A saia é curta? A paciência também.

 

Domingo (11/12), uma auxiliar da parlamentar Meirav Michaeli foi até a Knesset para trabalhar. Foi barrada na entrada porque, segundo os guardas, seu vestido era muito curto e não seguia os códigos de vestimenta do prédio do parlamento. Ela foi impedida de entrar por mais de uma hora, sendo analisada por nada menos que cinco diferentes guardas, até a sua chefe intervir.

(Eu ia digressionar, imaginando aqui um suposto diálogo entre os guardinhas, enquanto tentavam decidir se a saia era ou não imodesta. Poupo a quem leia e deixo como pensamento de chuveiro, para quem precisar de um tema para tal.)

Era auxiliar bem de quem? Da Meirav Michaeli, que é famosa por comer chauvinistas no café da manhã. Sem sal.

No dia seguinte (dia 12), foi outra funcionária. Não só foi barrada (e analisada pelos nossos acidentais fashionistas) como foi sugerido a ela que botasse calças que, convenientemente, estavam à disposição de quem precisasse. Ela recusou. Depois de 40 minutos de empate, teve que voltar para casa para se trocar. Ganhou de brinde, ainda, um telefonema do chefe administrativo do prédio, pedindo para não criar caso de novo.

Ontem, já foram mais duas outras.

Quem lê isso fica pensando: deviam estar com uma mini-saia escandalosa, essas depravadas! Ou então: tá, é certo! Há um código de vestimenta, e isso daqui não é senado do Brasil, para virar bagunça. Lei está aí para isso mesmo!

Mas eis que as moças estavam vestidas exatamente como sempre se vestiram. Mais: estavam vestidas como costumam vestir-se as mulheres que trabalham em serviços administrativos equivalentes ao redor do país. A parte mais curiosa: não há qualquer regra escrita no código de vestimenta que faça menção ao tamanho da saia de ninguém. O que se passou, desculparam-se os responsáveis pela administração do edifício, foi que as regras foram reforçadas aos seguranças e a análise das vestimentas foi deixada ao encargo do guardinha da entrada. (Não ficou claro se foram providos de fitas métricas ou tiveram que fazer suas medições no olho mesmo).

As duas auxiliares de parlamentares e seus respectivos vestidos.


Uma rápida averiguação confirmou minha suspeita: era um diretor novo, querendo mostrar serviço.

Se você, como eu, sabe como funciona esse país daqui, já deve ter chegado à conclusão: não vão deixar a coisa por isso aí mesmo.

E não deixaram: hoje o bacanérrimo (por este ato e tantos outros) economista, doutor e parlamentar Manuel Trajtenberg resolveu entrar no prédio da Knesset só de blusa regata.

Foi no meio de um protesto realizado de manhã, na entrada da knesset, por uma lista peso-pesada de parlamentares. Reclamavam que as funcionárias da knesset estavam sendo humilhadas e retidas na entrada por tempo desnecessário.

Depois de chegar a acordo algum, a nova diretoria do prédio da Knesset, e depois de ver o barraco que a decisão paleocênica causou na mídia, decidiu marcar nova reunião para tentar resolver o problema.

Links para ler mais: http://www.haaretz.com/israel-news/.premium-1.758931
http://www.haaretz.com/opinion/1.758648

Mais fotos: http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-4892879,00.html

 

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