Se quiserdes, seremos macartistas

03/02/2016 | Política; Sociedade

Se quiserdes não será uma lenda

Esta frase foi escrita por Theodor Herzl, o pai do Sionismo Político, em seu livro Altneuland (Velha Nova Terra), seu romance sobre o futuro Estado judeu. Escrita em 1902, como uma espécie de autoterapia para combater o pessimismo resultante da falta de apoio ao movimento sionista em seu momento, Herzl mandou um recado aos judeus que não apoiavam o movimento sionista: somente se quisermos, esta ideia absurda se transformará no nosso Estado. A oração é um dos lemas do sionismo até os dias de hoje. Sua primeira parte, a condicionante, dá nome a um dos grupos que parece crer-se os donos do monopólio do sionismo: “Im Tirtzu” (“se quiserdes”, em português formal). Fosse este o problema, não mereceria estas páginas. Há diversos grupos e indivíduos que se autointitulam tacitamente os detentores do monopólio do sionismo. A diferença entre estes e o Im Tirtzu são as suas práticas. O Im Tirtzu tem como prática recriminar aos que não compactuam com o que eles consideram sionismo, seja por meio de pressão social, ou por ações na Justiça. Em outras palavras, nos referimos ao maior grupo macartista de Israel.

Im Tirtzu (logo)
Im Tirtzu (logo)

O macartismo foi uma das práticas mais perversas dentro da sociedade norte-americana na época da Guerra Fria, resultando em inúmeras vítimas do preconceito e de falsas acusações. A patrulha ideológica incitada pelo senador republicano Joseph McCarthy, com o objetivo de eliminar o inimigo comunista enraizado (ou infiltrado) dentro da sociedade norte-americana, afetou as vidas de milhares de cidadãos nos EUA, acarretando demissões de trabalhadores, suprimindo direitos civis e políticos (como a liberdade de expressão e de manifestação política) e culminando até mesmo em atos de violência física. Diversas empresas, agências e organizações tiveram suas portas fechadas, e carreiras foram liquidadas por este desprezível movimento. Tido como algo negativo nos dias de hoje, era de se imaginar que iniciativas como as de McCarthy fossem abominadas pela sociedade de uma forma geral. Em Israel, no entanto, parece haver um esforço para balancear o progresso social e tecnológico com as práticas mais arcaicas e condenáveis possíveis, por parte de determinados grupos sociais. O Im Tirtzu é um deles. Não o único, mas provavelmente o principal. O grupo ressuscita o macartismo, com o mesmo objetivo de eliminar o inimigo enraizado (ou infiltrado) na sociedade israelense. O nacionalismo serve de pretexto para a mesma prática. Troca-se o “comunista” pelo “defensor dos palestinos” e pronto: temos uma caça às bruxas à moda dos anos 1950.

Entristece-me escrever estas linhas, mas trata-se da realidade no país e, para combatê-la, temos que reconhecer sua existência. O discurso patriótico e anti-palestino (travestido de forma racista de anti-terrorismo) incrimina ativistas de direitos humanos, movimentos sociais, políticos e militantes de partidos de centro e de esquerda e até mesmo o direitista histórico Reuven Rivlin (Likud), presidente de Israel. O simples fato de ter aceitado discursar no mesmo evento que o grupo “Quebrando o Silêncio” (Breaking the Silence – Shovrim Shtika) em um evento, transformou Rivlin em “traidor”, alvo de incitações de grupos da direita radical, não muito distintos dos que sofreu Yitzhak Rabin antes de ser assassinado. A perseguição política em Israel, portanto, não é um fenômeno novo.

As práticas do Im Tirtzu, entretanto, são novas. É o start up do macartismo. Antes de tudo, é impressionante a blindagem do movimento: como já mostrou o diário Haaretz em uma reportagem da jornalista Talia Sasson, o Im Tirtzu tem como modus operandi processos judiciais contra seus críticos, a fim de intimidá-los, para que pensem duas vezes antes de manifestarem-se. Mesmo perdendo a grande maioria das ações na Justiça, de acordo com a reportagem, não deixa de processar seus opositores. Um dos casos mais conhecidos foi o processo contra uma página criada no Facebook chamada “Im Tirtzu é uma organização fascista”. Toda este aparelho serve para que o grupo aja livremente no espaço para o qual foi criado: realizar a patrulha dentro do meio acadêmico.

Dizendo-se defensor da construção de uma sociedade mais sionista, o Im Tirtzu, o empreendimento do movimento vai desde o financiamento de teses e dissertações acadêmicas que defendam o sionismo (ao menos o que o Im Tirtzu pensa ser sionismo), critiquem o movimento nacional palestino (ou qualquer que deseje justificá-lo), combata teses de determinados acadêmicos considerados adversários, chegando até à perseguição de vozes (ditas) antissionistas no meio acadêmico. Rapidamente o grupo tornou-se conhecido por patrulhar professores universitários e até mesmo alunos. Promove vídeos com informações pela metade, acusando alunos de supostos crimes (que na verdade não passam de manifestações políticas), atacam e denunciam professores por campanha antissionista (leia-se: críticos à política de ocupação), e realizam cerimônias em todas as universidades, nas quais ironizam estudantes e professores esquerdistas. Aparentemente inofensivos pela infantilidade das ações que cometem, quase alcançaram um enorme êxito: suas denúncias quase fecharam o departamento de Política de Estado (ramificação de Ciências Políticas) da Universidade Ben-Gurion, em Beer-Sheva.

A caça às bruxas foi superdimensionada nos últimos tempos, chegando ao seu auge nos últimos dois meses, sempre motivada pela onda de terror palestino (é impressionante como os grupos de extrema direita se beneficiam do terror). Sem deixar de lado a academia, grupo dividiu forças dando atenção aos movimentos de direitos humanos, constantemente considerados como traidores (mesmo que o termo tenha sido menos utilizado nos últimos tempos). Na sua página na internet há um relatório sobre todos os movimentos de defesa de direitos humanos que devem ser combatidos, na categoria “infiltrados” (שתולים) (Veja aqui)Curiosamente esta opção na página principal há apenas na versão em hebraico do site. Em inglês há outra, que não se encontra na versão hebraica, chamada “combatendo o BDS”[ref]Destes, o principal inimigo passou a ser o polêmico movimento “Quebrando o Silêncio”, formado por ex-soldados que dão testemunha sobre os excessos (e ocasionalmente crimes) que foram induzidos a cometerem durante o serviço militar[/ref]). O combate a estes grupos atingiu seu ápice na campanha pela aprovação da “Lei dos Infiltrados”[ref](חוק השתולים) Lei que tem como objetivo coibir as doações de governos estrangeiros a organizações israelenses, igualando os membros destas organizações a lobistas estrangeiros, mesmo que tais grupos sejam israelenses.[/ref], quando o movimento lançou um abaixo assinado contra seus principais inimigos: os que defendem os direitos dos palestinos de dentro da sociedade israelense e recebem doações estrangeiras. A fim de transformá-los em espiões infiltrados, a lei é apoiada abertamente pelo Im Tirtzu por meio de um vídeo no Youtube (veja abaixo), no qual estes ativistas são descritos como cúmplices do terror palestino.

(Para ativar a legenda em português, clique em CC no canto direito na parte de baixo do vídeo)

O vídeo claramente criminaliza e incita a violência contra estas pessoas, e foi parar na Justiça. Entretanto (ou “de maneira irônica”), a Suprema Corte israelense, sempre tão criticada por setores da extrema direita no país, o liberou considerando-o inofensivo. O grupo Quebrando o Silêncio, então, utilizou as mesmas armas para responder ao Im Tirtzu, lançando outro vídeo (veja abaixo), travando uma batalha no Youtube (algo que parece ser cada vez mais comum nos dias de hoje). Este episódio ocorreu em meados de dezembro de 2015.

(Para ativar a legenda em português, clique em CC no canto direito na parte de baixo do vídeo)

A resposta do Quebrando o Silêncio, por mais dura que tenha sido, não intimidou o Im Tirtzu. Semanas depois o movimento divulgou um cartaz com o título “Infiltrados na Cultura” (foto abaixo), na qual os alvos eram artistas, celebridades da televisão e outros intelectuais, como os escritores Amos Oz e David Grossman. Este parece ter sido (ainda que de tardiamente) a linha vermelha: inúmeros políticos manifestaram-se contra a campanha do Im Tirtzu, como o líder da oposição Isaac Herzog, que chamou o grupo de macartista (como não poderia deixar de ser), e suas números dois e três, Tzipi Livni e Sheli Yechimovitch (União Sionista), assim como Yair Lapid (Yesh Atid) além, logicamente, de toda a bancada do Meretz. O parlamentar Issawi Frej, inclusive, representou contra o movimento na Knesset, pedindo que o grupo fosse tornado ilegal.

As boas surpresas foram as manifestações dos ministros da Educação, Naftali Bennet, e da Justiça, Ayelet Shaked (ambos do partido nacionalista-religioso A Casa Judaica), que igualmente criticaram o grupo, embora não tão acintosamente. Bennet considerou a campanha “embaraçosa e desnecessária”, enquanto Shaked disse que “não se deve desqualificar artistas por serem de esquerda”. Três dias após a divulgação da campanha, no entanto, apenas um parlamentar do Likud havia se manifestado: Beni Begin, filho do ex-primeiro ministro Menachem Begin. Ele foi duro e classificou esta caça às bruxas como fascismo. Até que, finalmente, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu decidiu, após muita cobrança da oposição, manifestar-se. Criticou o Im Tirtzu por ser contrário à classificação “traidor” aos que discordam dele, mas não perdeu a oportunidade de culpar o Quebrando o Silêncio por difamar o país no exterior. Como quase sempre, Netanyahu é irresponsável com os incitadores da direita, e divide a culpa entre os dois lados para não desagradar a parte mais radical de sua bancada. Rivlin e Begin claramente agiriam de forma distinta. Corrigindo: estão agindo de forma distinta.

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“Infiltrados na Cultura – Drama varrido sobre um grupo de artistas que apoiam oganizações de infiltrados”

A tradição judaica diz que catástrofes acontecem quando parte do povo judeu espalha ódio gratuito entre si. A história do século XX nos ensina que o fascismo e o macartismo destroem a democracia, corrompem a sociedade, e podem causar inúmeros assassinatos. O Im Tirtzu parece ser o propagador moderno do ódio gratuito, do novo macartismo, e, possivelmente, o principal progenitor de um neofascismo israelense. Este movimento precisa ser recriminado, se não criminalizado. A sociedade israelense já foi vítima de algumas campanhas de incitação e caça às bruxas, como foi o próprio movimento que levou ao assassinato de Rabin. A democracia israelense balança, e o primeiro-ministro parece estar gostando disso. Ainda temos vozes dispostas a condenar esta caça às bruxas. Que estas vozes cheguem à Justiça, à Knesset e à porta do Im Tirtzu. E que não permitamos que esta triste história seja importada dos anos 1950 dos EUA aos dias de hoje em Israel.


Fontes:

http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-4759062,00.html

http://www.haaretz.co.il/news/politi/1.2833323

http://www.globalresearch.ca/mccarthyism-in-israel-incitement-against-israeli-human-rights-organizations-just-got-a-lot-scarier/5496406

http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/the-new-mccarthyism-sweeping-israel-1898156.html

http://www.haaretz.com/israel-news/israel-is-sliding-toward-mccarthyism-and-racism-1.266782

http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-3439778,00.html

http://nomistake.co.il/%D7%9E%D7%A7%D7%90%D7%A8%D7%AA%D7%99%D7%96%D7%9D-%D7%AA%D7%95%D7%A6%D7%A8%D7%AA-%D7%9B%D7%97%D7%95%D7%9C-%D7%9C%D7%91%D7%9F/

http://www.haaretz.co.il/opinions/editorial-articles/.premium-1.2823340

http://www.haaretz.co.il/opinions/.premium-1.2398075

http://www.haaretz.co.il/opinions/.premium-1.2687135

Comentários    ( 14 )

14 comentários para “Se quiserdes, seremos macartistas”

  • Mario S Nusbaum

    03/02/2016 at 03:15

    João, não terminei de ler seu artigo, amanhã eu leio, mas quero adiantar que o Breaking The Silence seria processado em muitos países do mundo. Estou falando em democracias, nos outros já teria sido fechado há muito tempo.
    Acabo de conhecer o Im Tirtzu, por isso, claro, não posso opinar, mas gostaria de saber sua opinião: o que você consideraria traição num país em guerra? Não vê problema nenhum em uma organização ser financiada por estrangeiros para defender interesses contrários ao do país?

    • João K. Miragaya

      03/02/2016 at 16:39

      Mario, em um país democrático os interesses do país são discutíveis. Além do mais, defender direitos humanos são interesses do país. Diversos juizes da Suprema Corte, o presidente Rivlin e o ex-chefe do Shin Bet já deram depoimentos defendendo a atuação do Quebrando o Silêncio como “democrática” e “sionista”. Procure-as.

    • Mario S Nusbaum

      04/02/2016 at 15:49

      João,
      Pesquisei um pouco o assunto e obviamente o Im Tirtzu é radical e apela muito. Isto dito, não me considero em condições de dizer quem é quem nessa briga, quem recebe ou deixa de receber dinheiro de fulano ou beltrano.
      Mesmo no Brasil onde eu vivo, leio um jornal por dia e assisto vários noticiários, desisti de acompanhar esse tipo de briga. X diz que Y mente e vice-versa, e os dois “provam” o que dizem.

      Passo a discutir sua resposta.
      Em QUALQUER país os interesses do país são discutíveis, só que nas ditaduras não se pode discutir o assunto. Alguém determina quais são é pronto.

      “defender direitos humanos são interesses do país”
      Com toda certeza, DESDE QUE se refiram a seus cidadãos. Aposto o que for que em nenhuma das milhares de guerras da História os inimigos foram tratados como os cidadãos das maiores democracias do mundo tratam seus cidadãos.
      É muito cômodo raciocinar em termos utópicos, mas não traz nenhum resultado prático.
      A primeira obrigação das Forças Armadas é garantir a segurança do país e seus habitantes, aliás esta é a única razão de existirem.

      Isso não quer dizer, claro, que em uma guerra devam torturar e assassinar todos os inimigos.
      Mas quer dizer sim que se for necessário para preservar a vida dos que elas representam, a opção é clara.

      No mundo real, é IMPOSSÍVEL ter um exército de robôs santos. Explico: achar que milhares de jovens, praticamente adolescentes, sob risco de vida constante, vão agir rigorosamente segundo regras decretadas por burocratas hipócritas é loucura.

      Se o BTS se limitasse a relatar casos extremos, de tortura e assassinatos gratuitos, eu os respeitaria, mas quando “denunciam” que um bando de garotos defecou na casa de um
      palestino, eu os desprezo.

      Não lembro se você é um dos físicos do grupo, mas fico imaginando uma equipe de cientistas divulgando uma grande descoberta e um dos seus membros “denunciando” que um colega “roubou” um clips de outro departamento durante a pesquisa.

  • Uri

    03/02/2016 at 15:49

    Apenas faltou dizer que o Im Tirtzu reconheceu o erro da campanha.

    http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-4759455,00.html

    • João K. Miragaya

      03/02/2016 at 16:53

      Curioso você citar isso, Uri. O reconhecimento ao “erro”, citado na reportagem do Ynet, na verdade é só por um erro de conceituação em uma postagem. Na postagem editada, apesar do reconhecimento ao erro, atribuem a culpa aos que interpretaram mal o que disseram, ou seja, não assumem nenhum erro. A postagem seguinte do grupo no Facebook foi justamente explicando como a mídia (como o Ynet) entendeu errado (com o verbo “entender” entre aspas) seu reconhecimento ao erro. Leia abaixo a tradução da postagem:

      “A todos os meios de comunicação que ‘não entenderam’ a nossa mensagem: nos referimos a um erro no post que publicamos há dois dias, e obviamente não à campanha dos infiltrados que expõe quem prejudica os soldados do exército. Nisso estamos orgulhosos e prosseguiremos. Shabat Shalom.”

  • Raul Gottlieb

    03/02/2016 at 19:04

    Amém João.

    Que estas vozes prevaleçam.

    E que a Zahava Gal’on saiba que o inimigo de seu inimigo não é necessariamente seu amigo. Que o inimigo de seu inimigo pode ser seu inimigo também.

    Não vou digerir com facilidade o discurso dela ao comentar a declaração do Abbas na ONU de que Israel pratica genocídio, quando ela disse que o discurso do Abbas mostrava a inabilidade política do Bibi.

    O Bibi é ruim, mas isto não faz o Abbas nem um milímetro melhor.

    Temos muita coisa para rezar, nós dois!

  • Henrique Samet

    04/02/2016 at 01:02

    Luz no fim do tunel.
    Eu tentei colar uma propaganda que pede para imaginar Israel sem a lista dos perseguidos pelo Im Tirtzu,os mais afamados e conceituados artistas de Israel, e no fim pergunta para imaginar Israel sem o Im Tirtzu.
    Por falar em financiados por estrangeiros devemos nos lembrar do dono de cassino nos Estados Unidos que financiao Netaniahu, das organizações religiosas do exterior que financiam movimentos dos assentados e compra de casas em Jerusalém Oriental.
    Será que ficamos estúpidos em uma década?
    Para quem não sabe entra uma nota preta em Israel de judeus ricos no exterior para financiar os partidos de direita , principalmente nas campanhas eleitorais. Ë notório.
    Tem gente que, mesmo sem notar, confunde interesses do páis com os interesses dos governante presentes e se presta ao triste papel de auxiliar de cagoete.
    O que é difamar um pais? Denunciar suas mazelas é crime? Mostrar uma realidade que não é a da trágica hasbará é traição? Quem está mentindo nas versões? Qual é o segredo de estado ou da segurança que foi violado?
    O código da Força Aérea de Israel foi quebrado, dos aviões e drones, etc e os extremistas inconscientes estão preocupados com o Quebrando o Silêncio.
    Além da natural aversão a este tipo de patriotismo covarde, dá pena ver em progressão uma lavagem cerebral que julgavamos inviável em solo israelense . Em vez de enfrentar problemas como eles são na raiz dos fatos, ficam procurando culpados em Israel e no resto do mundo…

  • Raul Gottlieb

    05/02/2016 at 08:59

    Esta questão levantada pelo Henrique sobre o financiamento político feito por judeus do exterior me parece ser uma vertente a ser explorada, independente do assunto tratado neste artigo.

    O quão válido é este financiamento?

    Ou seja, qual o limite do interesse dos judeus da Dispersão em Israel?

    Patrocinar universidades, hospitais, reflorestamento, etc. etc. (e bota etc. nisso, a lista é imensa) pode, mas patrocinar visões políticas não pode?

    Dá uma excelente discussão. Porque o limite é muito difícil de ser traçado, ele se insere na definição de povo judeu. No definição do somos, do que nos une.

    • Mario S Nusbaum

      05/02/2016 at 23:21

      Não sei se o limite é tão difícil assim de ser traçado Raul. Podemos discutir até a eternidade a definição de povo judeu, do que somos e do que nos une e não vamos chegar a uma conclusão, mas uma coisa é objetiva e clara: o direito de retorno existe, tem suas regras e elas fazem parte da legislação israelense.
      Mesmo assim dá para questionar a validade ou não do patrocínio de visões políticas, mas não dá para comparar com o financiamento por parte de países e organizações estrangeiras a grupos que sabotam o país.
      Este artigo do The Telegraph desnuda o BTS, preste atenção no título:

      http://blogs.telegraph.co.uk/news/jakewallissimons/100248886/why-are-european-powers-and-oxfam-funding-a-radical-israeli-group/

      Destaco alguns trechos: ” the majority of the testimonies seemed to reflect the roughness of the military rather than any human rights abuse.”

      “But later, the bias of the organisation became clearer. During a break between interviews, I asked Yehuda Shaul, one of the founders of the organisation, how the group is funded. It was with some surprise that I learned that 45 per cent of it is donated by European countries, including Norway and Spain, and the European Union. Other donors include UNICEF, Christian Aid and Oxfam GB. To me this seemed potentially problematic.”

      O mais chocante (mas esperado) “It appeared, therefore, that these former soldiers, some of whom draw salaries from Breaking the Silence, were motivated by financial and political concerns to further a pro-Palestinian agenda. They weren’t merely telling the truth about their experiences. They were under pressure to perform.
      Indeed, I later discovered that there have been many allegations in the past that members of the organisation either fabricated or exaggerated their testimonies.”

      Enfim, leiam o artigo.

  • Mario S Nusbaum

    05/02/2016 at 23:27

    Mais um trecho do artigo que indiquei: “It is debatable whether Breaking the Silence should be criticised for publicly undermining their own military, and showing no impulse to view with leniency the actions of soldiers in extremis (again, think of Marine A). But the fact that their personal testimony is harnessed to a political agenda is INDISPUTABLY problematic.
    The European Union (together with the overwhelming majority of world opinion) believes that the Israeli presence on the West Bank contravenes international law. As such, it is able to put pressure on Israel through various channels; recently, for instance, it imposed a requirement to label all produce made in Israeli settlements as such.
    These measures all have some basis in legitimacy. Funding Breaking the Silence, in my view, does NOT

    Outro artigo, este do Algemeiner: http://www.algemeiner.com/2015/12/25/breaking-the-silence-about-the-new-israel-fund/

    Trecho: ” There are certain opinions, however, that we cannot accept: those rooted in deception, intended to cause harm, yet presented under the guise of legitimate concern. Views that lead to actions which undermine the safety and security of Israel and the Jewish people cannot be welcomed, nor given credence, much less financial support, by those who believe in Israel as a Jewish nation.”

    Óbvio não?

  • Raul Gottlieb

    06/02/2016 at 21:31

    Olá Mario,

    Recomendo que você leia o livro “Catch the Jew!” do Tuvia Tenembom. A última Devarim tem una resenha sobre este livro.

    O livro mostra o financiamento europeu das ONGs que se dizem defensoras dos direitos humanos, mas que na verdade se interessam apenas em fiscalizar as ações dos israelenses.

    O livro vai complementar o texto que você recomenda e é uma leitura espetacular, por ser muito divertida e extremamente informativa.

    Eu fico me perguntando: uma organização não governamental pode ser financiada com dinheiro de governo? E também me pergunto porque esta obsessão em fiscalizar apenas Israel.

    Não que Israel não deva ser fiscalizado. Acho que os Shovrei Shtiká fazem um favor ao Estado ao expor os excessos do exército. Toda sociedade sadia tem que ser fiscalizada, pois é impossível imaginar que 100% dos cidadãos mantenham o comportamento definido pelo Estado para as suas instituições.

    Contudo, fiscalizar apenas um dos lados do conflito conduz forçosamente a conclusões equivocadas. É sempre necessário focar no contexto como um todo para ter o entendimento da situação.

    Então não tenho muitas dúvidas que a obsessão de alguns grupos europeus em fiscalizar as ações dos israelenses sem se importar minimamente com as ações dos palestinos e dos outros players da região é, a meu ver, discriminatório e odioso.

    Mas a questão que eu levantei é outra. Eu sugeri ao pessoal do Conexão um debate sobre a validade de uma pessoa ou empresa da dispersão contribuir financeiramente (ou com um recurso monetarizavel) com um partido político de Israel.

    Em diversos países isto é completamente proibido. Inclusive no Brasil (o que não impediu que o PT recebesse 350 mil dólares de uma empresa holandesa de petróleo sem que o mundo caísse sobre o PT, como aconteceria em países que prezam por suas leis).

    E esta lei faz todo o sentido do mundo.

    Mas isto é válido em Israel? O que a lei de Israel fala sobre isto? Se for proibido como explicar os diversos grupos partidários, compostos por não israelenses, organizados em nossa dispersão? Um judeu que não vive em Israel tem o direito a participar da vida política de Israel?

    Abraço,
    Raul

    • Mario S Nusbuaum

      07/02/2016 at 19:11

      Obrigado pela dica Raul, vou procurar. Concordo com você em tudo:
      – a preocupação desses grupos/governos europeus é com os direitos de ALGUNS humanos
      – fiscalização é bom, desde que imparcial e sem objetivos escusos
      – a discussão sobre o financiamento político é válida, e complexa

      um abraço e boa semana

  • Mario S Nusbaum

    15/02/2016 at 16:43

    Dúvida antiga minha: quem em Israel lê Gideon Levy? Com lê quero dizer acreditar e pensar como ele, porque ler até eu leio de vez em quando.
    Semana passada li um artigo dele sobre um garoto palestino morto por alguém das IDFs e é duro de engolir que um israelense o tenha escrito. Seria revoltante mesmo que ele fosse chines, turco ou boliviano, é o que se esperaria de um palestino radical.

Você é humano? *