Sem solução à vista: entre dois movimentos nacionais

21/10/2015 | Conflito, Opinião.

Texto de Shlomo Avineri, publicado no jornal Haaretz no dia 26/09/2015.
Traduzido ao português por Yair Mau.

Mais de 20 anos após a assinatura dos Acordos de Oslo, devemos perguntar por que eles não resultaram no compromisso histórico que seus líderes esperavam. Devem fazer esta pergunta especialmente aqueles que apoiaram os acordos, e que viram neles, com justiça, o começo de um caminho de reconciliação histórica entre o povo judeu e o povo palestino.

Há mais de um motivo pelo qual não se alcançou o fim do conflito nem um acordo de paz entre Israel e os palestinos: a desconfiança mútua entre os povos, as tensões internas entre os opositores ao acordo de ambos os lados, os embustes de Yasser Arafat, o assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, a vitória da direita nas eleições em Israel, o terror palestino, o prolongamento dos assentamentos, o ruptura entre o Fatah e o Hamas, presidentes americanos que fizeram muito pouco (George W. Bush) ou que fizeram demais e de forma errada (Barack Obama), a debilidade de Mahmoud Abbas (Abu Mazen), os obstáculos que os governos de Netanyahu colocaram no caminho de uma negociação produtiva. Tudo isto é verdade, e cada um escolhe para si os motivos que estão de acordo com sua visão de mundo. Mas, além de todos estes motivos, paira uma diferença fundamental entre os sistemas conceituais através dos quais os dois lados veem o cerne do conflito, uma diferença que a maioria prefere ignorar.

A maioria dos israelenses veem o conflito como uma luta entre dois movimentos nacionais: o movimento nacional judaico, o Sionismo, e o movimento nacional palestino, que é parte do movimento nacional pan-arabista. A lógica interna desta visão em princípio conduz a uma solução de dois países. Mesmo que a direita israelense tenha preferido ignorar isto por anos, no final das contas até mesmo Benjamin Netanyahu adotou esta solução, embora com uma claríssima falta de vontade.

A questão é que os israelenses, que veem o conflito como uma luta entre dois movimentos nacionais, assumem que esta também é a posição do lado palestino; portanto, quando as negociações falham em uma etapa qualquer, eles se focam nos motivos do fracasso e assumem que mais uma concessão ou outra poderão solucionar o problema.

Infelizmente isto é uma ilusão.

O entendimento fundamental dos palestinos, que na maioria das vezes não se expressa nos diálogos com israelenses — e certamente também não com aqueles que peregrinam a Ramallah — é completamente diferente, e em sua essência eles não o escondem: eles não acham que existe aqui um conflito entre dois movimentos nacionais, mas sim um conflito entre um movimento nacional — o palestino — e uma entidade colonialista imperialista — Israel. Segundo eles, o fim de Israel será como o fim de todo movimento colonialista: ela desaparecerá. Além disso, no entendimento palestino, os judeus não são uma nação, mas uma comunidade religiosa, e o direito de autodeterminação dos povos, que é um direito universal, não se aplica a eles.

Por este motivo, segundo o entendimento dos palestinos, toda Israel, não somente os territórios da Cisjordância, é como se fosse a Algéria — uma terra árabe da qual foram expulsos os colonialistas estrangeiros; este é o motivo pelo qual Israel não aparece nos mapas dos livros escolares palestinos. Por este motivo, eles insistem em não renunciar do direito de retorno dos palestinos aos territórios de Israel.

Não um povo

Este também é o motivo da principal insistência formal palestina — desde Abu Mazen até Saeb Erekat — de não reconhecer de forma alguma Israel como Estado da nação judaica. Segundo a posição palestina, Israel é uma entidade ilegítima, cujo destino é desaparecer.

Uma das formas nas quais a diferença entre o entendimento israelense e palestino se faz perceber claramente também é na disparidade da língua diplomática de ambos os lados quando se referem à solução de dois países. A versão israelense fala sobre “uma solução de dois países para dois povos” e às vezes se adiciona “o Estado da nação palestina ao lado do Estado da nação judaica”. Os palestinos falam apenas sobre “uma solução de dois países”, nunca “dois países para dois povos”. Isto é óbvio, se os judeus não são um povo, não há direito de existência de um Estado judaico.

Este também é o verdadeiro motivo pelo qual até hoje não há na população palestina o arrependimento pela recusa da decisão da ONU da partilha da Palestina em 1947. Pelo que eu sei — e ficarei feliz se estiver errado — não há até hoje um diálogo sério dentro da população palestina sobre a recusa do Plano da Partilha: existem incontáveis debates e artigos sobre as derrotas militares dos árabes em 1947-1948, mas até hoje não surgiu um líder ou pensador palestino que diga claramente que a decisão de rejeitar o Plano da Partilha e partir para a guerra foi injustificável no âmbito político e moral.

Até hoje nenhum palestino ousou, seja do campo político ou intelectual, admitir que se os palestinos tivessem aceito o Plano da Partilha, um Estado palestino teria sido fundado em maio de 1948 em parte da Terra de Israel sob mandato britânico, e hoje não seriam refugiados. É mais confortável rejeitar a responsabilidade moral da catástrofe que a liderança palestina trouxe a seu povo.

Isto não é apenas um tema de debate histórico ou narrativa: se a opinião majoritária na população palestina é que Israel não é um Estado legítimo baseado no direito de todo povo de se autodeterminar, mas sim uma criatura imperialista, não há lugar para o fim do conflito por meio de concessões. A maioria dos israelenses cre que o conflito é fundamentalmente territorial, e portanto, um acordo territorial — a volta às fronteiras de 1967, a evacuação dos assentamentos, compromisso sobre Jerusalém — é a chave à solução do conflito. A conduta palestina nas negociações em Camp David nos tempos de Arafat, e mais tarde no contato entre Abbas e Ehud Olmert, prova que trata-se de algo mais profundo.

Quando Abbas afirma que seu movimento não pode abdicar do direito de retorno porque este é um “direito individual” passado a todo refugiado ou seus descendentes, isto prova que mesmo que se acerte o aspecto territorial, o conflito seguirá existindo e sangrando. Este também é o motivo pelo qual Abbas se recusa a seguir os passos do presidente egípcio Anwar Sadat e discursar na Knesset: segundo os palestinos este seria um reconhecimento da soberania e da legitimidade de Israel.

Estou ciente que os moderados de Israel, estes que reconhecem o direito palestino de autodeterminação, que são contra o projeto dos assentamentos, e que acreditam na solução de dois Estados, lhes é difícil aceitar o fato de que os palestinos fundamentalmente negam o direito de existência de Israel. Mas não há como fugir de lidar com isto — não se desesperar e não aceitar o status-quo assumindo que “não há o que se fazer”.

Um conflito multidimensional

Pode-se aprender com conflitos nacionais parecidos de nossos dias, e deve-se lamentar que a maioria dos israelenses estão tão ocupados em debates internos que não dão atenção a algumas das semelhanças. Nos conflitos nacionais no Chipre, em Kosovo, na Bósnia e até mesmo na distante Caxemira, fica evidente a semelhança ao conflito israelense-palestino. Em todos há um elemento territorial — a ocupação turca do norte do Chipre, a noção sérvia de que Kosovo é parte de sua pátria histórica, a dimensão territorial do conflito entre os movimentos nacionais na Bósnia, a ocupação da Índia de partes da Caxemira.

Mas todos estes conflitos não são somente sobre territórios, e sim conflitos entre movimentos nacionais nos quais normalmente um lado não reconhece o direito do outro lado de se autodeterminar. Todos os conflitos tratam de narrativas e lembranças históricas que se chocam, e sobre o entendimento oposto em questões de soberania, ocupação, limpeza étnica, assentamento e resistência à ocupação. Estes não são conflitos religiosos, mas cada um deles tinha uma dimensão religiosa relacionada aos lugares considerados sagrados.

Esta conjunção é o motivo pelo qual até hoje não se encontrou uma solução para nenhum destes conflitos, mesmo após décadas de sinceras tentativas internacionais, às vezes ingênuas, de propor soluções: o plano de Kofi Annan com respeito ao Chipre, o acordo Dayton com respeito à Bósnia, etc. Estes planos se focaram principalmente no lado territorial do conflito, mas tratando-se de raízes mais profundas e fundamentais, não se encontrou solução, embora haja-se encontrado formas de baixar o nível de violência.

A direita em Israel quer manter o estado vigente, e a política de Netanyahu mostra que ele determinou um objetivo a si mesmo: evitar a transferência de territórios ao controle palestino, e evitar — ou adiar o quanto se possa — a criação de um Estado palestino.

Aqueles que dizem que Netanyahu está interessado apenas na sobrevivência de seu governo estão errados (afinal de contas todo político o quer). Ele vê em seu governo um objetivo nacional, e todas as suas políticas (incluindo o foco no projeto nuclear iraniano, tema do qual não desistirá mesmo se ficar claro que ele não tem intenção alguma de atacar o Irã) estão direcionadas a ele: desviar a atenção do tema palestino.

Pensando fora da caixa

A oposição, sob a liderança de Isaac Herzog da União Sionista, não propõe uma alternativa a esta política. Herzog está certo quando diz repetidamente que deve-se voltar às negociações com os palestinos. Contudo, não é suficiente, pois isto não é um projeto político. Será que Herzog está convencido que se o governo de Netanyahu voltar à mesa de negociação o resultado será um acordo baseado no princípio de dois países? E mais: se Herzog for primeiro-ministro e voltar à mesa de negociação, será que ele pode oferecer aos palestinos mais do que já ofereceram Ehud Barak em Camp David e Ehud Olmert em conversas com Abbas? Os palestinos rejeitaram as propostas israelenses nos dois casos. Até mesmo a ideia que encanta a tantos (e pode-se entender porque), a de adotar a iniciativa da Liga Árabe não é realista: quando o mundo árabe se desfaz e pelo menos quatro países árabes se encontram em processos de desintegração e já não funcionam como países, não se pode confiar na Liga Árabe. Mesmo que houvesse um bom motivo de promover a iniciativa por si própria, a salvação não virá dela.

Herzog deve dizer coisas diferentes, que exigem pensamento criativo e bravura política. Ele deve dizer que de fato deve-se voltar à mesa de negociação e que a solução deve ser dois países para dois povos. Mas tendo-se em vista a dificuldade de se alcançar agora um acordo como este, Israel deve tomar alguns passos que possam facilitar um acordo no futuro, e um governo liderado por ele promoverá, entre outros, os seguintes processos:

  • Interrupção completa da construção nos assentamentos e evacuação de assentamentos ilegais, de acordo com o que governos passados se comprometeram.
  • Desenvolvimento de um generoso projeto de “evacuação-indenização” aos colonos que saírem por contra própria e evitar que judeus tomem controle de edifícios em Jerusalém oriental.
  • Declarar ilegais as organizações ligadas ao “Tag Mechir” [grupo terrorista judaico], de acordo com diretrizes existentes.
  • Facilitar e estimular os investimentos internacionais na Cisjordânia.
  • Retirar o que resta do bloqueio à Faixa de Gaza, e criar um mecanismo, em conjunto com o Egito e com a União Européia, que controle a passagem de pessoas e mercadorias para dentro e para fora da faixa.

Todos estes passos têm como objetivo mostrar o que Israel quer, mas também que ela não está disposta a esperar qualquer Godot palestino.

Eu admito que estes não são passos fáceis de se tomar: por um lado eles não trarão uma solução definitiva, e por outro lado criarão resistência dentro mesmo de Israel. Mas eles são uma alternativa real ao estado vigente, mesmo que seja parcial e problemática, e em volta deles poderá se consolidar uma União Sionista grande e significativa. Não é suficiente voltar à mesa de negociação para se obter a chave mágica do conflito. Esta é uma fórmula que nós tentamos já há mais de duas décadas, e quando governos moderados liderados por Barak e Olmert tentaram este caminho, fracassaram — e não somente por causa de Israel. É difícil admitir isto, mas esta é a verdade: aqueles que querem ignorá-la e preferem em sua pureza jogar toda a culpa sobre a política israelense, são simplesmente cegos. A recusa palestina em 1948 foi a mãe de todos os males, e segue sendo um obstáculo a um acordo de paz ainda hoje.

Confederação não é uma solução

E agora algo sobre a ideia levantada há pouco, a ideia da “confederação”. Eu tenho todo o respeito pela obra humana e sionista do presidente Reuven Rivlin, defendendo os direitos dos cidadãos árabes de Israel: assim ele segue fiel às ideias liberais de Jabotinsky. Mas Rivlin também acredita na grande-Terra-de-Israel e é contra a um Estado palestino. Quando lhe perguntaram explicitamente como ele vê o futuro, sua tentativa de lidar com o choque interno destas duas correntes lhe fez levantar a ideia da confederação.

No âmbito literal é um começo agradável e até mesmo cativante, mas infelizmente infundado. Primeiramente, em nenhum lugar do mundo há uma confederação (por motivos históricos a Suíça se chama confederação, mas na verdade é uma federação). Ideias de confederação foram levantadas quando a União Soviética e a Iugoslávia estavam se desfazendo, e falharam. Uma confederação exige, antes de mais nada, a determinação de fronteiras entre seus constituíntes: será que alguém acha que os palestinos concordariam com uma entidade palestina que não inclua todo o território da Cisjordânia? Por outro lado, será que Israel aceitaria que os assentamentos estejam no território palestino da confederação? Está claro também que a solução confederativa não lida com o tema de Jerusalém. Em segundo lugar, em uma confederação, diferentemente de uma federação, cada um dos constituíntes é uma entidade reconhecida internacionalmente, inclusive como membro da ONU: Israel concordaria com isto? Uma confederação como esta, se for criada, terá de tempos em tempos — suponho que por revezamento — um presidente palestino. Será que a maioria dos israelenses concordaria com isso em qualquer hipótese?

E um último ponto, não tão agradável: como pode-se formar instituições compartilhadas em uma confederação, quando um de seus constituintes é um Estado democrático (Israel) e o outro é uma entidade que, por educação, não quero caracterizar sua forma de governo, mas observando-se a Autoridade Palestina, pode-se dizer que ela será mais parecida a um Estado repressor árabe do que a algo que se aproxime de um modelo democrático qualquer. Por motivos que todos entendemos não foram realizadas eleições à Autoridade Palestina, e suas instituições simplesmente decidiram prolongar sua vigência. Eu não estou certo de que muitos israelenses estejam dispostos a viver numa associação política qualquer com tais estruturas. Em suma — com todo o devido respeito ao presidente Rivlin, esta ideia não prosperará e não pode prosperar porque é inteiramente um conjunto de contradições internas.

Não há outra opção a não ser reconhecermos que neste momento não há chance de um acordo aceito pelas partes. Esta conclusão pessimista obriga a oposição, e ao seu líder, um reconhecimento. Eles devem propor alternativas que não se se sujeitem a “solucionar” o conflito, mas que possam moderá-lo e talvez aproximar os dois lados a uma reconciliação histórica.

Mas que não haja ilusão: enquanto os palestinos acharem que eles lutam — por meio de armas ou diplomacia — contra uma entidade sionista colonialista e imperialista, um compromisso histórico não pode existir. É difícil aceitar isto, porém devemos. Por outro lado precisamos desenvolver estratégias criativas alternativas para sair deste status-quo que coloca em risco a existência de Israel como um Estado judeu e democrático.


Texto traduzido da versão em hebraico, e formatado inspirado em sua versão em inglês. Atenção, o texto em inglês difere ligeiramente em conteúdo deste texto traduzido aqui.

Foto de Rodrigo Uriartt. Seu Flickr é https://www.flickr.com/photos/ruriak/.

flor

 

Comentários    ( 4 )

4 Responses to “Sem solução à vista: entre dois movimentos nacionais”

  • Marcelo Starec

    21/10/2015 at 07:21

    Oi Yair,

    Muito interessante o artigo que você nos trouxe, devidamente traduzido!…Entendo que boa parte dele é de uma lucidez impressionante…Não é “mais um” artigo – é uma leitura essencial, eu diria, para quem quiser entender essa questão de um modo um pouco mais abrangente, saindo do superficial…A meu ver, o Shlomo colocou, mas não enfatizou devidamente, uma questão central – a importância do fundamentalismo islâmico no pensamento palestino. O que ocorre é que o pensamento palestino – e o de atores de todos os conflitos que o Shlomo citou, estão impregnados de islã radical e extremista. E nessa cultura, nesse modo de pensar, judeus e cristãos tem de ser, obrigatoriamente, Dhimmys (aquele que o líder islâmico lhes permite viver e praticar algumas profissões, por bondade,em troca de impostos etc…). E para quem pensa desse modo, não é admissível uma outra cultura estabelecer-se e progredir “ao lado deles” – sem “pedir esse favor”, sem aceitar essa “dhimytude”….Uma soberania judaica sobre um metro quadrado de terra ali – inviável – simples assim…Sim, eles podem até ser tolerantes, aceitar a existência ali do elemento judeu ou do elemento cristão, mas jamais podem aceitar este como “soberano” – por esse motivo entendo que com razão o Bibi exigiu do Abbas a aceitação de Israel como o Estado Judeu (do povo judeu) – tal como foi criado pela ONU em 1947 e jamais acatado pelos árabes islâmicos…De modo a meu ver totalmente equivocado, muitos disseram – esta coisa toda é “uma bobagem”…Bom, se é uma “bobagem” então ficam aqui duas perguntas, interligadas: 1) Por que motivo os países árabes “montaram artificialmente” uma multidão de 5 milhões de supostos descendentes de refugiados, para ser os cidadãos da “palestina livre” (livre de judeus, claro!); e claro 2) Quem acha isso “uma bobagem” deveria então estar disposto a aceitar a proposta palestina / ou da Liga Árabe de sim formar Dois Estados: Um Palestino, livre de judeus e o outro um “Israel laico”, de maioria muçulmana (Somando a sua população os 5 milhões de descendentes de refugiados)…Mas não estão!…Nem os judeus mais “humanistas” querem aceitar esse plano – que resolveria o “problema palestino”…Os judeus passariam a ser minoria em Israel e como tal Israel seria aceito por todos os países árabes, inclusive o palestino – O Primeiro Ministro seria quem sabe o Khaled Mashal e o Abbas líder da oposição – a população judaica iria emigrar em peso e esse Estado logo seria bem parecido com os demais estados da região…Minha conclusão – entendo que não existe uma “dimensão nacionalista” tão forte no movimento palestino – Essa é uma equivocada leitura feita a partir de valores ocidentais, mas sim uma cultura dominada por valores que o Estado Judeu – por ser ocidentalizado, democrático e ainda por cima judeu – representa uma afronta!…Essa é a verdadeira questão!…E assim, enquanto não existir uma revolução na forma palestina de educar as suas crianças, de criar instituições democráticas e essa concepção de um Estado Nacional com território negociado de forma justa, não há como resolver essa complexa questão – Os Acordos de Oslo tinham como pano de fundo a construção gradual de um Estado Palestino, mas infelizmente foram pensados com um viés ocidental – e não com o correto viés islâmico – e por fim entendo que precisamos reeducar os palestinos, com valores compatíveis com os que acreditamos e a longo prazo chegar nesse tipo de solução – Dois Estados para Dois Povos!…Bom, peço desculpas por ter me estendido mais do que o razoável…

    Um abraço,

    Marcelo.

  • Geraldo Coen

    21/10/2015 at 11:53

    Bom que Shlomo Avneri tenha dado este importante passo para entender que não há acordo possível quando a visão do outro é a que ele descreve. Isto explica bastante os fracassos das tentativas de paz. Pena que ele não dá o passo maior. Que é entender o que move a liderança palestina. A narrativa “Israel é colonialista” é a ideologia fabricada para mover os palestinos, a “super-estrutura” para usar um clássico termo marxista. A infra-estrutura, os interêsses economicos, é o que move a política.
    No caso palestino, é simples. Desde o começo do século, a linha Arafat, que funciona como Cleptocratas, tomou o poder, pela violencia, assassinando líderes nacionalistas como Chalabi na época. Formou um governo que usa esta ideologia para 1) convencer seu povo que todos os males vêm de Israel (ideologia anti-colonialista) e 2) se manter no poder e levantar dinheiro via ajuda árabe, ajuda internacional, UNRWA depois de 1947, etc. Esta linha é muito clara em todas as negociações, é clara no relacionamento com Jordania quando esta controlava a Cis-Jordania, clara no Líbano, clara no sequestro por Arafat da primeira Intifada, etc, etc, etc.
    Resumindo: o problema é a liderança palestina.

    • Mario S Nusbaum

      23/10/2015 at 16:26

      ” o problema é a liderança palestina.”
      Para mim isso é tão claro que quem discorda só pode ser ou mal-intencionado ou ignora por completo a história do conflito. As outras lideranças árabes tiveram seu papel em impedir um acordo, mas tudo indica que nem elas aguentam mais os palestinos.

  • Mauricio Peres Pencak

    25/10/2015 at 14:07

    Trata-se de um convite ao suicídio coletivo e um enésimo execício de sentimento de culpa do lado judaico.
    O autor propõe a Israel ceder, ceder, ceder, ceder, ceder, ceder e…ceder. Aprendemos que o Estado Judeu lida com um inimigo implacável, alimentado -e o próprio autor tangencia sem afirmar explicitamente- por um profundo sentimento antissemita.
    Esse inimigo interpreta cada recuo como um sinal de fraqueza e não como um gesto de conciliação. Faz do recuo uma demonstração de seu sucesso e passa a exigir um novo recuo até a consecução de seu projeto, a destruição da “entidade colonial sionista”.
    Sei lá por qual sentimento ancestral de culpa -como se os sucessos, sobrevivência histórica e contribuição para o bem estar da humanidade nos fizesse sentir mal- nos vemos obrigados a ficar dando permanentes demonstrações de boa vontade.
    Chamberlain acreditou de maneira sincera que concessões a Hitler evitaria o pior. Todos sabemos quais foram os resultados.
    O outro lado que ceda, o outro lado que recue, o outro lado que dê demonstrações de boa vontade e sentimentos sinceros.

Você é humano? *