Retrospectiva 2015

23/12/2015 | Eleições

Chegamos ao fim de 2015. Se você não pôde acompanhar tudo o que aconteceu em Israel , apresento a seguir um resumo dos principais eventos do ano. Para mais detalhes sobre cada evento, clique nos links destacados.

Pré-eleições

O início do ano foi marcado pelo período pré-eleições. Os partidos políticos inovaram em suas propagandas, especialmente via internet. Algumas das campanhas apresentaram propagandas bizarras, mostrando um lado sarcástico, e muitas vezes sádico dos partidos políticos israelenses. Para rever nosso especial sobre as eleições, clique aqui.

Novo Governo, Velhas desilusões

O vigésimo parlamento de Israel foi eleito no dia 17 de Março.  A esperança de um novo governo liderado pela centro-esqueda fracassou. O resultado manteve o status quo –  Netanyahu venceu outra vez e o novo governo não alterou sua composição de forma significativa.

Os poucos pontos de mudança ficaram por conta  da redução da coalizão para apenas 61 deputados (maioria mínima), e pela necessidade do partido vencedor, o Likud, ter que ceder muito para conseguir a atual coalizão, ao final de um longo e desgastante processo de negociações. Veja abaixo a comparação entre a composição das duas coalizões formadas em 2013 e 2015:

Coalizão Partidária em 2013 e 2015. * Likud e Israel Nossa Casa concorreram em uma lista única em 2013
Coalizão Partidária em 2013 e 2015. * Likud e Israel Nossa Casa concorreram em uma lista única em 2013

O que esperar do novo governo? Continuidade? Mudanças? O primeiro ano parece não ter apresentado um rumo muito diferente  em questões  políticas e socieconômicas.

Conflito: um ano para ser esquecido

Se o leitor reler a Retrospectiva 2014, ele verá que o título desta categoria continua o mesmo. O ano começou ainda sob os efeitos da Operação Margem de Proteção e de suas consequências. O setor esquerdista de oposição a operação defendeu a visão de que a ofensiva não era justificada ou pelo menos, não da forma como foi realizada. Outros apresentaram uma visão diferente: em um conflito assimétrico em proporções, tanto bélicas quanto morais, Israel não poderia ter agido de outra forma.

Foi apresentado um relatório contendo os crimes de guerra do Hamas contra… os próprios palestinos.

Uma nova onda de terror tomou conta de Israel, a partir do meio do ano. Até meados de Outubro, ela já havia causado a morte de 7 israelenses, além de ter deixado outros mais de 92 feridos.

Por meio de ataques a facadas e atropelamentos, terroristas palestinos geraram pânico em diversas cidades israelenses, desde a pacata Raanana, que sofreu uma série de ataques, até Tel Aviv, Jerusalém, Afula e os territórios da Cisjordania, deixando uma sensação de medo e de ruas vazias.

O que está por trás destes ataques? O que o terrorismo palestino quer? Perguntas que, infelizmente, nem sempre apresentam uma simples resposta.

O atual governo trabalha em uma base de administração do conflito, e não apresenta uma proposta para a sua resolução. Se é que de fato existe alguma solução em curto prazo – isto parece uma realidade cada vez mais distante.

Personagens de 2015 - Voce saberia dizer quem é quem? Respostas no final do texto
Alguns personagens de 2015 – Voce saberia dizer quem é quem? Respostas no final do texto

Economia

Muita expectativa foi criada em torno da nomeação do novo ministro da fazenda, Moshe Kahlon. Ele prometeu dar um fim ao monopólio dos bancos, combater o “tratado” monopolista do gás natural e diminuir o preço dos apartamentos.

Até agora nada mudou. A resposta já começa a ser vista em forma de insatisfação popular: se novas eleições fossem realizadas hoje, o partido de Kahlon (Kulanu) perderia cinco das 10 cadeiras obtidas nas últimas eleições, de acordo com uma pesquisa divulgada esta semana.

Tradução: "Kahlon para Ministro da Fazenda, uma vitória para mim." Até agora, pouco foi feito.
Tradução: “Kahlon para Ministro da Fazenda, uma vitória para mim.” Até agora, pouco foi feito.

Os índices macroeconômico seguem estáveis. A expectativa é que a inflação fique abaixo de 1% ao ano, o crescimento econômico gire em torno de 2.5% e a  taxa de desemprego fique abaixo de 6%.

O shekel também manteve-se estável frente ao dólar, estacionado em torno de 3.80 shekels por dólar durante a maior parte do ano. A desvalorização do Real fez com que a psicológica marca de conversão: R$1 = 2₪, usada por imigrantes e turistas brasileiros durante um longo período se desatualizasse. Hoje em dia, faz mais sentido igualar as moedas: Shekel e Real tem praticamente o mesmo valor.

Eixo y = Real/Shekel Em apenas oito meses, o Real:Shekel passou de 1:2 para 1:1
Eixo y = Real/Shekel
Em apenas oito meses, o Real:Shekel passou de 1:2 para 1:1

Esporte

A seleção israelense de futebol decepcionou novamente o público ao ser eliminada das eliminatórias da Euro-2016. Em um grupo relativamente fácil, Israel tropeçou, e não foi capaz de superar Bélgica, País de Gales e Bósnia, ficando novamente de fora da competição.

O Maccabi Tel Aviv, atual campeão israelense de futebol, conseguiu uma classificação heróica para a Liga dos Campeões no inicio do ano. Infelizmente, não teve boa sorte na fase de grupos, e saiu da competição sem pontuar, com apenas um gol marcado, num grupo com os tradicionais Chelsea, Porto e Dinamo de Kiev.

Equipe do Macabi Tel Aviv - Mais jogadores chamados "Tal Ben Haim"(2) do que gols na Liga dos Campeões(1) de 2015.
Equipe do Macabi Tel Aviv – Mais jogadores chamados “Tal Ben Haim”(2) do que gols na Liga dos Campeões(1) de 2015.

O mesmo Maccabi Tel Aviv teve um péssimo ano no basquete. Além de ter perdido o título israelense, a equipe não conseguiu chegar no top 16 da Liga Européia, pela primeira vez em sua história.

Nos demais esportes, destaque para o judô, ginástica e vela. Potenciais esperanças de medalhas estarão representando Israel nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Cultura e BDS

Eliad foi o autor da música do ano com a canção reggae-pop “Doce como Marley”, repleta de jogos de palavras com nomes de cantores e bandas famosas israelenses.

Vale notar que a eleição de melhor música israelense do ano, realizada pela principal rádio do país, a Galgalatz, é feita em Rosh Hashana (início do ano judaico). Dessa forma, a eleição considerou músicas executadas no intervalo entre Set 2014-Set-2015. No fim do ano, a mesma rádio faz uma eleição da melhor música internacional, esta sim de acordo com o calendário gregoriano

O filme israelense de 2015, de acordo com o Premio Ofir, foi “Pai John”, que conta a história de uma família de origem iraniana, em que o filho se rebela contra o pai por não querer seguir o caminho proposto por ele.

O seriado “False Flag” despontou como o grande seriado israelense do ano. Vale mencionar também o polêmico “Bandeja de Prata“.

A ascensão do BDS (Boicote, Desinvestimento, Sanções) contra Israel ganhou proporções e atenção da mídia, entre outros motivos, por conta de um intercambio de cartas entre Roger Waters (ex-Pink Floyd) e Caetano Veloso, que gerou reações ao redor do mundo.

Caetano Veloso e Gilberto Gil estiveram por aqui e encontraram Shimon Peres.

Caetano Veloso, Shimon Peres e Gilberto Gil em coletiva de imprensa no Centro Peres para a Paz
Caetano Veloso, Shimon Peres e Gilberto Gil em coletiva de imprensa no Centro Peres para a Paz

Fizeram um show muito aclamado por um público que ficou em parte contrariado com alguns  dos comentários feitos por Caetano ao retornar ao Brasil.

Por fim

Esperamos que o próximo ano venha acompanhado de boas notícias, menos violência e mais prosperidade. Que venha 2016!

Personagens do ano:

(1) Caetano Veloso – Músico brasileiro que visitou Israel em 2015, (2) Nahum Sirotsky Z”L – Jornalista que veio a falecer em 2015, (3) Roger Waters – Músico ex-Pink Floyd, apóia o movimento BDS, (4) Benjamin Netanyahu – Primeiro-ministro reeleito, (5) Karnit Flug – presidente do Banco Central israelense, (6) Isaac “Bougie” Herzog – Atual líder da oposição ao governo, (7) Eliad – Cantor da música do ano, (8) Moshe Kahlon – Ministro da Fazenda, (9) Eran Zahavi – jogador destaque do Maccabi Tel Aviv, (10) Gadi Eizenkot – Atual chefe maior do exército israelense

 

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