Ruas vazias

12/10/2015 | Conflito

Os últimos dias foram marcados por ataques terroristas contra judeus em Israel e na Cisjordânia. Foi marcado também pelo ataque de um judeu a beduínos. Para alguém que vive em Tel Aviv, o aumento de tensão pode ser sentido no dia a dia. Junto com o fim das festas e a volta às aulas, os ataques fizeram com que as ruas do centro da cidade e o mercado ‘Shuk Hakarmel’ vissem uma diminuição significativa no movimento da sexta-feira passada.

Os ataques terroristas provocam isso na população. Ruas vazias e medo de ser o próximo alvo. O fim do verão trouxe as chuvas e a falta de esperança. Falta eperança ao projeto democrático israelense, e falta esperança aos jovens palestinos que vivem o isolamento. No entanto, as lideranças já não sentam para conversar, a não ser que seja para um cessar fogo.

Em um restaurante, duas francesas recém-chegadas ao país recebem recomendações de não andarem por aí. “É melhor ver uns programas na televisão”, disse o atendente. As redes sociais são outro reflexo do que vem acontecendo. Defensores de Israel, defensores dos palestinos, defensores da paz. Todos tentando explicar, pedindo justiça diante da realidade. Poucos a conhecem. Eu não conheço essa tal realidade.

As coisas aqui andam feias, é estranho que pessoas que vivam tão perto tenham percepções tão desumanizadas do que está do outro lado. Em ambos, lideranças religiosas e políticas incendeiam seus jovens com mentiras sobre a verdade do outro. O Facebook está aí para provar. As pessoas acabam mostrando um pouco de podridão política nessas épocas de guerra.

As ruas ficam vazias, assim como a esperança.

 

Foto de destaque retirada do Jornal The Marker

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Comentários    ( 5 )

5 Responses to “Ruas vazias”

  • Mario S Nusbaum

    12/10/2015 at 17:12

    ” falta esperança aos jovens palestinos que vivem o isolamento.” E ela só existirá quando eles começarem a apedrejar e esfaquear seus líderes. Enquanto continuarem acreditando nas mentiras que lhes contam, nada vai mudar, a não ser que seja para pior.

  • Paulinho

    12/10/2015 at 17:29

    “é estranho que pessoas que vivam tão perto tenham percepções tão desumanizadas do que está do outro lado.” (Gruberger, Jonja)

    Me interrogo sobre isso também. Como a distância do eu para o outro pode ser infinita. Dependerá sempre da capacidade empática da pessoa. Ver e conhecer nunca é suficiente.

  • Jeannete Treiger

    12/10/2015 at 19:26

    David, sobrinho querido ; impressionante sua clareza diante da situação ! Bem isso….tá puxado, né?

  • Marcelo Starec

    13/10/2015 at 04:49

    Oi David,

    Sim é verdade que nos falta esperança…Não é sem motivo, infelizmente. Faz muito tempo e eu diria, desde o início do Estado de Israel, a 67 anos, até a presente data, que houve inúmeras tentativas e projetos de paz, por parte de Israel…Nesse mesmo período, infelizmente, não houve do lado da liderança palestina a efetiva tentativa de construir a paz – e vou ser claro aqui – de nenhum líder palestino!…Tanto do Hamas, quanto do Arafat e agora vemos de forma clara, também do Abbas!!!…Enquanto essas lideranças continuarem a apostar no terror e na violência contra judeus, no programa “bolsa terrorismo” – que remunera muito bem aos palestinos e suas famílias quando matam civis, inclusive criancinhas, em Israel e usam a gorda ajuda humanitária para esse fim e outros como o simples enriquecimento pessoal e muito pouco sobra para o seu próprio povo,,,Enquanto reinar esse tipo de liderança, nada vão construir, nada vai mudar…Aqui não se trata de defender Israel, mas de defender o próprio povo palestino de suas lideranças – Que um dia surja entre os palestinos lideres dispostos a construir um “Estado viável, lado a lado com Israel”…No dia que isso ocorrer, eu não tenho dúvida, chegaremos à paz!!!…..

    Abraço,

    Marcelo.

    • Mario S Nusbaum

      13/10/2015 at 19:57

      De um palestino:

      We Palestinians have failed to educate our people on the principles of tolerance and peace. Instead, we condone and applaud terrorism, especially when it is directed against Jews. We want the world to condemn terrorism only when it claims the lives of Palestinians.

      Abbas’s ambiguous, half-hearted condemnations of attacks by Palestinians against Israelis are only intended for public consumption and are primarily aimed at appeasing Western donors so that they will continue channeling funds to the Palestinian Authority. In addition, his condemnations seek to blame Israel for Palestinian terror attacks.

      Netanyahu’s strong and clear condemnation left me and other Palestinians wondering when was the last time we heard similar statements from our leaders. I cannot remember Abbas or any other Palestinian leader ever expressing shock and outrage over the killing of a Jew in a Palestinian terror attack, nor the last time a Palestinian official visited the Israeli victims of a Palestinian terror attack.

      Each time Abbas reluctantly condemns a Palestinian terror attack, he faces a wave of criticism from many Palestinians. Unlike the Israeli public, many Palestinians often rush to justify, and even welcome, terror attacks against Jews. Has there ever been a Palestinian activist who dared to hold a rally in a Palestinian city to condemn suicide bombings or the murder of an entire Jewish family? The Israeli president has good reason to feel ashamed for the murder of the baby. But when will we Palestinians ever have a sense of shame over the way we react to the murder of Jews?

Você é humano? *