Contam o “causo” desta forma: Havia falta de arroz em Israel, durante os primórdios do Estado, meados das décadas de 40 e 50. O produto era caro, não havia como importar. Plantar, nem pensar, pois o cultivo era feito através de inundação, tática impossível de ser realizada, nesta região árida.

Muitos imigrantes, vindos da Europa, costumavam comer arroz e sentiam falta. Um deles, David Ben Gurion, que proclamou a independência, foi quem teve a idéia. Procurar fabricantes de macarrão e propor a produção de “massa em formato de arroz”. Idéia genial. Eureka. Desde então, consumimos algo que, em hebraico, chama-se PTITIM.

Hoje, já existem nos formatos de cuzcuz, estrelinhas, etc. As crianças adoram. Os adultos comem, com gosto de nostalgia. Pode-se dizer que foi a primeira comida Kachol-Lavan, ou seja, azul e branca, como chamam os produtos daqui.

Prepara-se da mesma forma que o arroz, fritando no alho, depois colocando água. É possível também cozinhar, no modo macarrão.

Acompanha saladas, carnes, leguminosas, ou vai puro mesmo. É fácil, rápido, barato e remete-nos a um tempo romântico de Israel, onde faltavam coisas, mas a criatividade de alguns, fazia a vida mais tranquila para outros. O luxo pouco importava, mas sonhava-se com a tecnologia atual.

Viva o Ptitim!
Viva a nossa história!
Viva o gosto da infância!

Foto da Capa: Any Dana

Comentários    ( 17 )

17 Responses to “PTITIM”

  • Mario S Nusbaum

    08/01/2014 at 18:58

    Não entendi Nelson.
    ” Procurar fabricantes de macarrão e propor a produção de “massa em formato de arroz”. ”
    OK, até aqui eu acompanhei. A forma “enganaria” o conteúdo, e daria a (falsa) sensação de que estavam comendo arroz.

    “Hoje, já existem nos formatos de cuzcuz, estrelinhas, etc. ”
    Portanto…. massa, como em todos os países do mundo.
    O que eu perdi?

    • Nelson Burd

      08/01/2014 at 19:41

      Mario Silvio, “Quem nao tem cao, caca com gato”. Eles queriam arroz e produziram algo imitando, a base de massa. Depois, utilizando, tambem, macarrao, produziram imitando cuzcuz, fizeram em formato de estrelinhas, coracao, etc…E assim foi. Abraco.

    • Nelson Burd

      08/01/2014 at 22:58

      Beleza.

    • Gerry Coen

      12/01/2014 at 13:41

      Tenho idade suficiente para poder dizer que o macarrão em formato de arroz existia antes da declaração de independência de Israel. Basta ver anúncios italianos de macarrão dos ano 40.

      Agora, que a história é deliciosa, é.

      Assim se criam os mitos. Este é simpático.

      Ah, e ajuda as mães judias israelenses a engordar seus filhinhos.

    • Nelson Burd

      12/01/2014 at 15:43

      Caro Gerry Coen, como escrevo no começo do texto: Assim contam o “causo”. Abraço.

  • Carlos Cohen

    08/01/2014 at 19:21

    O da Osem com sabor de vegetais, na sopa, fica ótimo!

    • Nelson Burd

      08/01/2014 at 19:45

      Carlao, esse de vegetais foi lancado ha pouco tempo. Ainda nao comprei. Abraco.

  • RITA BURD

    09/01/2014 at 12:17

    Excelente o resgate da história do PTITIM. Alimento mamash cachol-lavan e que podemos saborear tambem por aqui, nas lojas de produtos Casher.

    • Nelson Burd

      09/01/2014 at 14:52

      É verdade, mãe. Poder saborear Ptitim em outros países, tem um gosto especial, sem dúvida.

  • Liat

    09/01/2014 at 19:44

    Adoro Ptitim!
    Aqui nos estados unidos chama “Israeli Cuscus” so que nao tem nada a ver com cusucus (eles so vendem o em formato de bolinhas)

    • Nelson Burd

      09/01/2014 at 20:03

      Sensacional. Esse de bolinhas tem na foto da capa. Tua filha deve adorar. Valeu.

  • Mario S Nusbaum

    09/01/2014 at 21:04

    ” remete-nos a um tempo romântico de Israel, onde faltavam coisas, ”
    Lembro-me perfeitamente de que na década de 60 todo mundo que ia para Israel (raríssimos comparados com hoje) levava alguns pacotes de café para parentes e amigos.
    Se não me engano a quantidade permitida era bem pequena e rigidamente controlada.

    • Nelson Burd

      09/01/2014 at 21:28

      Hoje, compra-se café brasileiro por aqui. Inclusive, na Universidade Bar Ilan, onde estudo, pode-se comprar café do Brasil, moído na hora. Não é sempre, mas tem.

    • Mario S Nusbaum

      09/01/2014 at 21:42

      Outros tempos Nelson, outros tempos!

  • Rafael Stern

    12/03/2014 at 17:29

    Minha avó, de descendência libanesa, prepara ptitim desde sempre. No Líbano era chamado de mahrabie.

Você é humano? *