Project 61: interpretando as pesquisas de intenção de voto

16/03/2015 | Eleições, Política.

Um dos aspectos mais polêmicos e fascinantes das campanhas eleitorais é a pesquisa de intenção de voto. Para muitos, é bruxaria. Para outros, mera manipulação. Fato é que a maioria de nós não entende seu funcionamento, o que prejudica ainda mais nossa capacidade de leitura e interpretação dos dados.

O Project 61 visa mastigar estas informações ao máximo, entregando ao eleitor a mais precisa fotografia da realidade no momento. O projeto tem um banco de dados com todas as pesquisas eleitorais realizadas pelos principais institutos de pesquisa nas quatro últimas campanhas eleitores israelenses (2006, 2009, 2013 e 2015), permitindo identificar quais pesquisadores mais acertam – o título de campeã vai para a veterana estatística Mina Tzemach, quase infalível em suas pesquisas.

A partir destes dados, o projeto leva em conta a margem de erro de cada pesquisa, assim como o tamanho de sua amostra e a sua data de realização, ponderados pela confiabilidade de cada pesquisador. Quase diariamente, o Projeto 61 publica seu estudo mais atualizado, com a média de assentos que as últimas cinco a sete pesquisas apontam para cada partido.

A estas médias são comparadas as previsões do projeto. Estas previsões são os frutos do tratamento que os resultados das pesquisas recebem em função dos dados listados acima (margem de erro, tamanho da amostra, data da pesquisa, confiabilidade do pesquisador).

Um fato interessante é que as pesquisas em Israel têm margens de erro maiores que as pesquisas das eleições brasileiras: a maioria das pesquisas incluem um erro de 4,50%, sendo as mais precisas entre 3,00% e 3,50%. Acredito que este fato se justifique pelo tamanho reduzido do mercado, que não permitiria o nível de investimento necessário para produzir pesquisas mais precisas.

Nestas eleições, por exemplo, uma rápida olhada nos dados nos permite concluir que as pesquisas supostamente mais precisas indicam uma vitória mais folgada da União Sionista, liderada por Isaac Herzog, enquanto que as pesquisas com margem de erro maior apontam para um empate técnico com o Likud de Benjamin Netanyahu. O Project 61 reconhece esta diferenciação e acompanha as pesquisas com margem de erro reduzida.

Levando em consideração que cada 0,833% dos votos equivalem a uma cadeira (são 120 deputados na Knesset), as pesquisas israelenses dão margem a dúvidas. Os cenários podem ser bastante distintos do que é apresentado ao eleitorado. Por isso, a importância de um projeto como este.

Para o leitor que lê hebraico (há uma quantidade limitada de informações também em inglês), esta é a página do Project 61 no Facebook e este é seu banco de dados de pesquisas eleitorais.

No gráfico abaixo, o estudo publicado pelo Project 61 com as pesquisas publicadas no final de semana, as últimas permitidas pela lei eleitoral. Note que as barras vermelhas representam a mera média das 10 últimas pesquisas, enquanto que as barras azuis representam as previsões do projeto, levando em consideração suas análises sobre as próprias pesquisas. Clique na imagem para ampliá-la.

 

Project 61

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