Sérgio, O Caminhante

27/11/2015 | Cultura e Esporte

Os Mutantes são psicodélicos. Os pais do rock brasileiro. Admirados no mundo inteiro. Sean Lennon e Kurt Cobain são dois exemplos de fãs ilustres.

Eu sempre os ouvi e admirei. Durante o Festival de Cinema Brasileiro em Israel (2009), fui ver o filme Loki, sobre o Arnaldo Baptista. Íncrivel, emocionante. Saí da Cinematheque-Tel Aviv caminhando sem rumo, peguei o ônibus para casa em uma parada não habitual, cheguei ao destino, coloquei um cd deles, deitei no chão da sala e continuei anestesiado.

Andar por aí cantarolando “Caminhante Noturno” embala trajetos longos. Engana o cansaço.

Arnaldo tem história de vida impressionante. Dentre seus amores, a atriz judia-brasileira Martha Mellinger foi quem lhe deu o único filho. Daniel esteve com a esposa dia 23 de novembro, segunda-feira, no Barby, de Tel Aviv, onde Os Mutantes se apresentaram.

A formação não era a clássica, com Arnaldo (teclados-voz), Rita Lee (flauta-agogô-voz), Sérgio Dias (guitarra-voz), Liminha (baixo) e Dinho (bateria). Destes, apenas Sérgio veio. Porém, os músicos estavam dispostos no palco, segundo o modelo tradicional da banda. Esmeria Bulgari foi a Rita. Vinícius Junqueira, Liminha. Henrique Peters, Arnaldo. Claudio Tchernev, Dinho.

Barby é casa de shows de rock. Palco baixo, pista ampla, bar atrás e mezanino lateral. O clima era de total Rock And Roll. O público, além de fãs brasileiros, era formado por frequentadores do local, que topam qualquer parada por lá. Também por eles, boa parte do repertório foi cantada em inglês. Nosso analista internacional, Claudio Daylac, traz outra versão. “Não acho que eles estavam lá porque “topam qualquer parada”. Os Mutantes são uma banda muito famosa mundo a fora. A maioria do público era israelense e sabia as canções”.

A primeira em português foi “Jardim Elétrico”. Sérgio foi épico. Depois, “A Minha Menina”. A galera cantou e dançou.

No “gargarejo”, brasileiras puxaram o coro de “Ando Meio Desligado”. Sérgio brincou: – Faz muito tempo, não lembro dessa. Risos. Pouco depois, atendeu o público, seguindo o setlist. Aliás, ele fez piada, esteve animado, bem humorado. Cantou “Hava Naguila” e falou “Turres” (bunda, em Iidish). Sobrou até para a presidente brasileira. Alguém gritou “Fora Dilma” e ele respondeu: – Pode Crer, Fora Dilma. Vou pedir asilo político em Israel.

Quando uma corda de sua guitarra arrebentou, Sérgio Dias deu aula de afinação musical. Com elegância e tranquilidade.

Na pista, eu bradava refrões com amigos. “Bat Macumba” e “Top Top” explodiram o pessoal. Os Mutantes voltaram duas vezes para o bis e executaram “Panis Et Circenses” e “Desculpe, Baby”.

Ao meu lado no show, o nosso colega Gabriel Paciornik comenta: “O cara fica com aquela cara de blassê, gordo e suado, mas daí pega a guitarra e solta um puta solo de três horas, sem cansar, que deixa qualquer piá no chinelo. O sujeito é um monstro e não está nem aí.”

Sérgio dedicou o show ao sobrinho Daniel, morador de Jerusalém e pai do neto de Arnaldo. E todos foram embora com gosto de quero mais.

Foto da capa: Any Dana.

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Comentários    ( 4 )

4 Responses to “Sérgio, O Caminhante”

  • Marcelo Starec

    30/11/2015 at 21:17

    Oi Nelson,

    Que bom saber!!!…Sabe, faz muito tempo que não ouço mais nada sobre os mutantes…

    Abraço,

    Marcelo.

  • Guy Gandelman

    01/12/2015 at 01:55

    Foi um show sensacional! Eu que já tinha visto alguns shows dos Mutantes nessa volta, curti ainda mais assistir em um lugar pequeno e underground como o Barby. Parabéns pelo texto, Nelson! I feel i little spaced out in Tel Aviv!

    • Nelson Burd

      01/12/2015 at 09:44

      Sensacional, Guy. É isso mesmo. Foi esta mesma a sensação.