam, por exemplo.

E quanto custa? No Brasil, uma bicicleta nova básica pode ser comprada por R$400-600, enquanto a elétrica simples gira em torno de R$3.500. Em Israel, é possível encontrar modelos básicos entre ₪600-900, enquanto as bicicletas elétricas giram em torno dos ₪4.200.  

Vale lembrar, no entanto, que um elevado custo de vida não deve ser entendido de forma absoluta. Apesar de que a maioria dos itens comparados no texto são mais baratos no Brasil, seria incorreto afirmar que o brasileiro encontra-se em situação econômica mais confortável que o israelense, como já exposto no texto “O real valor do Shekel”:

“O israelense médio tem um poder de compra bem mais alto que o brasileiro médio, representado por um salário entre 6-8 vezes maior, confrontado com um custo de produtos/serviços cerca de 1-3 vezes mais alto.”

Foto de capa: http://www.port2port.co.il/article

Comentários    ( )

One Response to “Preço por preço: Transportes”

  • Marcelo Starec

    30/03/2016 at 22:56

    Oi Amir,

    Muito bom o texto!…Depois da forte desvalorização do real e de muitas outras moedas, não acompanhadas pela do Shekel (moeda israeli), Israel passou a ser um país relativamente caro para os brasileiros…Mas enfim, foram os brasileiros que empobreceram com a desvalorização, enquanto que Israel manteve o valor da sua moeda…Agora sabemos que hoje os carros brasileiros já não são os mais caros do mundo!….

    Abraço,

    Marcelo.