Sim, tesouro

Convidei alguns guias turísticos brasileiros em Israel para responder à seguinte pergunta:

Conte-nos sobre algum “tesouro túristico” de Israel que seja especial para você, fora do circuito de turismo mainstream, e que em sua opinião deveria ser mais valorizado.

Estes são os tesouros que trazemos a vocês, diretamente de quem melhor conhece Israel. Aproveitem!


Gal Wajskop – Vale do Hula

Um lugar que eu acho que é um “tesouro turístico” e que eu gosto muito aqui em Israel é o parque Hula na região do vale do Hula. O vale fica no norte de Israel, perto das colinas do Golan e do famoso lago Kineret. Além de ser uma região com paisagens de tirar o fôlego, com água abundante e uma flora incrível e diversa, é também um dos principais pontos de passagem para as aves que migram entre os continentes África, Europa e Ásia.

Antigamente a região era formada por pantânos e um pequeno lago, que nos anos 1950 foram drenados, na tentativa de alterar o ambiente para atender as necessidades agrícolas. O novo ambiente não trouxe bons resultados para o ecossistema e o governo israelense encontrou a solução para o equilíbrio entre a natureza e o desenvolvimento, formando um parque e a reserva natural do Vale do Hula. Nesse parque o lago foi restaurado com águas trazidas do rio Jordão e a vida voltou a esse lugar.

É possivel (e vale a pena!) passear no parque alugando carrinho de golf, bicicletas normais ou elétricas, ou até mesmo a pé para os mais esportistas. No passeio você pode vir a encontrar vários tipos de vegetação e animais, como a Nutria e Búfalos. Mas a atração especial é parar nos mirantes e observar as distintas espécies de aves, como pelicanos, garças que ou pararam para descansar ou que já estão indo embora.

Passeie em Israel com a Gal Wajskop!
guliwajskop@gmail.com


Leonardo Leizerovith – A Piscina dos Arcos

A piscina dos arcos (Brechat haKshatot) fica na cidade de Ramle. É uma cisterna gigante que foi construída pela dinastia muçulmana abássida para armazenar água na então nova cidade, fundada no ano 789. Apesar da cidade de Ramle ter sofrido vários terremotos ao longo de sua história, a cisterna manteve-se inteira, e é o único lugar turístico construído pelos abássidas que ainda está de pé.

A cisterna subterrânea é apoiada por vários arcos, assim possibilitando suas vastas dimensões. Ela tem aberturas no teto para que se possa pegar água com a ajuda de baldes.

Este é um lugar mágico, que encanta o visitante imediatamente quando se entra. Lá há barquinhos nos quais pode-se passar algumas horas relaxando, aproveitando a fresca atmosfera, e escapando do calor de fora. É bastante comum encontrar casais de namorados navegando em seus barquinhos no clima romântico da cisterna.

Passeie em Israel com o Leonardo Leizerovith!
leoleizerovith@gmail.com


Aline Szewkies – Parque Nacional de Tzipori

Tzipori, em português Séforis, surgiu há 3000 anos e no período romano e bizantino se tornou uma das principais cidades da Galileia, deixando para nós um sítio arqueológico único em Israel com uma quantidade fantástica de mosaicos.

Hoje Tzipori se transformou em um parque nacional, que proporciona uma visita inesquecível para toda a família. Caminhando pelo local pode-se ver a antiga vida judaica da cidade, com as suas mikves (banhos rituais) e a sua deslumbrante sinagoga do século V, coberta por um piso de mosaico que conta histórias bíblicas, imagens do templo de Jerusalém, e ao centro, um círculo do zodíaco, com os 12 signos.
O mosaico mais famoso de Tzipori é o rosto de uma linda mulher, hoje conhecida como a “Mona Lisa da Galileia”, pois seu olhar parece acompanhar quem a observa, assim como na famosa obra de Leonardo da Vinci, mas aqui nossa linda mulher é 1600 anos mais antiga.

Os visitantes mais corajosos também podem explorar o antigo sistema de água da cidade, e caminhar pelos subterrâneos de Tzipori.

Então na sua próxima visita a Israel não esqueça de colocar Tzipori na lista, e venha caminhar pelas ruas romanas e entrar nessa viagem pelo tempo!

Passeie em Israel com a Aline Szewkies!
alinetourism@gmail.com


Mauricio Wofchuk – Monte Meron

Quando pensamos no Norte de Israel e sua ligação com o judaísmo, imaginamos Tsafed (Arizal e a Kabala) e Meron (Túmulo do Rav Shimon Bar Yochai) como parada obrigatória. Porém entre estes dois locais há um tesouro natural escondido: uma agradável caminhada no cume do Monte Meron. É uma oportunidade para literalmente parar e cheirar as flores em uma trilha de 1,5 km com lindas paisagens.

O Monte Meron está a mais de mil metros acima do nível do mar, de modo que proporciona uma vista deslumbrante desde o Monte Hermon e as Colinas do Golan, passando pelo Sul do Líbano até avistar a área da Baía de Haifa, a 40 quilômetros de distância.

O início da trilha é acessível para qualquer veículo e há um ótimo lugar para piqueniques. A trilha circular é fácil e devido à rica flora, que forma um belo cobertor de carvalhos, a sombra é abundante. Ocasionalmente, no inverno, um tapete de neve pode cobrir parte da trilha, enquanto que a primavera oferece a elegância do florescimento de orquídeas e flores mediterrâneas.

Ao longo da trilha encontraremos um antigo lagar (local onde se pisam uvas para elaborar o vinho), uma evidência de vinhas antigas que costumavam crescer nas encostas da montanha. Até hoje em dia a região da Galiléia é conhecida por suas vinícolas e estes campos podem ser admirados do alto da trilha escutando as lindas histórias da região.

Passeie em Israel com o Mauricio Wofchuk!
wofchuk@gmail.com


Fotos:
Vale do Hula:
Garças: Flickr de Ziva & Amir, segundo a seguinte licença Creative Commons.
Garças no Vale do Hula: Flickr de israeltourism, segundo a seguinte licença Creative Commons.
Nutria e búfalos: Flickr de Anita Gould (nutria, búfalos), segundo a seguinte licença Creative Commons.
Piscina dos arcos:
Foto em preto e branco: Flickr de Lidor, segundo a seguinte licença Creative Commons.
Foto colorida: Flickr de Flavio~, segundo a seguinte licença Creative Commons.
Tzipori:
Ruínas, Mona Lisa e Bacanália: Flickr de Jeremy Price (ruínas, Mona Lisa foto1 e foto2, Bacanália), segundo a seguinte licença Creative Commons.
Mosaico com padrões geométricos: Flickr de meanderweb, segundo a seguinte licença Creative Commons.
Mosaico de Jerusalém: Flickr de israeltourism, segundo a seguinte licença Creative Commons.
Monte Meron:
Trilha, Flickr de Fabio Hofnik, segundo a seguinte licença Creative Commons.
Vista, Flickr de Gil Eilam, segundo a seguinte licença Creative Commons.

Comentários    ( 2 )

2 Responses to “Sim, tesouro”

  • Marcelo Starec

    28/04/2015 at 20:19

    Oi Yair,
    Que interessante o seu texto e as informações que traz! Israel é um País novo e ao mesmo tempo milenar!…A forte presença do povo judeu lá está mais do que comprovada, ao longo de todos os séculos dos últimos mais de 3000 anos, tanto como Reino (Estado) quanto como povo, pelas práticas religiosas, aspectos culturais e por aí vai…Assim, Israel é de fato um vasto espaço para descobertas arqueológicas a respeito de milênios atrás – e o mesmo povo que lá estava, desde tempos remotos, hoje constitui a base do Estado de Israel….Quantos países do mundo podem dizer o mesmo?………………
    Abraços,
    Marcelo.

  • mira

    07/05/2015 at 00:04

    Gal Wajskop é minha filha e tenho o maior orgulho dela. Conhecedora dos maiores detalhes turísticos sobre Israel, eu viajei com ela em 2011 por grande parte do norte de Israel e com ela visitei lugares de tirar o fôlego.
    Israel é um país pequeno, mas quem acha que conheceu tudo, está enganado. A cada visita terão mais surpresas.