Qualquer um exceto Bibi

20/12/2014 | Política; Sociedade

Não é nenhum exagero declarar a importância das próximas eleições, se compararmos com as últimas eleições que tivemos em Israel. Desta vez, a questão fundamental não é “qual será o preço dos apartamentos em Tel Aviv” ou “qual será o preço dos laticínios nas prateleiras do supermercado”. Desta vez, o ponto primordial voltará a questionar o caráter de nossa existência.

Noto, ao meu redor, o surgimento de forças ameaçadoras inseridas dentro do projeto sionista democrático – vale dizer, que é a primeira eleição desde que imigrei para Israel, na qual percebo um perigoso movimento interno, que representa um perigo tão grave para o país, quanto o extremismo islâmico.

Há não muito tempo atrás, o Likud era um partido nacional liberal, com ideias com as quais eu podia me sentir representado. Hoje tudo o que sinto é ojeriza ao ver Benjamin Netanyahu realizar qualquer discurso.  A nossa geração presenciou a mutação do Likud: trata-se meramente de um partido populista e anti-liberal. Sua composição atual não me deixa enganar.

No passado, o movimento religioso sionista já foi mais contido, tinha opiniões mais responsáveis ou era apenas um polo marginal. Hoje representa um movimento arrogante e agressivo e que – de fato – poderá tomar o poder na figura do estrategista e bem sucedido homem de negócios Naftali Bennett. A aliança renovada entre o nacionalismo do Likud e o messianismo da “Casa Judaica” torna possível o cenário de horror quase apocalíptico que antevejo diante de meus  olhos.

Há alguns “especialistas” na imprensa israelense que definem a próxima eleição como um “referendo” sobre o governo exercido por Netanyahu. Acredito que este posicionamento esteja ancorado em falsas premissas. Netanyahu já perdeu a confiança da maioria dos israelenses. Eu gostaria muito  que a sociedade israelense demonstrasse através do voto de seus eleitores, que a “FormaBibi –de fazer-política” não atende mais ao desejo sionista. Entretanto, há na sociedade, um sentimento muito perigoso estampado em uma palavra de ordem que corre nas redes sociais –  “רק לא ביבי” (”Qualquer um exceto Bibi”) -, porque – de certo – existem alternativas piores do que ele. Uma ampla coalizão composta por aqueles que estão “fartos do Bibi” , poderá conceder uma força política jamais vista a figuras como Avigdor Lieberman e Naftali Bennett. Devemos lutar para impedir um novo mandato ao Bibi, mas devemos fazê-lo com sabedoria e responsabilidade. Não seria nada prudente se esforçar para sair de uma situação ruim, ignorando todas as alternativas piores que temos ao nosso entorno.

Não podemos deixar as eleições se tornarem – mais uma vez – uma escolha entre indivíduos. O “apenas não Bibi” é muito pouco para caracterizar o que viveremos em breve. No palco da próxima consulta popular, estaremos vislumbrando novamente um duelo importante entre  ideologias e visões para o futuro de Israel.

Existem também os “especialistas” que descrevem a próxima eleição como um referendo sobre “a paz”. Novamente estamos diante de uma falsa premissa. Israel certamente tem a obrigação moral e política de buscar a paz em todos os momentos. Entretanto, não devemos nos dar ao luxo de nos iludirmos. O caos no mundo muçulmano e o extremismo palestino contribuem para a percepção de que não alcançaremos a paz utópica em um futuro próximo. Portanto, uma propaganda política que se utilize de líderes palestinos como Mahmoud Abbas e Saeb Erekat  (como exemplos de possibilidade de coexistênciade pacífica) e de iniciativas de paz como a proposta da Liga Árabe (como um ponto de partida para um acordo final entre israelenses e palestinos) é, sem dúvida nenhuma, uma propaganda política que dará a vitória de mão beijada à “direita da direita”. Ambos, Netanyahu e Bennett, perceberão a “falácia da possibilidade de paz” e usarão estes discursos para fazer piada (não sem razão) dos partidos de centro-esquerda.

Não podemos deixar as eleições se tornarem – mais uma vez – eleições mentirosas. Eleições que apresentem a paz como se estivesse a “um palmo do nariz” israelense. Como se a paz dependesse de um “simples gesto” israelense. Apenas uma proposta séria, que esteja ancorada em um realismo político, poderá afastar o nacionalismo messiânico do poder.

A próxima eleição será um referendo sobre o sionismo. Sobre a balança de votos encontra-se o caráter do Estado judeu democrático. Para que o sionismo não entre em colapso é necessário o início de uma dura caminhada. O primeiro passo é o congelamento de toda e qualquer construção de assentamentos. Em seguida, de forma lenta e gradual, devemos diminuir a ocupação civil das localidades que futuramente formarão o Estado palestino. Para que façamos de Israel um Estado judeu democrático, devemos focar toda a nossa atenção, investimentos e esforços em fazer crescer os nossos centros de pesquisa científica como o Technion e o Instituto Weizmann, diminuindo consideravelmente a atenção, investimento e esforços que hoje concedemos a assentamentos religiosos na Judeia e na Samaria.  Devemos nos preocupar em nos redefinir como uma sociedade livre, justa e plural.

E aqui vai a mais pura das verdades: os colonos e as forças políticas israelenses que estão por trás deste movimento , representam uma ameaça direta e imediata para o futuro de Israel. O nacionalismo messiânico no poder está nos causando a deformação de nossa identidade e simboliza um perigo para a nossa existência. Desta forma, as próximas eleições são cruciais para libertar Israel destes fanáticos anti-sionistas.

Nem “Netanyahu” e nem a “paz” são os temas de destaque para o próximo pleito. Em alguns meses o que estará sobre a mesa, é a própria existência de Israel como um Estado soberano, democrático, moderno e pluralista.

E assim façamos os nossos votos: “בשנה הבא (בלי אנטי ציונים) בירושלים” – “e no ano que vem (que não tenhamos antissionistas) em Jerusalém”.

Ámen.

Comentários    ( 35 )

35 comentários para “Qualquer um exceto Bibi”

  • Dani Liondenbaum

    20/12/2014 at 17:56

    Bom texto! Marcelo, vc tem Facebook, ou e-mail?..
    Abrçaos

    • Marcelo Treistman

      20/12/2014 at 19:39

      Olá Dani,

      Obrigado pela visita e feedback.
      Você pode escrever para o e-mail do conexaoisrael – contato@conexaoisrael.org,
      No Facebook, você me encontrará buscando por Marcelão Treistman.

      Abraços

    • Henrique Samet

      21/12/2014 at 22:29

      Artigo cheio de contradições cujo cerne é a idéia de uma paz realista. Qual é a paz realista no projeto do artigo que só preve o que o governo de Israel deve fazer? (sair de alguns lugares etc) Nào tenho dúvida que é um artigo cheio de boa vontade. Uma prova da desconexao com o mundo real é o completo desconhecimento como peso político do isolamento israelense e da crescente e inexorável aceitação de uma entidade palestina.
      O que não é dito é que a voz popular é legítima numa democracia mas não é a voz de Deus. Manipulados com uma demagogia nacionalista um povo inteiro pode votar naqueles que podem determinar um futuro nefasto para Israel.
      Houve um tempo em que a estratégia israelense foi se antecipar e manter o controle através de uma mudança combinada com o outro lado. Agora, ao que tudo indica, o povão israelense não vai de jeito nenhum votar nos moderados (aqui não tem nada de esquerda) e parece, como demonstram certos acontecimentos históricos, que só vão acordar deste delírio messiânico através de pancadas e sofrimentos, provavelmente em uma reação tardia. Houve tempos governos istraelenses participavam de um futuro viável, agora ao que tudo indica perderam condição de encaminhar de forma viável seu próprio futuro e vão ser rebocados pelos fatos. Pensem um pouco no caso de Cuba depois de mais de cinquenta anos na teimosia do bloqueio. O redator pode ter antipatia pelas lideranças da OLP mas é isso que está aí e é com isso que temos de nos haver. O resto é uma tragédia anunciada

  • Marcelo Starec

    20/12/2014 at 19:40

    Oi Marcelão,
    Muito boa a sua análise, parabéns!!!….Deixo aqui inicialmente dois pontos com os quais eu não concordo (e não necessariamente discordo, só não tenho opinião formada a respeito): 1) Não acho o Bibi um político ruim, mas talvez um tanto desgastado como aconteceu com quase todas as lideranças israelenses ao longo da história de Israel – Não é fácil lidar com os israelenses, os judeus do mundo, os vizinhos árabes, o mundo – incluindo aí os Estados Unidos, a Europa, a Rússia, a China, o Brasil etc. etc. etc….Nunca foi fácil para ninguém e nem vai ser para o próximo Primeiro Ministro, seja ele quem for; 2) Essa sua colocação: “um perigo tão grave para o país, quanto o extremismo islâmico.” em meu entender é um tremendo exagero. Entretanto, como não desejo que Israel venha a caminhar no sentido de ser parecida ou próxima aos seus vizinhos, concordo e compartilho da sua preocupação a esse respeito!….
    No mais, entendo que a sua análise é realmente muito interessante!….Eu não gosto dessa antiga colocação da esquerda de que a paz está muito próxima, basta a gente querer….Adoraria acreditar nisso, mas em meu entender tudo leva a crer que será um processo muito complicado, difícil e de longo prazo e só pode vir a partir de duras negociações de ambos os lados…Creio que quem acreditar em algo diferente vai se decepcionar (e muito!)…Por outro lado, esse messianismo muitas vezes (nem sempre, claro!) com viés intolerante também não me agrada – e daí você pode pensar que sentar numa cadeira de Primeiro Ministro e lidar com essas duas visões ao mesmo tempo, não é fácil! Tampouco é fácil, mas necessário, negociar com Mahmoud Abbas, Saeb Erekat ou a Liga Árabe, tendo ainda que lidar com a ONU etc….
    Isto posto, concordo plenamente com a sua conclusão: “Em alguns meses o que estará sobre a mesa, é a própria existência de Israel como um Estado soberano, democrático, moderno e pluralista.”…
    Abraço,
    Marcelo.

    • Marcelo Treistman

      20/12/2014 at 19:50

      Olá Marcelo,

      Agradeço a visita e comentário. O perigo grave para o país não se refere ao Bibi, e sim a enorme força política que o movimento nacional religioso vem adquirindo nos últimos anos – este movimento tem muito pouco apreço pela democracia e infelizmente encontrou amparo no governo de Benjamin Netanyahu.

      Um grande abraço!

  • Renato

    20/12/2014 at 20:54

    Marcelo,
    Você parece não ter conhecimento das ideias e dos feitos do Bennett. Tudo que fala a respeito dele se resume a preconceito e você ainda fala de pluralidade?
    Para não me alongar demais você conhece Andre Lajst? Ele tem posições de centro-esquerda e teve uma conversa com o Naftali Bennett. Pergunte ao Lajst como se surpreendeu!

    • Marcelo Treistman

      20/12/2014 at 22:47

      Olá Renato,

      Agradeço a visita e comentário.
      Infelizmente eu nunca conversei com o Naftali Bennet, mas não creio que isto descredencia as minhas opiniões sobre ele. Você também nunca conversou pessoalmente comigo e acredita – com base em meu texto – que eu sou uma pessoa preconceituosa. De fato, não entendo onde se pode apontar “falta de pluralidade” no artigo. Minhas opiniões sobre O Bennet e seu partido estão ancoradas em um “pos-conceito”, tendo em vista que faço uma analise fria de suas propostas de lei e na própria plataforma ideológica do partido. O que será que o André acha delas?

      1 – “equilibrio dos meios de comunicação” – Para o partido, há uma concentração exagerada de poder na “esquerda israelense”. Etse é aquela típica proposta de lei que sob o manto da “pluralidade”, deseja mesmo é acabar com a crítica.
      2 – “Obstrução de financiamento de organizações “antissionistas” – por “antissionistas” entenda-se tudo aquilo que o partido considera ser “antissionista”
      3 – “Diminuição da intervenção do Bagatz (STF) na vida legislativa” – num país sem constituição formal, requer a atuação de um tribunal superior forte e interventor na defesa da democracia. Diminuir a sua competência é dar um tiro no pé de um Estado que protege seus indivíduos.
      4 – Expansão da competência dos tribunais religiosos na vida civil do país.

      Isto porque nem entramos na questão da resolução do conflito com os palestinos, o desejo da manutenção de um controle militar indeterminado sob 2 milhões de indivíduos e o aumento de investimento das construções nos territorios ocupados.

      Essas propostas e artigos de sua ideologia é que formam o meu conceito sobre este partido e o perigo que ele representa para um Israel plural, judaica e democrática.

    • Renato

      25/12/2014 at 17:39

      Marcelo,

      Confesso minha ignorância sobre essas propostas do Casa Judaica citadas por você mas que a sociedade israelense está permeada de socialismo em suas instituições é fato, resultado absolutamente normal de sua formação. Fato é também que existe hoje uma parcela expressiva da população muito diferente daquela pioneira. Seus anseios e ideologia são outros. Que o Supremo tem atrapalhado a luta anti terror é fato mais do que notório na sociedade, que o caráter judaico do país tem que ser preservado é óbvio, que a política externa israelense perde frente ao movimento islamita mundial é sabido, então qual o problema de reforçarmos a atuação de entidades verdadeiramente sionistas e judaicas?

    • Marcelo Treistman

      25/12/2014 at 18:32

      REnato, sua resposta peca pela falta de objetividade:

      1 – Por favor elabore:

      a – Como o socialismo está permeado nas instituições israelenses? Quais instituições você se refere? De que forma isto prejudica o país?
      b – Como o Bagatz (Supremo) está “atrapalhando a luta anti-terror? Por favor, seja específico.

      2 – Por favor defina:

      a – Quando você diz que o caráter judaico deve ser preservado o que você quer dizer com “judaico”? Israel é um Estado da religião judaica (como você define o que é uma corrente judaica aceitável?) Um estado do povo judeu (quem faz parte do povo? Quem tem competência para definir quem faz parte do povo?) ou um Estado de judeus (como deveria ser a relação com a população não judaica do país)?

      b – O que é uma entidade “verdadeiramente sionista”? Quem define? Como você ve este “reforço”?

    • Renato

      25/12/2014 at 17:52

      Isso é antidemocrático?
      Bayit Yehudi – Princípios:
      1. Mission
      To restore the Jewish-Zionist essence to the State of Israel and its people

      2. Jewish State
      The State of Israel is a Jewish state governed by democracy. We will act to strengthen the Jewish nature of the state, and we will fight against those who attempt to transform Israel into ‘a state of its citizens’. At the same time, we will uphold the rights of Israel’s minorities, among them the Arab minority.

      3. Jewish-Zionist education
      We will act to strengthen the Jewish-Zionist identity of Israel’s youth and instill values of loving others, the nation, and the state. Every child in the country must be familiar with our past and the exceptional figures of the Jewish people; Abraham, Moses, the prophets, the people of the Second Temple era, Maimonides, Herzl and the fathers of Zionism, David Ben- Gurion and the heads of the nation, as well as Israeli heroes like Yoni Netanyahu, Hannah Senesh and Judah the Maccabee. Our education system is in crisis. In recent years, the hours dedicated to the study of Jewish history, literature, and Torah instruction have decreased by approximately 50%. Many children do not study the Second Temple era, nor are they familiar with Israeli heritage. We need to fix this.

      4. Free economy with compassion
      The State of Israel is a remarkable economic success. However, s large part of the population has missed out on the fruits of this prosperity. We will act to provide equal opportunity that will allow every young person in Israel a chance to succeed. We are committed to improving education, increasing competition, breaking up monopoliesand wherever possible, cutting taxes for Israel’s middle classes. Israel must provide a safety net allowing a decent standard of living for those, and only those, who are unable to provide for themselves.

      5. Equal opportunity and closing social gaps through education
      The vast social gaps in Israeli society are perhaps its most significant injustice. There is almost complete correlation between a child’s economic background and the results of his/her psychometric (SAT) exam. This means that the chance of success for a child born into a poor family is infinitely lower than for a child from a family with means. We are not socialists; however we believe that each child should start life with the same opportunity. This can only be achieved via an education system which gives each child a set of tools, regardless of his/her background. The government must prioritize peripheral regions in order to create this equality. We aim to give an equal start and equal opportunity to every Israeli child.

      6. Strengthening religious-Zionist educational institutions, with budgets equal to those of Shas, and getting them into the national budget
      Our youth movements, colleges, Midrashot, and Yeshivot are in immediate danger. Every year we are forced to beg for new budgets. The cost of our education is preposterous – the cost of a student in a yeshiva high school can be up to the equivalent of a year of academic studies. Parents of four collapse under the expense of our basic education, while parents of six to eight children are simply unable to afford religious education. For Shas institutions the situation is quite the reverse – they enjoy complete and constant support. There is no need for parents to contribute to the cost of tuition. And yet everyone expects our youngsters to serve in combat units, do reserve duty and become contributing, taxpaying members of society. This is a direct result of our lack of representation and political weakness. With three seats in the Knesset our voice is rarely, barely heard. Our goal will be to exempt parents from the need to pay twice to get their children educated and to ensure that religious-Zionist educational institutions become apermanent fixture in thenational budget.

      7. Judicial balance
      We oppose the over-judicialization of Israel, i.e. the excessive intervention of the Israeli Supreme Court and the State Attorney in the policy-making and spirit of Israel. Furthermore, it is our opinion that the Supreme Court has historically been dominated for generations by a the liberal left and does not fairly represent the Israeli public. We believe in a judiciary system that fairly represents the Jewish and Zionist values of the country, and the diverse opinions within the Israeli public. This is attainable through new legislation for the appointment of judges, which will put an end to peculiar situation here in which the judges appoint themselves.

      8. Balanced media
      Israel’s media needs to be more balanced. It is the mouthpiece of one small segment of Israel’s historical elites. A broader range of opinions need to be more fairly represented.

      9. The Israeli-Palestinian conflict and the future of Judea and Samaria
      Today’s Israeli “market of ideas” provides only two solutions: the founding of a Palestinian state in the greater part of the West Bank, or the annexation of the West Bank and its two million Arab inhabitants. We believe that both of these solutions are impossible to implement, and, moreover, endanger the future of the State of Israel in terms of its security, demography, and values. Palestinian leadership does not want the West Bank, but rather the entire State of Israel – so that there is no perfect solution for our generation. We therefore propose the following plan: http://bit.ly/wFaSb8

      10. Protection of IDF soldiers
      The soldiers of the Israeli Defense Forces protect and defend the Israeli people. It is our duty to protect them from th international lawsuits filed by left-wing and post-Zionist groups such as “Yesh Gvul” (“There is a Limit”), “B’tselem [the Israeli Information Center for Human Rights in the Occupied Territories]”, and others. We will advance legislation that will stop funding from reaching anti-Israeli organizations.

      11. International diplomacy
      Israel’s image throughout the world is not good. We will work to improve Israel’s international standing, not however through concessions or making allowances, but rather by emphasizing the fundamental fact that the land of Israel has belonged to the Jewish people since biblical times, and it is in this land only that this people may exist and thrive. The State of Israel is an island of democracy and freedom in an ocean of totalitarian Arab regimes. We the western world’s front-line in the face of the Islamic surge.

      12. Settling all parts of the state
      Israel has become the State of Tel Aviv. This is an historic mistake which must be corrected. We will promote the settlement of all parts of the country: the Negev, Judea, the Jordan Rift Valley, the Arava, Samaria, the Galil and the Golan Heights. This will be achieved by improving transportation, supporting the peripheries, and making this issue a national priority.

      13. Jews in the Diaspora
      The State of Israel serves as a home not only for the citizens who reside within it, but also for the Jews of the world. During recent decades, Israel has done little to strengthen its ties to world Jewry. Aside from isolated endeavors, such as Birthright we have not taken responsibility for Jews worldwide. We will strengthen the Jewish identity of Jews in the Diaspora, and fortify Israel’s bond with them, maintaining the understanding that even those who choose not to live in Israel are a part of its people. At the same time we will increase our efforts to promote mass Aliyah to Israel by Jews throughout the world.

      14. Religion and State
      The State of Israel is a Jewish and democratic state. Its nature must be determined through discussion and deliberation by the entire body of the public on the basis of the Torah and the ethics of the prophets. Religious coercive legislation should be avoided, as should coercive secular laws. The status of Hebrew Law must be elevated. The Chief Rabbinate must see itself as a devoted provider of services to the entire population. And towards this goal the status of the Zionist rabbis must be improved. We believe that the path to a strong Israeli society is the path of deliberation and dialogue, and we will pursue this path with vigor. A good example of our vision is Yom Kippur – the general public respects this day, regardless of any legislation.

      15. Military and civil service
      We view the study of Torah as a vital and basic interest and value of the State of Israel. At the same time, we are aware of the vast amount of young people who do not study Torah, yet still enjoy an unjustified exemption from military or civil service. We will act to include Haredi and ultra-orthodox citizens in the workforce and in national service, in a gradual manner and with the introduction of incentives.

      16. Treatment ofthe Arab minority
      The State of Israel currently makes a double mistake. It overlooks the incitement of Arab factors who seek the destruction of Israel, and it discriminates against the Arabs who wish to be a part of Israeli society. We will act in exactly the opposite way – we will show determination in the face of a fifth column, and support the Arab citizens who seek the good of Israel.

      17. Preservation of national lands
      The State of Israel is losing its lands in the Galil and the Negev. The massive illegal construction by Bedouins in the Negev is a loss of land, as well as a breakdown of the rule of law and de facto sovereignty. We will enforce law and order in the Negev and the Galil, vigorously tackling illegal building and unlawful land appropriation, and to strengthen Jewish settlement in these regions.

      18. Stopping the wave of illegal immigration to Israel, and preserving the Jewish, demographic constitution
      The State of Israel has become an employment bureau for the African continent. Tens of thousands of Eritrean and Sudanese citizens march tremendous distances to reach the long-anticipated prize – work and livelihood in Israel. Barriers will not stop them. Only one thing will – when work is no longer available in Israel. If the ‘pot of gold’ at the end of the rainbow disappears, so will the motivation to enter Israel. An absolute halt of employing illegal aliens in Israel is a difficult, even cruel, measure. Yet there is no choice in the matter. This is the only way to avoid the entrance of a million African infiltrators/illegal immigrants within a five-year period.

    • Marcelo Treistman

      25/12/2014 at 19:28

      Renato,

      A plataforma que você indica peca pela falta de objetividade. Para que não reste dúvida, confira a constituição da Venezuela, que contém lindas palavras relacionadas a democracia e você há de convir que o país não representa hoje um símbolo de garantias e liberdades individuais:

      1 – O que significa uma “mídia equilibrada”? Não te lembra nem um pouco aquele lindo conceito de “democratização da mídia”? Bem, segunda os discursos realizados por membros do partido “A casa Judaica” na última knesset, me parece que eles querem mesmo é “calar” toda e qualquer crítica.

      2 – O que significa “Equilíbrio da Justiça”? Se este “equilíbrio” significa uma derrubada do poder existente em uma corte suprema em um país sem constituição formal, então me parece que – na verdade – o “equilibrio da justiça” significa mesmo um “desiquilibrio democrático”.

      3 – O que significa a elevação da “lei hebraica”? O que significa “lei hebraica”? Halachá? Como extamente você consegue colocar na mesma linha, na mesma frase, a palavra “democracia” e uma maior inserção de religião na vida civil dos cidadãos de um país? Como e quais serão estas “elevações”? Isso signidfica que a minha vida deveria ser regida através de leis religiosas, julgadas por autoridades religiosas?

      Renato para concluir eu deixo você com um pensamento. o Millor Fernandes tem uma frase excelente que define bem o que é “democracia” para o partido de Naftalli Bennet:

      – “Ditadura é quando você manda em mim. Democracia é quando eu mando em você”

      Não se engane. O partido a “A casa Judaica” tem uma proposta antidemocrática para o futuro de Israel.

    • Mario Silvio

      25/12/2014 at 20:00

      Marcelo e Renato, peço licença para entrar na conversa de vocês. Renato, mesmo deixando de lado coisas que são totalmente subjetivas (essência judaico-sionista por exemplo), essa proposta tem VÁRIOS itens que só podem ser implementados de forma não democrática, como por exemplo a pluralidade da imprensa.
      O PT ainda não desistiu de controlar a mídia e usa o mesmo discurso. Outra, contemplar entidades religiosas no orçamento. Sobre a imprensa por outro lado, não sei de nenhum país do mundo na situação de guerra permanente que permitiria algo como o Haaretz.
      Vários outros pontos são absurdos, na minha opinião, claro. como por exemplo convencer o mundo da justiça da causa israelense, para mim óbvia, através da Torá.

    • Renato

      02/01/2015 at 16:57

      Como não falo hebraico fluente, não vivo em Israel e não tenho amplo acesso a informações, vou á medida que consigo as informações, postando-as:
      A Suprema Corte em Israel decide quase sempre contra o próprio Estado, facilitando a vida dos grupos pró-terrorismo:
      The report below from NGO Montitor discusses how the PLO’s decision to join the International Criminal Court at the Hague yesterday is the result of years of lobbying efforts and disinformation campaigns by European and European funded Palestinian and Israeli NGOs. And this is certainly true.
      But it is also true that were it not for the Israeli Supreme Court, that gives standing to these irrelevant organizations that no supreme court in the world would ever even look at, none of these NGOs would have any influence or relevance.
      Yesterday, acting on the petition of one of these pro-terror groups, the Supreme Court barred Israel from destroying the home of the terrorist who tried to assassinate Yehuda Glick in November. This decision harms Israel’s national security by taking away a tool that our security commanders insist enhances our deterrence and so saves Israeli lives.
      Last week, Israel agreed to give the bodies of the two terrorists who butchered the rabbis in Har Nof back to their families. The decision was made after the families’ attorneys threatened to petition the Supreme Court. So just the threat of a petition made the government take an action that we all know causes grave harm to our deterrence and so makes the decision of the next potential jihadist butcher to kill us all the easier to make.
      The fact of the matter is that for the sake of our national security and our diplomatic standing, the most urgent order of business for Israel’s elected leadership is to legislate and enact massive reform of the Supreme Court and the legal system as a whole. Until that happens, we will go from failure and weakness to failure and weakness regardless of who we elect to lead us.
      http://www.ngo-monitor.org/…/palestinian_icc_stunt_is_culmi…

    • Marcelo Treistman

      04/01/2015 at 17:37

      Olá Renato,

      Obrigado por mais uma visita.
      Como você não fala hebraico fluente, não vive em Israel e não tem um amplo acesso as informações, vejo com “bons olhos” a oportunidade que você me dá para lhe explicar com mais detalhes as informações que você recebe, da mesma forma que nós fizemos a “cirurgia” na plataforma ideológica do partido de Naftalli Bennet, onde restou claro que “democracia” não é o que este partido persegue.

      Portanto, peço vênia para duas observações importantes:

      1 – O link que você enviou está quebrado. De qualquer forma, note que não existe no site do NGO-Monitor a sentença que impediu a derrubada da casa dos terroristas. Para uma análise fria e sincera, é necessário que você (por si próprio) possa ler a sentença para vislumbrar os pontos que levaram a tal decisão. Sem essa conduta, você se torna facilmente uma “massa de manobra” da linha política de tal site, que lhe explica apenas uma versão parcial dos fatos, qual seja: “A suprema Corte de Israel ajuda o terrorismo”.

      E isto Renato, simplesmente não é verdade. E eu explico porque:

      2 – A suprema Corte de Israel é guardiã da lei e dos valores democráticos. A ela não compete criar uma nova legslação. Ela deverá cumprir o que o poder legislativo ordena, interpretando as leis com o viés democrático. A lei que determina a derrubada da casa de terroristas existe na ordenação militar israelense, específica para os territórios ocupados. Isto posto, se um árabe – cidadão israelense – comete um atentado terrorista, a casa deste terrorista não poderá ser derrubada pelo seu status de “cidadão” (status este não concedido arabes residentes na Cisjordânia).

      Agora para você pensar: se a legislação militar pudesse ser aplicada a árabes-israelenses por seus atos terroristas dentro do Estado de Israel, isto também seria verdade para judeus-israelenses que cometaram atos terroristas dentro de Israel. Isto indica que os judeus que queimaram um árabe vivo há alguns meses em Jeruslém e os judeus que vandalizaram uma escola árabe-israelense há algumas semanas também deveriam ter suas casas destruídas – afinal de contas, a isonomia de um Estado Democrático determina que a lei seja igual para todos os cidadãos e isto indica que não importa se o terrorista é judeu ou árabe – ambos deverão ter as suas casas destruídas.

      A Suprema Corte de Israel de forma alguma enfraquece a nossa segurança. É justamente ao contrário. Ao defender a democracia, ela concede um sentido ao país que queremos defender. Nem tudo é possível para garantir a nossa segurança e essa mediação só se faz com um poder judiciário forte e atrelhado aos valores democráticos.

      Continue enviando as suas informações. Será um prazer “dissecá-las” para você.

      Um grande abraço

  • Luna

    20/12/2014 at 22:42

    Marcelao, nao curti seu texto. O Bibi tem sim muitos meritos e nao concordo com o “qualquer um, menos Bibi”. Hoje a situacao de Israel eh tensa principalmente pela falta de um lider no nivel do Bibi. Temos uma ex ministra que fala em rede nacional em um nivel baixissimo e tenta transformar o knesset em um shuk hacarmel. Temos outro ex- ministro que esta mais preocupado com seus looks e sua semelhanca ao George Clooney. No tachles nenhum deles fez nenhuma mudanca generosa…

    Voce coloca no texto como um ‘statement” de que todos querem qualquer coisa menos o Bibi, o que e incorreto.

    Vc cita que o problema de Israel e o extremismo religioso. Marcelao, nosso problema nao e a luta interna e sim externa. Nossos inimigos nao sou os extremistas religiosos (sim, causam alguns problemas), mas nao se esqueca do nosso verdadeiro inimigo – os terroristas que invadem sinagoga em plena luz do dia, terroristas que jogam acido em uma familia, terrorista que se passa por gravida pra passar pelo check point. ISIS, HAMAS, FATAH, IRAN com bomba nuclear…

    Tiraram o Hamas da lista de terroristas ha uns dias atras…. (choque, nao?!) Tsuk Eitan nao compeltou nem um aninho….

    Hoje eu nao vejo nenhum politico preparado para lidar com nosso problema …

    Parece ate nome de novela das 8 da rede globo, mas acho que cabe bem… QUE D’US NOS AJUDE!

    Meu voto ainda eh para o mais preparado para liderar esse pais, e o nome dele e Benjamin Netanyahu.

    Beijo pra vc!
    Luna

    • Marcelo Treistman

      21/12/2014 at 09:53

      Querida Luna,

      Agradeço a visita e comentário.

      Eu acho que a preocupação com o futuro da democracia em Israel é algo tão importante quanto a preocupação com o extremismo islâmico. Eu indico isso no texto e não consigo retirar este ponto de minha análise sobre o governo Bibi.

      De um lado nós somos um país que ocupa militarmente uma enorme população como nenhum outro país democrático no mundo. E nós devemos discutir abertamente sobre as consequencias desta ocupação. Do outro lado somos o único país democrático no mundo que tem a sua existência questionada todos os dias. Vivemos sob estes dois pilares: Ocupação e Intimidação.

      Vejo muitos individuos (majoritariamente de esquerda) focar unicamente na ocupação ignorando toda a intimidação sofrida pelo país. E vejo muitos indivíduos (como você) que se focam unicamente na intimidação e ignoram os problemas advindos da ocupação, assentamentos e movimentos religiosos.

      O Bibi fez uma escolha errada ao compactuar com o nacionalismo messianico de Bennet. O seu pragmatismo político fez com que ele buscasse alianças em partidos que tem muito pouco apreço pela democracia (vide as propostas de lei do partido). Este ano, passou em primeira leitura uma lei que envia para a prisão conjuges que se casarem em Israel em um casamento não ortodoxo. De 11 ministros apenas dois votaram contra. Você acha isso razoável? Não é uma vergonha que algum ministro proponhauma lei deste tipo em pleno 2015?

      Acho que as duas preocupações são muito importantes. A Intimidação e a preocupação com o futuro da democracia em Israel deve ser uma preocupação de todo cidadão de bem. Na hora do seu voto, pense nisso: Na hora de proteger Israel da ameaça externa, que Israel você esta querendo proteger?

      Eu desejo proteger uma Israel democrática, de todos os seus cidadãos e plural. Esta é a razão pela qual não voto em Bibi. É a única forma hoje de afastar os messiânicos antissionistas ee antidemocraticos do poder.

      Um grande abraço e volte sempre.

  • Raul Gottlieb

    21/12/2014 at 15:01

    Marcelo

    O João se alinha com a esquerda sem ambiguidades e disse há umas semanas atrás, aqui neste espaço, que a esquerda tem, neste momento, um discurso patético. Mesmo assim você acha que ela vai ganhar os votos suficientes para formar um novo governo?

    Você diz que futuramente haverá um Estado Palestino, mas será mesmo que os Palestinos querem um Estado? Talvez eles não queiram (e a meu ver se esforçam muito para demonstrar na prática que não o querem, apesar do discurso com sinal trocado que mantém), então a política de Israel deveria ser adequada à esta realidade.

    Concordo que desocupar os civis de grande parte dos territórios conquistados em 1967 deveria ser uma prioridade dos próximos governos. Mas isto não vai resolver o problema existencial de Israel, cuja solução não depende dele.

    Além disso, sem dúvida que seria maravilhoso termos um novo governo mais hábil tanto na condução da política externa quanto disposto a promover o fim da coerção religiosa na vida dos israelenses (que cada um possa se casar onde quiser e com quem quiser, etc.etc. etc. ).

    Mas o novo governo, qualquer que seja, não vai conseguir forçar os Palestinos a fundar um Estado nem vai conseguir baixar a guarda militar.

    Ou seja, eu não diria que o que necessitamos é de “qualquer um menos o Bibi” ou de um novo Bibi ou de Bibi de novo. Nós precisamos que o Islã resolva entrar na Idade Moderna. E isto não vai acontecer tão cedo, infelizmente.

    Pergunto: porque as demandas sociais que dominaram as últimas eleições esmaeceram nesta? O povo que demandava justiça social (sempre me arrepio quando se coloca uma qualificação na justiça) está satisfeito ou apenas cansado?

    Abraço.
    Raul

    • Marcelo Treistman

      21/12/2014 at 16:15

      Raul,

      Agradeço pela visita e comentário.

      Se nenhum governo israelense vai resolver o cerne do problema entre israelenses e palestinos, que pelo menos saibamos escolher um governo que resolva as nossas contradições democráticas internas. Que saibamos escolher um governo composto de pessoas que não atacam frontalmente leis democráticas e que não queiram acabar com os pilares da justiça e liberdade de expressão. Que saibamos escolher um governo comprometido com a desocupação dos territorios conquistados em 1967 (perceba que eu não usei a palavra paz no artigo) e não que esteja comprometido – justamente – com a expansão dos assentamentos. Que saibamos escolher um governo que entenda que o judaísmo (religião) é uma escolha individual e que não há o menor sentido em fortalecer leis “judaicas” na vida civil do país.

      Se fizermos isso, só isso, apenas isso, estaremos construindo um futuro muito melhor para o sionismo. Então depois, quem sabe, poderemos voltar a discutir sobre o preço do queijo cottage nas prateleiras dos supermercados.

      Um grande abraço.

    • Raul Gottlieb

      22/12/2014 at 11:12

      Concordo, Marcelo.

      Mas o que houve com as manifestações de dois anos atrás? Algumas demandas foram atendidas (como creche paga pelo imposto de todos a partir dos 3 anos de idade). Mais alguma coisa?

      O cottage continua custando mais caro do que na Europa?

      Os apartamentos estão mais acessíveis?

      Acho que vale a pena fazer um texto focando nos desdobramentos daquele movimento.

  • Uri

    21/12/2014 at 19:33

    Marcelo,

    Gostaria de comentar alguns pontos do seu texto.

    “No passado, o movimento religioso sionista já foi mais contido, tinha opiniões mais responsáveis ou era apenas um polo marginal. Hoje representa um movimento arrogante e agressivo”

    Não concordo com a assertiva acima, até por que o movimento sionista religioso não é arrogante e agressivo, em alguns aspectos são bastantes progressistas, visto que se trata de ortodoxos (estudos acadêmicos, papel da mulher na sociedade, interação com judeus seculares) e trazem/trouxeram contribuições importantes para a sociedade israelense. O único ponto que se encaixaria parcialmente nessa sua afirmação, seria como eles reagem frente a delicada situação com os vizinhos árabes, os palestinos e os cidadãos árabes israelenses, e mesmo assim, não é todo o movimento sionista religioso, não tenho dados, mas ainda sim, chutaria que a maioria deve ter posições relativamente radicais em relação a essa questão.

    Discordo também em colocar o nacionalismo messiânico, Bennet e até o Bibi como anti-sionistas. Acaso o Rav Kook, um nacionalista messiânico, não era sionista? Me incomoda bastante taxar o outro de anti-sionista, só por que o sionismo dele não é o mesmo que o seu, em todos os casos, tanto um eleitor do HaBait HaYehudi dizer que o eleitor do Meretz é anti-sionista, quanto um eleitor do Meretz dizer que o eleitor do HaBait HaYehudi é anti-sionista . Desnecessário desqualificar o outro, enquanto pode argumentar e embasar sua opinião.

    Abraços e Chag Chanuca Sameach!

    • Marcelo Treistman

      22/12/2014 at 10:20

      Ola Uri,

      Agradeço a sua visita e comentário. Recebo a sua crítica com carinho mas não posso concordar com o teor do seu conteúdo. Refuto as suas palavras de forma absoluta e explico porquê:

      Temos que distinguir as atitudes pessoais das posturas políticas. O que eu coloquei no artigo foram as posturas políticas de partidos como o “A casa Judaica (Bennet)” e Israel é nossa Casa (Lieberman). Infelizmente o pragmastismo político de Bibi, deu amparo e sustentação a estas ideologias antidemocráticas e – por esta “simples” razão – considero esta aliança contrário ao projeto sionista – “antissionistas”. Nesta questão não me parece haver muita dúvida.

      O partido “a Casa Judaica” liderado por Bennet recentemente publicou a sua חוקה (chuká) reexaminando a sua própria ideologia e fixando as suas visões para o futuro de Israel. O material é acessível a qualquer pessoa em uma simples busca na Internet. O que esta disposto ali, na minha opinião é um atentado a Israel plural e democrática. Ouso dizer, que os projetos de lei apresentados pelo partido neste último Knesset deixariam Rav Kook decepcionado com os “herdeiros” de seus ensinamentos.

      Claro que não existe ninguém que segue totalmente as diretrizes de algum movimento. Cada pessoa se permite um nível de acomodação dentro da linha que pertence. E tem também aquelas que não pertencem a linha alguma, pois não tem vocação para pensar nestas coisas e/ou simplesmente fazem o que lhes parece correto ou confortável, sem se sentir ligadas a um compromisso coletivo.

      Então, a sua crítica é acertada quando você indica que nem todo eleitor do Habayit Yehudi é antissionista.

      Mas você não tem razão ao dizer que eu estou criminalizando alguém ao dizer que a corrente na qual ele está filiado pensa da maneira “x”. Estou apenas categorizando o pensamento e prática efetiva daquela corrente no cenário israelnese e não a atitude individual dos seus eleitores.

      Repare que no meu comentário eu não ligo a violência ao pensamento do “eleitor do partido x”. Sei que a violência, arrogância e agressividade é uma opção individual dos que cometem este tipo de conduta e não representam uma categoria de pensamento.

      Um forte abraço e Chag Sameach.

  • Mario Silvio

    22/12/2014 at 18:28

    Parabéns pelo texto Marcelo.
    ” Entretanto, não devemos nos dar ao luxo de nos iludirmos. ”
    Não moro em Israel, mas vou me atrever a alterar a frase: entretanto, não PODEMOS nos dar ao luxo de nos iludirmos.
    Para quem acha muita pretensão da minha parte, digo que tenho uma vantagem sobre vocês. Como não vivo sob a tensão que vocês vivem, e portanto a angústia de finalmente chegar a um acordo de paz, não caio na tentação do wishful thinking, de acreditar em bandidos do outro lado simplesmente por não serem tão “honestos” quanto o hamas.

    De resto torço muito para que Israel seja cada vez mais laico, e não o contrário.

  • Dani Lindenbaum

    23/12/2014 at 00:37

    “No passado, o movimento religioso sionista já foi mais contido, tinha opiniões mais responsáveis ou era apenas um polo marginal. Hoje representa um movimento arrogante e agressivo”
    Concordo em parte, isso não dá para generalizar, há alguns arrogantes, fanáticos, fascistas, e há outros que não. Mas há muitos que deixaram o fanatismo e a arrogância subir na cabeça. Esse papo de ficar discutindo quem é mais sionista, menos sionista é vaidade que não chega a lugar nenhum, parece o Peronismo. brigam para ver quem é mais peronista. O que importa é que Israel é um Estado baseado no domínio da lei e nos valores democráticos. Suas instituições, entre elas o Knesset- Parlamento- e a Suprema Corte, Refletem essa filosofia de Estado. Mas a natureza democrática das instituições e a base humanitária de suas responsabilidades às vezes são questionadas. Aqueles que vivem em Israel e buscam manter e fortalecer a natureza democrática do Estado enfrentam uma luta complexa, tão necessitada de atenção hoje, como era na época da fundação do Estado, 66 anos atrás. Nós, responsáveis pelo futuro de Israel, temos a tarefa de nutrir sua vida vibrante e de guardar, proteger e fortalecer seus valores humanos e democráticos.

  • Dani Lindenbaum

    23/12/2014 at 00:41

    E fora Bibi! já deu pra ele, ele só pensa no poder, está longe de ser um estadista.

  • João K. Miragaya

    23/12/2014 at 12:27

    Olá Marcelo.

    Li seu texto concordando e discordando de você a cada linha. Na maioria das vezes concordo com suas críticas, e discordo dos porquês. Em outras ocasiões, discordo das críticas mas concordo com as razões. O título, por sinal, já me causa reações ambíguas: concordo e discordo. Quero mais que ninguém que Netanyahu não seja o próximo Primeiro Ministro de Israel, mas jamais repetiria a frase: “qualquer um menos Bibi”. O atual líder do Likud é um dos mais moderados dentro do seu partido, que jamais foi liberal como você descreve, mas atualmente é representado pela lista mais radical dos últimos 25 anos. Eu não quero Bibi, mas quero ainda menos Gideon Saar, ou proto-fascistas como Danon, Feiglin e Hotovely.

    Bennet realmente representa um perigo para a democracia e para o futuro do Estado de Israel. Eu, portanto, optaria por dizer: “Qualquer um menos Bennet”. Este de fato é um perigo. Infelizmente o nome que representa o sionismo religioso hoje é um radical inconsequente, que tenta passar-se por um ícone moderado. O rabino Kook, que sempre foi adepto ao diálogo e moderado, deve estar revolvendo-se no túmulo.

    Acho curiosa a campanha “Qualquer um menos Bibi”, que foi criada pela líder do Meretz Zehava Galon, e demonstra sua incoerência. Galon recomendou aos eleitores que votassem em qualquer partido que aceite formar uma coalizão sem o Likud. Mas ela mesma anunciou há poucos dias que o Meretz jamais entrará em um suposto governo com o Israel Beiteynu. Ora, o partido de Liebermann certamente receberá mais cadeiras que o Meretz, e muito provavelmente as forças que comporão o novo governo necessitarão do apoio de partidos com bancadas numericamente significativas. Aí vão, portanto, minhas duas críticas à esta campanha:
    1) A líder desta campanha não fará parte do projeto. É o inverso da frase de Groucho Marx (não pertenço a um clube que me aceite como sócio). Galon sabe que não será convidada, e, se for, será pela porta dos fundos. 2) Saem Likud e HaBait HaYehudi, entram Avodá, Shas e Yahadut HaTora. Seguem HaTnua, Yesh Atid e Israel Beiteynu. Os três partidos que entram estavam na coalizão há pouco mais de três anos, e estiveram também desde 2006. Que grandes câmbios trouxeram para Israel? O que foi de fato distinto? Tirar o Bibi e o Bennet e colocar Shas, Avoda e Yahadut HaTora é trocar 5 por meia dúzia. Melhora um tiquitinho, mas não traz nada de novo.

    Teu texto me impressiona, também, pelo pedido por incentivos à centros de pesquisa como Technion e o Instituto Weizzman, ignorando as universidades que trabalham com humanas. Esta talvez seja uma das causas do sucateamento do cérebro do israelense médio: não se dá valor às pesquisas na área de humanas tal qual às outras, simplesmente porque isso não dá dinheiro de forma imediata. O resultado disso: um bando de químicos, físicos, engenheiros e biólogos racistas. Um país que não investe em centros de pesquisa que reestudem sua história e tentem compreender sua sociedade, tende a não ser autocrítico, ser movido por dogmas e emburrecer politicamente.

    Meu último ponto dúbio é em relação ao discurso sobre a paz. Eu sou um crítico ao discurso do Meretz, você sabe, já escrevi sobre isso. Mas não acho que apresentar a possibilidade de um acordo como uma bandeira seja nem um pouco errado. Pode ser que seja ineficiente, mas eu prefiro perder falando a verdade do que vencer mentindo e enganando a população. Para que possamos dizer que um acordo é impossível, deveríamos tentá-lo. O governo atual não tenta nem um pouco. Nem um pouco. Há 14 anos não há sequer uma tentativa verdadeira (o Plano Olmert não passou de um plano, utilizado incessantemente pelas direitas de forma oportunista para provar um ponto que não existe). É legítimo que uma solução seja tentada, pois a proposta de Bennet é um absurdo (ser contra um Estado palestino), e a do Likud não existe.

    E apesar de todas as incoerências do Meretz, meu voto é deles. É o único no qual posso confiar que entrará em um governo apenas se houver realmente boas intenções. No resto eu não acredito.

    Um abraço

    • Marcelo Treistman

      23/12/2014 at 13:21

      João, agradeço o comentário.

      1 – Meu voto também é do Meretz, apesar de todas as minhas críticas ao discurso do partido, hoje trata-se do único partido que não condiciona condutas necessárias a serem realizadas por Israel a condutas necessárias a serem realizadas pelos palestinos.

      2 – O pedido de investimentos a centros de pesquisa científica são apenas exemplos. A minha intenção foi dizer que eu gostaria que Israel transferisse os investimentos ($$$) utilizados hoje na construção de assentamentos para algo realmente benéfico e frutífero para Israel. Incluo aí o investimento na área de humanas para que possamos resolver o problema dos historiadores, sociologos e filosofos “míopes a realidade” e que não possuem nenhum conhecimento matemático e de probabilidades.

      3 – Com relação a uma possibilidade de acordo, eu informei no texto que acredito ser um imperativo moral para o Estado de Israel buscar a paz de forma incansável. Entretanto qualquer propaganda política que indique que a “paz” não existe porque não “há um comprometimento do lado israelense” é uma falácia que afasta os eleitores que enxergam de sua janela o caos no mundo muçulmano e o extremismo palestino que constroi tuneis de terror sob os seus pés. Eu não acho impossível que Israel algum dia faça um acordo com o Hamas, mas para que isso ocorra é necessário uma mudança de postura inequívoca de suas lideranças em suas práticas e discursos. Precisamos de uma esquerda que cobre com firmeza das lideranças palestinas o mesmo comprometimento aos valores democráticos que hoje cobra do governo de Israel. E que aponte os erros dos palestinos de forma clara e evidente da mesma forma que aponta os erros da direita israelense. Ao não conduzir o seu dscurso político desta forma, dando a entender que a paz não existe “somente” por uma recusa de Israel em sentar para “conversar”, este polo político se torna irrelevante no país. Irrelevante, porque o seu discurso não é real.

      E, como eu acredito que nenhum governo israelense mudará de forma efetiva o eterno conflito com os palestinos, que pelo menos saibamos escolher um governo que minimize ou acabe com as nossas contradições democráticas.

      4 – “Os três partidos que entram estavam na coalizão há pouco mais de três anos, e estiveram também desde 2006. Que grandes câmbios trouxeram para Israel?” – “cambios“??? Ta pensando em espanhol e escrevendo em português Joao? A esperança (hoje utópica) é um fortalecimento da esquerda israelense ou o afastamento do Likud de partidos antidemocratas (e consequentemente contrario ao projeto sionista)

      Um grande abraço

    • João K. Miragaya

      23/12/2014 at 16:02

      Você por ironia ou não, comete um erro: em Israel o conhecimento de matemática e estatística é obrigatório para os três campos citados.

      Eu acredito que a crítica ao discurso pacifista seja uma falácia ainda maior do que o próprio discurso. Nenhum partido propõe que cheguemos a um acordo através de negociações com o Hamas (quem propõe isso são os ex-chefes do Shin Beit), mas sim com a Autoridade Palestina. Este acordo é possível, razoável até, e o que impede no momento é a recusa de Israel de frear a construção de assentamentos e sentar-se para conversar. Você sabe disso, todos sabem disso. Quais são os obstáculos que a Autoridade Palestina coloca hoje para que as negociações avancem?

      A acusação chega a ser patética, quando se deseja igualar os dois lados. A Autoridade Palestina exige que Israel pare de construir e sente-se para conversar. O governo israelense exige que a Autoridade Palestina mude de opinião para vir conversar, e ainda critica os palestinos por fazerem exigências prévias. Ora, se você quer chegar num entendimento, não pode exigir os termos finais do acordo antes de discuti-lo. Quais são os erros da Autoridade Palestina neste ponto? Abbas acabou com o terrorismo no Fatah, coopera com o Tzahal, pede negociações… você não pode culpar a Autoridade Palestina pelos foguetes do Hamas.

      Você desiste dos palestinos muito facilmente, principalmente por estar caíndo no discurso do Likud e da direita radical. Não é necessário que se exija democracia para chegar a um acordo, o fizemos com o Egito e com a Jordânia sem problemas. Esta é mais uma falácia.

    • Mario Silvio

      23/12/2014 at 23:35

      Oi João,
      Antes de mais nada quero deixar claro que sou e sempre fui contra os assentamentos. “é a recusa de Israel de frear a construção de assentamentos e sentar-se para conversar.” ” A Autoridade Palestina exige que Israel pare de construir e sente-se para conversar” “se você quer chegar num entendimento, não pode exigir os termos finais do acordo antes de discuti-lo.” Vejo uma contradição aqui. Os palestinos continuam fazendo exigências PARA conversar, o que não faz nenhum sentido.
      E mais, quando o Bibi congelou os assentamentos, o que aconteceu? Nada.
      ” Há 14 anos não há sequer uma tentativa verdadeira (o Plano Olmert não passou de um plano, utilizado incessantemente pelas direitas de forma oportunista para provar um ponto que não existe)” Você poderia explicar por que o Plano Olmert não era bom? Na minha opinião a penúltima coisa que o Abbas quer é negociar. A última é um acordo justo.

    • Raul Gottlieb

      25/12/2014 at 10:54

      Oi João,

      Que coisa feia esta frase: “Esta talvez seja uma das causas do sucateamento do cérebro do israelense médio: não se dá valor às pesquisas na área de humanas tal qual às outras, simplesmente porque isso não dá dinheiro de forma imediata. O resultado disso: um bando de químicos, físicos, engenheiros e biólogos racistas. ”

      Um bando de químicos, físicos, engenheiros e biólogos racistas! Você tem alguma evidência para sustentar a tua afirmação leviana e insultuosa? Há algo que aponte a maior prevalência de racismo entre os químicos do que entre os historiadores?

      De onde você tirou isto? Sendo filho de um químico completamente engajado na fraternidade entre as pessoas, tenho grande curiosidade em saber.

      E sendo um engenheiro eu também gostaria de saber de onde você concluiu que os que escolhem esta carreira pensam no dinheiro acima de qualquer outra coisa. Qual é a evidência disso?

      E finalmente: quem é o israelense médio? É possível delimitar um ser humano em suas múltiplas e cambiantes características e depois traçar uma média de todas elas? Esta coisa de “ser humano médio” dá arrepios a este engenheiro aqui.

      Me recuso a acreditar que esta frase faça justiça ao teu pensamento. Você deve tê-la despejado num momento de irritação.

      Abraço,
      Raul

    • Mario Silvio

      25/12/2014 at 15:47

      Se eu tivesse que apostar apostaria que o racismo é muito mais prevalecente entre historiadores, sociólogos e cientistas sociais do que entre químicos, físicos, engenheiros e biólogos, mas é só um palpite.

  • Marcelo Starec

    23/12/2014 at 16:47

    Oi João,
    Desculpe-me pela minha intromissão na discussão, mas a muitos anos, muitos mesmo…eu ouço esse mesmo discurso da esquerda menos “light” israelense!…”Que a paz é fácil, basta a gente querer”…Eu não digo que eu poderia (se eu votasse) eventualmente até votar neles, mas esse discurso não corresponde a realidade e a diferença óbvia entre a paz com o Egito e a Jordânia e a com os Palestinos é que estes últimos estão do lado, literalmente, e ficariam a quilômetros de Ben Gurion, de Tel Aviv, de Jerusalém etc, portanto não basta um simples acordo, é preciso ter a certeza de que existam requisitos que garantam de forma básica a segurança de Israel. Ademais, como é tão próximo, fisicamente, uma certa coexistência será necessária e também por isso, além dos valores morais e éticos, entendo ser correto e justo cobrar deles com o mesmo viés que se cobra de Israel – pelo menos um mínimo de tolerância e respeito para com os judeus que quiserem lá viver e um mínimo de valores morais e da aceitação de que aquele pedacinho mínimo de Terra que sobrar vai pertencer ao povo judeu, como a ONU definiu em 1948, dentre outras coisas. Eu tenho que desconfiar de quem não aceita nem isso (o Abbas), visto que ele continua pregando a narrativa “Palestina sem Judeus” – sim, o Hamas prega isso abertamente e o Abbas continua usando o mapa que não inclui Israel, um Estado que existe a 66 anos e não aceitando a existência real de Israel, em meu modesto entender – fatos que são sim pré-requisitos para se chegar a algum compromisso sério e duradouro!…..
    Um abraço,
    Marcelo. I

    • João K. Miragaya

      23/12/2014 at 20:23

      Olá Marcelo, sinta-se à vontade (da minha parte).

      Certamente são necessários tais pré-requisitos citados por você para que alcancemos a paz. O problema é sequer sentar-se para negociar. O governo israelense atual não deseja uma solução de dois Estados, e culpa os palestinos por isso. Mesmo supondo que Abbas não deseja realmente a paz, isto não passa de uma suposição. Enquanto o governo israelense não fizer a sua parte, não pode acusar o outro lado, que está fazendo a sua (obviamente não me refiro ao Hamas).

      Abbas usa um mapa que não inclui Israel, e os Ministérios da Educação e do Turismo usam mapas que não separam Israel dos territórios ocupados. Para que tenhamos um entendimento, é necessário o diálogo e o fim dos boicotes. Israel deve parar de construir e sentar-se para estabelecer estes termos. Chega a ser cômico comparar as posturas dos dois lados. A Autoridade Palestina faz exatamente todo o exigido pelo Sharon em 2005 (antes do derrame) e pelos EUA. O governo israelense faz o contrário. Uma pena.

      Um abraço

    • Marcelo Treistman

      24/12/2014 at 10:12

      Acho impressionante como você coloca a falha do processo de paz (ou o início de um processo) nos ombros do governo israelense. Quem lê o que você escreve pode até acreditar (erroneamente) que o extremismo islâmico existe por causa dos assentamentos.

      Este tipo de posição (na minha opinião, absurda) é o que situará a esquerda a um lugar cada vez mais irrelevante na sociedade. Já esclareci esta minha opinião em alguns textos recentes.

      Por que será que a esquerda se surpreende repetidamente cada vez que Mahmoud Abbas deixa de assinar um acordo de paz com Israel? Eu sei… Porque ela “esquece”. A vontade de acreditar que a “paz” no contexto atual, com fracas lideranças palestinas e o caos no mundo islâmico, é possível, deixa a esquerda com um discurso bobo, ingênuo e que afasta o eleitor de suas importantes propostas para o país.

      1 – Quando o Meretz condenou recentemente Benjamin Netanyahu por se recusar a conversar com um governo de união entre Fatah e Hammas, Bibi acerta. O Meretz mais uma vez faz papel de bobo no cenário político. Ao se descobrir que enquanto Abbas se reunia com a lidença do Hamas para “formar um governo”, os militantes do segundo grupo estavam cavando tuneis para dentro do território israelense. Não era turismo o que eles estavam buscando. Era terror. E era com o terror que Abbas queria formar um governo para buscar um “acordo de paz”. Eu rio alto para não chorar…

      2 Em 1997, A imprensa israelnese divulgava o “acordo Beilin-Abu Mazen”. Lembro de ler com a boca aberta o esboço de alguns de seus artigos que havia sido elaborado pelos “buscadores da paz” – um, israelense, e um, palestino. O documento não deixou nada aberto: Mahmoud Abbas estaria pronto para assinar um acordo permanente. O refugiado de Safed tinha superado os fantasmas do passado e as idéias do passado, e estava disposto a construir um futuro conjunto, baseado na coexistência. Se apenas pudéssemos remover o Likud, e tirar Benjamin Netanyahu do governo, Abbas se juntaria a nós, de mãos dadas, caminhando em direção à solução de dois estados. Lembro que fizemos o que era necessário. Em 1999, a sociedade tirou o Likud de Netanyahu do poder. Em 2000, fomos para o encontro de paz em Camp David. Opa!!! Surpresa….. Abbas não havia trazido o plano Beilin-Abu Mazen a Camp David, ou qualquer outro rascunho de uma proposta de paz. O oposto era verdade: Ele foi um dos mais ferrenhos opositores, e sua demanda pelo direito de retorno dos palestinos impediu qualquer progresso.

      3 – Impulsionados pela esquerda, não desistimos tão rapidamente. Durante o outono de 2003, o Acordo de Genebra estava sendo formulado, ficou claro para mim que não havia mais desculpas, e que agora, Abbas iria assinar o novo acordo de paz. Opa!!! Surpresa… Abu Mazen envia Yasser Abed Rabbo (um ex-ministro da Autoridade Palestina) em vez de ir pessoalmente, enquanto ele permaneceu em seu confortável escritório em Ramallah. Não houve assinatura, e mais uma vez nada de acordo.

      4 – A esquerda não desistiu de seu sonho. Assim, em 2008, a sociedade israelense se colocou ao lado de Ehud Olmert, e teve-se o início de uma maratona de conversações com Abbas, e eu acreditava que havíamos cristalizado uma oferta que ele não podia recusar. Opa!!! Surpresa… Abu Mazen não chegou a recusar, ele simplesmente deixou o ímpeto israelense esmoecer com a sua reiterada desculpas para não comparecer ao seguimento das conversações… Nada de acordo…

      5 – No verão de 2009, Netanyahu, faz o seu discurso de Bar-Ilan, reconhecendo o direito dos palestinos a um Estado (solução de dois estados) indica que fará e o congelamento dos assentamentos. Opa!!! Surpresa… Sem piscar os olhos, Abbas recusou-se a a sentar para conversar sobre paz com um líder israelense de direita.

      6 – E nós João? Nós abrimos nossos olhos? Claro que não. Mais uma vez, a esquerda culpou Netanyahu e o Likud, e acreditava que em 2014, Abu Mazen não se atreveria a dizer não para John Kerry. Opa!!! Surpresa… De forma muito sofisticada e educada, Abbas disse “não”, tanto para Kerry e Barack Obama. Mais uma vez, a posição do presidente da Autoridade Palestina é clara e consistente: Os palestinos não devem ser obrigados a fazer concessões. Abbas tem uma estratégia digna de gargalhada: pressionar mais e mais os israelenses para a realização de concessões, sem que os palestinos possam conceder em um único compromisso.

      Bem João… Vinte anos de negociações infrutíferas nos levaram a “nada”. Não há nenhum documento (e eu desafio você a nos mostrar) que contenha qualquer concessão real palestina com assinatura de Abbas. Nenhum. Nunca houve e (na minha opinião) com o Abbas nunca haverá.

      Em todos estes anos, eu me casei, tive um filho, mudei de emprego, etc… O tempo passa e as experiências que acumulamos nos ensinam muita coisa. Fico triste (e com um pouco de pena) daqueles que em todos estes anos não aprenderam rigorosamente nada.

      Eles ainda se permitem que Abbas façam eles fazer papel de bobo em público. E os “bobos” João, jamais ganharão da sociedade um mandato para governar o país.

    • Mario Silvio

      25/12/2014 at 15:41

      No mundo inteiro tudo que acontece de ruim para as esquerdas a culpa é dos EUA e de Israel. É muito triste perceber que as israelenses pensam da mesma forma.

  • Mario Silvio

    24/12/2014 at 16:38

    Segundo alguns o Abbas não tem culpa de nada que o hamas faz. O hamas quando convêm elogia seus “guerreiros” pelos atos terroristas que cometem, quando não convêm diz que foi ação de um grupo desconhecido. Faz muitos anos que eu venho dizendo que Israel deveria “desoficializar” a Brigada Golani e o Sayeret Matka e simplesmente lavar as mãos para tudo o que eles fizerem, dizer que não pode fazer nada.

    “Chega a ser cômico comparar as posturas dos dois lados.” Verdade, o Abbas vivia exigindo o congelamento dos assentamentos, Netanyahu aceitou, por 10 meses e ele enrolou 9 para depois pedir uma extensão. ” Mesmo supondo que Abbas não deseja realmente a paz, isto não passa de uma suposição. ” Sim, baseada firmemente em tudo o que ele diz, faz, e principalmente, NÃO faz. .

Você é humano? *